Sunday, May 12, 2013

Retalhos da vida de uma médica


A coisa está dura. Não vai ficar melhor. Mas, há gente que ainda brincaUma médica de serviço no hospital de Santarém foi surpreendida a jogar computador por uma utente que estava há mais de uma hora à espera para ser atendida no serviço de urgências, sem nenhum outro doente à sua frente.

Apesar do estado comatoso da nação, há quem insista em lutar: A queixosa, Mara Cardoso, que ainda conseguiu tirar uma fotografia com o seu telemóvel à caricata situação, vai apresentar queixa na Ordem dos Médicos e desconfia da validade da exposição que preencheu no Livro de Reclamações que lhe entregaram.

Tudo isto se passa num hospital público: Foram também pedidos esclarecimentos ao Conselho de Administração do Hospital de Santarém, que ficou de devolver o contato, mas não o fez até ao momento.

Pior, foi o tratamento prestado pela prestadora de serviço:"Ainda se exaltou, discutiu comigo e disse-me que eu podia bem esperar duas horas, uma vez que tinha pulseira verde", conta a utente.


O que não tem remédio, remediado está!

Wednesday, May 08, 2013

Médicos: finalmente, um caminho

É verdade. A vida está má. Portugal faliu. Por muito tempo. Não vale a pena, chorar. Não vale a pena, parar. É preciso avançarO ministro da Saúde brasileiro anunciou planos para recrutar milhares de médicos estrangeiros para trabalhar em regiões remotas e onde há maior carência de clínicos no país. A maioria, cerca de seis mil, serão cubanos, mas Alexandre Padilha abriu também a porta ao recrutamento de profissionais de Portugal e Espanha.

Aliás, os próximos patrões dos jovens médicos portugueses, até os elogiam: "Como ministro da Saúde, não vou ficar vendo a situação de Espanha e Portugal – que têm médicos de muita qualidade, que falam português e que vivem uma situação de 30% de desemprego – sem pensar em alternativas de intercâmbio para trazer esses profissionais", anunciou o governante na última terça-feira.

Um outro português emigrado, tão do agrado do Ministro da Saúde do Brasil: As fotografias foram divulgadas pelo próprio Ministério da Saúde do Brasil. Mostram uma reunião de trabalho entre a Octapharma, uma empresa farmacêutica sediada na Suiça, o ministro brasileiro da Saúde, Alexandre Padilha e José Sócrates. Um encontro que decorreu em Brasília, no início de Fevereiro. O ex-primeiro ministro português é, desde dia 1 de Janeiro, presidente do conselho consultivo para a América Latina da multinacional farmacêutica.

Friday, May 03, 2013

Fazer o mesmo, com menos

Após a falência da nação, não há outra hipótese. Até porque, desenganem-se aqueles que acreditam no linguajar dos políticos do poder e da oposição. Nenhuma falência se resolve em poucos anos. O estado comatoso da nação vai demorar gerações.

Sendo assim, só resta trabalhar o mesmo, por menos dinheiroOs hospitais-empresa (EPE) vão perder pelo menos 160 milhões de euros de financiamento no próximo ano. A transferência do Orçamento do Estado para estas unidades de saúde será - e de acordo com as últimas previsões do ministério tutelado por Paulo Macedo - de quatro mil milhões de euros em 2014. Para o ano seguinte a dotação dos hospitais deverá manter-se e só em 2016 está previsto um aumento ligeiro do financiamento, em 24 milhões de euros.

Naturalmente que quem irá pagar esta factura, serão em primeira instância os utilizadores dos hospitais, vulgo doentes. Pois, quem por lá trabalha, provavelmente não vai gostar da situação e vai trabalhar menos. Ou se quisermos, vai ser menos eficiente. O ciclo que deveria ser virtuoso, vai ser vicioso. Os portugueses foram historicamente um povo ingénuo. A ingenuidade não tem que ser má, mas tem sempre um preço a pagar.

Friday, April 26, 2013

Patients may be at risk of over-treatment


Despite a health care system burdened by high costs and patients facing long waits for medical procedures, many Canadians are getting unnecessary diagnostic tests and surgeries that may leave them worse off, physicians say.


Patients in their 40s and 50s who have elective knee-replacement surgery, for example, are at increased risk for early failure of the artificial joint, said Gillian Hawker, a rheumatologist and clinical epidemiologist at the University of Toronto.


Revision surgery to repair the artificial joint is a complex procedure that does not always go well, she said. But try telling that to middle-aged patients who insist they need a new knee or hip so they can ski into their golden years, she added. “They will keep looking until they find a surgeon who will operate,” Hawker said. “Then they have surgery and are surprised that, when you hit a new joint hard, it wears out fast.”


Knee replacement surgery is on a list of procedures under review by Canadian provinces in a recent push to reduce unnecessary medical treatments and diagnostic tests. The Health Care Innovation Working Group, an interprovincial body, is re-evaluating procedures including MRIs, joint replacements and cataract removal to set new guidelines on when such interventions are necessary and when they are of questionable benefit.


In the past two years, “there’s been a groundswell of energy focused on overdiagnosis and overtreatment,” said Alan Cassels, a pharmaceutical policy researcher at the University of Victoria and the author of Seeking Sickness: Medical Screening and the Misguided Hunt for Disease (2012).

Monday, April 22, 2013

Portugal: o país do "faz de conta"

Volta e meia, vem à praça pública, a discussão da avaliação dos médicos. Assim como se fala muitas vezes, da avaliação dos Juízes. Ou ainda da avaliação dos funcionários públicos. Aliás, em Portugal existiram em tempos, na chamada administração pública, as promoções automáticas. Como se alguém pudesse ser promovido, sem sequer ser avaliado.

Muita gente, acha estranho que Portugal tenha falido. Que grande estranheza. Veja-se mais esta barrigada de riso:  Os médicos vão pela primeira vez ser avaliados através de objetivos que passam por parâmetros como a "eficácia, eficiência e qualidade", contando para a sua classificação a atividade assistencial, a produtividade e a atitude profissional, informou a tutela.

Pela primeira vez? Como? Já não eram avaliados? Ou antes, eram avaliados pelos amigos? Ou avaliados pela cor do cartão partidário? Ou avaliados por pertencerem à Irmandade?

Apesar desta grande novidade, a montanha vai parir um rato, mais uma vez: Sem revelar pormenores sobre a forma como esta avaliação se vai realizar -- cujas deliberações irão ser publicadas em Diário da República e no Boletim do Trabalho e do Emprego --, a ACSS adiantou que o modelo se aplica "já em 2013 aos médicos que exercem funções nas entidades prestadoras de cuidados de saúde, independentemente da natureza jurídica do estabelecimento de saúde, bem como do vinculo detido pelo profissional".

A autoridade ainda parece gozar com os contribuintes, ao fazer afirmações com uma falta de vergonha incomensurável: "A avaliação do desempenho, além de ser essencial em qualquer organização para garantir a qualidade do serviço prestado e a melhoria das práticas profissionais, constitui um elemento fundamental e, neste caso, imprescindível, no âmbito do percurso profissional de todos os trabalhadores em funções públicas", lê-se na informação da ACSS.

Como se nós não soubéssemos!

Wednesday, April 17, 2013

Portugal é uma brincadeira

Deveremos racionalizar os recursos? Sim, deveremos. Mas, isto é surrealFernando Pardal está registado na Ordem dos Médicos como sendo especialista em Anatomia Patológica. Serviço de especialidade que dirige há anos no Hospital de Braga. Acontece que este clínico acumula, actualmente, cargos de direcção em mais seis especialidades distintas: reumatologia, cirurgia maxilofacial, nefrologia, genética médica e doenças infecciosas.


Ainda que a entidade que gere o Hospital de Braga venha com desculpas absolutamente incompreensíveis: a administração deste hospital, em parceria público-privada, garantiu que o médico está a ocupar estes cargos “interinamente” por ser o elemento mais experiente da equipa, dado que estes serviços “agrupam um número ainda reduzido de profissionais”.

Oh meus amigos, se não têm recursos disponíveis, não digam às pessoas que os serviços existem. Isto é pura manipulação. Isto é enganar as pessoas frontalmente. Nem sequer se deveria tolerar isto, num hospital privado. Num hospital público, é absolutamente inacreditável e diz bem sobre a choldra em que Portugal se vê envolvido.

Não contentes com a falta de profissionalismo, e com a não existência de ética, querem mandar o lixo para debaixo do tapete: do site do hospital foi retirada a informação que dava conta, até à passada segunda-feira, do nome de Fernando Pardal associado às sete especialidades.

Sunday, April 14, 2013

A insustentabilidade do SNS

Há muito que se escrevia por aqui, que era uma evidência. Não era possível ter hospitais mal geridos, um pouco por todo lado. Não era possível ter centros de saúde, sem qualquer integração com os hospitais. Não era possível dar ao sector farmacêutico, rios de dinheiro, à custa de um contribuinte depenado e dos credores estrangeiros. Não era possível, tanta desorganização e tanta gente ociosa.

Os co-pagamentos foram um paliativo. Agora, diz-nos um dos políticos de turno, que nem a co-pagar o SNS, este é auto-sustentável"Não é com as taxas moderadoras que o SNS se tornará sustentável", disse o secretário de Estado da Saúde, ao ser questionado sobre um eventual aumento das taxas moderadoras.

Incapazes de assumiram perante os portugueses, que a falência é um facto, continuam, com mistificações: "O SNS, para se tornar sustentável precisa de uma conjugação de esforços, que passa por uma muito maior eficiência na prestação de cuidados e serviços, pela capacidade de prevenção que passa, e começa, pelo comportamento das pessoas", acrescentou.

Isto vai acabar muito mal!