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Tuesday, June 24, 2014

O que dirá a corporação?

Mais do que o interesse do público em geral, interessam mais as opiniões de grupos de interesse, vulgo lobbies, ou das chamadas corporações. Há uma Ordem que manda mais do que muitas outras. Está sempre atenta. Está sempre actuante. Não perde uma oportunidade para colocar em marcha os interesses da classe.

Não sabemos o que dirá a Ordem sobre istoA Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) enviou para o Ministério Público, para investigação de eventuais ilícitos criminais, os casos de médicos que detectados a trabalhar em vários hospitais, públicos e privados, à mesma hora. Um deles, filho do ex-director da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), criou em 2009 uma empresa de prestação de serviços com o então director da Cirurgia Plástica do Hospital de Santa Maria (Lisboa), que terá servido para celebrar contratos com a instituição dirigida pelo pai.

E sobre isto, o que dirá a tal de OrdemContactado pelo PÚBLICO, o ex-administrador da MAC, Jorge Branco, disse apenas que este caso ocorreu há já algum tempo e que seguiu “os trâmites normais”. Sem querer adiantar mais comentários, defendeu que o contrato entre a MAC e a Out Intervention foi feito como com outra empresa qualquer. “Não há nenhuma lei que proíba que [um pai] contrate uma empresa de um filho. Ele não pode ser beneficiado, mas também não deve ser prejudicado”, sustentou.

Para não dizer mais, que topete, Dr. Jorge Branco!

Thursday, December 13, 2012

O enfartamento


Um dos sinais de decadência de Portugal passou por uma visão ingénua da vida, em que se criou um imaginário de que os cidadãos tinham direito a tudo (saúde, educação, habitação, etc.), sem que tivessem que dispender recursos directos. Mais, nesse idealismo confrangedor, até se considerava que toda e qualquer parte do país, poderia e deveria ter uma rede de assistência pública, independentemente da sua dimensão social e económica.

O chamado Hospital do Médio Tejo, que resultou da fusão de 3 hospitais (Tomar, Torres Novas e Abrantes), foi um dos máximos expoentes da irracionalidade que varreu Portugal.

Agora, padece-se de enfartamentoO Centro Hospitalar do Médio Tejo, que engloba as unidades de Tomar, Abrantes e Torres Novas, bem como o hospital de Santarém fazem parte da lista dos 21 hospitais em risco de falência técnica no país.


Surprendido? Não. Apenas, nos espantamos de isto estar a acontecer só agora. Naturalmente que quando se fundiram os 3 hospitais, já eram sinais de clara hecatombe à vista.


E quando a cabeça não pensa, o corpo é que paga: Os dados são revelados hoje na edição do jornal Correio da Manhã que aponta para um prejuízo de 14,3 milhões de euros no Centro Hospitalar do Médio Tejo e 3,2 milhões de euros no hospital de Santarém, dados referentes a julho de 2012. Perante este estrangulamento financeiro nos hospitais em falência técnica verifica-se o cancelamento de cirurgias programadas e a suspensão de tratamentos a doentes crónicos.


Há um projecto para transformar a Maternidade Alfredo da Costa em Museu da Criança. Que ideias terão os políticos de serviço para vir a colocar nos hospitais falidos de Tomar, Torres Novas e Abrantes? Lojas do cidadão?

Friday, November 09, 2012

Maternidade Alfredo da Costa: sinais de decadência

Portugal não faz filhos. Por cada casal, há cerca de 1,2 filhos. O país morre lentamente. A morte é sempre má. A morte lenta é muito dolorosa. Sem nascimentos têm que se reduzir as maternidades.

Esta é só a mais emblemáticaA Maternidade Alfredo da Costa (MAC) vai fechar no “final do ano ou princípio do [novo] ano”, conforme está previsto, o que significa que vai encerrar antes da abertura do Hospital de Todos os Santos.

Como diria um ex-Primeiro Ministro, "é a vida"!

Vai acabar o mito dos nascidos em "São Sebastião da Pedreira". Outros mitos acabaram, alguns dos grandes bancos não são portugueses (são angolanos, espanhóis, etc.), as maiores empresas industriais são também estrangeiras (a Auto-Europa, a GALP, etc.) e o Estado português deixou de ser uma pessoa de bem (vai ter que renegociar a dívida, tarde ou cedo, ou se quisermos, não vai pagar o que deve).

Estamos curiosos para saber o que vai ser feito da Maternidade Alfredo da Costa? Não, esclarecem-nos que vai ser istoAs instalações da Maternidade Alfredo da Costa e do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, vão continuar no Serviço Nacional de Saúde, que as deverá adaptar, respetivamente, a um centro de exposições e a um espaço dedicado à criança.

Podia ser pior. Por exemplo, poderia vir a ser um qualquer Bataclan!

Curioso vai ser, perceber qual vai ser a reacção de um político de Esquerda, cuja mulher trabalha na velha MAC, e parece que tem um consultório privado nas redondezas!

Friday, April 13, 2012

Lições de Professor jubilado

Correia de Campos parece que ainda é deputado em Estrasburgo. Correia de Campos deixa de ser funcionário público no activo. Correia de Campos, de forma sempre abrasiva, deixa um conjunto de ideias confusas e controversas, a propósito da Maternidade Alfredo da Costa:
  1. O ex-ministro da Saúde Correia de Campos defende que os partos realizados no Hospital São Francisco de Xavier sejam transferidos para a Maternidade Alfredo da Costa.
  2. O ex-ministro manifesta-se frontalmente contra o encerramento da MAC.
  3. “A MAC é um modelo de alta qualidade mas insustentável no futuro. A integração em hospital central é lógica e evidente, não o fecho. Todo aquele edifício deve ser integrado no Hospital de Todos os Santos. Até lá a MAC deve ficar onde está”
  4. “Reconverter as instalações ótimas do S. Francisco Xavier para outras áreas”, como a oncologia.
  5. O ex-ministro lembra ainda, para sustentar a sua opinião, que o serviço de saúde privado “se está a sentir” com a crise e que, provavelmente, a franja de 35 por cento de partos realizados no privado vai regressar ao setor público.
  6. “Não falta dinheiro. O Governo português tem que encontrar meios, tem que saber que o encargo de seis ou sete hospitais será superior a um novo e tem que aproveitar os fundos comunitários e não desperdiça-los, deitá-los fora, como fez com a Parque Escolar”.
  7. Embora sublinhe que “nem todos os exercícios de planeamento tenham sido bem feitos”, Correia de Campos não tem dúvidas de que se “justificava” a construção da maternidade do Hospital de Loures, até porque vai “drenar as grávidas de Mafra”.
Sinceramente, parece que a jubilação de Correia de Campos vem no momento certo. A dúvida é um importante companheiro da ciência. Embora, a dúvida é inimiga de um gestor de recursos. Ao ver tanta dúvida e caminho transversal, fácilmente se percebe o estado comatoso do chamado SNS. E Correia de Campos não foi dos piores Ministros da Saúde.

Wednesday, October 05, 2011

A tirania corporativa

Enquanto algumas corporações detiverem mais poder do que o chamado interesse público, as sociedades estão condenadas à pobreza, á indigência e à indignidade.

Algumas corporações esticam a corda, sem perceberem que há leis da Física, que estão acima do poder dos poderes fáticos.

Isto é chantagem sobre o interesse dos cidadãos: O funcionamento da Maternidade Alfredo da Costa está em risco porque a maioria dos anestesistas se recusa a aceitar o novo pagamento proposto e ameaça deixar a instituição.

Isto é um atentado contra quem paga o funcionamento do Estado, vulgo contribuinte: Os nove médicos costa-riquenhos que chegaram a Portugal há quatro meses continuam sem poder exercer medicina por razões "apenas burocráticas", por falta do "documento de reciprocidade".

Quando as corporações ou castas atingem o limite da paciência do cidadão comum, as sociedades ficam à beira de precipícios. No passado foi assim. O futuro está à porta.

Monday, April 20, 2009

O mundo com os pés ao contrário

Gestão e estratégia de organizações não é para todos. Já o sabíamos. Basta circular por um punhado de organizações públicas e privadas, para perceber que a gestão e a estragégia escasseiam. Na saúde, a gestão é quase sempre intuitiva, e a estratégia é mesmo inexistente.

Ora aqui temos um exemplo, em que primeiro se põem a funcionar as instalações, para depois se pensar em quem é que há-de dirigir os serviços: A ministra da Saúde, Ana Jorge, reconheceu hoje as dificuldades em contratar médicos para o centro de Procriação Médica Assistida da Maternidade Alfredo da Costa e anunciou que este deverá ser dirigido por um especialista espanhol.

Então, o Ministério da Saúde e a Maternidade Alfredo da Costa, primeiro preocupam-se em criar um Centro de Procriação Médica Assistida, para só depois se lembrarem que tinham que arranjar alguém para dirigir o Centro! Boa. Melhores exemplos de gestão? Estão no Ministério da Saúde.

Mas, a Ministra Ana Jorge, que é médica, tem esta visão da gestão das organizações de saúde: «À medida do possível e das suas capacidades» vão sendo encontradas «todas as soluções», afirmou a ministra, sublinhando que «os serviços quando estão prontos devem abrir mesmo que não tenham todos os seus recursos em funcionamento».

Mais palavras? Para quê?

Tuesday, August 26, 2008

Reorganização de serviços hospitalares

Em gestão, anda-se sempre em reestruturação e reorganização. O Estado já aprendeu isso com o sector privado. É impossível manter um certo imobilismo. O problema é sempre este: será que a mudança é para melhor?

Ora, vejamos qual vai ser mais esta reorganização:
  • A Alfredo da Costa, unidade-berço da maioria dos lisboetas, vai deixar de existir, transformando-se apenas num serviço de obstetrícia do futuro Hospital de Todos-os-Santos.
  • O futuro do edifício da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) é ainda incerto, mas o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, António Branco, adianta que pode vir a albergar o Ministério da Saúde e os vários serviços tutelados espalhados pela cidade.
  • Segundo os planos traçados pela tutela, em 2012, uma grávida de Lisboa terá três locais possíveis para ter filhos: Santa Maria, S. Francisco Xavier ou Todos-os-Santos (onde se vai situar a Estefânia e a MAC).
  • Mas, apesar de não estar nos planos de reorganização, a falta de médicos especialistas poderá obrigar as autoridades a encontrar entretanto uma solução de recurso. Nos próximos tempos os partos podem ter que ser concentrados em apenas duas maternidades: a MAC e Santa Maria.

Bem, vamos ver o que dizem as corporações (médicos e enfermeiros) e os doentes, a estas novas mudanças. É que mudar faz bem, mas quase ninguém gosta de mudar de hábitos!

Monday, July 07, 2008

A escassez prevista de Médicos

Estamos fartos da conversa acerca da falta de Médicos em Portugal. Aliás, não percebemos como é que há falta de Médicos em Portugal. Aliás, o número de Médicos por mil habitantes em Portugal não é dos mais baixos da União Europeia.

Mais, muitos portugueses vão para o estrangeiro para cursar Medicina, nomeadamente para Espanha e para a República Checa.

Há Engenheiros desempregados, há Enfermeiros desempregados, há Carpinteiros desempregados, há Talhantes desempregados, mas parece que há falta de Médicos.

As Universidades produzem demasiados Licenciados, o que provoca muitas vezes que estes procurem a emigração logo que acabam os seus cursos.

Porquê Medicina? Porque é que não se aumenta o numerus clausus das Faculdades de Medicina? Porque é que Cuba, que tem também 10 milhões de habitantes, tem Médicos em toda a América Latina e ainda tem imensos recursos internos, até para resolver as listas de espera das cirurgias oftalmológicas dos portugueses?

Mas, ainda temos que ler isto:
  • A Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, está à beira da ruptura. Faltam médicos para assegurar as urgências desde o início do ano. Oito clínicos foram convidados para hospitais privados, o que agrava ainda mais a situação.
  • Acontece que faltam médicos para garantir as urgências e o número de nascimentos vai subir porque as doentes de Vila Franca vão passar a ser reencaminhadas para esta unidade hospitalar.
  • A situação começou a agravar-se com a saída de médicos dos quadros para os hospitais privados. Queixam-se de falta de incentivos, no Estado. Para além dos partos, a Maternidade recebe cem urgências por dia, asseguradas pela mesma equipa médica.

Parece-nos que estamos perante mais uma mega-mistificação na sociedade portuguesa. Não estaremos perante um simulacro de extermínio do SNS? Aguardemos.

Monday, April 21, 2008

Falta de Médicos: a situação já se antevia

Há mais de dez anos que se vem falando e escrevendo que há falta de médicos, sobretudo se for levado em conta que há a previsibilidade de muitos médicos se virem a reformar na próxima década. Pouco se fez, para além da abertura de duas pequenas faculdades de medicina (Beira Interior e Minho).

Mais, o mercado acabou por procurar alternativas, quer através da "importação" de médicos estrangeiros (de Espanha, América Latina e do Leste da Europa), quer através da busca de cursos realizados em Espanha e República Checa.

O Ministério do Ensino Superior pouco fez. O Ministério da Saúde nada fez. Agora, o problema está à vista de todos, mas pouco se continua a fazer:
  • "Temos sete médicos por equipa de urgência para fazer seis mil partos por ano", avançou ao DN Jorge Branco, presidente do Conselho de Administração da Maternidade Alfredo da Costa (MAC).
  • Jorge Branco reconhece o aumento da carência de médicos para as urgências, numa maternidade "que faz praticamente cem consultas por dia". A difícil gestão das equipas ainda "não teve repercussão até agora no desenvolvimento do trabalho, porque os médicos têm aceitado fazer horas extraordinárias", reconhece.
  • Uma das consequências para os médicos da MAC é semelhante à traçada por outros hospitais citados no texto em cima. Os turnos avolumam-se e o tempo de trabalho vai expandindo. A dimensão dos turnos? "São de 24 horas. Não temos pessoas suficientes para fazer turnos de doze como antes. Isso seria a situação desejável, mas não é possível", lamenta Jorge Branco.
  • Muitos médicos atingiram a idade de aposentação ou deixam de fazer urgências. Aos 50 anos, um médico pode deixar de fazer urgência nocturna e, aos 55, fica oficialmente dispensado de fazer urgência. "Muitos dos nossos médicos atingiram a idade de aposentação. Este ano já perdemos um chefe de equipa e calculo que vão sair mais quatro pessoas. E é preciso lembrar que todos estes médicos levam consigo uma grande experiência", acrescenta.
  • A saída para os privados, já muito referida, também levou alguns profissionais da maternidade lisboeta. "Os internos recém--formados e que acabaram há um mês, eram quatro: dois saíram e dois apenas ficaram a tempo parcial." Estes médicos optaram por trabalhar no sector privado, tal como outros médicos desta instituição.

Notas nossas: 1) Não gostamos de ser observados por médicos com mais de 12 horas seguidas de trabalho desenvolvido; 2) Será que o Ministério da Saúde ainda não percebeu que a atractividade do trabalho médico é pequena no sector público da saúde (pelo menos para os médicos mais ambiciosos)?

Monday, February 11, 2008

Colecção de abortos

Somos favoráveis ao aborto, em circunstâncias muito específicas. Mas, jamais aceitaremos que o aborto seja encarado da mesma forma que uma qualquer dôr de dentes.

Lemos aqui (edição de 11 de Fevereiro de 2008), algo que nos deixa petrificados: Nos cerca de seis meses em que vigora a lei da descriminalização do aborto até às dez semanas há mulheres que já fizeram duas interrupções voluntárias da gravidez (IVG).

Mas, será que fazer um aborto, é como tirar um dente?

Aqui fala-se de falta de informação: "Achamos que as pessoas sabem tudo, que houve um referendo e as mulheres estão informadas. Mas não estão. Muitas desconhecem completamente que podem fazer uma interrupção voluntária da gravidez num estabelecimento de saúde", afirma ao DN Maria José Alves, médica da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) e da associação Médicos pela Escolha.

Apenas perguntamos, o que andam a fazer os portugueses que nem se apercebem que já existiram dois referendos sobre o aborto? O que andam a fazer as escolas em Portugal, quando as pessoas nem entendem o que se diz nos telejornais, quase diáriamente? O que andam a fazer os técnicos do Ministério da Saúde, e em particular dos Centros de Saúde?

Meu Deus, antigamente era o "obscurantismo" de Salazar! E agora, o que é?