Monday, February 08, 2010

Ordem nos médicos

Não temos nada contra os médicos. Estes têm um papel fundamental em todas as sociedades desenvolvidas. Mas, este papel não pode destoar do todo social.

Vejamos o que aqui lemos:
  • O Bloco de Esquerda (BE) enviou vários requerimentos ao Ministério da Saúde a pedir esclarecimentos sobre a situação contratual dos médicos que trabalham no Serviço Nacional de Saúde.
  • foram enviados ao todo 139 requerimentos, tanto para o ministério como para várias instituições publicas de saúde
  • em concreto, a instabilidade e precariedade profissionais, as aposentações antecipadas, as licenças sem vencimento de longa duração, desrespeito pelas carreiras, recurso crescente a empresas privadas de trabalho médico e desigualdades remuneratórias.
  • Além de querer saber quantos médicos prestam serviço nas instituições para as quais enviou requerimentos, o BE pretende também apurar quantos médicos cessaram funções nos últimos cinco anos e por que motivos.
  • quantos clínicos iniciaram funções e em que condições contratuais e qual a despesa global com contratos de prestação de serviços médicos.

O que este Partido vem levantar, é algo que já percebemos há muito. O Ministério da Saúde vive em situação de "desenrasque", de "safemo-nos". Os médicos sabem que são vitais nas instituições de saúde. Os médicos mais velhos sabem que estão de "pedra e cal". Os médicos mais novos começam a sentir a pressão, e a ter dificuldades em chegar à "vida dourada" anterior.

Entretanto, ninguém fala nas consequências para os doentes e para os contribuintes deste "granel"!

Thursday, February 04, 2010

Gripe A: finalmente o bom senso

Depois de meses de "festa mediática" sobre um fantasma que só os "Técnicos" da OMS viram, o Ministério da Saúde, em Portugal, decidiu fechar a luz da sala: Portugal vai poupar 15 milhões de euros por ter cancelado parte da encomenda de vacinas contra a gripe A que tinha feito à farmacêutica GlaxoSmithKline.

Mas, cuidado com as leituras enviesadas que se fazem pelos media pouco profissionais. É que Portugal só vai poupar 15 milhões de euros, mas vai "cozer com batatas" isto: Portugal fica ainda com 3,5 milhões de doses, depois cerca de meio milhão de pessoas terem sido já imunizadas, mas a ministra tem dito que o objectivo continua a ser o de vacinar os grupos de riscos inicialmente definidos, que correspondem a 30 por cento da população, cerca de três milhões de pessoas.

É que mesmo depois da incompetente e alarmista OMS avisar de que a Gripe A, não passava de um ventinho, Portugal continuou a "fazer compras" à Glaxo: Dos seis milhões de vacinas encomendadas, já chegaram a Portugal 1,6 milhões, e a distribuição dos últimos stocks enviados pelo laboratório (só em Janeiro a GSK entregou mais de 800 mil doses) ainda está a ser feita por vários centros de saúde.

Claro que a Dra. Ana "Gripe A" Jorge vai sempre argumentar com isto: Até terça-feira, o vírus da gripe A foi responsável pela morte de 104 pessoas em Portugal. Mas, a referida médica, temporáriamente Ministra, não se refere ao número médio de mortes causado pela gripe sazonal nos últimos 10 anos!

Wednesday, February 03, 2010

Go red for your heart

The Mobile County Health Department is encouraging women to take part in Wear Red Day on Friday, Feb. 5. By wearing something red, such as a red dress, a red shirt, or red lipstick, women can show support of Go Red for Women, the American Heart Association’s program to build awareness of heart disease and other cardiovascular diseases among women.

According to Dr. Bert Eichold, Health Officer, only 1 in 5 women believes that heart disease is the greatest threat to her health. In fact, he says, it is the No. 1 killer of women over the age 20.

Sunday, January 31, 2010

Estado versus José de Mello Saúde

Todos sabemos como acabou o "casamento" entre o Estado e a José de Mello Saúde: em separação (divórcio é demasiado forte). Mas, mesmo a separação foi fugaz e aparente, pois a José de Mello Saúde partilha com o Estado a gestão de vários hospitais públicos (actuais e futuros).

Até nos lembramos que a Dra. Ana Jorge tinha (ainda terá?), um processo em Tribunal, relacionado com a sua passagem pela ARS-LVT, por causa do controlo (ou a falta dele) do Hospital Amadora-Sintra (em gestão de parceria público-privada com a José de Mello Saúde).

Bem, mas agora, queremos relatar algumas notícias da nova PPP, entre o Estado e a José de Mello Saúde (que não serviu para o Hospital Amadora-Sintra, mas serve para o Hospital de São Marcos, em Braga):

1. "O hospital de Braga não tem nem nunca teve na sua estrutura qualquer uma das especialidades em causa, nem médicos especialistas nessas áreas", disse Hugo Meireles, presidente da comissão executiva da empresa Escala Braga, a entidade criada pelo Grupo Mello Saúde para gerir o Hospital de S. Marcos. Hugo Meireles explicava desta forma a não aceitação de novos doentes nas consultas de Infecciologia, Nefrologia, Reumatologia e Imunoalergologia. "Os doentes que estavam a ser tratados, continuam no hospital mas como doentes de ambulatório e seguidos por especialistas em Medicina Interna", referiu.

2. Nos últimos quatro meses, a nova administração do Hospital de Braga contratou 70 profissionais, entre os quais 28 enfermeiros e 12 médicos. Hugo Meireles adiantou que a contratação de novos profissionais inseriu-se nos objectivos de redução do tempo de demora médio de internamento e de reforço da actividade do serviço de Urgência.

3. O Hospital de Braga e o Ministério da Saúde "esperam chegar a acordo dentro de dias" para que a unidade continue a receber doentes para as especialidades de infecciologia, nefrologia, reumatologia e imunoalergologia, disse fonte hospitalar.

Temos telenovela. Pela certa!

Post Scriptum: consta-nos que o nível de serviço no Hospital Amadora-Sintra não está melhor agora, face ao tempo em que era gerido pela José de Mello Saúde.

Friday, January 29, 2010

A cena dos ratos

Costuma-se dizer que "em casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão". No sector da saúde pública, cada vez mais frouxo, mas sempre a capturar mais recursos ao contribuinte, parece que a coisa começa a doer. Será que os ratos começam a saltar? Ou será algum papão à vista?

Vejamos isto: O novo modelo para financiar os hospitais do Serviço Nacional de Saúde está a criar uma onda de contestação e mal- -estar entre os administradores encarregues de gerir aquelas unidades. Devido a uma nova fórmula para transferir as verbas do Estado, e que terá efeitos já nos contratos-programa que serão assinados para este ano, há hospitais que vêem os seus orçamentos reduzidos em milhões.

E isto: Alguns dos cortes nos orçamentos são explicados por uma descida de categoria de hospitais distritais. É o caso do Amadora-Sintra e do Garcia de Orta, em Almada. Mas todos são penalizados por duas alterações que, admite Manuel Delgado, "são claramente para efeitos de contenção de despesa". Por um lado, as consultas externas passam a ser pagas todas pelo mesmo preço (sem haver diferenciação entre primeiras e as seguintes). Por outro lado, o preço de base para o pagamento de todos os actos médicos passa a ser o do hospital com melhor eficiência, em vez da média ponderada que existia.

Aqui vemos a "cena dos ratos": Uma das unidades que sofrerá um forte abalo no orçamento é o Hospital de Santa Maria, em Lisboa. De saída, ao fim de cinco anos, o presidente Adalberto Campos Fernandes refere que "o princípio é virtuoso e sensato, porque a avaliação de desempenho e a qualidade é positiva. Mas tudo depende da sua aplicação prática".

E mais ratos: O Presidente do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, está a ponderar apresentar a demissão. Manuel Delgado, administrador hospitalar de carreira, foi convidado para um lugar no sector privado e já comunicou à ministra da Saúde a possibilidade de abandonar funções.

E ainda mais: O problema é que esta onda de demissões – cada uma com motivações oficiais diferentes – pode não ficar por aqui. A próxima pode ser a do director do Amadora-Sintra, Artur Vaz.

É a vida!

Bill Gates pledges $10bn for a 'decade of vaccine'

Bill Gates, the Microsoft founder and philanthropist, is to make the largest ever single charitable donation with a pledge of $10 billion (£6 billion) for vaccine work over the next decade.

Mr Gates said that he hoped the coming ten years would be the “decade of the vaccine” to reduce dramatically child mortality in the world’s poorest countries. It is calculated that his pledge could save more than 8 million lives.

Mr Gates and his wife, Melinda, made their announcement at the World Economic Forum’s annual meeting at Davos, Switzerland, where they were joined by Julian Lob-Levyt, the head of the vaccine consortium, the GAVI Alliance.

Wednesday, January 27, 2010

Ministério da Saúde: annus horribilis

O Ministério da Saúde anda mal governado. Há bastante tempo. Mas, parece que 2010, vai bater todos os recordes. Vejamos:

1. Depois do Conselho da Europa ter vindo a público afirmar que "a Gripe A foi uma falsa pandemia", a Dra. Ana "Gripe A" Jorge vem com esta boutade: a gripe A não foi uma falsa pandemia e defendeu todas as medidas tomadas contra a doença, nomeadamente a vacinação. "Os números apontam para que não seja uma falsa pandemia", disse Ana Jorge, acrescentando que em Portugal o vírus fez "mais de 80 mortes". Na realidade foram 97. Só que a Dra. Ana "Gripe A" Jorge não refere quantas pessoas morrem em Portugal, todos os anos, por causa da chamada gripe sazonal, sem se fazer o alarido mediático que ela fez!

2. A DECO veio mostrar que a maior conquista de Abril, o SNS, anda pelas ruas da amargura: "Surpreendeu-nos o facto de muitas famílias deixarem de fazer tratamentos por falta dinheiro, o que significa que o Serviço Nacional de Saúde não está a cumprir a sua missão", diz Carlos Morgado, sociólogo que coordenou o estudo, a publicar na revista Teste Saúde de Fevereiro. Extrapolando para a população nacional estão em causa 650 mil famílias.

3. O "menino de ouro" do Prof. Correia de Campos, vindo da Médis, vai regressar à Médis: A presidência do Centro Hospitalar Lisboa Norte, que integra os Hospitais de Santa Maria e Pulido Valente, vai mudar em Fevereiro próximo. O actual presidente, Adalberto Campos Fernandes, deixa o cargo, que ocupou durante cinco anos, e regressa ao seu antigo grupo, o Millenium bcp. Para o seu lugar vai Correia da Cunha, hoje director clínico daquela unidade.

4. A entidade reguladora do medicamento vai ter um orçamento farto em 2010: O orçamento da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) cresce 75,6% em 2010, atingindo os 49 milhões de euros, segundo a proposta do Orçamento do Estado (OE) entregue pelo Governo terça-feira no Parlamento.

5. A despesa com a saúde pública explode, mesmo em ano de "vacas magras": O total da despesa da saúde cresce 10% em relação a 2009, situando-se nos 9504,5 milhões de euros, graças sobretudo ao aumento dos gastos de funcionamento e da transferência de verbas para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 8698,7 milhões.

6. Depois do fausto de 2009, mais financiamento para os faustosos: Os hospitais com gestão empresarial terão um reforço orçamental de 200 milhões de euros durante este ano para a realização de capital estatutário, segundo a versão preliminar do Orçamento de Estado de 2010.

Crise? Qual crise?

Monday, January 25, 2010

Falta de vergonha

Diz o Senhor Dr. Francisco George: O director-geral da Saúde considera que o investimento que foi feito na prevenção da gripe A/H1N1 tem benefícios duradouros, nomeadamente ao nível da higiene individual e familiar e de controlo das infecções respiratórias, em particular da gripe.

E porque é que este Alto Funcionário do Ministério da saúde diz aquilo? Por isto: Wolfgang Wodarg (presidente da Comissão da Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa) acusou a Organização Mundial de Saúde de conivência com a indústria farmacêutica por causa do que considera ter sido a “falsa pandemia” da gripe A/H1N1.

Ou seja, para o Dr. George, os milhões que o Estado, as empresas e os cidadãos andaram a gastar na suposta prevenção da Gripe A, em alguidares, água, detergentes e afins, foram bem gastos, porque agora há mais limpeza!

Se a falta de vergonha pagasse imposto, o Dr. George teria a taxa de 100% de IRS! Pelo que consta, o Dr. George continua a desempenhar o mesmo cargo.