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Sunday, January 11, 2009

Hospital de Faro: outra vez!


O Hospital de Faro é falado, quase sempre pelos piores motivos. São os médicos-Chefes, demissionários há mais de um ano. São os problemas no Verão, por causa da avalanche de doentes, de férias. São os médicos oftalmologistas que quase não existem. São as péssimas condições das urgências. São os corredores do hospital sempre cheios. Será possível ser pior?

Parece que não, pois vejamos:
  • Num dos dias mais frios do ano, há pacientes que têm de esperar sentados à mercê do clima, por uma consulta de Ortopedia. Aquecedores ficaram sem gás.
  • Só no dia de hoje, mais de uma dezena de pessoas encontravam-se no exterior do edifício do Hospital Central de Faro, onde se encontra montada uma enorme tenda amarela, para tentar proteger os utentes da chuva e do vento.
  • “Isto é uma situação que se arrasta para aí há um ano e meio”, garante Eduardo Rocheta, outro dos utentes à espera de consulta. “Só hoje já houve duas pessoas a pedir o livro de reclamações por causa das más condições de espera”.
  • Caso caricato, é que houve até mesmo um utente que estacionou debaixo da tenda, num lugar de acesso exclusivo às ambulâncias, para que a mulher que tem doenças dos ossos, pudesse ficar à espera sem ser ao relento.

Triste e caricato, de facto. E acontece alguma coisa ao poder responsável pelo Hospital de Faro?

Monday, September 08, 2008

A riqueza do SNS

Somos dos que acreditam nas virtualidades do mercado. Mas, também somos dos que não acreditam que o mercado funcione realmente em Portugal em diversas áreas.

Vejamos este rico exemplo:
  • A carência de médicos obriga muitos hospitais a contratarem tarefeiros a empresas de prestação de serviços para manter as urgências a funcionar. A medida tem um preço elevado: há médicos que cobram 2500 euros por banco de 24 horas.

Como? Se pensarmos que o Presidente da República e o Primeiro Ministro, que são os mais elevados cargos da nação, auferem entre 7.000 e 8.000 euros mensalmente, ficamos com uma perspectiva de que aqueles médicos em 3 (três) dias auferem o mesmo que o PR e o PM.

O que andam a fazer os planificadores do Ministério da Saúde? Como se consegue reduzir custos no SNS, assim?

E alguns dos responsaveis pela situação, ainda afirmam isto: Em alguns casos, adiantou Manuel Delgado, administrador do Hospital Curry Cabral, os hospitais encontram-se numa situação limite ficando sujeitos a este tipo de "chantagem" por parte das empresas que "pedem o que querem".

Só pedem o que querem, porque perceberam que o Estado paga!

Wednesday, March 12, 2008

As reformas do assobio

As organizações modernas não sobrevivem sem uma constante mudança, quer estejam em Portugal, nos EUA, ou na India. Há muita gente que ainda não percebeu isto. Mas, o acto de reformar é normalmente duro e difícil, porque as pessoas são avessas à mudança. Então o que poderá acontecer? Não mudar, será o mais fácil no curto prazo, mas no futuro será a completa insatisfação, pois o mundo chega-nos aos olhos todos os dias através da televisão, dos jornais ou da Internet, e mostra-nos o que há de melhor.

As reformas da saúde são cruciais. Mas, não se pode mudar de qualquer maneira, sob pena de se estar a andar para trás! Vejamos um dos reflexos de uma reforma mal conduzida e executada:
  • "Além das circunstâncias do passado que justificavam não encerrar a urgência de Estarreja, há hoje uma mais gravosa, que é o facto das pessoas esperarem no Hospital de Aveiro quatro a seis horas para serem atendidas e as duas mortes ocorridas no serviço de urgências só vieram demonstrar que não tem capacidade de resposta".
  • Rosa Pontes, da comissão de utentes, continua a não entender a decisão do governo de encerrar a urgência de Estarreja, "que tem o maior complexo químico do país" e explica o regresso aos protestos por "nada ter sido feito" no Hospital Visconde de Salreu e o de Aveiro estar "um caos".
  • "Há cerca de um ano esperávamos que o protocolo assinado pelo presidente da Câmara trouxesse algo de bom para o nosso Hospital e hoje não tem nada de novo, não tem consultas externas e está tudo na mesma", disse.

Claro que "reformas" feitas sem sentido e executadas sem método, levam à descrença e consequentemente à paralisação das reformas. Vejamos outra consequência das chamadas "reformas do assobio":

  • O Governo poderá estar a um passo de chegar a acordo com a Câmara de Anadia para pôr termo ao polémico encerramento das urgências do hospital local, que motivou já 19 manifestações na Bairrada e fomentou protestos noutros pontos do país. A ministra da Saúde, Ana Jorge, reuniu, anteontem, com o presidente da autarquia, Litério Marques, e apresentou uma solução que prevê cedências de ambas as partes.

O futuro do SNS será a sua privatização em escala!

Tuesday, January 01, 2008

Os desafios globais da saúde

Os portugueses são críticos. Os portugueses são exigentes. Os portugueses são eternos insatisfeitos. Serão? Na nossa opinião, se os portugueses não fossem tão críticos e exigentes, o país ainda estaria pior! Aliás, a passividade habitual dos portugueses tem sido um seu inimigo ao longo da História.

Por falar em portugueses, pensemos nos nuestros hermanos. Estes também são exigentes e pouco dados a passividade (relembremos apenas a trágica guerra civil de Espanã).

Por cá, fala-se no encerramento de urgências. Em Espanha, ou mais precisamente na Catalunha fala-se também de urgências: El director de urgencias del Hospital Clínic de Barcelona, Joan Manuel Salmerón, ha admitido hoy que ayer hubo ambulancias con pacientes destinados a urgencias que esperaron en la camilla del vehículo entre 30 y 90 minutos, y ha asegurado que se debió a un aumento global de la actividad del 10%.

Como? Esperar dentro de uma ambulância, à porta de um hospital? E tudo isso, por causa de uma aumento de actividade de apenas 10%?

O poder político, lá como cá, desmistifica logo a situação: La consellera de Salut, Marina Geli, ha manifestado hoy que la espera de pacientes en ambulancias ante el colapso del servicio de urgencias es un hecho "aislado" que se utiliza de forma "muy puntual" ante la falta de espacio en el área de urgencias.

Quando 10% de aumento de actividade leva à falta de espaço nas urgências hospitalares, significa que o espaço dedicado às urgências é mínimo. Então e se há uma catástrofe qualquer, que leve a um aumento de actividade de 50%?