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Friday, May 03, 2013

Fazer o mesmo, com menos

Após a falência da nação, não há outra hipótese. Até porque, desenganem-se aqueles que acreditam no linguajar dos políticos do poder e da oposição. Nenhuma falência se resolve em poucos anos. O estado comatoso da nação vai demorar gerações.

Sendo assim, só resta trabalhar o mesmo, por menos dinheiroOs hospitais-empresa (EPE) vão perder pelo menos 160 milhões de euros de financiamento no próximo ano. A transferência do Orçamento do Estado para estas unidades de saúde será - e de acordo com as últimas previsões do ministério tutelado por Paulo Macedo - de quatro mil milhões de euros em 2014. Para o ano seguinte a dotação dos hospitais deverá manter-se e só em 2016 está previsto um aumento ligeiro do financiamento, em 24 milhões de euros.

Naturalmente que quem irá pagar esta factura, serão em primeira instância os utilizadores dos hospitais, vulgo doentes. Pois, quem por lá trabalha, provavelmente não vai gostar da situação e vai trabalhar menos. Ou se quisermos, vai ser menos eficiente. O ciclo que deveria ser virtuoso, vai ser vicioso. Os portugueses foram historicamente um povo ingénuo. A ingenuidade não tem que ser má, mas tem sempre um preço a pagar.

Friday, December 23, 2011

A balda nos Hospitais EPE

Apesar da chegada de um gestor à Avenida João Crisóstomo, o SNS ainda continua na balda:
  1. existe uma nova derrapagem nas contas públicas, motivada pelos novos encargos com os pensionistas da banca e os hospitais-empresa.
  2. Em específico, os novos encargos estão relacionados com o facto de os hospitais-empresa terem passado para o perímetro das contas do Estado, o que irá motivar agora vários pagamentos.
Sabemos que pagar contas em tempo, é algo que as instituições do Ministério da Saúde nunca souberam fazer. Mas mesmo numa fase de bancarrota do Estado, não se consegue travar este sistemático derramamento?

Friday, March 11, 2011

Foi Você que pediu o PEC-IV?

Se não, vai ter mesmo que pagá-lo: Teixeira dos Santos avançou que vão ser tomadas medidas para "poupanças adicionais com custos administrativos e operacionais" como forma de assegurar o ajustamento orçamental.

Mas, apesar de tudo, há quem tenha escapado ao PEC-I, ao PEC-II e ao PEC-III: Recorde-se que os hospitais EPE não cumpriram a redução de 15% imposta pelo Orçamento do Estado às empresas do SEE.

Como diz o Povo, uns são filhos, outros são enteados!

Thursday, February 03, 2011

Com a verdade me enganas III

Há por aí muito aprendiz de feiticeiro. Sempre houve. Mas, em tempos recessivos, o número de aprendizes aumenta. Tudo isto a propósito destas novidades:
  • Mais de metade da despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ainda provém dos hospitais (52%). Uma realidade que deve ser alterada para garantir a sustentabilidade do sistema, conclui o estudo "Saúde em Análise - Uma Visão para o Futuro", apresentado hoje.
  • "A sustentabilidade do sistema de saúde passa por uma diferente organização da prestação de cuidados", conclui o documento da autoria da Deloitte.
  • A análise, que conta com a opinião de várias personalidades do sector como o ex-ministro Correia de Campos, o antigo presidente do hospital de Santa Maria Adalberto Campos Fernandes e o economista Pedro Pita Barros, não poupa críticas ao actual modelo de gestão dos hospitais empresa (EPE).

Engraçado. Ou, trágico. Como é possível que o Prof. Correia de Campos e o Dr. Adalberto Campos Fernandes tenham ajudado a construir um modelo de gestão, que agora criticam?

Relembremos, o Dr. Luís Filipe Pereira criou os Hospitais SA, ou hospitais - empresa, como forma de agilizar os actos de gestão e responsabilizar cada administração. O Prof. Correia de Campos corrigiu o modelo jurídico, e assim as "Sociedades Anónimas" passaram a ser "Entidades Públicas Empresariais".

Agora, o "pai" dos Hospitais EPE vem rejeitar os "filhos"? Como?

Claro está, que percebemos que os Senhores da Deloitte apenas querem apanhar um bom negócio que está a cair de maduro: A consequência, conclui a consultora, "é um historial contínuo de resultados negativos" uma situação que se vai prolongando pela ausência de uma avaliação do desempenho e responsabilização das administrações.

De facto, tudo bons rapazes! Coitados dos Contribuintes, que são no fundo quem paga todas estas irresponsabilidades.

Monday, December 27, 2010

Cortes às pinguinhas

O Ministério da Saúde acordou para os cortes? É só paliativos. Ou se quiserem, são meras operações cosméticas. Vejamos: Com este decreto-lei, o conselho de administração de cada hospital EPE passa a ter, além do presidente, no máximo quatro elementos em vez dos cinco actuais, sendo um deles, o director clínico e outro o enfermeiro/director.

Ou seja, diminui de 5 para 4 Administradores, por Conselho de Administração. Poupa-se alguma coisa? Talvez umas migalhinhas, já que os "destituídos" serão reconduzidos para um qualquer outro lugarzinho algures!

Depois, os cortes são "a la longue": As alterações serão aplicadas a partir de 1 de Janeiro, e os actuais conselhos de administração podem manter a sua composição até ao final dos seus mandatos.

Esta gente não aprende que a dívida pública portuguesa é astronómica e quem financia o Estado português está cada vez mais exigente, e não se compadece com estes "punhos de rendas". E já agora, muitos contribuintes vão sentir na pele, uma hemorragia significativa e nada lenta!

Sunday, November 14, 2010

Os predadores do SNS - XIII

Os predadores do SNS são intermináveis. Não são de hoje. São de ontem. Serão de amanhã, até que os financiadores da dívida externa o permitam. O "tic-tac" do relógio aumenta, e os financiadores esticam a corda. Enquanto a corda não parte, os predadores sugam ao máximo a presa. A presa chama-se Portugal e é suportada pelo contribuinte que trabalha e paga impostos (e que não pode fazer voar os seus rendimentos para um off-shore próximo). Vejamos estes sugadores "legais":

Há falta de médicos em Portugal? Porque será que o Estado, que tem falta de médicos, aceita atribuir-lhes licenças sem vencimento?

O tráfico é tão grande, mas ainda assim tão amadorístico, que chega a este requinte:

  • Os profissionais em regime de funções públicas podem optar temporariamente por um contrato individual de trabalho desde que lhes seja concedida licença sem vencimento, depois de os conselhos de administração terem feito o "reconhecimento casuístico do interesse público" dessa licença.

O órgão sindical da classe médica, ainda concede que esta é uma prática "imoral":

  • Apesar de legal, é "imoral", reage Merlinde Madureira, da Federação Nacional dos Médicos (Fnam), segundo a qual o caso era prática regular em vários EPE. Os médicos paravam as funções públicas e mantinham-se nos postos, com remuneração equiparada à do regime de exclusividade, o que, para muitos, equivale a quase o dobro do ordenado por mais cinco horas de trabalho semanal.

Ainda dizem que Portugal está falido. Ainda dizem que Portugal está em crise. Ainda dizem que é preciso pagar impostos. Deveríamos deixar de pagar impostos, de forma organizada e sistemática. Isso sim, seria uma atitude patriótica, pois seria a única forma de parar os sugadores da presa.

Monday, April 19, 2010

SNS: acentua-se o declínio

Na nossa opinião o SNS e respectivas instituições deveriam ter por finalidade, o "lucro zero". Mas, no tempo do Prof. Correia de Campos, imagine-se, até se vangloriavam dos Hospitais EPE darem lucros (alguns deles, nomeadamente os IPO's).

Naturalmente, que estes reversos só confirmam que muita da informação governamental limita-se a utilizar recursos de "contabilidade criativa" e expedientes momentâneos. A verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima.

Agora, o barco afunda-se: No ano passado, os prejuízos dos hospitais públicos com gestão empresarial dispararam 40%, para os 295 milhões de euros. Em 40 hospitais de todo o país, apenas 13 apresentam resultados positivos. As unidades da Região de Lisboa são as piores.

Os "homens da administração" não se sentem desconfortáveis: O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, admite que os números "não são famosos".

Numa altura em que se discutem os salários da "gestão de topo" no sector privado, não se discutem os valores ganhos pelos "gestores públicos" quando os resultados são maus. Pior, no sector privado quando não se atingem resultados positivos, normalmente "atinge-se a rua", de forma mais rápida!

Pior, para alguns, quando os números são maus, a culpa é sempre das regras: O CH Lisboa Central critica os mecanismos de financiamento existentes por não se ajustarem a uma instituição que agrega quatro hospitais dispersos, "a funcionar em instalações adaptadas de antigos conventos, com constrangimentos vários, além de custos de manutenção e conservação elevados".

Esperamos na "plateia" pelos impactos do PEC na Administração Pública. A outra alternativa, o aumento de impostos, seria matar Portugal, de uma só vez, e rápidamente!

Thursday, February 25, 2010

A morte lenta do SNS

Não fazemos a apologia da desgraça. Não pactuamos com situações de apodrecimento crescente. Abominamos a morte lenta. E o SNS está em morte lenta, ou se calhar, cada vez mais acelerada. Os gritos de alguém que está no dia-a-dia de um dos maiores hospitais do país:
  • Os novos modelos de gestão – entidade pública empresarial (EPE) – dos hospitais deram, no entender de Carlos Costa Almeida, «primazia à gestão administrativa» em detrimento da parte clínica, com impactos negativos na qualidade dos serviços e também nos custos.
  • no ano passado a saúde em Portugal «teve 1.500 milhões de euros de prejuízos, mais 30 por cento do que em 2008» e que o país ficou colocado em 27.º lugar a nível mundial.
  • Para o director do Serviço de Cirurgia do CHC, os responsáveis da saúde «ainda não perceberam que é a parte clínica que justifica a existência do hospital e que os hospitais existem para tratar doentes e não para serem administrados». Costa Almeida defende a colocação do médico e da equipa produtiva no centro do sistema e o doente como objecto do mesmo.
  • «A nomeação de chefes e directores de confiança política levou ao desinteresse ou mesmo ao afastamento de alguns médicos mais diferenciados. As pessoas saem porque estão constantemente a ser ultrapassadas por quem sabe menos», declarou, lembrando que a própria ministra da Saúde «já admitiu esta saída de profissionais bem preparados dos hospitais públicos, nos últimos anos».
  • A quem interessa, então, esta situação? Para Costa Almeida, «às administrações dos hospitais - que podem contratar e “descontratar” com facilidade, sem ter de se preocupar com o grau profissional e, portanto, mais barato» -, interessa aos «amigos nomeados» e «à classe política».
  • Para o médico o desperdício estará mais na área administrativa - «onde existiam três administradores, existem hoje 36» - do que na clínica.

Há, no entanto, um aspecto de discórdia absoluta com o Dr. Costa Almeida, que é o facto do doente ser o centro da prestação de cuidados de saúde e não as equipas médicas. Sem doentes, não há hospitais.

Monday, February 15, 2010

Os anéis vão a leilão

As velhas famílias respeitáveis, quando entram em falência, buscam nos velhos baús, restos com valor, que ainda lhes valem nos períodos de decadência. Portugal já chegou a este estado. Poderia estar pior? Poderia, se já não tivessemos edifícios e propriedades para vender!

  • O Governo quer vender imóveis sob a tutela do Ministério da Saúde para reforçar em 200 milhões de euros o capital social dos 15 hospitais públicos com gestão empresarial (EPE) e que deverão apresentar prejuízos da exploração, em 2009, calculados em cerca de 250 milhões de euros. O dinheiro é para cobrir os prejuízos, mas o problema é que a Saúde não possui património (prédios ou terrenos) com esse valor, de acordo com fontes do sector
  • No relatório do Orçamento do Estado para o corrente ano, o Executivo anuncia a dotação de 200 milhões de euros "para realização de capital estatutário" dos hospitais públicos com gestão empresarial. No relatório não explicita a "fonte de financiamento", mas no articulado, em forma de proposta de lei, está descrito que o dinheiro para o "reforço de capital" dos hospitais-empresas surge da "alienação de imóveis" na órbita do ministério. A "afectação do produto da alienação de imóveis" reverte "até 50%" para o organismo proprietário e, no caso do Ministério da Saúde, destina-se "ao reforço de capital dos hospitais públicos empresariais". Aqui, o Estado, na falta de dinheiro, assume que as "jóias" serão vendidas para financiar despesas correntes.

Claro está, que quando alguma família chega a este estado, os seus reponsáveis vivem já na ignomínia, ou então, no completo autismo perante uma sociedade, que já não está limitada à fronteira portuguesa!

Alguém se demitiu no Ministério da Saúde até ao momento? Não. A Ministra Ana "Gripe A" Jorge, já não tem a maléfica Gripe A, para entreter o contribuinte português!

Melhores dias virão. Mas, vai demorar muito tempo, até chegarmos aos dias de Sol.

Thursday, October 22, 2009

O que é isto?

Estaremos a ler bem: O presidente do Infarmed, Vasco Maria, admitiu à Lusa ter «grandes dúvidas» sobre os gastos dos hospitais com medicamentos, uma vez que os dados enviados ao Infarmed chegam atrasados e representam menos de 50 por cento do total.

Como? O Presidente da entidade reguladora do medicamento não acredita na informação reportada pelos Hospitais públicos, que por acaso também são tutelados pelo Ministério da Saúde, da Dra. Ana Jorge, tal como o Infarmed?

Parece que sim: «Os dados que publicámos nos últimos relatórios representam menos de 50 por cento do mercado», afirmou Vasco Maria.

Parece irrelevante, mas a factura dos medicamentos na Gestão Hospitalar não é dispicienda! Será a contabilidade criativa do Ministério da Saúde para esconder alguns "buracos"?

Saturday, October 10, 2009

SNS em acentuada degradação IV

No início, o SNS era gratuito. A partir da alteração da Lei de Bases da Saúde, do tempo da Dra. Leonor Beleza, o SNS passou a ser tendencialmente gratuito. Entretanto, os gastos com a saúde dispararam, e representam já mais de 10% do PIB de Portugal. O barco vai no pior caminho, o da privatização do SNS, ou se quisermos, o da "saúde a 2 velocidades": os que têm recursos terão uma saúde satisfatória, os que não têm recursos, aguentarão por aquilo que lhe derem!

As dívidas do SNS são um tema permanente. Já não há surpresas. Vejamos o que aqui nos dizem: A dívida dos hospitais do Sector Empresarial do Estado (SEE) cresceu de forma abrupta no segundo trimestre de 2009, atingindo já os 735 milhões de euros.

Contudo, os hospitais EPE pagaram as dívidas através de uma injecção de capital por parte do Estado, ao estilo da "engenharia financeira" à moda de Wall Street: A ‘nuance' contabilística é, assim, óbvia: por um lado, as dívidas a fornecedores, que não apareciam na rubrica "dívidas remuneradas", são pagas; por outro lado, este pagamento é feito com recurso a empréstimos contraídos junto do Fundo - que, por renderem juros, aparecem, estes sim, como "dívidas remuneradas". Actualmente, estas dívidas representam cerca de 13,6% do total dos activos dos hospitais EPE.

Ainda há quem pense que não vêm aí aumentos de impostos! Só para quem ainda acredita no Pai Natal.

Monday, June 08, 2009

A qualidade de serviço dos hospitais do SNS

Para nós, são os clientes que determinam a qualidade dos serviços, trate-se de serviços de restauração, de viagem ou de saúde. É pois, com alguma satisfação que lemos este relatório que tem em vista avaliar a qualidade do serviço dos hospitais em Portugal, e em particular, das urgências, do internamento e das consultas externas.

Contudo, antes de detalharmos alguns dos resultados obtidos no Inquérito levado a cabo pelo Instituto de Estatística e Gestão de Informação, da Universidade Nova de Lisboa, gostaríamos de começar pelo fim. Na parte final daquele relatório compara-se o Indice de satisfação dos clientes de diferentes tipos de serviços:
  • Internamento hospitalar: 82,3%.
  • Consultas externas: 77,1%.
  • Telecomunicações móveis: 70,7%.
  • Banca: 69,8%.
  • Combustíveis: 69,7%.
  • Seguros: 68,7%.
  • Urgências: 68,3%.
  • Internet: 62,8%.
  • TV Cabo: 59,5%.

Com toda a subjectividade do mundo (já que se trata da nossa exclusiva opinião), não conseguimos perceber que os serviços de Internet tenham um pior nível de satisfação dos clientes do que o sector segurador, ou ainda menos do que o internamento hospitalar. Por aqui, começamos com algumas dúvidas sobre estes estudos comparativos.

Adiante. Tanto nos Hospitais EPE, como nos Hospitais SPA, o serviço de internamento é o que tem menos nível de satisfação dos doentes. Compreende-se. Já nos deixa com muitas dúvidas, o facto de o nível de satisfação nos vários serviços não baixar nunca dos 50%.

Ao nível dos internamentos, os hospitais com piores níveis de satisfação dos doentes são os Hospitais de Cascais e de Faro, com 74,1%. Convenhamos, que um nível destes é demasiado elevado para qualquer tipo de serviço. Quando o cliente diz muito bem de um serviço, nós desconfiamos, sobretudo porque o que está em análise, não nos parecem ser serviços de excelência (que os há, ainda que pontualmente, no SNS). Desconfiamos do cliente, ou do método e da entidade que leva a cabo a investigação!

Ao nível dos internamentos, há mesmo hospitais que ultrapassam os 90% de satisfação, tais como o Hospital de Anadia, o Hospital Joaquim Urbano, ou o Hospital Português de Oncologia, de Coimbra e do Porto.

O pobre desconfia, quando a oferta é grande!

Não queremos pôr em causa a Universidade Nova, ou a metodologia que levou a cabo, mas os níveis de satisfação aparentemente atingidos parecem-nos demasiado elevados!

Sunday, June 07, 2009

Os resultados catastróficos dos Hospitais EPE

Não nos surpreende. Apenas, confirma a tendência da falta de controlo de gestão que pulula pelo Ministério da Saúde. Apesar de muita engenharia financeira, e das boutades do fanfarrão do Prof. Correia de Campos (auto-denominado, "pai" da reforma do SNS, a partir de 2005).

Ora aqui vão algumas rúbricas que mostram o desastre à vista no SNS, relativamente à sua parte mais importante: o resultado do 1º trimestre de 2009, dos Hospitais EPE.
  • Proveitos totais: 930 milhões de euros. Crescimento de 2,1%.
  • Custos totais: 1.037 milhões de euros. Crescimento de 5,4%.
  • Resultado líquido negativo: 107 milhões de euros. Crescimento de 45%.

Ou seja, a falência dos Hospitais EPE está à vista. Só não vê, quem não quer. O Estado está em situação financeira catastrófica, pelo que não poderá acudir ao fogo hospitalar. O que acontecerá? Apenas e só, a degradação da qualidade do serviço e uma porta aberta para novos prestadores privados.

Importa ainda, focar alguns crescimentos de custos astronómicos, em clima de depressão económica, como sejam:

  • Aumento de custos com medicamentos: +6,6%.
  • Aumento de custos com pessoal: + 4,8%.

Requiem para o SNS.

Sunday, April 26, 2009

Resultados dos Hospitais EPE 2008

Não nos surpreende que os Hospitais EPE dêem prejuízo. Aliás, já aqui o dissemos que não conseguimos entender que o IPO - Lisboa reporte lucros. Mas, como nada nos espanta no Portugal de hoje, é também sem espanto que lemos isto: Os prejuízos dos 37 hospitais Entidades Públicas Empresariais (EPE) atingiram os 192,7 milhões de euros em 2008, um aumento de 35,6% face ao ano anterior.

Nem nos espanta que o Secretário de Estado com o pelouro das "contas do SNS" diga isto: Na opinião do responsável os números são «normais», uma vez que os hospitais «precisam de tempo» até obterem resultados económicos positivos. «É normal os primeiros anos terem um mau desempenho», justificou Francisco Ramos.

Bem, se andarmos para trás, sabemos que os Hospitais EPE nasceram em 2005. Embora, anteriormente se chamassem Hospitais SA, em 2003. Ou seja, parece que para o Secretário de Estado Francisco Ramos, passados que são 6 anos após a criação dos primeiros hospitais com autonomia de gestão, a contínua degradação de resultados é normal!

Contudo, apesar desta informação pública sobre os resultados negativos de mais de 192 milhões de euros, dos Hospitais EPE, em 2008, no site da Administração Central do Sistema de Saúde, ainda não constam os resultados finais de 2008. Os últimos resultados estão aqui, e referem-se ao 3º trimestre de 2008. No entanto, nessa altura, os prejuízos dos Hospitais EPE eram mais significativos: somavam 214 milhões de euros de prejuízos!

O garrote ao SNS aperta-se, sobretudo com o crescente tsunami financeiro em curso!

Wednesday, March 04, 2009

As contas dos hospitais e os "fantasmas"

Temos escrito por aqui, que o SNS e os Hospitais por si geridos, demonstram "a olho nu" muitas incongruências, ou se quiserem, muita criatividade. Entretanto, lá se vai tocando na "ferida", de vez em quando: A Inspecção-Geral de Finanças (IGF) detectou divergências entre as compras e as vendas declaradas pelos hospitais e os respectivos fornecedores no valor de 283,2 milhões de euros, de acordo com um relatório do Ministério das Finanças.

283,2 milhões de euros? Como é possível haver uma divergência tão grande? Bem sabemos que o orçamento do SNS é também muito grande, mas 283,2 milhões de euros, dá para fazer muita coisa.

O pior é que mesmo nesta notícia corriqueira se detecta que há algo mais do que meras incongruências ou divergências, pois se não vejamos: Foram ainda encontradas nas investigações junto dos hospitais «compras de 22,2 milhões de euros, efectuadas por hospitais a fornecedores cessados em sede fiscal», ou seja, a empresas que fiscalmente não existem.

Ou seja, entidades públicas estão a pagar serviços/produtos a entidades "fantasmas". E o contribuinte também pode passar a "fantasma"? Mesmo com a crise internacional, pensamos que o Estado português tem recursos a mais, ao contrário do que por aí se diz.

Thursday, February 05, 2009

A ansia de protagonismo de Correia de Campos

Correia de Campos foi Ministro, por duas vezes e Secretário de Estado, por uma vez. Foi um destacado membro de uma Universidade Pública e de um organismo público de formação. Contudo, Correia de Campos vive para a imagem. Não consegue viver sem as luzes da ribalta!

Há quem lhe ligue. Há quem goste de Correia de Campos. Nós achamos que Correia de Campos até fez algumas coisas positivas na última passagem pelo governo, como Ministro da Saúde.

Mas, já não temos paciência para ler este tipo de diatribes:
  • O ex-ministro da Saúde António Correia de Campos admite a existência de «excessos» e até de «fraudes» no sector, classificando-as como «perfeitamente normais».
  • «O que o gestor máximo tem de fazer é estar atento e ter mecanismos de intervenção», disse, recordando o sucesso da mediação que fez em 2005 quando, numa cerimónia pública no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, revelou que a nova direcção desta instituição, onde foram registadas fraudes com o aprovisionamento, estava a receber ameaças de morte.

Oh Senhor Professor Correia de Campos, se tem conhecimento de fraudes no sector que tutelou até há um ano, deve denunciá-las, sob pena de parecer ser conivente com elas!

Porque será que a imagem da classe política portuguesa anda pelas ruas da amargura? Apenas e só, porque não têm espírito de serviço público, assim como não se controlam para estarem sempre no púlpito.

Melhores dias virão.

Thursday, January 29, 2009

Parabéns Senhora Ministra

A Ministra Ana Jorge é simpática, leve e neutra. Para além disso, Ana Jorge, é médica. Como Ministra da Saúde tem sido discreta. Quanto a resultados? Tem sido a evolução na continuidade.

Mas agora, ao fim de um ano no cargo de Ministra da Saúde, Ana Jorge parece demonstrar capacidade de análise sobre o sector hospitalar:
  • "Um dos grandes problemas da saúde em Portugal é organizacional", disse Ana Jorge.
  • Na área hospitalar, "tem falhado muito o envolvimento das administrações e dos directores de serviço", disse, considerando que são estes "os grandes responsáveis pelo funcionamento do serviço hospitalar e por envolver os seus profissionais".
  • Ana Jorge dá como "exemplo de sucesso" o Programa de Intervenção em Oftalmologia (PIO), através do qual foram realizadas mais de 15 mil cirurgias. A "chave do sucesso foi o envolvimento dos profissionais e, nomeadamente, dos directores dos serviços de oftalmologia", considera Ana Jorge.
  • A ministra preconiza mudanças, mas não só ao nível do nome, numa referência à transformação dos hospitais em Sociedades Anónimas (SA) e, mais tarde, em Entidades Públicas Empresariais (EPE).
  • Para Ana Jorge, "existem alguns hospitais EPE com os profissionais mobilizados e outros que se esqueceram que precisam dos profissionais" de saúde. "Assim não dá, pois só muda o nome", salientou.

Ora, muito bem, Senhora Ministra. Contudo, a Dra. ana Jorge esquece-se do seguinte:

  1. As Administrações dos Hospitais EPE são nomeadas pelo Ministério da Saúde. Ou seja, se a Senhora Ministra acha que não sabem gerir bem os recursos que têm a cargo, Ana Jorge deve demiti-los.
  2. A grande maioria das Administrações dos Hospitais EPE não sabem gerir a autonomia que têm, porque: a) não têm perfil para liderar organizações; b) sabem que são boys políticos e têm medo de arriscar e de decidir.

É pena, Senhora Ministra, que não vá até ao fim, na sua análise.

Monday, December 22, 2008

Desculpas de mau pagador

Todos sabemos que o Estado paga tarda. Todos sabemos que o Estado paga mal (não se incluem neste grupo, as empresas que concorrem a concursos públicos e que vêem os valores corrigidos a posteriori). Mas, o que vamos aprendendo agora, é que o Estado aprende a dilatar os prazos de pagamento, ainda que apenas prometa que paga:
  • Vários hospitais com gestão empresarial receberam sexta-feira cerca de 767 milhões de euros para pagarem dívidas vencidas, no âmbito do Fundo de Apoio ao Sistema de Pagamentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), segundo o Ministério das Finanças.
  • No passado dia 08, a ministra da Saúde, Ana Jorge, garantiu que a dívida vencida do SNS, no valor de 908 milhões de euros, vai ser paga até ao final do ano.
  • «A dívida do SNS está a ser enquadrada, vamos acompanhá-la, cumpri-la, estamos a trabalhar para que tudo corra bem. O importante neste momento é que a dívida vencida vai ser paga aos fornecedores», disse a governante (Ana Jorge).

Mas, para que é que servem estes avisos permanentes de "promessas de pagamento"? Se querem pagar, paguem! Para que é preciso dizer que se vai pagar, não pagando, mas prometendo que se vai pagar?

Friday, November 07, 2008

O Estado afinal vai pagando!

Em Portugal, é notícia o facto de o Estado pagar a 90 dias! Fantástico.

Vejamos, o que nos contam aqui:
  • O Ministério da Saúde vai reunir um verba de 800 milhões de euros para integrar as dívidas dos hospitais entidades públicas empresariais (EPE), os quais até ao final do ano não poderão ter dívidas aos fornecedores superiores a 90 dias, anunciou hoje a tutela
  • Este fundo de 800 milhões de euros (o valor das dívidas dos hospitais EPE aos fornecedores, nomeadamente à indústria farmacêutica) vai ser utilizado através de empréstimos aos hospitais EPE com dívidas aos fornecedores superiores a 90 dias.
  • Estes montantes serão avançados «como empréstimo e não como subsídio», pelo que serão sujeitos a juros, acrescentou o governante.

Que contentes que nós, portugueses, ficamos, por termos um Estado que é notícia porque cumpre as suas obrigações. É que, habitualmente o que enche os jornais de notícias são os aumentos de multas e coimas por parte do Fisco! E quando vamos a uma Repartição de Finanças, vemos em ecrãs electrónicos, que nos últimos anos têm aumentado sistemáticamente o montante de coimas e multas, porque os contribuintes não cumprem prazos!

Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço. Ditado sempre actual.

Monday, September 01, 2008

O que é gestão empresarial?

Lemos este título: HUC terão gestão empresarial a partir de hoje.

O que quererá dizer que os Hospitais da Universidade de Coimbra têm gestão empresarial? Será que antes tinham gestão de mercearia? Ou pior, gestão de coisa nenhuma?

Não sabemos se são os jornalistas que não sabem o que escrevem? Ou se os jornalistas acabam por retratar a realidade!

Vejamos mais detalhes da notícia:
  • Os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) vão passar a ter, a partir desta segunda-feira, gestão empresarial, com o objectivo de conseguir uma maior agilidade e eficácia aos serviços sem despedimentos ou aumento de preços
  • A transformação em Entidade Pública Empresarial «vai permitir condições para servir melhor os utentes», segundo o presidente dos HUC, Fernando Regateiro, que sublinha a «maior agilidade e autonomia», que proporcionará «ganhos sem prejudicar a assistência».

Dá a sensação de que até agora, o HUC tratava mal os doentes, ou que o seu Presidente não exercia a sua função de forma integral, já que a partir de agora vai ter ....mais autonomia!

A gestão continua muito mal tratada por cá.