Showing posts with label Ministra da Saúde. Show all posts
Showing posts with label Ministra da Saúde. Show all posts

Monday, September 07, 2009

Sinais evidentes de decadência do SNS

Vamos ouvindo que o SNS é uma referência internacional. Vamos ouvindo que os recursos humanos que estão no SNS são dos melhores do mundo. Vamos ouvindo que o SNS tem uma qualidade de infraestruturas relevante. Mas, afinal no SNS existe isto: quando o calor aperta em Lisboa, investigadores e técnicos de alguns laboratórios do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa) trabalham sob temperaturas que por vezes ultrapassam os 35 graus, a transpirar debaixo de batas, luvas e máscaras.

Mas, ainda há mais: Há arcas frigoríficas que descongelam e equipamentos de diagnóstico que frequentemente dão erro por excesso de temperatura. O problema é denunciado por investigadores e técnicos do departamento de doenças infecciosas do Insa, cansados de reclamar uma solução para a situação que alegam poder pôr em causa a qualidade e fiabilidade dos resultados das análises.

Para afundar mais a situação: O Conselho Directivo do Insa desdramatiza a situação e garante que a qualidade dos resultados das análises não está em causa. Numa primeira resposta enviada por escrito ao PÚBLICO, sublinha que as actividades laboratoriais decorrem sem nenhum problema e reconhece tão-só que ocorreu "um episódio isolado, num dos poucos dias de pico de calor em Lisboa, que apenas levou à repetição dos resultados que estavam a ser efectuados".

Apesar disto acontecer: Pedindo o anonimato por temerem retaliações do Conselho Directivo (CD) do Insa, os funcionários dizem que têm denunciado internamente o problema e reclamado a colocação de vulgares aparelhos de ar condicionado nos laboratórios, sem sucesso. Sucessivas queixas foram feitas ao longo dos anos, este Verão houve mesmo quem ameaçasse parar com a actividade, mas nada surtiu efeito imediato. Uma solução foi prometida para 2010.

Este é o preço de Portugal não ter Ministro da Saúde, mas antes ter uma Ministra da Gripe A.

Wednesday, July 29, 2009

Folhetim da Cegueira

Não, não é possível ir mais além na irracionalidade, quanto ao caso dos doentes que foram objecto de um mau serviço por parte do Estado, quando eram operados à vista no Hospital de Santa Maria.

Parece que não, se não vejamos mais este episódio com requintes de malvadez: A ministra da Saúde, Ana Jorge, não garantiu aos doentes cegos internados no Santa Maria que o Governo iria pagar todas as despesas de tratamento e deslocações a um país à escolha para que recuperassem a visão, adiantou ao canal tvi24.pt fonte do Ministério da Saúde.

Mas, parece que os doentes e seus familiares não têm a mesma versão: A notícia de que poderiam ser pagos tratamentos em Cuba, ou noutro país à escolha, terá sido adiantada pela própria ministra aos doentes, garantiu ao tvi24.pt, Gorete Lago Bom, mulher de Walter Bom, um dos doentes que ficou cego depois de ter recebido um tratamento com Avastin, nos dois olhos.

Já, George Orwell nos ensinou, que a liberdade só deveria ter uma versão. Mas, os poderes sempre se habituaram a ter uma leitura sobre a liberdade à sua maneira! Aqui, a Senhora Ministra terá dito uma coisa, mas foi mal entendida. Pelos vistos.

Ainda que não acreditemos muito no funcionamento da Justiça em Portugal, somos solidários com este acto: Gorete Lago Bom afirmou ainda que está a pensar recorrer aos tribunais, mas apenas caso o marido não recupere a visão.

Thursday, January 29, 2009

Parabéns Senhora Ministra

A Ministra Ana Jorge é simpática, leve e neutra. Para além disso, Ana Jorge, é médica. Como Ministra da Saúde tem sido discreta. Quanto a resultados? Tem sido a evolução na continuidade.

Mas agora, ao fim de um ano no cargo de Ministra da Saúde, Ana Jorge parece demonstrar capacidade de análise sobre o sector hospitalar:
  • "Um dos grandes problemas da saúde em Portugal é organizacional", disse Ana Jorge.
  • Na área hospitalar, "tem falhado muito o envolvimento das administrações e dos directores de serviço", disse, considerando que são estes "os grandes responsáveis pelo funcionamento do serviço hospitalar e por envolver os seus profissionais".
  • Ana Jorge dá como "exemplo de sucesso" o Programa de Intervenção em Oftalmologia (PIO), através do qual foram realizadas mais de 15 mil cirurgias. A "chave do sucesso foi o envolvimento dos profissionais e, nomeadamente, dos directores dos serviços de oftalmologia", considera Ana Jorge.
  • A ministra preconiza mudanças, mas não só ao nível do nome, numa referência à transformação dos hospitais em Sociedades Anónimas (SA) e, mais tarde, em Entidades Públicas Empresariais (EPE).
  • Para Ana Jorge, "existem alguns hospitais EPE com os profissionais mobilizados e outros que se esqueceram que precisam dos profissionais" de saúde. "Assim não dá, pois só muda o nome", salientou.

Ora, muito bem, Senhora Ministra. Contudo, a Dra. ana Jorge esquece-se do seguinte:

  1. As Administrações dos Hospitais EPE são nomeadas pelo Ministério da Saúde. Ou seja, se a Senhora Ministra acha que não sabem gerir bem os recursos que têm a cargo, Ana Jorge deve demiti-los.
  2. A grande maioria das Administrações dos Hospitais EPE não sabem gerir a autonomia que têm, porque: a) não têm perfil para liderar organizações; b) sabem que são boys políticos e têm medo de arriscar e de decidir.

É pena, Senhora Ministra, que não vá até ao fim, na sua análise.

Thursday, November 13, 2008

Eram milhões, talvez biliões!

Não se pede ao poder político que saiba tudo. Não se pede ao poder político que faça tudo. Não se pede ao poder político, sequer, que pense. Mas, há limites, isto é, pede-se no mínimo que o poder político saiba alguma coisa.

Tudo isto a propósito disto: Durante o debate, a ministra escusou-se a responder às perguntas dos deputados sobre o valor das dívidas acumuladas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas à saída do debate acabou por reconhecer que desconhece o montante exacto.

E mais isto: «Qual o valor da dívida do Ministério da Saúde?» foi a pergunta lançada em uníssono pela oposição na comissão para a discussão do Orçamento de Estado para este sector, mas que ficou sem resposta. A ministra da Saúde mostrou não estar a par dos números e o secretário de Estado sugeriu que fossem os deputados a fazer as contas.

E ainda isto: A ministra da Saúde, Ana Jorge, disse hoje que o Governo vai anunciar ao país a dívida total do Serviço Nacional de Saúde (SNS), tendo afirmado que a dívida dos hospitais EPE ascende a "um milhão de euros".

Consta que a Dra. Ana Jorge é médica. Parece que é médica pediatra. A um médico pediatra não deverão ser solicitados conhecimentos sobre contabilidade pública. Mas, a um Ministro, não deve ser exigido conhecimento sobre contabilidade pública? Ou pelo menos sobre contas de merceeiro?

Raios partam os impostos que servem para pagar tanto desperdício!

Post Scriptum: como é possível a Senhora Ministra da Saúde não ter sequer a noção do que representa um milhão de euros?

Wednesday, October 08, 2008

Que grande confusão vai no Ministério da Saúde

Por princípio constitucional, existem operadores públicos e privados na saúde. Para alguns, o sector privado da saúde deve ser complementar do sector público. Para outros, o sector privado da saúde deve ser concorrente do sector público.

Paralelamente, mantemo-nos com a velha questão da falta de médicos. Que sabemos ser uma completa falácia da corporação médica, suportada por uma má distribuição de recursos humanos do sector público da saúde. Porquê? Porque o número de médicos por 1.000 habitantes em Portugal é próximo da média da União Europeia. Mas, o "barulho de fundo" mantém-se, ou seja "há falta de médicos"!

Agora, aparece a Ministra da Saúde com uma afirmação disparatada: A ministra da Saúde afirmou hoje no Parlamento que seria uma «má opção» a abertura de vagas de internato nos hospitais privados, alegando que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem capacidade para dar formação específica aos médicos.

E é um disparate porquê? Por isto:
  1. O Estado alega que o custo da formação de médicos é elevado. E nós acreditamos. Então, porque não aceita partilhar esses custos com o sector privado?
  2. Será que a Ministra da Saúde quer dizer que o sector privado da saúde não é competente para dar formação? Se assim for, é grave que mantenha operadores privados da saúde incompetentes!
  3. Se existe ensino/ formação em quase todos os domínios no sector privado, porque é que no domínio da medicina isso não pode acontecer?

Coerência e bom senso, aconselha-se aos decisores portugueses, ainda que a tempestade económico - financeira vá alta!

Thursday, September 25, 2008

Haverá falta de medicamentos em Portugal?

Uma das grandes vantagens de Portugal pertencer à União Europeia, é sem dúvida, a existência de tudo. Isto é, não falta leite ou carne, não falta gasolina, nem crédito, não faltam sapatos ou medicamentos.

Bem, parece que não é bem assim, se não vejamos:
  • Há medicamentos que estão a ser exportados para outros países europeus, onde o seu preço é mais elevado do que no mercado nacional. Mas no meio do negócio, doentes portugueses têm ficado privados dos fármacos de que precisam, o que preocupa médicos e responsáveis do sector da saúde.
  • "O caso mais preocupante surgiu agora, com uma doente que estava a tomar um novo medicamento anti-psicótico e que ficou mais de duas semanas sem ele porque estava totalmente esgotado nas várias farmácias a que foi".
  • Preocupado com a situação, o médico contactou o laboratório responsável pela produção daquele fármaco para apurar a razão da sua ausência no mercado, mas a resposta surpreendeu-o: o medicamento não estava disponível porque a empresa distribuidora o tinha exportado.
  • Segundo o presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), João Almeida Lopes, "as empresas distribuidoras ganham mais se exportarem os medicamentos do que se os venderem ao mercado nacional", uma vez que o preço de muitos fármacos é mais baixo em Portugal do que noutros países europeus.
  • O vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos, Mário Jorge Neves, considera que "o país está à mercê de outros interesses, que não os dos doentes" e deixa um aviso: "Em determinadas terapêuticas em que as pessoas dependem da toma diária de um medicamento, isso pode ser a fronteira entre a vida e a morte".
  • O presidente da Federação das Cooperativas de Distribuição Farmacêutica (FECOFAR), José Amorim, reconhece que "a exportação paralela é um problema delicado que, não sendo ilegal, causa algum embaraço e desconforto porque, às vezes, os medicamentos acabam por faltar no mercado nacional".

Sinceramente, acabamos por não perceber claramente o problema. Mas, de uma coisa temos a certeza, esta notícia retrata um enfrentamento entre o Estado e a Indústria Farmacêutica, provavelmente motivado pela pressão que o ex-Ministro da Saúde, Correia de Campos, colocou ao fazer descer administrativamente os preços dos medicamentos dois anos consecutivos.

Vamos ver o que fará a Senhora Ministra da Saúde, face a este problema que se pode vir a tornar complicado.

Wednesday, July 30, 2008

A exclusividade natural

Estamos na sealy season. As notícias são parvas porque a época é de férias. No entanto, o trabalho continua para muitos. Aliás, a Ásia criou um novo paradigma, é preciso trabalhar mais. Na nossa opinião, é preciso trabalhar melhor.

Entretanto, em plena sealy season, cai uma bomba: O Governo prepara-se para impor a exclusividade aos médicos que trabalhem para o Serviço Nacional de Saúde. A proposta tem como principal objectivo combater a falta de clínicos.

O Governo ameaça tocar no mais intocável dos lobbies em Portugal: a corporação médica. Não temos nada contra os médicos. Temos vários familiares, médicos. Temos vários amigos, médicos. Respeitamos os profissionais, médicos.

Chamámos "bomba", a esta atitude do Ministério da Saúde. A resposta a esta iniciativa já teve imensos impactos, de vária ordem. Vejamos alguns:

Repare-se que o tema foi lançado em plena sealy season, mas veja-se o impacto que teve logo em vários dos atingidos. Quando se pretende tocar em poderes significativos, as reacções são muito fortes.

Os futuros médicos também atiram achas para a fogueira:

  • A Associação Nacional de Estudantes de Medicina estão contra a criação de um novo curso da área na Universidade do Algarve, já que «nem a sua implementação nem o modelo que é proposto estão justificados ou estão de acordo com as reais necessidades do país».
  • Ouvido pela TSF, o vice-presidente desta associação entende que a ideia da existência de falta de médicos em Portugal é errada, uma vez que a média de médicos no país é superior à média europeia.
  • «Mesmo em relação ao alegado elevado número de aposentações para os próximos anos, um estudo realizado em 2001 indicava que se o numerus clausus em Medicina fosse estabelecido à volta dos 1200 esse problema estaria resolvido», explicou Pedro Moreira.

Tanto fumo no ar e tanta gente a falar apenas e só para defender o "seu bolso"!

Post Scriptum: A actual Ministra da Saúde, Ana Jorge, é médica, da especialidade de pediatria.

Friday, July 04, 2008

O que é qualidade em saúde?

O Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) aborda a temática da qualidade do serviço de saúde, e nomeadamente, do SNS, no seu Relatório da Primavera 2008. Temática importante e muito pouco estudada e ainda menos implementada.

Ora retiramos algumas partes significativas do referido Relatório:
  • A insuficiência na avaliação de resultados tem importantes e deletérias consequências no desempenho e, provavelmente, na própria sobrevivência do SNS, pois impossibilita a determinação do valor da sua actividade, indispensável para balizar quaisquer tentativas de melhoria e para o impor perante outros prestadores.
  • Como poderá resistir à parasitação por prestadores privados que não deixarão de propagandear a excelência dos resultados próprios enquanto alijam a parte não lucrativa dos serviços para um SNS silenciado na afirmação das suas realizações?
  • Invocando dificuldades na avaliação quantificada do que é “viver mais e melhor”, tornou-se hábito avaliar, em vez disso, as estruturas ou os processos que são utilizados pelos serviços ou estabelecimentos de saúde. A tal ponto que, muitas vezes, os meios substituem os fins.

Ora, a questão que o Relatório da Primavera 2008 levanta é determinante para o SNS, uma vez que este não tem, nem implementa um conceito prático de qualidade. Isto é, o que é qualidade nos serviços de saúde? Como é que se materializa?

Presentemente, ainda segundo o referido Relatório, para o SNS, o único controlo de qualidade que é feito (para nós, mesmo este é muito pontual e pouco sistemático) é este:

  • Os objectivos da actividade dos sistemas de saúde não podem ser fazer mais consultas ou dar mais altas de internamento, radiografar mais as pessoas ou fazer-lhes mais endoscopias, proceder a mais operações cirúrgicas ou aumentar a percentagem das que se realizam em regime ambulatório.

Dito isto, então como é que se mede qualidade, num hospital ou num centro de saúde? Para o OPSS a qualidade deveria ser medida assim: viver mais tempo sem doença ou, se a doença chegar a manifestar-se ou persistir, minimizar o “fardo” que ela constitui.

Se o SNS não mudar a sua forma de medir qualidade nos serviços de saúde, vai estar perante caminhos turtuosos:

  • Sem capacidade de avaliação, o serviço de saúde não tem possibilidade de tomar decisões no que respeita à incorporação de tecnologias.
  • Sem “saber de experiência feito”, tem de se limitar a acreditar nas comunicações de terceiros, prescindindo de ter voz activa na discriminação do valor relativo do que é levado a adquirir.
  • Dito de outro modo, o SNS encontra-se nas mãos de quem tem interesse em vender-lhe o que quer que seja.

Será que algum Alto Funcionário do Ministério da Saúde, a começar na Ministra ou nos Secretários de Estado, têm uma noção clara do que é "qualidade nos serviços de saúde"? Admitimos que sim. Então, porque pretendem apenas fazer controlo de gestão e não a avaliação da qualidade do serviço de saúde?

Wednesday, July 02, 2008

As derrapagens sucessivas da Ministra

A Ministra Ana Jorge já perdeu o "estado de graça". Agora, enfrenta o "monstro". E o pior, é que este monstro tem imensas cabeças. E quando o monstro faz as primeiras tentativas para assustar a Ministra, esta derrapa em todos os sentidos:
  • A ministra da Saúde disse esta terça-feira no Parlamento que, em caso de doença grave, nunca iria a um hospital privado.
  • A ministra da Saúde acusou ainda os médicos de receitarem medicamentos e exames a mais, que não são necessários à saúde dos doentes.
  • «Quem vai ao médico leva uma receita mesmo que não necessite de prescrição. Muitos exames que completam o diagnóstico são pedidos exageradamente», alertou a ministra.

Das duas uma, ou a Ministra já percebeu que não consegue enfrentar o "monstro das 7 cabeças", ou não sabe o que diz!

Comentários nossos:

  1. Se a Ministra diz que não vai a um Hospital Privado, é porque tem conhecimento de factos graves, que a maioria dos cidadãos não tem. Perante isto, deveria agir, encerrando os Hospitais Privados que não lhe servem a ela e a nós cidadãos!
  2. Se os Hospitais Privados só servem para consultas ou para a execução de exames, então, as entidades públicas que os credenciaram como Hospitais deveriam retirar-lhes as licenças.
  3. Se a Ministra não tem confiança nos Médicos que trabalham nos Hospitais Públicos (relembre-se que a própria Ministra é Médica num Hospital Público), só tem que os disciplinar. Aliás, se não há confiança entre empregador e empregado, quebra-se a relação de trabalho saudável e que propicia maiores níveis de produtividade.

Triste, demasiado triste.

Wednesday, June 18, 2008

O pânico

Quando as medidas são estas, o topo da estrutura de poder está em ruptura:

  • Portugal vai passar a ter 15 médicos do Uruguai a trabalhar, por três anos, nos serviços de emergência médica dos hospitais, e o Governo está a estudar alargar a experiência a outros países.
  • Face à falta de médicos formados em universidades portuguesas -- um problema que a governante admitiu vir a agudizar-se no prazo «de quatro ou cinco anos» -, Ana Jorge disse depois aos jornalistas que a contratação de médicos uruguaios era «uma das formas que há» para tentar resolver o problema.
  • Ana Jorge afirmou que outra das maneiras para tentar fixar médicos ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) é fazer acções junto dos jovens estudantes ainda quando estão das universidades.

Perguntas nossas:

  1. Não saberá a Senhora Ministra que há centenas de portugueses a tentarem tirar uma licenciatura em Medicina em países como a República Checa e a Espanha, porque as universidades portuguesas não têm vagas?
  2. A seguir, a Ministra Ana Jorge irá contratar Médicos em Marte ou em Júpiter?

Tuesday, May 27, 2008

A debacle do SNS

Diz a Senhora Ministra:
  • A ministra da Saúde admitiu hoje que «números elevados» de utentes continuarão sem médico de família mesmo com a abertura de mais 50 Unidades de Saúde Familiar (USF) até ao final do ano, devido à falta de clínicos.

Diz o nóvel Presidente do lobby dos Administradores Hospitalares:

  • Os hospitais públicos precisam de ser mais eficientes. Pedro Lopes considera inaceitável que a maioria dos blocos operatórios não funcionem, pelo menos, oito horas por dia.

Friday, May 09, 2008

O desnorte confirmado no Ministério da Saúde

O artigo 64º da Constituição portuguesa diz isto: Todos têm direito à protecção da saúde.

Dito isto, verificamos que se acentua este fenómeno: A Câmara de Aljezur torna-se hoje a segunda autarquia do Algarve a levar munícipes a Cuba para serem operados às cataratas, com a partida de um grupo de quatro pacientes, que deverão ficar duas semanas naquele país.

Perguntamos nós:
  • Não há médicos oftalmologistas em Portugal?
  • Não há hospitais e salas de cirurgia em Portugal?
  • Não há energia para fornecer os hospitais portugueses?
  • O que andam a fazer esses magos: Altos funcionários do Ministério da Saúde, Alto Comissariado da Saúde (nem sabemos para que serve este Comissariado), Administradores hospitalares, Deputados da nação, o Primeiro Ministro e o Presidente da República?

Não temos nada contra Cuba, a não ser pelo facto de ser um Regime ditatorial e repressor. Mas, Cuba tem recursos médicos, financeiros e de equipamentos, para resolver umas centenas de cirurgias às cataratas de portugueses pobres!

É que não estamos a falar de doenças raras e específicas com terapias muito localizadas em dois ou três pontos do mundo!

Só por isto, qualquer que seja o Ministro da Saúde de Portugal, deveria ser demitido por clara incompetência.

Melhores dias virão!

Wednesday, April 02, 2008

Tempo é dinheiro

Sempre ouvimos dizer que "tempo é dinheiro". Isto é, não poderemos desperdiçar muito tempo ou tempo a mais, em determinadas actividades, sob pena de estarmos a desperdiçar recursos. No Ministério da Saúde há muitos recursos e também muito desperdício.

Vejamos mais este caso de desperdício: O presidente da Câmara de Lisboa afirma ter a garantia de que o centro de saúde dos Lóios, em Marvila, vai abrir portas no final do próximo mês, cinco anos depois das obras terem sido concluídas.

Naturalmente que a culpa de tal laxismo não é do Presidente da Câmara de Lisboa (do actual ou dos anteriores), nem da Ministra da Saúde (da actual ou dos anteriores), nem do Presidente da ARSLVT (do actual ou dos anteriores). A culpa é de todos eles, pela imensa morosidade que levou a construir um Centro de Saúde: A construção deste centro de saúde começou em 2000 e ficou concluída dois anos depois, mas até hoje não houve dinheiro para realizar as obras interiores nem para adquirir o material necessário para que o centro de saúde possa funcionar.

É triste que estes casos aconteçam e não se aprenda nada com eles. Isto é, como é que se poderia evitar que novos casos como este voltem a acontecer.

Tuesday, March 18, 2008

A saúde é uma pasta difícil

A gestão das organizações é uma das mais complexas tarefas dos tempos modernos. Não porque antigamente fosse uma tarefa simples, mas porque gerir pessoas se tornou numa actividade mais difícil.

É comum dizer-se que é fácil obter crédito financeiro, é fácil adquirir instalações, é fácil produzir bens e serviços. Contudo, a complexidade da gestão das organizações é fundamentada na dificuldade de gerir pessoas. É que hoje, organizações são sobretudo pessoas. Se há quem pense ao contrário, está desfazado da realidade.

Tudo isto a propósito deste desabafo da actual Ministra da Saúde: A ministra da Saúde, Ana Jorge, afirmou hoje ter herdado umas das pastas “mais difíceis e complexas” do Governo.

Herdado? Mas agora as funções ministeriais herdam-se? Não será uma honra e um privilégio único exercer uma função pública como a de Ministro?

Depois a Ministra Ana Jorge adianta ainda: Ana Jorge sublinhou a complexidade que implica gerir um Ministério que envolve vidas e cujos serviços estão abertos 365 dias por ano.

Estará a Ministra a pensar que nos transmite alguma novidade? Pensariam os portugueses que o Ministério da Saúde seria para gerir autocarros? Ou será que os portugueses vão passar a ter um horário de atendimento específico nas urgências hospitalares?

Nesta intervenção, a Ministra remata de uma forma surreal: a reestruturação do sistema de saúde, nomeadamente dos horários de atendimento, implica medidas que, apesar de contestadas, “são fundamentais para melhorar o atendimento”.

Será que a Ministra Ana Jorge já se arrependeu de ter aceite o desafio de ser Ministra da Saúde?

Wednesday, March 12, 2008

As reformas do assobio

As organizações modernas não sobrevivem sem uma constante mudança, quer estejam em Portugal, nos EUA, ou na India. Há muita gente que ainda não percebeu isto. Mas, o acto de reformar é normalmente duro e difícil, porque as pessoas são avessas à mudança. Então o que poderá acontecer? Não mudar, será o mais fácil no curto prazo, mas no futuro será a completa insatisfação, pois o mundo chega-nos aos olhos todos os dias através da televisão, dos jornais ou da Internet, e mostra-nos o que há de melhor.

As reformas da saúde são cruciais. Mas, não se pode mudar de qualquer maneira, sob pena de se estar a andar para trás! Vejamos um dos reflexos de uma reforma mal conduzida e executada:
  • "Além das circunstâncias do passado que justificavam não encerrar a urgência de Estarreja, há hoje uma mais gravosa, que é o facto das pessoas esperarem no Hospital de Aveiro quatro a seis horas para serem atendidas e as duas mortes ocorridas no serviço de urgências só vieram demonstrar que não tem capacidade de resposta".
  • Rosa Pontes, da comissão de utentes, continua a não entender a decisão do governo de encerrar a urgência de Estarreja, "que tem o maior complexo químico do país" e explica o regresso aos protestos por "nada ter sido feito" no Hospital Visconde de Salreu e o de Aveiro estar "um caos".
  • "Há cerca de um ano esperávamos que o protocolo assinado pelo presidente da Câmara trouxesse algo de bom para o nosso Hospital e hoje não tem nada de novo, não tem consultas externas e está tudo na mesma", disse.

Claro que "reformas" feitas sem sentido e executadas sem método, levam à descrença e consequentemente à paralisação das reformas. Vejamos outra consequência das chamadas "reformas do assobio":

  • O Governo poderá estar a um passo de chegar a acordo com a Câmara de Anadia para pôr termo ao polémico encerramento das urgências do hospital local, que motivou já 19 manifestações na Bairrada e fomentou protestos noutros pontos do país. A ministra da Saúde, Ana Jorge, reuniu, anteontem, com o presidente da autarquia, Litério Marques, e apresentou uma solução que prevê cedências de ambas as partes.

O futuro do SNS será a sua privatização em escala!

Friday, February 22, 2008

Assessoria de imagem especial

Ficámos a saber que a nova Ministra da saúde escolheu uma assessora de imagem com as seguintes características:
  • Cláudia Borges, que apresentou o programa Centro de Saúde na RTP1, é a nova consultora do gabinete de comunicação do Ministério da Saúde, agora dirigido por Ana Jorge.
  • Cláudia Borges conheceu a nova ministra da Saúde no âmbito do programa Centro de Saúde, já que a jornalista gravou dois programas desta série na unidade de pediatria do Hospital Garcia de Horta, serviço do qual Ana Jorge era directora.
  • O objectivo de Ana Jorge, ao ir buscar Cláudia Borges, é dar a conhecer melhor o que é o sistema de saúde português e as reestruturações que estão em marcha, além de dar ao público mais informação e uma melhor comunicação sobre este assunto, acrescentou.
  • Cláudia Borges, mulher de Ricardo Costa, jornalista da SIC, é licenciada pela Faculdade de Direito de Lisboa, dedicando-se ao jornalismo desde 1992.

Post Scriptum: Para quem não sabe, Ricardo Costa é meio-irmão de António Costa, actual Presidente da Câmara de Lisboa!

Monday, February 18, 2008

Imagens da saúde em Portugal

Primeira:
  • A autarca (de Odivelas) lamentou que "os cuidados paliativos tenham deixado de funcionar e 24 horas por dia e corram o risco de acabar "por falta de pessoal". Outro dos problemas, segundo a vereadora, é a falta de condições dos centros de saúde actuais. "Há salas onde chove, andares sem casas de banho por problemas de esgotos, prédios sem elevador ou com escadas de acesso que dificultam a mobilidade". Exigiu, por isso, a construção de novos centros de saúde e do Hospital de Loures, que, recordou, "chegou a estar previsto para 2008".

Segunda:

  • o coronel Abílio Gomes assume funções num momento em que o INEM atravessa um período marcado por uma sucessão de casos polémicos de socorro tardio, em diferentes pontos do País.

Terceira:

  • "As viaturas podem estar muito bem equipadas, mas se não houver coordenação, o sistema não funcionará. Não chega ter meios técnicos, é preciso que eles funcionem. E o município de Valença quer que fique inequívoco que não se repetirão episódios como os que recentemente vieram a público, relacionados com o INEM", disse ainda Serra.

Comentário nosso: é difícil gerir pessoas, mas se quem vai para Ministro não o sabe fazer, é melhor não aceitar ser Ministro.

Thursday, February 14, 2008

Senhora Ministra: aqui vai mais um desperdício

O actual governo gosta muito de uma frase: "o combate ao desperdício". Esta frase serve para o bem e serve para o mal. O desperdício pode ser o encerramento de uma escola em Trás-Os-Montes com 5 alunos; o desperdício pode ser o encerramento de uma maternidade que não "produza" 1.500 bébés por ano; o desperdício pode ser o encerramento de cursos no Ensino Superior com menos de 20 alunos.

Convenhamos que concordamos com o "combate ao desperdício", mas já não concordamos que aqueles sejam os principais desperdícios. Aliás, podem-nos chamar populistas, mas o primeiro sinal de combate ao desperdício tem forçosamente que vir de cima, e aí, por exemplo, o Estado deveria evitar a aquisição de novas viaturas acima de 1.400 centímetros cúbicos durante 5 anos.

Mas, poderíamos dar muitos mais exemplos. Vejamos um claro e evidente desperdício que o SNS não evita: Serviço Nacional de Saúde está a pagar cirurgias plásticas estéticas.

Como? O SNS tem dinheiro para pagar cirurgias estéticas? Parece que sim:
  • há casos de utentes que recorrem ao Serviço Nacional de Saúde e que pedem uma cirurgia estética, sendo por vezes encaminhados por alguns hospitais para o sistema de listas de espera.
  • Como acontece em muitos casos, o sistema de gestão não consegue uma cirurgia para estes utentes no prazo de nove meses, sendo então o serviço realizado por um privado, em regime de convenção.
  • Segundo referiu o presidente do Colégio de Cirurgia Plástica da Ordem dos Médicos “há clínicas que estão a despachar situações de cirurgia plástica de estética pura à custa do erário público” acrescentando que, no seu entender, “é imoral que isto aconteça num país onde, por exemplo, há uma comparticipação limitada de medicamentos essenciais”.

Mais palavras? Onde está a contenção? Não vivemos nós num Regime de falácia e de desenrasque?

Post Scriptum: para nós existe esta excepção, “Se uma pessoa tem muitas cicatrizes devido a uma operação por causa de um acidente, essa cirurgia é estética, mas necessária”.

Sunday, February 10, 2008

O escalpe do INEM

Fonte: aqui.

Ditado popular: "Em casa que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão".

O sector da saúde entrou em descalabro quando os gastos com a saúde ultrapassaram os 10% do PIB. A riqueza que se cria em Portugal desde 2000 é anémica. Ou seja, Portugal está em estagnação (para nós, está em recessão) desde há 8 anos! Como o sector privado não cria riqueza e emprego, o Estado vai suportando muito emprego artificial. Paralelamente, o Estado vai sendo esmifrado por um conjunto de lobbies que, vá-se lá saber porquê, mandam mais do que a Assembleia da República!

A política de saúde de Correia de Campos centrou-se na "poupança do farelo". A farinha continuou-se a gastar. A população excluída do interior foi a primeira vítima na "poupança do farelo". Contudo, as pessoas não são tontas o tempo inteiro, e esboçam-se movimentos sociais que causaram a "morte" de Correia de Campos.

Agora, a nova Ministra quer fazer marcha atrás, através de um primeiro escalpe: O presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) foi substituído pela nova ministra da Saúde, Ana Jorge, avança a TVI. Contactado pela RTP, Luís Manuel Cunha Ribeiro explicou que sai na sequência do que considera um acto normal - o de pôr o lugar à disposição da nova ministra.

O agora demitido ex-Presidente do INEM é só a primeira vítima, da pobreza que vai pelo sistema de saúde.

Quem serão as próximas vítimas?

Post Scriptum: imaginamos que haverá por aí muito Administrador Hospitalar a necessitar de um qualquer soporífero!

Thursday, January 31, 2008

Será uma liderança diferente o segredo?

Sabemos que há pessoas com características de liderança, assim como há pessoas sem carisma, nem capacidade de liderança. Depois, há ainda os que aparentemente são líderes natos, mas são ineficientes. Gerir pessoas é complexo.

Tudo isto a propósito da substituição de Correia de Campos por Ana Jorge, no Ministério da Saúde.

Vejamos o que dizem os chamados "gestores da saúde":
  • debaixo da condição de anonimato, é linear: “Sai o ministro, continuam as políticas, mas com um rosto mais humanista”, diz um gestor hospitalar.
  • “As prioridades e as reformas estavam todas certas, o ministro é que deixou de ter condições para continuar a implementá-las”, complementa outro profissional de saúde.
  • “Há o perigo de esta mudança poder dar um sinal de que as contas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) podem ser menos controladas”, sublinha um analista do sector.
  • o presidente do Hospital de Santa Maria, Adalberto Campos Fernandes, sublinha a necessidade de “dar continuidade ao programa de Governo”, sob pena de arruinar o progresso que foi feito na reforma do funcionamento do SNS.
  • Manuel Delgado considera que, “apesar de as políticas estarem certas, as críticas sistemáticas ao ministro da Saúde deixaram pouca margem política para a sua continuação”.

Para nós, só houve mudança de Ministro, porque a política estava errada, pelo menos na opinião do Primeiro Ministro, que é o Chefe do Governo.

Ou agora, substituem-se pessoas, quando elas desempenham uma função de gestão adequada? Se assim for, é uma decisão disparatada e até mesmo criminosa, para o país!

Isto é, substituem-se pessoas competentes? Algum Chefe ou Patrão faz isso? Evidentemente que não. Não estamos a ver o Engenheiro Belmiro de Azevedo ou o Dr. Ricardo Salgado, a despedirem gestores competentes e com resultados dados.

Evidentemente, que José Sócrates pode estar a cometer um erro crasso, se substitui Correia de Campos, porque este era impopular, mas vai continuar a implementar a mesma política com uma Senhora! Este erro custará muito caro, sobretudo aos portugueses.

Post Scriptum: Para nós, a política estava errada, pelas seguintes razões: 1) não atacou realmente as verdadeiras fontes de desperdício do Ministério da Saúde; 2) as contas do Ministério não estão controladas, como já referiu o Tribunal de Contas; 3) o SNS deixou de ser tendencialmente gratuito, para ser tendencialmente a pagar.