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Sunday, March 30, 2014

A falácia prossegue

Há décadas que se propaga o mito de que "há falta de médicos em Portugal". Nada como fazer o benchmarking com outros países desenvolvidos, como é o caso da Finlândia, e verificar-se que este é um argumento incompetente e coxo. Isto é, Portugal tem um rácio de médicos por cem mil habitantes, muito idêntico, por exemplo, ao da Finlândia.

Contudo, a incompetência tem que ser criativa, mas nem isso acontece em Portugal. Como o poder político e administrativo não tem capacidade para colocar os médicos a trabalhar onde são necessários, como se faz com as outras profissões, então volta-se à habitual ladaínha do...."O ministro da Saúde reafirmou esta sexta-feira, em Vila Real, a escassez de médicos de medicina geral e familiar no país".

Pois, o problema é que não há falta de médicos em Lisboa, nem no Porto, nem em Coimbra. Porque será que Vila Nova de Famalicão ou Vila Real, não serão atractivos para os Senhores Drs.?

Bem prega Frei João: Questionado sobre a falta de médicos nos centros e extensões de saúde e sobre a disponibilidade demonstrada pelo autarca de Famalicão para ajudar a pagar algumas despesas, Paulo Macedo referiu que a «saúde precisa da colaboração das câmaras».

Monday, April 22, 2013

Portugal: o país do "faz de conta"

Volta e meia, vem à praça pública, a discussão da avaliação dos médicos. Assim como se fala muitas vezes, da avaliação dos Juízes. Ou ainda da avaliação dos funcionários públicos. Aliás, em Portugal existiram em tempos, na chamada administração pública, as promoções automáticas. Como se alguém pudesse ser promovido, sem sequer ser avaliado.

Muita gente, acha estranho que Portugal tenha falido. Que grande estranheza. Veja-se mais esta barrigada de riso:  Os médicos vão pela primeira vez ser avaliados através de objetivos que passam por parâmetros como a "eficácia, eficiência e qualidade", contando para a sua classificação a atividade assistencial, a produtividade e a atitude profissional, informou a tutela.

Pela primeira vez? Como? Já não eram avaliados? Ou antes, eram avaliados pelos amigos? Ou avaliados pela cor do cartão partidário? Ou avaliados por pertencerem à Irmandade?

Apesar desta grande novidade, a montanha vai parir um rato, mais uma vez: Sem revelar pormenores sobre a forma como esta avaliação se vai realizar -- cujas deliberações irão ser publicadas em Diário da República e no Boletim do Trabalho e do Emprego --, a ACSS adiantou que o modelo se aplica "já em 2013 aos médicos que exercem funções nas entidades prestadoras de cuidados de saúde, independentemente da natureza jurídica do estabelecimento de saúde, bem como do vinculo detido pelo profissional".

A autoridade ainda parece gozar com os contribuintes, ao fazer afirmações com uma falta de vergonha incomensurável: "A avaliação do desempenho, além de ser essencial em qualquer organização para garantir a qualidade do serviço prestado e a melhoria das práticas profissionais, constitui um elemento fundamental e, neste caso, imprescindível, no âmbito do percurso profissional de todos os trabalhadores em funções públicas", lê-se na informação da ACSS.

Como se nós não soubéssemos!

Tuesday, August 28, 2012

Gente fina

Portugal vive a ignomínia da perda de soberania. O desemprego é galopante. A pobreza aumenta. A emigração volta a ser imensa. Entretanto, há gente que quer escapar incólume, demonstrando mesmo sem vergonhiceAssim, os sindicatos (médicos) não aceitam a proposta do Governo de 2400 euros como salário-base, porque "metade" são para impostos e não pagam o "sacrifício" do trabalho na Urgência, contrapropondo com uma remuneração de três mil euros.

Como? Os médicos pagam metade do que ganham em impostos? É muito, concordamos. Mas, os outros cidadãos pagarão menos? Não. Apenas, os outros cidadãos têm vergonha na cara. Quanto aos sindicatos médicos, parece que querem que os médicos sejam diferentes dos outros. Pois é, no "Animal farm", de George Orwell, havia "All animals are equal, but some animals are more equal than others".

Contudo, estes mesmos Sindicatos, que querem fazer dos médicos a excepção, perante os restantes cidadãos, querem a igualdade absoluta entre eles: Ao que o CM apurou, os sindicatos querem que o valor do suplemento seja integrado na remuneração-base e não uma compensação para as horas feitas na Urgência. Segundo os sindicatos, se esse valor fosse pago como suplemento não seria recebido pelos médicos de família, que não fazem Urgências, e isso seria "injusto".

Tuesday, July 24, 2012

As esperadas duplicidades

Há muito se sabe, que muitos profissionais de saúde, trabalham em instituições públicas de saúde entre as 9h15m e as 12h30m. Logo após, encaminham-se para os seus negócios privados, quer sejam consultórios e clínicas próprios, quer sejam de outros. Não há novidade nenhuma. Contudo, e como temos afirmado inúmeras vezes, no Estado, não há a função de controlo de gestão. Só quando há denuncias, é que as chamadas entidades de inspecção e supervisão, se movem. Se não há denúncias, é sempre melhor ficar no escritório, pois há o bom do ar condicionado, e sobretudo, fazem-se aquelas coisas que os portugueses tanto gostam, reuniões de "faz de conta" e relatórios sem qualquer finalidade.

Desta vez, deve ter havido alguma pressão para que a chamada inspecção se movessePaulo Macedo, ministro da Saúde, ordenou que fosse efetuada uma análise à contratação de médicos em regime de prestação de serviços por parte da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde. E claro, os resultados não são surpreendentes:

  • Foi apurado que muitos clínicos acumulam salários, estando vinculados ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e prestando também serviços no local de trabalho ou ainda em outros locais públicos.
  • “Foram sinalizadas situações de médicos que têm relação jurídica de emprego no SNS e que simultaneamente acumulam enquanto prestadores de serviço nos seus próprios serviços ou noutros”, afirmou a IGAS.
  • Conforme a análise, a 31 de dezembro de 2011, constavam 2938 contratos de prestação de serviços em unidades de saúde pública e em grande parte destas a renumeração não é tabelada de acordo com o valor/hora do serviço prestado.
  • Foram apenas quatro unidades em cada dez analisadas que confirmaram controlar todos os impedimentos de acordo com a legislação em vigor, a qual regula a contratação de médicos por meio da prestação de serviços.
Festa. Muita festa existe no chamado "Estado". Não é novidade. Os financiadores externos do Estado já se cansaram de o financiar, logo o Estado entrou em derrapagem. Os contribuintes mais válidos e jovens estão a emigrar em massa. A festa vai acabar mal. Com certeza.


A propósito, o que andam a fazer os chamados "Conselhos de administração" dos hospitais?

Wednesday, May 11, 2011

Medicina: a profissão do passado, do presente e do futuro

The new federal health-care law has raised the stakes for hospitals and schools already scrambling to train more doctors. Experts warn there won't be enough doctors to treat the millions of people newly insured under the law. At current graduation and training rates, the nation could face a shortage of as many as 150,000 doctors in the next 15 years, according to the Association of American Medical Colleges. That shortfall is predicted despite a push by teaching hospitals and medical schools to boost the number of U.S. doctors, which now totals about 954,000. The greatest demand will be for primary-care physicians. These general practitioners, internists, family physicians and pediatricians will have a larger role under the new law, coordinating care for each patient. The U.S. has 352,908 primary-care doctors now, and the college association estimates that 45,000 more will be needed by 2020. But the number of medical-school students entering family medicine fell more than a quarter between 2002 and 2007.

Friday, March 25, 2011

Mas, não eram avaliados? Porquê?

Como é possível isto: Os médicos vão começar a ser avaliados em 2012, sendo que esta avaliação só estará concluída no primeiro trimestre de 2013?

Então não há avaliação da qualidade dos serviços hospitalares? Não há hospitais com certificação internacional? Do King's Fund? E os principais stakeholders dos hospitais não são avaliados?

Poeira? Fumo? O que é isto?

Saturday, January 22, 2011

Não há falta de médicos em Portugal II

É uma das maiores falácias do momento: a propalada falta de médicos. Basta consultar os relatórios da OCDE, e verificar que o número de médicos por 1.000 habitantes em Portugal, não é inferior ao que existe na Bélgica ou na Finlândia. Mesmo tendo em conta que existem muitos médicos em regime de "licença sem vencimento", justificando esta situação pelo desempenho de actividades políticas ou empresariais, a falta de médicos é um embuste promovido pelas associações médicas e afins!

Mas, o que vemos aqui, é mais uma forma de percebermos que não há falta de médicos em Portugal:
  • Dados da Ordem dos Médicos (OM) avançados à agência Lusa indicam que em 2008 estavam inscritos 39.473 médicos, dos quais 3.736 eram estrangeiros, número que subiu para 3.842 (de um total de 40.664) em 2009 e para 3.937 (de 42.031 registados) em 2010.
  • A grande maioria é oriunda de países da União Europeia, principalmente de Espanha, e tem vindo a subir: em 2008 eram 2.355, número que subiu para 2.382 em 2009 e para 2.426 em 2010.
  • Também o número de médicos brasileiros tem vindo aumentar, passando de 562 em 2008, para 621 em 2009 e 657 em 2010.
  • Estavam ainda registados, em 2010, em Portugal 238 médicos de países europeus (fora da UE), cinco africanos, 18 asiáticos, dois australianos e 21 da América do Norte.
  • Uma fonte da OM explicou que o facto de os médicos estarem registados em Portugal não significa que estejam todos a exercer. Há muitos médicos que se inscrevem para tirar a especialidade e depois regressam ao país de origem, sobretudo os dos PALOP.

Continuamos a não perceber, porque se mantem a mentira oficial de que há falta de médicos. Pode haver falta de médicos em Montemor-O-Novo ou em Alcoutim. Mas, isto só acontece, porque há médicos a mais no Hospital de Santa Maria ou no Hospital Egas Moniz. Ou seja, não existem médicos em alguns sítios, apenas porque o Ministério da Saúde não cumpre a sua função de pôr as pessoas que nada fazem, nos sítios onde fazem falta. Aliás, os últimos Governos fartaram-se de falar em mobilidade na Função Pública, e parece que aplicaram o conceito em alguns sectores, como no Ministério da Agricultura. Mas, quando se pensa em tocar em algumas zonas mais nevrálgicas, os poderosos políticos têm medo. Porque será?

Sunday, January 03, 2010

Falta de médicos: release 2010

Todos os softwares vão tendo novas releases. Ou porque estão desactualizados, ou porque os seus fabricantes querem ganhar mais dinheiro através das novas versões.

A história da falta de médicos em Portugal é idêntica. Ou se importam médicos de Espanha, do Brasil, dos PALOP's, de Cuba, ou se inventa mais uma origem, como foi o caso do Uruguai, no ano de 2009.

O Ano Novo está aí e lá voltamos a mais uma rábula: O secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, anunciou ao DN que vai "contratar mais algumas dezenas de médicos de outros países", que deverão ser angariados na América Latina. Desta vez, deverão ser as Administrações Regionais de saúde de Lisboa e do Porto a beneficiar destes reforços de profissionais.

Ridículo, apesar de nos custar muito dinheiro. É que comprovadamente, Portugal tem um rácio de médicos por 1.000 habitantes, ao nível da média da União Europeia. Logo, tem tantos médicos quanto alguns dos países mais desenvolvidos do mundo.

Veja-se este retrato: A Ordem dos Médicos tem 4400 estrangeiros inscritos, grande parte vindos da UE (2631), do Brasil (698) e da América do Sul (325). Mais de 11% do total de clínicos a trabalhar no País: 39. 473, de acordo com os dados de Agosto do ano passado.

Isto, apesar de um esforço para a abertura de mais Faculdades de Medicina: Foram abertos dois novos cursos de medicina, em Aveiro e no Algarve, e o número de vagas subiu de mil para 1700.

E tudo isto com este cenário:
  • Para a ANEM (Associação Nacional de Estudantes de Medicina), Portugal tem um "problema de distribuição de médicos por região e especialidade, não um défice do seu número total, que se encontra acima da média europeia".
  • A associação divulga em comunicado os dados mais recentes relativos ao número de médicos em Portugal, publicados no Relatório Anual da OCDE a 01 de Julho de 2009, segundo o qual "o número de médicos em Portugal - 3,5 clínicos por mil habitantes - está quatro décimas acima da média dos 30 estados-membros (3,1) e aproxima-se a passos largos do topo encabeçado pela Grécia e Bélgica".

Num país com um galopante nível de desemprego e com excesso de recursos humanos qualificados, cada nova release de "falta de médicos" só contribui para mais incredulidade!

Wednesday, August 26, 2009

Tuesday, June 02, 2009

Onde está a Ordem dos Médicos? E a Justiça portuguesa?

Estes factos são graves:
  • Acusado de três crimes de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência, previsto como um acto sexual de relevo, José V. foi condenado por dois e absolvido de um a dois anos e três meses por cada crime, traduzindo-se a decisão num cúmulo jurídico de três anos de prisão suspensa.
  • ficou provado que, a 24 de Agosto de 2004, na clínica de que é o proprietário, no centro de Faro, o médico "iniciou observação sem luvas" e, a dada altura, "introduziu a mão na bata e começou a acariciar o pénis". Depois, "friccionou a sua zona genital na zona desnudada da vagina da vítima".
  • Numa outra ocasião, a 2 de Setembro, as vítimas foram duas amigas que foram juntas ao ginecologista. Perguntou se podia colocar pomada e, fazendo crer que se tratava de um dos seus dedos, "começou a aplicar pomada com o pénis". Fazendo movimentos com a anca "perguntou três vezes se estava a doer". Uma das mulheres estranhou o contacto, olhou para o vidro do armário e "apercebeu-se de que o arguido tinha o pénis na mão a tocar com ele na sua vagina". Perante tal cenário, empurrou o clínico. "Quando me levantei, ainda o vi a colocar o pénis dentro das calças", declarou a vítima em julgamento.
  • Segundo o tribunal, o arguido "actuou contra a vontade das vítimas para obter satisfação pessoal".

O Sr. José V., perdão, o Dr. José V. é médico! E o que aconteceu ao Dr. José V.?

Isto: O médico continua a exercer a actividade numa clínica privada e no Hospital Central de Faro sem que lhe tenham sido aplicadas sanções disciplinares.

E porque é que houve este desenlace? Por isto: Segundo o Código Penal, o titular de cargo público que no exercício da actividade cometer um crime só é proibido de exercer funções se a pena for superior a três anos.

Pelo menos, as pessoas que são utentes do Hospital de Faro, que estejam atentas a um médico ginecologista de nome, Dr. José V.: fujam.

Thursday, November 13, 2008

Vergonha

Portugueses são 23% dos caloiros de Medicina na Galiza. Como? Não há Universidades em portugal? Não há instalações ou Professores em Portugal, para ensinar medicina?

Há milhares de recém-licenciados em Portugal, todos os anos, que entram logo para as listas do desemprego. No entanto há falta de médicos, pelo que os seus órgãos corporativos vão espalhando por aí, mas não há edifícios ou Professores para se formarem novos médicos.

Enlouqueceram os portugueses?

Vejamos mais sobre aquela novidade:
  • O número de alunos portugueses que entraram este ano para o curso de Medicina na Universidade de Santiago de Compostela, na Galiza, supera os 80, o que representa 23% do total de 350 vagas disponíveis, noticia esta quinta-feira o jornal La Voz de Galicia
  • No ano passado, o contingente luso foi de 50 em 300 vagas, ou seja um sexto.
  • O jornal refere que a invasão de alunos portugueses à única faculdade de Medicina da Galiza tem gerado alguma polémica, nomeadamente porque a região necessita de profissionais e os portugueses preferem exercer em Portugal.

Friday, October 10, 2008

A fuga em frente

Não há volta a dar. O número de médicos por cada 1.000 habitantes, em Portugal, é semelhante à média da União Europeia.

Em Portugal, não há petróleo, nem diamantes, ou sequer grandes quantidades de ouro. Mas, há recursos humanos. Poderão ser esses recursos humanos utilizados em actividades necessárias? Parece-nos que sim, até porque o que não faltam são candidatos a médicos.

Os hospitais de Lisboa, Porto e Coimbra, estão cheios de médicos. O Ministério da Saúde não os consegue mudar para os sítios em que eles fazem falta. Aliás, as zonas raianas, há anos que utilizam "médicos espanhóis", porque os portugueses acham que essas zonas não são agradáveis para viver, ao contrário dos espanhóis.

Perante tal estado, o Ministério da Saúde mete a "5ª velocidade", assim: O programa de Integração Profissional de Médicos Imigrantes assinado hoje, em Lisboa, vai integrar 150 médicos imigrantes no Serviço Nacional de Saúde em 21 meses.

Diz a Ministra Ana Jorge: "Este programa dá-nos uma garantia da máxima qualidade e esperamos que daqui a dois anos possamos contar com mais profissionais que vão ajudar a edificar o Serviço Nacional de Saúde".

Entrámos no domínio da "twilight zone"!

Wednesday, October 08, 2008

Que grande confusão vai no Ministério da Saúde

Por princípio constitucional, existem operadores públicos e privados na saúde. Para alguns, o sector privado da saúde deve ser complementar do sector público. Para outros, o sector privado da saúde deve ser concorrente do sector público.

Paralelamente, mantemo-nos com a velha questão da falta de médicos. Que sabemos ser uma completa falácia da corporação médica, suportada por uma má distribuição de recursos humanos do sector público da saúde. Porquê? Porque o número de médicos por 1.000 habitantes em Portugal é próximo da média da União Europeia. Mas, o "barulho de fundo" mantém-se, ou seja "há falta de médicos"!

Agora, aparece a Ministra da Saúde com uma afirmação disparatada: A ministra da Saúde afirmou hoje no Parlamento que seria uma «má opção» a abertura de vagas de internato nos hospitais privados, alegando que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem capacidade para dar formação específica aos médicos.

E é um disparate porquê? Por isto:
  1. O Estado alega que o custo da formação de médicos é elevado. E nós acreditamos. Então, porque não aceita partilhar esses custos com o sector privado?
  2. Será que a Ministra da Saúde quer dizer que o sector privado da saúde não é competente para dar formação? Se assim for, é grave que mantenha operadores privados da saúde incompetentes!
  3. Se existe ensino/ formação em quase todos os domínios no sector privado, porque é que no domínio da medicina isso não pode acontecer?

Coerência e bom senso, aconselha-se aos decisores portugueses, ainda que a tempestade económico - financeira vá alta!

Monday, October 06, 2008

Porquê que os médicos não podem ganhar em função da produtividade?

Há alguns anos, ouvíamos que "para trabalho igual, salário igual". Não achamos mal, quer se trate de mulheres ou de homens, de velhos ou de novos. Contudo, gostamos mais do princípio, de "salário fixo + salário variável". E porquê? Porque, a igualização da qualidade do trabalho produzido é perniciosa e improdutiva a prazo.

Dito de outra forma, se 2 trabalhadores ganham o mesmo, independentemente do seu nível de produção, é possível que o trabalhador que produz mais se sinta desincentivado.

Com os médicos, ou com os professores, o problema será o mesmo. O Ministério da Saúde fala em mexer nos salários dos médicos há muito tempo. Mas, "mexer" pode significar "doer". Sabe-se lá porquê, há algumas funções em Portugal, que são tão sensíveis e estão tão protegidas, que até a classe política se sente amedrontada com a possibilidade de "mexer" com os intocáveis!

Vejamos este retrato:
  • O Ministério da Saúde vai, já no próximo ano, começar a pagar aos médicos em função da sua produtividade nos hospitais. A medida, que já tinha sido prometida por Correia de Campos, ex-ministro da Saúde, quando chegou ao Governo em 2005, está agora pronta para avançar, depois do teste feito nas Unidades de Saúde Familiares.
  • O secretário de Estado da Saúde ...... disse já estar em curso “um trabalho de consultoria sobre a implementação deste modelo nos hospitais”. Manuel Pizarro admitiu que, “para avançar ainda nesta legislatura, o tempo já é apertado”, enfatizando que é preciso estudar o modelo antes de avançar.
  • O presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve, Rui Lourenço, duvidou da ideia, salientando que “o problema de adequar o desempenho dos médicos ao vencimento é saber se o país pode suportar esse pagamento, e perceber se ele é socialmente justo”.
  • Para o presidente da Unidade de Missão que coordena a reforma dos cuidados de saúde primários (os centros de saúde), a medida é benvinda porque o diagnóstico está feito: “Pagar por ordenado fixo tem uma consequência conhecida, que é os médicos irem fazendo cada vez menos consultas”.

Sinceramente, não percebemos porquê tanta sensibilidade. Achamos que os Médicos têm que ser respeitados, tal como outras classes profissionais. Mas, tantos cuidados, porquê? Desde 2005, que se estuda o problema do pagamento em função da produtividade aos médicos, e agora ainda se gasta mais dinheiro e paga-se a mais uma Consultora para fazer um novo estudo? Oh Senhor Secretário de estado, se não tem coragem política para tomar decisões, o melhor é ceder o lugar a outro, pois o tempo urge!

Monday, September 29, 2008

Será que Portugal precisa mesmo de mais médicos?

Os cidadãos vivem hoje bombardeados por "soundbytes" da comunicação social. Antes eram os incêndios; agora são os assaltos e a violência; depois, há a crise financeira; já houve a crise das urgências hospitalares; agora, o tema é a falta de médicos.

Está mais do que comprovado que o número de médicos por 1.000 habitantes existentes em Portugal é idêntico à generalidade dos países da União Europeia. Mas, mesmo assim, há falta de médicos. Há médicos que ganham 100 euros por hora. Há médicos importados. E quer-se importar ainda mais:
  • Portugal já tem 4.287 médicos estrangeiros a exercer no país e vai avançar com novos acordos para a contratação de mais profissionais. O mercado da América Latina é o alvo.
  • De acordo com a Ordem dos Médicos, dos 38.538 clínicos que exercem em Portugal, 300 são oriundos da América do Sul. Do Brasil vieram 600.
  • Mas chegam também da União Europeia (2.583), dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (261), da Europa não Comunitária (378), da África não PALOP (33), da Ásia (42), da Austrália (um) e da América do Norte (19).

Para nós, esta situação espelha a falta de organização de várias entidades do país, nomeadamente do Ministério da Saúde e da Ordem dos Médicos. Já há longos anos, que ouvíamos dizer que o Hospital de Santa Maria tinha cerca de 1.000 médicos a mais. Depois, ouvíamos dizer que Lisboa, Porto e Coimbra tinham médicos a mais, e o Interior tinha falta de médicos.

Ouvimos com frequência dizer que os médicos, apesar de serem escassos, trabalham em vários sítios ao mesmo tempo. O que para nós é estranho, a não ser que estes que trabalham em vários sítios ao mesmo tempo, sejam exclusivamente "profissionais liberais". E não são, quase todos têm o seu vínculo a uma instituição do Estado. E o Estado, que são todos os contribuintes, vê a "caravana passar". Pior, ainda que raramente se houve que poderemos estar à "beira do desemprego médico", como se todas as outras profissões pudessem ter desempregados, com excepção dos médicos.

Depois, ainda temos que ler este tipo de afirmação: Apesar de apoiar o Ministério da Saúde nesta matéria, Pedro Nunes lembrou que há muitos estudantes de Medicina nas universidades portuguesas que esperam um lugar nas unidades de saúde quando iniciarem o internato. Mas, afinal há médicos por colocar ou há médicos a mais?

Sunday, September 21, 2008

Serão os médicos vítimas no SNS?

Em Portugal, vá-se lá saber porquê, vive-se em ondas e em modas. Ora, é a educação que é fraca (e é), ou é a segurança que é cada vez menor, ou são os serviços de saúde que perdem qualidade, ou é a economia que é frágil e vive em estagnação há pelos menos 10 anos.

Depois vêm pequenas ondas, dentro das grandes ondas. Na saúde, fala-se dos médicos, da sua insatisfação, da sua falta (nós não acreditamos), dos seus baixos salários e de outras coisas. Os médicos vendem "share" de audiência e número de jornais, quase tanto como o Cristiano Ronaldo.

Vejamos mais esta notícia:
  • João é obstetra há nove anos num hospital público, com o qual acaba de rescindir o contrato por estar «farto das passadeiras vermelhas» que o Estado «estende aos médicos» para abandonarem o Serviço Nacional de Saúde.
  • Nos últimos anos, milhares de médicos têm saído dos serviços públicos. Mas ninguém sabe ao certo quantos. Nem a Ordem, nem o Ministério.
  • O próprio número rigoroso de médicos em actividade em Portugal é desconhecido. Conforme reconheceu o bastonário, há médicos que morrem, mas que os familiares não informam o organismo e outros que já não exercem, mas continuam a pagar quotas como se o fizessem.
  • Dos 38 mil médicos que a Ordem contabiliza, existirão «mil ou dois mil» que não estarão em actividade, segundo as contas de Pedro Nunes.
  • A Lusa tentou apurar junto do Ministério da Saúde quantos médicos deixaram o SNS nos últimos tempos, mas essa contabilidade ainda não está feita.
  • Em 2007, o Ministério da Saúde tinha avançado à Lusa que, entre o início de 2006 e Abril de 2007, 943 médicos tinham deixado o SNS, entre reformas e rescisões.

Oh meu Deus, nem a Ordem dos Médicos, nem o Ministério da Saúde sabem o número de médicos em actividade em Portugal. Que país este, cheio de burocratas nos Ministérios e nas corporações, mas que nem sequer sabem contar, mesmo sabendo nós que a informática faz muito trabalho de arquivo de dados e de controlo.

O Bastonário da OM até pode ser bom médico, mas se nem sabe distinguir médicos em actividade de médicos mortos, deve ser aterrador o seu desempenho como Bastonário, que evidentemente pressupõe capacidade de gestão da dita corporação.

O Ministério da Saúde que tem tantos órgãos, da ACSS à Secretaria Geral do Ministério, passando pelas ARS's e por múltiplas entidades difusas que por lá existem, não tem um número, ainda que aproximado de médicos que trabalham em Portugal. Sabendo nós, que a actividade de medicina em portugal é altamente regulamentada, ao contrário de outras como carpinteiro ou empregado de mesa!

Portugal está mesmo numa onda de mediocridade generalizada!

Wednesday, September 17, 2008

Histórias muito mal contadas

Portugal tem um rácio de médicos por 1.000 habitantes superior a vários países europeus. Ou seja, se há países desenvolvidos que se governam com o mesmo número de médicos que Portugal, porquê que por cá, os médicos parecem jogadores de futebol? Ou pior, parece que o salário dos médicos está a ser objecto de especulação, como o petróleo o foi durante os últimos 6 meses (depois de no início de 2008, o petróleo estar a menos de 100 dólares por barril, atingiu quase 150 dólares, e está agora novamente abaixo dos 90 dólares)!

Vejamos o que aqui nos contam:
  • Os médicos começam a ser assediados logo no último ano da sua formação específica (internato) por empresas privadas de médicos que lhes oferecem chorudos pagamentos para realizarem horas em hospitais carenciados de clínicos.
  • os internos de especialidades como anestesiologia, ginecologia/obstetrícia, pediatria e otorrinolaringologia são os que mais frequentemente são convidados para, quando terminarem a sua formação, prestarem esses serviços.
  • O pagamento, à hora, que estas empresas oferecem aos médicos, é muito mais elevado do que o que os hospitais públicos pagam, apesar de o serviço ir ser prestado em hospitais do SNS.
  • Para Rui Guimarães, este é "um trabalho de mercenário" que nada tem a ver com as ambições de quem estuda e se especializa num hospital público.
  • De acordo com Rui Guimarães, estas empresas negoceiam com os internos que frequentam o último ano da especialidade, oferecendo valores elevados por hora de serviço e, no caso de se tratar de hospitais fora do local onde os clínicos vivem, chegam a oferecer estadias em hotéis.

Mas, afinal os médicos são formados com base em dinheiros públicos, e logo à saída das Faculdades vão trabalhar para empresas privadas que fornecem serviços ao SNS (Estado)? Como? Não poderá ser isto considerado uma alta tramóia? Não estarão os Altos Funcionários do Estado, relacionados com o SNS, a colaborar também com tal tramóia? Depois, vêm dizer que o déficit tem que ser reduzido!

Monday, September 08, 2008

A riqueza do SNS

Somos dos que acreditam nas virtualidades do mercado. Mas, também somos dos que não acreditam que o mercado funcione realmente em Portugal em diversas áreas.

Vejamos este rico exemplo:
  • A carência de médicos obriga muitos hospitais a contratarem tarefeiros a empresas de prestação de serviços para manter as urgências a funcionar. A medida tem um preço elevado: há médicos que cobram 2500 euros por banco de 24 horas.

Como? Se pensarmos que o Presidente da República e o Primeiro Ministro, que são os mais elevados cargos da nação, auferem entre 7.000 e 8.000 euros mensalmente, ficamos com uma perspectiva de que aqueles médicos em 3 (três) dias auferem o mesmo que o PR e o PM.

O que andam a fazer os planificadores do Ministério da Saúde? Como se consegue reduzir custos no SNS, assim?

E alguns dos responsaveis pela situação, ainda afirmam isto: Em alguns casos, adiantou Manuel Delgado, administrador do Hospital Curry Cabral, os hospitais encontram-se numa situação limite ficando sujeitos a este tipo de "chantagem" por parte das empresas que "pedem o que querem".

Só pedem o que querem, porque perceberam que o Estado paga!

Monday, July 07, 2008

A escassez prevista de Médicos

Estamos fartos da conversa acerca da falta de Médicos em Portugal. Aliás, não percebemos como é que há falta de Médicos em Portugal. Aliás, o número de Médicos por mil habitantes em Portugal não é dos mais baixos da União Europeia.

Mais, muitos portugueses vão para o estrangeiro para cursar Medicina, nomeadamente para Espanha e para a República Checa.

Há Engenheiros desempregados, há Enfermeiros desempregados, há Carpinteiros desempregados, há Talhantes desempregados, mas parece que há falta de Médicos.

As Universidades produzem demasiados Licenciados, o que provoca muitas vezes que estes procurem a emigração logo que acabam os seus cursos.

Porquê Medicina? Porque é que não se aumenta o numerus clausus das Faculdades de Medicina? Porque é que Cuba, que tem também 10 milhões de habitantes, tem Médicos em toda a América Latina e ainda tem imensos recursos internos, até para resolver as listas de espera das cirurgias oftalmológicas dos portugueses?

Mas, ainda temos que ler isto:
  • A Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, está à beira da ruptura. Faltam médicos para assegurar as urgências desde o início do ano. Oito clínicos foram convidados para hospitais privados, o que agrava ainda mais a situação.
  • Acontece que faltam médicos para garantir as urgências e o número de nascimentos vai subir porque as doentes de Vila Franca vão passar a ser reencaminhadas para esta unidade hospitalar.
  • A situação começou a agravar-se com a saída de médicos dos quadros para os hospitais privados. Queixam-se de falta de incentivos, no Estado. Para além dos partos, a Maternidade recebe cem urgências por dia, asseguradas pela mesma equipa médica.

Parece-nos que estamos perante mais uma mega-mistificação na sociedade portuguesa. Não estaremos perante um simulacro de extermínio do SNS? Aguardemos.

Wednesday, July 02, 2008

As derrapagens sucessivas da Ministra

A Ministra Ana Jorge já perdeu o "estado de graça". Agora, enfrenta o "monstro". E o pior, é que este monstro tem imensas cabeças. E quando o monstro faz as primeiras tentativas para assustar a Ministra, esta derrapa em todos os sentidos:
  • A ministra da Saúde disse esta terça-feira no Parlamento que, em caso de doença grave, nunca iria a um hospital privado.
  • A ministra da Saúde acusou ainda os médicos de receitarem medicamentos e exames a mais, que não são necessários à saúde dos doentes.
  • «Quem vai ao médico leva uma receita mesmo que não necessite de prescrição. Muitos exames que completam o diagnóstico são pedidos exageradamente», alertou a ministra.

Das duas uma, ou a Ministra já percebeu que não consegue enfrentar o "monstro das 7 cabeças", ou não sabe o que diz!

Comentários nossos:

  1. Se a Ministra diz que não vai a um Hospital Privado, é porque tem conhecimento de factos graves, que a maioria dos cidadãos não tem. Perante isto, deveria agir, encerrando os Hospitais Privados que não lhe servem a ela e a nós cidadãos!
  2. Se os Hospitais Privados só servem para consultas ou para a execução de exames, então, as entidades públicas que os credenciaram como Hospitais deveriam retirar-lhes as licenças.
  3. Se a Ministra não tem confiança nos Médicos que trabalham nos Hospitais Públicos (relembre-se que a própria Ministra é Médica num Hospital Público), só tem que os disciplinar. Aliás, se não há confiança entre empregador e empregado, quebra-se a relação de trabalho saudável e que propicia maiores níveis de produtividade.

Triste, demasiado triste.