Thursday, June 28, 2012

O descontrolo total

Controlo de gestão no SNS? Onde? Por quem? O que andam a fazer o IGAS, as entidades reguladoras, as ARS's? Provavelmente, a ganharem a vida. Que é como quem diz, a levarem os saláriozinhos para casa, mas sem o cumprimento adequado das suas funções. Estas são mais algumas provas que suportam esta nossa velha ideia:

1Há fortes indícios de que tanto nas unidades do Serviço Nacional de Saúde como no âmbito da clínica privada com convenções com a ADSE estejam a ser emitidos atestados médicos “sem evidência de acto/contacto clínico, omissão que pode, eventualmente, sugerir a emissão de atestados de complacência”.


2O relatório entende, ainda, que para evitar situações de fraude estes atestados e os correspondestes registos clínicos deviam ser feitos por via electrónica “com carácter obrigatório, impondo a realização de uma consulta prévia associada à sua emissão”. 


3A ausência de controlo sobre a prescrição em doentes crónicos, receitas sem assinatura do beneficiário e medicamentos substituídos na farmácia contra vontade do médico prescritor foram algumas das irregularidades detetadas pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).


4Está a ser difícil contabilizar o número de abortos realizados em Portugal. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde veio contrariar os dados da Direção-Geral de Saúde, apresentando uma diferença de 254 interrupções voluntárias da gravidez.


Como dizia Eça, "Portugal parece ser um sítio mal frequentado". Num país, em que os médicos passam a eles próprios atestados ou baixas médicas. Num país, em que duas entidades pertencentes ao Ministério da Saúde não sabem contar abortos. Tudo é possível. A festa vai acabar mal. Como sempre aconteceu no passado.

Tuesday, June 26, 2012

Gangues

O fim do SNS não acontece apenas por causa do descontrolo no pessoal. O fim do SNS acontece porque não existiu nunca a função de controlo de gestão. Os administradores hospitalares eram nomeados pelos políticos de turno, e com a inevitável confiança política associada, nada faziam para pôr as casas na ordem. O Ministério da Saúde e os órgãos de controlo (IGAS, ARS's, etc.), eram meras caixas de ressonância dos políticos no poder. O Tribunal de Contas ia fazendo uns pareceres, a que pouca gente ligava.

Agora, até se chega à conclusão que os gangues existem na saúde e não são ficção: Um médico e uma médica de família que trabalham Cabeceiras de Basto, quatro delegados de informação médica dos laboratórios Bial e outro de um laboratório que o JN não logrou identificar, dois armazenistas de medicamentos, um dos quais com instalações em Pombal, e um décimo indivíduo que fazia a ligação entre todos. Foram estes os alvos da operação "Remédio Santo", da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da Polícia Judiciária, com buscas e detenções no Norte e no Centro do país.


E até são gangues com algum grau de sofisticação: A burla começaria com os médicos de Cabeceiras de Basto, este uma figura conhecida por se passear de Porsche Panamera, que foi detido em Árvore, Vila do Conde, onde tem uma casa de férias. O Ministério da Saúde confirmou que os médicos suspeitos receitavam os medicamentos em nome de utentes do SNS que não precisavam de os tomar e que eram alheios a tais prescrições. Depois, os medicamentos eram aviados nas farmácias, o que obrigava o Estado a pagar as respetivas comparticipações, e regressavam aos armazenistas. Dali, os mesmos medicamentos voltavam a seguir para as farmácias portuguesas, ou eram exportados para outros países. A exportação verificou-se, por exemplo, com um medicamento para a doença de Alzheimer que, recentemente, faltou a alguns pacientes portugueses.

Se os portugueses continuarem adormecidos pelo futebol, vão sofrer mais do que pensam.

Saturday, June 16, 2012

Deja vu

Há bastantes anos que se antevia a decadência e até a morte do chamado Serviço Nacional de Saúde. Desleixe no controlo de pessoal. Acumulação de pessoal a mais. Angariação sucessiva de outsourcings, mantendo toda a gente interna. Descontrolo da factura dos medicamentos, quer em hospitais, quer em farmácias. Mistificação permanente de factos, como seja a existencia de médicos a mais, tapada pelo amiguismo dos lobbies. Administradores hospitalares sem qualquer qualificação de gestão.

Apenas Correia de Campos percebeu que o fim estaria á vista. Apenas Correia de Campos tentou travar a hecatombe. Contudo, um conjunto de gente com responsabilidades na administração hospitalar, no ministério da sáude ou na direcção geral da saúde, foi conivente com actos sucessivos de gestão danosa. Agora, assemelham-se a clamar, esquecendo-se das suas responsabilidades.

Clamam agora, depois de terem contribuído para a devastação e queda do SNS:

  • Crise & saúde: um país em sofrimento.
  • Em Portugal, o programa acordado com a  Troika não implica uma reforma do sistema de saúde, mas aponta para um vasto conjunto de  medidas de racionalização e melhoria da eficiência a vários níveis do sistema.
  • Entre os três países com MdE com a Troika, Portugal é o país com um sistema de saúde mais bem estruturado e pior financiado (em termos de gastos per capita em cuidados de saúde). Também revela menor grau de racionalidade na utilização  dos seus recursos financeiros, humanos e tecnológicos do que a Irlanda, e maior do que a Grécia.
  • Os múltiplos apoios recebidos da UE durante este período e o endividamento de sectores público e privado não proporcionaram investimentos de que resultasse uma economia mais competitiva (suficientemente capaz de produzir bens transacionáveis exportáveis) e uma sociedade mais justa.
Muitas pessoas que realizaram o Relatório da Primavera - 2012, do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, ocuparam múltiplos cargos na administração pública, nos hospitais públicos, no sector privado, e vêm agora dizer que Portugal não aplicou devidamente os imensos fundos que a União Europeia lhe concedeu? De quem será a culpa? Do contribuinte holandês e belga? Do contribuinte português? Será que se vai culpar só o Dr. Mário Soares, o Dr. Jorge Sampaio e o Prof. Cavaco Silva? E todos os altos quadros da administração pública após a entrada na UE, em 1986, o que estiveram lá a fazer?

Lágrimas de crocodilo, apenas. Coitados dos portugueses trabalhadores e contribuintes, que ainda têm que aguentar pseudo-élites irresponsáveis.

Wednesday, June 13, 2012

Use of imaging tests soars, raising questions on radiation risk




Study finds use of CT scans has nearly tripled in the last 15 years. Such radiation exposure increases the risk of cancer. The use of CTs, MRIs and other advanced medical imaging tests has soared over the last 15 years, according to new research that raises questions about whether the benefits of all these scans outweigh the potential risks from radiation exposure and costs to the healthcare system.

An examination of data from patients enrolled in six large health maintenance organizations found that doctors ordered CT scans at a rate of 149 tests per 1,000 patients in 2010, nearly triple the rate of 52 scans per 1,000 patients in 1996. MRI use nearly quadrupled during the period, jumping from 17 to 65 tests per 1,000 patients, according to results published in Wednesday's edition of the Journal of the American Medical Assn.

Monday, June 11, 2012

A máscara das contas

Há muito tempo que se vai escrevendo por aqui, que não há gestão no chamado SNS. Antes, há uma tentativa de apresentar uns slides, sob a forma de "powerpoints", e tentar parecer que "os números dêem certo". Naturalmente que quem sabe um pouco de gestão, e em particular de contabilidade, chega ao ponto de achar ridícula a forma como se "martelam" as contas. Isto é, usa-se e abusam-se das alterações das regras contabilísticas, em anos consecutivos, apenas e só, para parecer que não há possibilidade de comparação de contas. Amadores. Puros amadores, que caiem fácilmente perante pessoas com alguma experiência. Mas, amadores com apoio político. Logo, amadores armados em profissionais. Aprendizes de feiticeiros.

Vejamos alguns dos amadores a serem apanhados:

1O Tribunal de Contas (TC) dá nota negativa à Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) no que toca ao exercício das demonstrações financeiras do Serviço Nacional de Saúde. "A análise à consolidação de contas do Serviço Nacional de Saúde de 2009 permitiu identificar que as demonstrações financeiras da entidade ACSS não expressam a totalidade dos direitos e obrigações, nem dos custos e proveitos gerados, o que provoca distorções quando se procede à agregação das demonstrações financeiras das entidades que integram o SNS". O TC lembra que, para 2009, a ACSS reportou um défice consolidado do SNS de 375 milhões de euros que foi corrigido, entretanto, pelo tribunal para um défice de 663 milhões, mais 77%.


2O reforço do controlo do endividamento do Serviço Nacional de Saúde é a tónica da auditoria do Tribunal de Contas, que detetou um aumento da dívida entre 2008 e 2010 em 117 por cento para os 2,9 mil milhões de euros. O tribunal faz várias recomendações, entre elas a responsabilização direta dos administradores dos hospitais, com demissão em caso de incumprimento.


3A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) não controlou os hospitais do sector administrativo público (SPA) e a Direcção-geral do Tesouro e Finanças descuidou o controlo dos hospitais-empresa (EPE). As críticas partem do Tribunal de Contas que não deixa de fora a Direcção-geral do Orçamento (DGO).

Coitados dos contribuintes que ainda pagam impostos. Julgam que estão a ajudar Portugal, mas afinal remam contra uma maré de incompetentes e até eventuais corruptos.

Post Scriptum: note-se que o Presidente da ACSS em 2009, é o actual Secretário de Estado da Saúde.

Monday, June 04, 2012

Finalmente, a receita por DCI


Custou várias legislaturas. Custou vários Ministros. Desta é de vezA partir de hoje quando receber uma receita não terá o nome do medicamento. A prescrição médica vai passar a ser feita pela substância activa. É a chamada prescrição pela denominação comum internacional (DCI).

O "problema" era este: O que esta lei origina é que o médico, passando a receita pela substância activa, deixa para o doente a opção de escolha do medicamento, podendo escolher pela marca ou pelo mais barato. Antes, os médicos tinham de assinalar com uma cruz, na receita, a possibilidade de o medicamento receitado poder ser substituído por um genérico.

Naturalmente, que a medida em causa beneficia o Estado, e logo o contribuinte, mas prejudica muita gente que vive na sombra do erário público: A Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) defende ao "Público" que algumas medidas desta lei "põem em causa a autoridade do médico, criam riscos desnecessários para o doente e têm consequências críticas para as empresas nacionais, ao pôr em causa o sistema de licenças, em que se baseia parte da sua actividade, criando graves prejuízos para a sua sustentabilidade e existência".

Mesmo outros, que aparentemente eram a favor desta alteração, agora vêm queixar-se: "as farmácias devem ter sempre disponíveis para venda no mínimo três medicamentos com a mesma substância activa, forma farmacêutica e dosagem, de entre os que correspondem aos cinco preços mais baixos de cada grupo homogéneo, devendo dispensar o de menor preço, salvo se for outra a opção do doente". E é aqui que as farmácias falam da dificuldade, já que em alguns casos têm de ter muitos medicamentos disponíveis, de marcas diferentes, em cada unidade.

O doente informado é beneficiado. O Estado e o contribuinte suportam menos custos. Os que se sentem prejudicados devem procurar novas oportunidades de negócio.

Wednesday, May 30, 2012

Suspeição generalizada

Ministros suspeitos. Banqueiros suspeitos. Presidentes de Camara suspeitos. Presidentes de clubes suspeitos. Portugal está sob suspeita. Andaram uns quantos a comerem de mais, durante demasiado tempo. Agora, a suspeita é generalizada. Só o trabalhador incauto que paga cada vez mais impostos, não está ainda suspeito de nada. Está apenas e só condenado a pagar a devastação moral do país. Mais uns suspeitos:


  1. A autoridade do medicamento está a ser investigada pela Procuradoria Geral da República (PGR) e pela Polícia Judiciária (PJ) no âmbito do alegado favorecimento na comparticipação do primeiro medicamento português fabricado pela Bial.
  2. Jorge Torgal justificou a situação com o facto de ter sido feita uma queixa contra o Infarmed por alegadamente esta entidade reguladora ter "favorecido a comparticipação deste medicamento".
E qual é a empresa, supostamente favorecida? É esta: Infarmed investigado por alegado favorecimento à Bial

Sunday, May 27, 2012

A visão do estrangeiro

Nós sabemos bem o que se cá passa. Contudo, é sempre bom, ver como nos vêem lá de fora:


  1. Free state-funded health care is one aspect of the post-WWII political settlement of which Europeans are most proud. But now it could be under threat as governments are strapped for cash, and in Portugal, one of the continent’s poorest performers, the question of whether free health provision is still affordable is pressing.
  2. Forty years ago, 1-in-20 Portuguese children didn’t survive infancy, and now it’s only 1-in-300, and general life expectancy has increased by 12 years over the same period. But the specter of massive government-spending cuts has thrown this success story in question: What happens when a billion euros get slashed from a 7.5 billion euro health budget?
  3. The Malo Clinic in Lisbon is one the world's largest center in implantology and dental aesthetics. Dental care is not covered by the state, and the clinic's boss, Paolo Malo, said Portugal's financial difficulties mean more people should pay.
  4. If the country has to continue cutting government spending for years to come, perhaps a system almost all of the country still holds dear will have to be slimmed down.

Wednesday, May 23, 2012

SNS gratuito para estrangeiros

Sabemos há muito que o descontrolo no Estado é quase generalizado. Com excepção da recolha de impostos, quase tudo no Estado, não tem função de controlo. Isto acontece apenas pelo facto do contribuinte ainda aguentar uma das maiores cargas fiscais do mundo. Em Portugal, claro.

Contudo, nos "dias de Saigão", que Portugal vive, muita coisa se vai sabendo, que há poucos meses seria impensávelUma dessas entidades foi a Direcção Geral da Saúde (DGS), organismo que contabilizou 18,3 por cento de mulheres de nacionalidade estrangeira que, em 2011, realizaram uma Interrupção de Gravidez (IG).

Vivemos o dealbar do fim de Portugal, ou da República. Até quando teremos que ver esta realidade agonizante?

Sunday, May 20, 2012

A evidente insustentabilidade

Portugal viveu parcialmente e durante as últimas décadas, graças ao crédito internacional e aos subsídios comunitários. Apesar desse apoio constante, o país não ganhou autonomia económica e financeira. Contudo, a classe dirigente, políticos, professores universitários, empresários e afins, não quiseram ver a realidade. Acreditaram sempre, que os amigos internacionais ajudariam sempre o país.

Agora, a realidade é dura, atingindo mesmo a "creme de la creme":

  1. A Administração Regional de saúde de Lisboa está determinada em retirar 90 milhões de euros ao orçamento do Hospital de Santa Maria, um corte que o seu administrador já classificou como impossível de suportar.
  2. O cardiologista Correia da Cunha, o cirurgião Fernandes e Fernandes e o neurocirurgião Lobo Antunes estão a unir esforços numa operação complexa para salvar o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, de um golpe profundo no orçamento que, garantem os referidos especialistas, irá "amputar" também a Faculdade de Medicina e o Instituto de Medicina Molecular.
O que querem os responsáveis do Hospital de Santa Maria? Será que estes Senhores, já se deram conta de que há cerca de 20% da população portuguesa no desemprego? Será que estes Senhores, já se deram conta que a carga fiscal sobre os ainda - contribuintes é das maiores do mundo? Será que estes Senhores, já se deram conta de que o Estado cortou sucessivamente, abonos de família, rendimento mínimo, subsídios de desemprego, pensões, salários da Função Pública? Será que estes Senhores, já se deram conta de que Portugal vive dependente do financiamento externo? Querem que o Hospital de Santa Maria fique incólume?

Wednesday, May 16, 2012

SNS: a revolução em curso

O SNS, tal como existiu no passado, acabou-se. Não sabemos se o que aí virá será bom. Mas, a mudança veio para ficar:

1A partir de 01 de junho, as prescrições de medicamentos passam a ter de incluir a Denominação Comum Internacional (DCI) do respetivo princípio ativo, indica uma portaria do Governo publicada em Diário da República. A portaria 137-A/2012, publicada na sexta-feira, também obriga as farmácias a ter disponíveis pelo menos três dos cinco medicamentos mais baratos com o mesmo princípio ativo.


2As negociações entre os médicos e o Governo sobre grelhas salariais e trabalho em urgência poderão estar à beira da rutura, encarando a estrutura sindical a possibilidade de encetar formas de luta, que poderão culminar com uma greve nacional.


3O aumento das taxas moderadoras está a levar cada vez mais utentes para os hospitais privados. No primeiro trimestre, os hospitais públicos tiveram menos 6,7 por cento de atendimentos nas urgências. Em alguns casos, os beneficiários da ADSE pagam menos no privado do que no Serviço Nacional de Saúde.


4A indústria farmacêutica aceitou hoje reduzir a despesa pública do mercado hospitalar em 170 milhões de euros e 130 milhões de euros no ambulatório, tendo o Governo garantido que pagará 60 por cento das dívidas este ano.

Monday, May 14, 2012

16% of Cancers Are Caused by Viruses or Bacteria



Strictly speaking, cancer is not contagious. But a fair number of cancers are clearly caused by viral or bacterial infectionslymphomascan be triggered by the Epstein-Barr virus, which also causes mononucleosis. Liver cancers can be caused by Hepatitis B and CCervical cancers can be caused by human papillomavirus, the major reason behind the development of a vaccine against it.  For some of these cancers, nearly 100% of the cases have an infectious link—when researchers check to see if a virus or bacterium is working in the tumor or has left signs of its presence in a patient’s blood, the answer is nearly always yes.

Tuesday, May 08, 2012

Two-thirds of American adults are too fat

Two-thirds of American adults are too fat, and a major overhaul of US policies -- from schools to restaurants to urban planning -- is needed to stem the epidemic, medical experts said Tuesday. In a hefty, 400-plus page report, the Institute of Medicine (IOM) called for urgent action to reverse national obesity trends that are costing the US $190.2 billion a year in illness-related costs.

Peppered with terms like "synergies," "empower" and "systems approach," the report called for a renewed focus on schools as the place where eating habits take hold for life, noting that 17 percent of US children are obese, a figure that has tripled in 30 years. Offering lunches packed with veggies and whole grains and limiting access to sugar-sweetened drinks were among the recommendations for kids age six to 18.

"Action must occur at all levels -- individual, family, community, and the broader society."

Sunday, May 06, 2012

Massive rise in Asian eye damage

Up to 90% of school leavers in major Asian cities are suffering from myopia - short-sightedness - a study suggests. Researchers say the "extraordinary rise" in the problem is being caused by students working very hard in school and missing out on outdoor light. The scientists told the Lancet that up to one in five of these students could experience severe visual impairment and even blindness.


In the UK, the average level of myopia is between 20% and 30%. According to Professor Ian Morgan, who led this study and is from the Australian National University, 20-30% was once the average among people in South East Asia as well.


"What we've done is written a review of all the evidence which suggests that something extraordinary has happened in east Asia in the last two generations," he told BBC News. "They've gone from something like 20% myopia in the population to well over 80%, heading for 90% in young adults, and as they get adult it will just spread through the population. It certainly poses a major health problem."

Thursday, May 03, 2012

Lei dos compromissos ou a miragem das Leis

O actual governo decidiu travar "às quatro rodas" o despesismo nos Hospitais do SNS, criando a chamada Lei dos Compromissos. Em Portugal, já o sabíamos, as Leis são sempre só para alguns. Esta Lei dos Compromissos pode ter muito boas intenções, mas as nomenklaturas instaladas nos hospitais são mais fortes. Agora, temos a Lei dos Compromissos aplicada a uns quantos hospitais, mas não a estesA lei dos compromissos está no terreno há apenas dois meses, mas o Ministério da Saúde já identificou oito hospitais onde vai ser quase impossível cumprir a lei. Destes oito hospitais, sete são da região de Lisboa e Vale do Tejo, entre eles o Santa Maria, o maior do País.

Seu Chico Buarque bem dizia, "não tem governo, nem nunca terá"!

Wednesday, May 02, 2012

Farmácias Portuguesas: a esperada queda aos infernos

Durante décadas, o negócio farmacêutico viveu de um proteccionismo, muito para além do condicionamento industrial dos tempos de Salazar. Abertura de novas farmácias limitada. Posse de farmácia limitada a farmacêuticos. Margens de lucro fixadas por Lei. Acordo vantajoso conseguido com o seu principal cliente, o SNS.

Só um cego, conseguiria que uma farmácia não desse lucro. Tudo isto, perante a perda de força dos contribuintes e dos doentes. Tudo isto, com o beneplácito da poderosa Indústria farmacêutica.

Como muitos sonhos acabam em pesadelos, os donos de farmácia descobriram finalmente o que é ter riscos com a posse de um negócio

  1. As sucessivas mexidas nos preços dos medicamentos e a redução das margens de lucro das farmácias estão a levar o setor à asfixia.
  2. A Associação Nacional de Farmácias (ANF) apresenta hoje um estudo, encomendado à Universidade de Aveiro e a uma empresa de contabilidade, que traça um cenário negro do setor.
  3. há 844 farmácias com fornecimentos suspensos por dívidas aos fornecedores.
A solução que a ANF apresentará como mais provável para a melhoria do sector, deverá passar inapelavelmente por algumas ajudas do sempre vilipendiado, mas amigo, Estado! Já se devem ter esquecido dos rios de dinheiro que ganharam com o condicionamento concorrencial providenciado pelo Estado, por décadas. É tempo de os colocarem em cima da mesa, para fazerem a necessária reengenharia do negócio, pois o Estado português faliu por décadas.

Friday, April 27, 2012

Why Do So Many Doctors Regret Their Job Choice?

In an online questionnaire of 24,000 doctors representing 25 specialties,only 54%, said they would choose medicine again as a career, down from 69% in 2011. Just 41% would choose the same specialty again. Only a quarter of doctors said they would choose the same practice setting, compared with 50% a year ago. Why such frustration and discontent among physicians? The Medscape survey cites declining incomes, excessive paperwork, and vast uncertainty about changes dictated by the Affordable Care Act.


Especially for patients over 65, doctors must fill out multiple layers of insurance forms. A single elderly patient can have Medicare, and then secondary and tertiary insurance coverage, all of which require separate forms.


The Medscape survey also describes how hospitals are buying up private practices both in primary care and other specialties. This makes some doctors feel less independent and discouraged, says Howard Forman, a professor at the Yale School of Management who researches diagnostic radiology, health policy and healthcare leadership. “The transformation of the field from independence and professionalism to being commoditized and feeling like you’re just another worker is disheartening to some,” he says.

Saturday, April 21, 2012

Aborto recorrente: uma prática irracional

Independentemente de se concordar ou discordar do aborto, há situações que caiem no âmbito da chamada IVG (interrupção voluntária da gravidez), que não cabem na cabeça de um tinhoso!

Repare-se nistoO último estudo feito sobre o número de abortos em Portugal foi realizado pela Federação Portuguesa pela Vida (FPV) e teve por base os dados oficiais disponíveis: da Direcção-geral da Saúde e do Instituto Nacional de Estatística, até 2010. De acordo com esses números, desde 2007 realizaram-se em Portugal mais de 80 mil interrupções, das quais perto de 13.500 foram repetições

Não vamos discutir se é preferível que os pais optem pelo aborto, em vez de um previsível futuro atroz. Não vamos discutir que é dramático que em Portugal, em que existem apenas 1,7 activos por cada reformado, o que deveria levar-se a cabo seria uma política de apoio ao nascimento de crianças, e não à sua morte.

Agora, estes números que vêm de 2007 para cá deixam-nos estes números devastadores: 13.500 dos cerca de 80.000 abortos, são repetições. O quê? Como? Um deslize é aceitável. Isto não são deslizes, isto é irracionalidade, paga pelo erário público, ou seja paga pelos contribuintes e pelos credores de Portugal!

Mas, mesmo sob ponto de vista humano, é caso para perguntar, que raio de pessoas são estas que abortam sucessivamente?! Não vale a pena vir dizer que há um déficit de informação e de formação. Mentira. A escola pública existe, e só não anda lá, quem não quer. Os Centros de Saúde têm políticas de planeamento familiar. Há distribuição de formas de contracepção. Isto é desleixo. Isto é gente tonta.

Portugal não tem tino. Portugal não merece continuar nesta irracionalidade.

Friday, April 13, 2012

Lições de Professor jubilado

Correia de Campos parece que ainda é deputado em Estrasburgo. Correia de Campos deixa de ser funcionário público no activo. Correia de Campos, de forma sempre abrasiva, deixa um conjunto de ideias confusas e controversas, a propósito da Maternidade Alfredo da Costa:
  1. O ex-ministro da Saúde Correia de Campos defende que os partos realizados no Hospital São Francisco de Xavier sejam transferidos para a Maternidade Alfredo da Costa.
  2. O ex-ministro manifesta-se frontalmente contra o encerramento da MAC.
  3. “A MAC é um modelo de alta qualidade mas insustentável no futuro. A integração em hospital central é lógica e evidente, não o fecho. Todo aquele edifício deve ser integrado no Hospital de Todos os Santos. Até lá a MAC deve ficar onde está”
  4. “Reconverter as instalações ótimas do S. Francisco Xavier para outras áreas”, como a oncologia.
  5. O ex-ministro lembra ainda, para sustentar a sua opinião, que o serviço de saúde privado “se está a sentir” com a crise e que, provavelmente, a franja de 35 por cento de partos realizados no privado vai regressar ao setor público.
  6. “Não falta dinheiro. O Governo português tem que encontrar meios, tem que saber que o encargo de seis ou sete hospitais será superior a um novo e tem que aproveitar os fundos comunitários e não desperdiça-los, deitá-los fora, como fez com a Parque Escolar”.
  7. Embora sublinhe que “nem todos os exercícios de planeamento tenham sido bem feitos”, Correia de Campos não tem dúvidas de que se “justificava” a construção da maternidade do Hospital de Loures, até porque vai “drenar as grávidas de Mafra”.
Sinceramente, parece que a jubilação de Correia de Campos vem no momento certo. A dúvida é um importante companheiro da ciência. Embora, a dúvida é inimiga de um gestor de recursos. Ao ver tanta dúvida e caminho transversal, fácilmente se percebe o estado comatoso do chamado SNS. E Correia de Campos não foi dos piores Ministros da Saúde.

Wednesday, April 11, 2012

Evidentemente que não, Senhor Ministro

O Gestor Paulo Macedo, que desempenha funções de Ministro da Saúde afirmou istoApesar dos esforços, "a sustentabilidade do SNS não está minimamente assegurada".

Que surpreendente, Senhor Ministro! O peso do SNS é tão grande na economia portuguesa, que só com um crescimento económico relevante, o SNS se mantem sustentável. Ora, como não se vislumbra crescimento económico relevante, provavelmente nem sequer ao longo da presente década, é natural que o co-pagamento das despesas de saúde ou o seu racionamento, são as únicas vias a seguir, por muito que isso doa. Quem disser o contrário, ou é um fantasista ou é mentiroso.

No entanto, o Gestor Paulo Macedo, ou é ingénuo, ou finge que não sabe a história toda, quando afirma isto: o Governo quis discriminar a Saúde numa "época de emergência nacional" e que por isso reforçou com o Orçamento Rectificativo a verba da Saúde em 1.500 milhões de euros, sendo que em 2012 o sector disporá da maior dotação de sempre: 9 mil milhões de euros. O importante agora, diz o ministro, é que "depois da sua aplicação não voltemos à mesma situação que encontrámos em 2011".

Evidentemente que em 2013, a situação vai-se repetir, apesar de um controlo de gestão superior ao que se verificava no tempo da antecessora de Paulo Macedo.