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Friday, November 23, 2012

A queda da procura das urgências hospitalares

Durante muitos anos, era comum ouvir-se muitos técnicos de saúde referirem que os doentes se deslocavam a uma urgência hospitalar pelas mais variadas razões. Desde acidentes graves, até a uma simples constipação, tudo eram motivos de deslocação a uma urgência hospitalar.

As pessoas não tinham suficiente informação para utilizarem outros recursos do sistema de saúde, como os Centros de Saúde, ou simplemente, não confiavam nestes mesmos recursos. E assim, por qualquer razão, as pessoas deslocavam-se logo à urgência hospitalar, mesmo que acabassem por lá vir a estar por cerca de 10 ou 12 horas.

O preço baixo do atendimento numa urgência hospitalar, também ajudava ao frenesim. Agora, parece que vai começar a haver desafogo na frente hospitalar: Nos primeiros sete meses do ano, os hospitais deram resposta a 3,4 milhões de episódios de urgência, o que corresponde a menos 1800 casos diários, uma evolução que se considera estar “em linha com o esperado, registando-se uma desejável moderação do acesso face a igual período de 2011”.

Mais, parece que na realidade, são as situações menos urgentes ou menos graves, que estão a diminuir nas urgências hospitalares: “A redução é significativa nos verdes e nos azuis".

Ás vezes o pagamento de uma pequena verba (face ao custo significativo de uma urgência hospitalar) pode ser um elemnto formativo e de pressão, junto de uma população mal informada ou mal formada.

Monday, August 23, 2010

O dinheiro escasseia

Vivemos num país ultra-endividado, apesar das aparências e dos actos de negação. O Estado está endividado. As empresas e as famílias estão endividados. E os sinais estão por todo o lado. Veja-se o que se passa no sector da saúde:
  1. Segundo os dados mais recentes da Apifarma, as dívidas dos hospitais ascendiam, em finais de Julho, a 929 milhões de euros, tendo subido ao ritmo de dois milhões por dia.
  2. “O Ministério da Saúde rejeita os valores tornados públicos pela Apifarma, que não correspondem aos valores apurados pelas diversas instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.
  3. A Autoridade da Concorrência (AdC) decidiu abrir uma investigação à associação que representa os laboratórios farmacêuticos por indícios de violação da lei da concorrência. Em causa está a decisão tomada pelas farmacêuticas de se juntarem, através da associação do sector, para cobrar aos hospitais juros pelo atraso no pagamento dos medicamentos que consomem.
  4. O Ministério da Saúde (MS) vendeu quatro hospitais de Lisboa a uma empresa do Estado, por 111,5 milhões de euros, dos quais foram usados 75 milhões para aumentar o capital de 18 hospitais EPE (Empresas Públicas Empresariais) e fazer face às suas dívidas. Entre as unidades vendidas, os hospitais de Santa Marta, São José e Capuchos vão ser integrados no novo Hospital de Todos os Santos, que deve abrir em 2013.
  5. Mais apoios sociais e transferências para a saúde explicam o aumento de 3,8% da despesa do Estado. Um aumento superior à subida de 3,6% da receita. A diferença entre os dois mostra um défice de 8,9 milhões de euros, mais 347,1 milhões face ao período Janeiro-Julho de 2009.
  6. No final de 2009 as dívidas a fornecedores por parte das instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ascenderam a 749 milhões de euros. No topo da tabela está a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS Norte), que em 31 de Dezembro do ano passado registava uma dívida de 265 milhões de euros. Em segundo lugar, surgia a Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) com 214,2 milhões, seguida da ARS Centro (78,3 milhões), Alentejo (15,6) e Algarve (14, 5 milhões de euros). No total, as cinco ARS acumularam quase 600 milhões de euros de dívidas aos fornecedores. Mais 452,7 milhões de euros do que vinte hospitais em conjunto.

Resumindo e concluindo: a) os hospitais devem muito dinheiro, em particular, à Indústria Farmacêutica; b) os órgãos do Ministério da Saúde (em particular, as ARS's) devem muito dinheiro aos hospitais; c) o Estado consegue assim maquilhar as contas do déficit que apresenta a Bruxelas.

Engenharia financeira. Ou se quiserem, muita contabilidade criativa. Até quando?

Thursday, November 19, 2009

Os hospitais portugueses são perigosos

Não é novidade que nos hospitais se ganham doenças. Dito de outra forma, há vários tipos de focos infecciosos que atacam as pessoas que estão nos hospitais (profissionais, doentes e visitantes).

O que já é novidade é isto: Quase dez em cada cem doentes (9,8 por cento) contraem infecções nos hospitais em Portugal, indicam os resultados preliminares do último inquérito de prevalência ontem divulgados no Porto por Cristina Costa, da Direcção-Geral da Saúde.

E fazendo uma comparação internacional, aquele resultado é mau: Mesmo com estes números, Portugal está dentro das médias a nível internacional, que oscilam entre os quatro e os 12 por cento. É que não sabemos quem fará parte da média internacional. Farão parte apenas os países desenvolvidos (UE-27, Japão, Canadá, EUA, Austrália e afins)? Ou também os sub-desenvolvidos (Angola, Burkinafasso, Nigéria, Butão e afins)? Se nos tivermos a comparar com todos os países do mundo, estamos próximos da média pior.

Mas, como temos sempre Coordenadores para justificar tudo, não nos surpreende que se diga isto: no inquérito realizado em Março deste ano as definições de infecção hospitalar foram actualizadas e tornaram-se mais abrangentes, o que pode justificar uma parte do incremento.

Pior, as instituições de saúde continuam a ligar muito pouco à investigação: Também o número de hospitais que respondeu quase duplicou em relação a 2003 (114, públicos e privados).

Como a investigação em saúde em Portugal tem um nível de colaboração por parte das instituições baixo, dá nisto: Em Portugal, não há dados sobre a mortalidade provocada por este grave problema de saúde pública. Mas na Europa todos os anos cerca de quatro milhões de doentes contraem infecções nos serviços de saúde e 37 mil acabam por morrer.

Parece que sempre é melhor não se saber das coisas negras!

Wednesday, July 02, 2008

As derrapagens sucessivas da Ministra

A Ministra Ana Jorge já perdeu o "estado de graça". Agora, enfrenta o "monstro". E o pior, é que este monstro tem imensas cabeças. E quando o monstro faz as primeiras tentativas para assustar a Ministra, esta derrapa em todos os sentidos:
  • A ministra da Saúde disse esta terça-feira no Parlamento que, em caso de doença grave, nunca iria a um hospital privado.
  • A ministra da Saúde acusou ainda os médicos de receitarem medicamentos e exames a mais, que não são necessários à saúde dos doentes.
  • «Quem vai ao médico leva uma receita mesmo que não necessite de prescrição. Muitos exames que completam o diagnóstico são pedidos exageradamente», alertou a ministra.

Das duas uma, ou a Ministra já percebeu que não consegue enfrentar o "monstro das 7 cabeças", ou não sabe o que diz!

Comentários nossos:

  1. Se a Ministra diz que não vai a um Hospital Privado, é porque tem conhecimento de factos graves, que a maioria dos cidadãos não tem. Perante isto, deveria agir, encerrando os Hospitais Privados que não lhe servem a ela e a nós cidadãos!
  2. Se os Hospitais Privados só servem para consultas ou para a execução de exames, então, as entidades públicas que os credenciaram como Hospitais deveriam retirar-lhes as licenças.
  3. Se a Ministra não tem confiança nos Médicos que trabalham nos Hospitais Públicos (relembre-se que a própria Ministra é Médica num Hospital Público), só tem que os disciplinar. Aliás, se não há confiança entre empregador e empregado, quebra-se a relação de trabalho saudável e que propicia maiores níveis de produtividade.

Triste, demasiado triste.

Sunday, June 22, 2008

O calor mata

Há alguns anos, tivemos internados num hospital público, onde fomos objecto de uma cirurgia. Globalmente, o serviço teve "nota 13". E "nota 13" é pouco ou muito? É satisfatório.

Nesse hospital público, a estada durou três dias, mas as histórias foram muitas. A cirurgia correu bem. O apoio de enfermagem foi satisfatório. A comida era pobre. O atendimento foi razoável. As instalações eram bem más.

E porque eram más as instalações? A camarata era partilhada com cerca de 40 pessoas; havia algumas paredes de dois metros, em contraplacado, a dividir grupos de 4 a 6 doentes; havia 2 WC's para 40 pessoas; e, sobretudo, o calor apertava bem (cerca de 40º em Junho).

Será que a qualidade das instalações não é importante para avaliar a qualidade de serviço do hospital? Claro que é. Até porque, em variadas circunstâncias, as condições de serviço, muito para além do puro serviço médico, podem fazer a diferença.

Tudo isto a propósito desta notícia:
  • Nos hospitais sem ar condicionado o número de mortes aumenta em 60 por cento. A conclusão é de um estudo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), agora divulgado, que analisou os 41 hospitais do Serviço Nacional de Saúde e que vem agora provar aquilo para que os especialistas alertavam: dentro das unidades de Saúde também se morre por excesso de calor. Os doentes com mais de 65 anos e os serviços de Medicina Geral são os mais afectados.

Não somos contra os estudos, mas há estudos que seriam evitáveis, e este é um deles. Será que se os Senhores Altos Funcionários do Ministério da Saúde visitassem as várias unidades de saúde do SNS, não poderiam ver com os seus próprios olhos que as condições de habitabilidade em muitos hospitais é muito má?

Nós, com a experiência que tivemos, chegámos à conclusão que viver doente num hospital pode ser fatal. E não poderá ser só fatal pela doença. É que passámos 3 dias num hospital e jamais nos esqueceremos dessa experiência, mas recordamo-nos de pessoas que já lá estavam há meses!

Será que nos Serviços Administrativos do Ministério da Saúde haverá algum gabinete sem ar condicionado?

Post Scriptum: se não há recursos para suportar a instalação de ar condicionado nas camaratas dos hospitais, também não deverá haver recursos para suportar ar condicionado nos Gabinetes administrativos!

Monday, June 16, 2008

Ineficiência logística do SNS

Não basta ter mesas, cadeiras, médicos, enfermeiros e equipamentos para que se consigam bons níveis de serviço. É preciso um fio condutor, que permita que os diferentes recursos interajam entre si de forma eficiente.

Palavras bonitas! Na prática, é sempre fácil complicar ou tornar as coisas mais complicadas. Vejamos esta notícia: Os hospitais enviam doentes para os centros de saúde para lhes serem passados exames, numa prática que desvia despesas e ocupa os médicos de família com burocracias.

Vamos à origem da notícia, que é a FNAM (uma das corporações de médicos) e vemos isto:
  • diversos hospitais têm promovido a transferência da requisição dos exames complementares de diagnóstico entendidos necessários nas consultas realizadas pelos seus médicos para os Centros de Saúde – neste procedimento frequentemente nem sequer é anexada qualquer informação clínica.
  • Os hospitais começam agora a solicitar que sejam os médicos de família a requisitar os exames pré-operatórios e de estadiamento em situações oncológicas, bem como a emitir as credenciais de transporte dos doentes para consultas, tratamentos e internamentos.
  • Esta prática é identificada pelos médicos de família como um dos factores mais geradores de desmotivação no seu trabalho diário, na medida em que se vêem sobrecarregados com solicitações de utentes vindos dos hospitais que visam uma mera acção burocrático-administrativa de pedidos de transcrição.
  • Implicam um aumento importante do número de consultas, desnecessárias, nos Centros de Saúde e um acréscimo de custos, fruto de os utentes terem de recorrer aos seus médicos de família para simplesmente formalizar requisições decorrentes da avaliação clínica efectuada a nível hospitalar.

Não gostamos de ouvir lobbies a reclamarem o seu quinhão. Contudo, quando os lobbies dão verdadeiros contributos para uma melhoria dos serviços, gostamos de ouvir.

Neste caso, esta corporação de médicos até tem uma intervenção adequada, dado que estes procedimentos burocráticos do Ministério da Saúde podem ter algum objectivo, mas de certeza que não têm como fim a satisfação dos doentes.

Independentemente da satisfação dos médicos e de outros colaboradores da saúde, os doentes devem ser o fulcro dos serviços da saúde, e nesta reclamação da FNAM, vê-se claramente que os doentes são um objecto que anda de um lado para o outro! E quando assim é, o serviço não serve. Ou dito de outra forma, não há qualidade do serviço, ainda que o serviço médico possa ser satisfatório!

Wednesday, January 30, 2008

Olha para o que eu digo!

A novela da saúde veio para ficar. E ficará. Tenhamos a certeza. E a razão é simples: o saco do dinheiro é cada vez menor e os vampiros são muitos!

O Primeiro Ministro, José Sócrates, não consegue mentir. Apesar de se lhe reconhecer uma técnica muito sofisticada, na forma como gere a "não verdade".

Ora vejamos, o que diz José Sócrates, a propósito da saída de Correia de Campos e da entrada de Ana Jorge:
  • O primeiro-ministro, José Sócrates, garantiu hoje que mantém as suas reformas na área da saúde, nomeadamente na rede hospitalar, e que não haverá mais encerramentos de urgências sem alternativas.
  • "Ninguém vai voltar atrás em nada. O que nós queremos é ter um novo método mas cumprir os mesmos objectivos".
  • "Não quero que as pessoas pensem que o Estado está a fechar as portas para se ir embora", afirmou.

Ora, só os ingénuos é que pensarão que haverá mudança, nos objectivos! Ou seja, o Primeiro Ministro acha que não se encerrarão mais hospitais, sem haver alternativas aos serviços a encerrar. Mas, entretanto não volta atrás! Dito de outra forma, quem já tem o serviço hospitalar encerrado, que se quilhe!

Mas, ainda assim, será que os próximos serviços hospitalares a encerrar, terão mesmo alternativa, para além do "carro dos bombeiros"?

Wednesday, January 23, 2008

Friday, January 11, 2008

Será o Ministério da Saúde uma pessoa de bem?

As boas contas fazem as boas pessoas! Foi assim que nos ensinaram. Aliás, o Ministério das Finanças, desde Manuela Ferreira Leite até Teixeira dos Santos, força, até mesmo à penhora coerciva, o pagamento de dívidas ao fisco. Ainda bem. É pena, é que o Estado, que é dirigido por uma "élite" de poucos princípios, exija aos outros, aquilo que não cumpre.

Vejamos a situação dramática do Ministério da Saúde face aos laboratórios farmacêuticos: A dívida do Estado à indústria farmacêutica relativa a medicamentos fornecidos aos hospitais estava em Novembro passado nos 787 milhões de euros. Ou seja, ainda bem longe dos 646 milhões de Dezembro de 2006, valor com que o Ministério da Saúde prometeu fechar também o ano de 2007, concretamente 22% acima.

De facto, o Professor Correia de Campos é o melhor exemplo da total incapacidade de gestão. Fala em reformas, fala em cortes orçamentais, fala em melhoria das contas. Mas depois, o Tribunal de Contas vem dizer que as contas da saúde não são verdadeiras. Os cortes orçamentais são muitas vezes fictícios e têm levado à decadência das infraestruturas do SNS. As contas têm sido aguentadas com muita engenharia financeira, bastando para isso analisar as contas de vários Hospitais EPE, a começar pelo Hospital de Santa Maria e pelo Hospital de São João!

Repare-se ainda nesta "pérola": Há dois meses, o prazo médio de recebimento estava nos 379 dias. Haverá alguma pequena ou média empresa que aguente tal situação? Ou seja, só os grandes Laboratórios farmacêuticos poderão aguentar isto, e nós imaginamos quais serão as contrapartidas!

Os portugueses pagarão, mais tarde ou mais cedo, o desnorte! E pior, vão assistir a uma fragilidade permanente na qualidade dos serviços.

Como dizia um antigo Primeiro Ministro: é a vida!

Tuesday, January 01, 2008

Os desafios globais da saúde

Os portugueses são críticos. Os portugueses são exigentes. Os portugueses são eternos insatisfeitos. Serão? Na nossa opinião, se os portugueses não fossem tão críticos e exigentes, o país ainda estaria pior! Aliás, a passividade habitual dos portugueses tem sido um seu inimigo ao longo da História.

Por falar em portugueses, pensemos nos nuestros hermanos. Estes também são exigentes e pouco dados a passividade (relembremos apenas a trágica guerra civil de Espanã).

Por cá, fala-se no encerramento de urgências. Em Espanha, ou mais precisamente na Catalunha fala-se também de urgências: El director de urgencias del Hospital Clínic de Barcelona, Joan Manuel Salmerón, ha admitido hoy que ayer hubo ambulancias con pacientes destinados a urgencias que esperaron en la camilla del vehículo entre 30 y 90 minutos, y ha asegurado que se debió a un aumento global de la actividad del 10%.

Como? Esperar dentro de uma ambulância, à porta de um hospital? E tudo isso, por causa de uma aumento de actividade de apenas 10%?

O poder político, lá como cá, desmistifica logo a situação: La consellera de Salut, Marina Geli, ha manifestado hoy que la espera de pacientes en ambulancias ante el colapso del servicio de urgencias es un hecho "aislado" que se utiliza de forma "muy puntual" ante la falta de espacio en el área de urgencias.

Quando 10% de aumento de actividade leva à falta de espaço nas urgências hospitalares, significa que o espaço dedicado às urgências é mínimo. Então e se há uma catástrofe qualquer, que leve a um aumento de actividade de 50%?

Monday, December 31, 2007

Friday, December 28, 2007

A insustentável leveza da saúde

É habitual ouvirmos falar de encerramentos de serviços de saúde. Para nós, o nascimento e morte de serviços é tão normal como o nascimento e a morte das pessoas!

Depois, vamos ouvindo falar de novos hospitais. Vários hospitais: Hospital de Todos-Os-Santos, Hospital de Cascais, novo Instituto Português de Oncologia (Lisboa), etc. Ouvimos, voltamos a ouvir, mas hospitais novos, não vemos nenhum. Parece que o último hospital aberto foi o Centro Hospitalar do Litoral Alentejano (Santiago do Cacém), já lá vão uns tempos!

Há hospitais que já deviam estar fechados, é certo, porque estão semi-vazios, como é o caso do Hospital de Tomar! Há outros hospitais que já deviam estar encerrados, por falta de condições de sobrevivência humana. Mas, não fecham! Há hospitais que têm um ou outro Serviço mais novo, mas na sua grande parte são miseráveis. Existem até hospitais que tiveram as cantinas encerradas por falta de higiene!

Mas, ninguém fala de uma coisa: será que a maioria dos portugueses está satisfeita com os seus cuidados de saúde? Não, não estamos a falar sobre o que o Ministro pensa! Estamos a falar de um estudo de opinião sério, mas não feito por uma qualquer "Eurosondagem"!

Pois, mas o Ministro mais impopular do governo, que parece que fez um Mestrado em Economia, só pensa em coisas mais materiais, tais como:
  • O fecho dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP) e a diminuição das comparticipações do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em medicamentos e meios de diagnóstico e terapêutica vão permitir ao Ministério da Saúde poupar, pelo menos, 330 milhões de euros em 2008.
  • 56 SAP vão encerrar, isso significa que o Estado arrecada 30 milhões de euros.
  • A somar a essa verba juntam-se 150 milhões de euros – correspondem a 0,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) – que não vão ser canalizados para a comparticipação de medicamentos e outros 150 milhões de euros – 0,1 por cento do PIB – que não serão destinados à comparticipação dos meios de diagnóstico e terapêutico, como análises clínicas, Raios X, TAC (tomografia axial computorizada) e electrocardiogramas.

Senhor Ministro, pedimos-lhe o favor de ser honesto até ao fim e, em consequência, pedir à maioria parlamentar que o suporta para alterar o artigo 64º da Constituição da República Portuguesa, que garante uma saúde tendencialmente gratuita aos portugueses.

Uma coisa seria certa, poderíamos ter menos saúde, mas sentíamo-nos a viver com a realidade e a seriedade, e não com miragens e mentiras!

Monday, December 03, 2007

Será este um sinal de fim à vista do SNS?

Já todos sabemos que o negócio da saúde é crescente. Aumenta o número de internados em hospitais privados. Aumenta o número de consultas de especialidade. Aumenta o número de exames.

Sabemos, através do seu Relatório e Contas, que a José de Mello Saúde ganha dinheiro com a saúde. Também sabemos, pela experiência dos EUA, que o negócio da saúde não é tão bom como parece, na óptica do prestador hospitalar. Vejamos o que se passará por cá, daqui por uns anos!

Ou será que o Prof. Correia de Campos está a tentar acabar com o SNS? Na perspectiva dele, está a defende-lo, quando fecha maternidades ou urgências. Gostávamos de ver "rolar cabeças" onde a gestão é ineficiente, em vez do encerramento puro e simples de serviços! Mas, se calhar teríamos que começar pelo Ministro......

Vejamos esta notícia:
  • Até 2009, Portugal passará de uma oferta de duas mil para cinco mil camas hospitalares no privado. Ou seja, um quinto das actuais vagas públicas, fruto de pelo menos 22 investimentos lançados desde o ano passado.
  • um investimento exponencial num sector que já passou dos mil milhões de euros de facturação - vai atrás das classes menos desfavorecidas aquelas que, insatisfeitas com a oferta pública, compram seguros. Dois milhões de portugueses. Para já.
  • tirando Mirandela, os futuros hospitais privados estão a nascer nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, em Coimbra, no Minho, em Vila Real e no Algarve.
  • "O que se verifica é que em zonas de maior desenvolvimento, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não dá a resposta mais adequada às necessidades dos cidadãos", explica Teófilo Leite. O filão, assumido, é o dos seguros de saúde. "Cerca de 20% da população portuguesa já têm um seguro de saúde. Porquê? Porque não está satisfeita com o SNS. Se estivesse, não iria gastar mais dinheiro num seguro".

Estaremos cá, para ver os próximos capítulos do fim de uma "das conquistas de Abril"!

Tuesday, November 27, 2007

A Globalização chegou ao SNS

Há muito desemprego de Universitários, é o que vamos lendo nos jornais. Cada vez mais, os licenciados investem na sua formação, para emigrarem ou terem funções indiferenciadas.

Mas, por outro lado, existe isto: Um em cada dez profissionais de Saúde no Alentejo é estrangeiro.

Como? Então, na saúde, importamos licenciados? Porquê que será?

Lemos mais:
  • Dos 2365 médicos e enfermeiros em funções nos hospitais e centros de saúde da região, com vínculo contratual com o Ministério da Saúde, mais de 200 não são portugueses.
  • Nos hospitais e centros de saúde de Portalegre predominam os profissionais espanhóis. Mas também trabalham técnicos oriundos do Brasil, Ucrânia e Angola. No total, são 106 os profissionais estrangeiros no distrito.
  • Espanhóis e angolanos estão em maioria no distrito de Évora, mas também há profissionais brasileiros, moçambicanos e moldavos.
  • A maioria dos 45 médicos estrangeiros em Beja é espanhola. Existem também alemães, holandeses, cabo-verdianos e moldavos.

Mas que raio, fecha-se a Maternidade de Elvas, para se terem filhos em Badajoz, e agora também temos as Nações Unidas nos hospitais do Alentejo?

Mas, o que anda a fazer o Ministério da Saúde e o Ministério do Ensino Superior? Parece que andam a formar alunos para o desemprego, para depois importarem alguns tipos de licenciados!

Que falta de gestão há neste país! Será que há gestores na condução de Portugal? Duvidamos. Perdão, temos a certeza que não há gestão no Estado da Nação!

Post Scriptum: queremos deixar claro que não temos nada contra os emigrantes que vivem em Portugal. Mais, Portugal tem todo o dever de aceitar todos os emigrantes, pois sempre foi e continua a ser um país com uma grande diáspora.

Tuesday, November 13, 2007

Nem uma urgência fechou


Perante tal facto, que o Ministério da Saúde não desmentiu, ficam aqui as nossas perguntas:
  1. Não fechou nenhuma das "urgências" que se previam que fechasse, porque o Ministro concedeu que errou?
  2. O Ministro Correia de Campos, que é habitualmente o mais impopular dos Ministros, terá visto aqui uma forma de subir nas sondagens?
  3. Será que o Ministro Correia de Campos tem medo dos poderes autárquicos (ou caciqueiros, como alguns lhe chamam)?
  4. O Engenheiro Sócrates avista as eleições, e prefere não perder mais votos?

Seja qual for a resposta, estas ou outras, fica mal a qualquer poder, afirmar uma coisa e não a fazer! A não ser que admita que errou! Ainda não ouvimos nada.

Friday, July 20, 2007

Rankings na saúde

Desde jovens, que estamos habituados a rankings. Não devemos exagerar, naturalmente. Mas, ninguém gosta de perder, "nem a feijões". Tudo isto, a propósito da existência de rankings de hospitais.

Vejamos esta notícia: "Queremos avaliar todos os cuidados de saúde, públicos, privados e sociais, sem qualquer distinção”, explica Álvaro Almeida, presidente da ERS. E anuncia: “Os primeiros ratings vão sair já em 2008 e o sistema de avaliação já está a ser implementado"

Normal. Absolutamente normal, desde que as várias entidades envolvidas na avaliação não entrem no jogo de forma histérica!

Vejamos a reacção de um dos stakeholders da saúde: O presidente da Associação dos Administradores Hospitalares considera o sistema de avaliação por estrelas (como nos hotéis) uma medida que “pode não ter os efeitos práticos desejados”.

E ainda: Manuel Delgado explica que, no sector público, os utentes estão limitados aos serviços da sua área de residência, pelo que não têm grande possibilidade de escolha. “Um ranking de um mercado muito incipiente, em que os cidadãos têm pouca mobilidade e em que os próprios modelos de financiamento do sistema, são pouco sensíveis a esta variabilidade da procura em função da qualidade do serviço. É evidente que o seu impacto é pequeno”, diz este responsável, explicando que “os efeitos práticos, que a existência de um ranking tem, fazem com que a procura se dirija para os serviços de maior qualidade. Esse efeito não se vai notar na medida em que as pessoas estão muito ligadas ao seu hospital de referência”.

Se calhar, Dr. Manuel Delgado, o que está mal, é o facto dos doentes não poderem escolher livremente o seu prestador. Naturalmente, que se o serviço for mau ou medíocre, e o doente não puder escolher alternativas, tudo ou quase tudo ficará na mesma!

Para nós, trata-se de uma questão de mentalidade, é preciso fazer ouvir os principais utilizadores e pagadores do sistema de saúde: os doentes.

Monday, April 30, 2007

Gestão Camarária de Hospitais

O tema desta "página" é eminentemente orientado por duas ideias que se cruzam: gestão e saúde. Ou se quisermos, gestão de organizações de saúde.

Temos uma visão crítica do tipo de gestão que se vai fazendo em portugal. Crítica, sem ser destrutiva, naturalmente. E a ideia é simples: não se podem gerir organizações da saúde da mesma forma que se geriam há 40 ou 50 anos. É mau para os doentes, é mau para os vários stakeholders da saúde, é mau para quem suporta os custos.

Vem isto a propósito, de mais uma deriva do Ministério da Saúde, sobre a gestão das organizações hospitalares em Portugal: Quinze hospitais concelhios poderão ser transferidos para a gestão municipal, propõe documento de trabalho.

Para nós, mais do que quem gere os hospitais, é importante o modelo de gestão ou de governação dos mesmos. Mas, em Portugal, o problema nunca é institucional, é sempre de "quem faz", ou de "quem gere"!

E então, a coisa manter-se-á como estava, mas muda-se quem pretensamente manda: Uma hipótese: imagine-se um hospital de pequena dimensão que a autarquia decide transformar em "elefante branco", atraindo profissionais de saúde com salários altos e "ultrapassando o que seria razoável para a região". Poderá este ser um cenário possível caso a gestão de 15 hospitais e de centros de saúde passe do Ministério da Saúde para as câmaras municipais, como propõe o Governo.

Felizmente, que há sempre alguém mais sensato que pelo menos alerta para estas fugas para a frente: O processo "não pode ter timings curtos". Isto porque "o risco não é pequeno", alerta Manuel Delgado, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.