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Sunday, December 02, 2012

O polvo

Nos idos da década de oitenta, havia uma série de televisão italiana de nome "La piovra". Em Itália, país do Sol, da bela comida, do design e das ligações de la famiglia, nunca se conseguiram eliminar as ligações perigosas. Existiu a "operação mãos limpas"; existiu o herói Juíz António di Pietro; descobriu-se o que era a loja maçónica P2; foram assassinados muitos procuradores e polícias; mas, na Sícilia continuou a mandar a Cosa Nostra; e em Nápoles, mesmo com lixo espalhado por toda a cidade, a Camorra não arredou pé.

Em Portugal, país do Sol, da boa comida, do mar azul e de um certo neo-feudalismo, nunca se conseguem apanhar as ligações perigosas.

No sector do retalho dos medicamentos, as ligações são belíssimas: O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa está a analisar novos documentos sobre os negócios da Associação Nacional de Farmácias (ANF). Em causa estão suspeitas de alegados favores do Governo de José Sócrates à ANF, liderada por João Cordeiro em 2010.

A ligeireza e a auto-confiança é tão grande, que até se diz isto: João Cordeiro considerava que a então ministra da Saúde, Ana Jorge, "não percebia um corno" da questão dos preços dos medicamentos e que o seu secretário de EStado, Francisco Ramos, estava a atrasar o diploma.

Ainda há quem se questione, sobre as razões da falência de Portugal. Só não entende, quem é ingénuo ou tolo, ou ainda quem beneficia do neo-feudalismo.

Foi Você que assinou um documento solidário com as "farmácias em luto"?

Sunday, October 14, 2012

Lutos escusados

Fonte: aqui.

A morte é inevitável. O prolongamento da vida é um objectivo permanente do ser humano. A melhoria da qualidade de vida é uma necessidade permanente. A complacência quando levada ao extremo, é mortal. Tudo isto a propósito do chamado "luto dos farmaceuticos".

Uma parte significativa dos portugueses estão em luta. Uma pequena parte está de luto. A maioria dos portugueses viveram uma significativa melhoria do seu nível de vida durante quase três décadas. Apesar disso, em 3 vezes, Portugal precisou de crédito externo apressado, motivado por um estado de falência evidente. Ou seja, os portugueses não aprenderam. Julgaram que era possível ter um nível de vida de primeiro mundo, tendo uma eficiência de segundo ou de terceiro mundo.

Depois da abastança dos BMW's, dos Mercedes e dos Audi's; depois das luxuosas campanhas de comunicação da Associação e dos associados; depois da transformação da farmácia numa loja de luxo; depois dos enormes lucros acumulados durantes décadas. Agora, a choraminguisse e a pedinchisseO alargamento do prazo do "relacionamento entre a indústria farmacêutica, os grossistas e as farmácias" iria possibilitar a "libertação de fundos para a reposição de stocks", justificou o responsável no cortejo dos profissionais de farmácia, em Lisboa.

Quem não sabe ser merceeiro, fecha a loja! Implorar ao governo que interceda junto de um fornecedor, só lembra a quem gosta muito de um Estado paternalista e deve ter saudades da economia contingentada!

Friday, August 31, 2012

Crónica de uma morte anunciada

Durante décadas, o retalho farmacêutico viveu faustoso. Durante décadas, os detentores de uma farmácia, limitavam-se a levar o dinheiro da caixa registadora, não se preocupando com as entradas e saídas de capital, tal era a bonança.

O negócio realizado com o principal cliente, o Estado (e por esta via, o Contribuinte), falhou, porque o Estado está falhado. Agora, faz-se a missaDuas em cada cinco farmácias tinham fornecimentos suspensos, em Junho deste ano, e mais de 600 podem estar em situação de ruptura, uma situação que a ANF considera de «catástrofe», exigindo medidas rápidas do Governo para salvar o sector.

Como a vergonha não tem preço ou valor, depois dos milhões de lucros acumulados ao longo de décadas, pede-se o apoio do Estado, e por esta via, do Contribuinte, quando existem mais de um milhão de desempregados, e quando as filas de emigração se alargam.

Que topete!

O Estado, através da gestão do Ministro Paulo Macedo conseguiu alguns resultados: Reconhecendo que o Ministério da Saúde conseguiu bons resultados com a sua política de medicamento, nomeadamente o aumento do consumo e a redução da despesa do Estado e do beneficiário, João Cordeiro considerou que agora é «urgente que o Governo encare com frontalidade a gravíssima situação das farmácias».

O que devem fazer os farmacêuticos, donos de farmácia, deverá ser o mesmo que fez o Dr. Paulo Macedo. Baixar a cilindrada do parque automóvel. Baixar o luxo no interior de cada farmácia, que afinal dizem que é um serviço de saúde público. Frequentar uns cursozinhos de gestão doméstica, isto é, procurar não gastar mais do que recebem, como faz qualquer cidadão. E reencontrarão o caminho da eternidade. Se não o fizerem, aumentarão o número crescente de falidos.

Thursday, February 23, 2012

O regresso de Cordeiro

Regressado de onde nunca saiu. João Cordeiro. Ex-Presidente da Associação Nacional de Farmácias. Reeleito Presidente da Associação Nacional de Farmácias. Quem fez das farmácias algo mais do que lojas de bairro, não consegue arranjar quem o substitua. Nos Sindicatos, nos Partidos, nas Confederações patronais, é a mesma coisa, eternizam-se no poder, não sabem criar sucessores. Gostam muito do poder.

Apesar de ser co-responsável pela situação, vem lamber as feridas em público: cerca de 1900 farmácias encontram-se hoje em situação económica “dramática” e se nada for feito para inverter a situação, o problema irá atingir, no final de 2012, 2400 farmácias, afirmou esta quarta-feira João Cordeiro que, mais uma vez, tomou posse como presidente da direcção da Associação Nacional das Farmácias (ANF), escreve o Correio da Manhã.


João Cordeiro sabe que usufruiu de vantagens conquistadas na mesa dos sucessivos dirigentes do Ministério da Saúde, como sejam, a contingentação do mercado, as margens de lucro garantidas ou os acordos especiais de pagamento do Estado. Ainda assim, julga que ainda consegue condicionar a mesa: João Cordeiro apontou a consecutiva redução do preço dos medicamentos desde 2005, o adiamento de reformas estruturas e a "instrumentalização partidária da saúde e do medicamento".


Habitue-se, Dr. João Cordeiro. As vantagens conseguidas por vias administrativas, ou seja à mesa do Orçamento de Estado, acabaram. De vez.

Thursday, January 19, 2012

Farmácias: o fim de festa

Depois da festa de décadas de lucros garantidos, de controlo da oferta de lojas abertas, e de garantia do pagamento dos créditos por parte de um Estado gastador, vem a borrasca da realidade de que Portugal é um país pobre, mas tem que ser honesto.

Não se faz por aqui, o culto da pobreza. Faz-se antes, o culto da oportunidade para todos, do rigor e do mérito. Em Portugal, tudo parece existir à volta do Estado - feudal. O Estado português faliu por muitos anos. Agora, a sociedade se quer sobreviver, tem que mostrar que tem valor, e que não vive apenas porque está agarrada ao Estado.

Este panorama reforça a ideia de que o sector do retalho farmaceutico vivia faustosamente com o apoio claro do Estado, e só por isso:

1. De acordo com o estudo, o número de farmácias com fornecimentos suspensos era de 255 em Dezembro de 2009, de 450 em Dezembro de 2010 e de 795 em Dezembro de 2011, o que traduz uma variação de mais 212% em dois anos. No final de 2009 havia 121 processos judiciais em curso para regularização das dívidas, número que subiu para 287 no final do ano passado, uma variação de 145%. Já o número e farmácias com um prazo de pagamento superior a 90 dias ascendia a 1.169 em 2011, mais 39% do que as 839 que estavam na mesma situação em 2009.

2. João Cordeiro ouvido na AR por requerimento do PS, para debater a situação financeira das farmácias, avisa que são já muitas as farmácias em insolvência. E, perante esta situação, a Associação Nacional de Farmácias avança com uma proposta para fixar a margem de lucro das farmácias com cada medicamento.

Estes Senhores empresários, que até têm algum mérito, têm que saber sobreviver sem o apoio descarado do contribuinte. E deixarem-se de feudalismos, como este: O presidente da ANF, João Cordeiro, considerou “urgente o Ministério da Saúde olhar para estes números”, sublinhando que “a situação é muito grave”.

Relembremos que possuir uma farmácia, na sua grande maioria dos casos, era sinónimo de ser rico, até há pouco tempo. E no fundo, ter um negócio aberto implica sempre risco e adversidade, que deve ser compensado por capacidade e engenho do empreendedor, para assim vir a ter interesse comercial. De outra forma, gera-se iniquidade, gerada por relações perigosas.

Wednesday, April 06, 2011

Portugal no fim da linha

Dívidas. Taxas de juro. Déficits. Insolvência. Bancarrota. Economia. São palavras que enchem os telejornais, os jornais, os fóruns, as conversas de café. A maior parte do que é dito e escrito, nem sequer é bem escrito ou bem falado. Muito do que se afirma, nem sequer tem um suporte factual. Mas, Portugal está a chegar ao fim. Ou pelo menos, vai ter um intervalo longo.

Esta é só mais uma prova, e bem clara: As farmácias da Madeira decidiram suspender definitivamente, a partir de 1 de Maio, a dispensa de medicamentos a crédito aos beneficiários do Serviço Regional de Saúde (SRS), devido a uma dívida de 116 milhões.

Quando a entidade que deveria ser mais respeitável e respeitada faz isto: Deduzidos os 36 milhões financiados pela Caixa Geral de Depósitos, o executivo de Alberto João Jardim tinha-se comprometido a pagar gradualmente em oito anos os remanescentes 85 milhões, mas falhou esse acordo logo no primeiro mês.


Já não há valores. Já não há dignidade. Já não há nada. É o vazio.

Friday, March 18, 2011

Yo no creo en las brujas

Pero que las hay, las hay: O presidente da ANF deu o exemplo de um medicamento "inovador com preço aprovado em sete dias úteis, que não estava aprovado nem comparticipado em nenhum país da União Europeia".

E rematou o mesmo Senhor: João Cordeiro propôs a extinção do Infarmed.

Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades.

Wednesday, January 26, 2011

Com a verdade me enganas II

Sabemos há muito que o Estado e muitas organizações privadas não sabem o que é controlo de gestão. Só não sabe que isto assim é, quem é ingénuo ou incapaz. Claro está, que a falta de controlo de gestão por parte do Estado, beneficia uns quantos e prejudica muita gente.

Curioso é ver quem vem dizer muitas verdades, a propósito da absoluta incapacidade de gestão por parte de milhares de funcionários que auferem faustosos rendimentos pagos pelos Contribuintes:
  • O presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), João Cordeiro, diz que a situação de fraude nas farmácias detectada pelo Ministério da Saúde, resulta da "permissibilidade do próprio sistema" que "tem falta de rigor".
  • Se perguntar ao Ministério da Saúde quantos beneficiários existem no SNS por distrito ou quem é que tem direito a comparticipações eles não sabem responder", exemplifica João Cordeiro.
  • Em declarações ao Económico, João Cordeiro lembrou que a ANF entrega todos os anos ao Ministério da Saúde "informação em suporte informático sobre o volume de vendas das farmácias e dos medicamentos" que permitem detectar situações fraudulentas. "Será que isso serve para alguma coisa?", questiona Cordeiro.

Tudo isto a propósito disto: A Polícia Judiciária está a investigar várias farmácias na região de Lisboa por fraude nas comparticipações de medicamentos.

Foi Você que pediu o PEC-IV? Ele vem já a caminho.

Thursday, October 07, 2010

Os predadores do SNS - VI

E como os recursos começam a escassear, começa a luta entre clãs:

1. O presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF) lançou hoje um conjunto de suspeitas sobre a política de comparticipações dos medicamentos em Portugal e propôs a extinção da autoridade reguladora do sector. Entretanto, os portugueses vão gastar mais 300 milhões de euros num ano devido às novas regras de comparticipação.

2. Na comissão parlamentar de Saúde, João Cordeiro denunciou a situação da comparticipação de um medicamento antiepilético que "apenas foi considerado inovador em Portugal". João Cordeiro sublinhou ainda que este medicamento tem custos diários 10 vezes superiores aos seus equivalentes: "o preço é um escândalo. Acho que o preço exige mesmo uma investigação policial".

3. A ANF frisa ainda que este medicamento não se encontra comparticipado em nenhum outro país da Europa e que apenas foi considerado inovador pela Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed).

4. A ANF disse ainda estranhar que o Governo vá financiar com 600 milhões de euros a investigação científica no laboratório que produz o Zebenix.

5. "Não percebo a necessidade do Infarmed em Portugal, sobretudo quando temos uma agência europeia do medicamento. Acho que o Infarmed é puro custo. Uma estrutura daquelas, com uns cerca de 300 funcionários, acho que é desnecessária", declarou João Cordeiro aos deputados.

6. João Cordeiro afirmou também que "alguma coisa de estranho se passa" com a venda de fármacos de alguns laboratórios em Portugal, que registaram crescimentos de mil ou dois mil por cento através de prescrições de determinados centros de saúde. "Não é por acaso que a indústria farmacêutica investe milhões na sua relação com os médicos", declarou ainda o representante dos proprietárias das farmácias.

Perante tanta "evidência", o que farão os chamados "representantes do povo"? Provavelmente, estarão preocupados com a próxima performance da Selecção Nacional de futebol!

Wednesday, September 22, 2010

Os predadores do SNS

O que são predadores? Predação é o hábito alimentar de muitos animais, que procuram activamente as suas presas, que são outros animais, os perseguem e capturam. Os predadores são normalmente animais de grandes dimensões — em relação às suas presas.

Bem, vejamos quem são alguns dos predadores do SNS:
  • José Sócrates só baixou medicamentos no ano das eleições. Há cinco anos que os encargos totais dos portugueses com medicamentos têm registado subidas anuais, com excepção de 2009, ano de eleições. Os dados têm por base a facturação das farmácias e foram ontem divulgados pela Associação Nacional de Farmácias (ANF). É um dos argumentos usados por João Cordeiro para defender que a culpa do descontrolo dos gastos do Estado com comparticipações é... do próprio governo e das suas medidas "eleitoralistas" ou decididas à "pressa".
  • É já na próxima semana que entra em vigor o novo regime de comparticipação dos medicamentos que vai fazer com que os utentes passem a pagar quase o dobro por alguns dos remédios mais vendidos. A portaria com as alterações à lei foi publicada na sexta-feira com a indicação de que entra em vigor já a 1 de Outubro, mais cedo do que era esperado.
  • Farmácias e indústria preparam contra-ataque ao Governo. está em cima da mesa a possibilidade das farmácias recusarem vender medicamentos aos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou mesmo uma greve ao pagamento de impostos. Também a Apifarma já ameaçou retirar alguns medicamentos baratos do mercado. Medidas de protesto com um "impacto tão gravoso que não deviam sequer estar a ser equacionadas" mas que são inevitáveis face à situação, admitiu ao Diário Económico fonte do sector.

Thursday, June 24, 2010

Medicamentos: o grande bolo V

Todos o sabemos, que os medicamentos representam o maior saco de dinheiro que se gasta na saúde em todo o mundo. Portugal não é excepção. Mas, sem medicamentos não é possível ter uma qualidade de vida superior, nem sequer aumentar a esperança média de vida.

Mas, há formas de gerir o saco de dinheiro dos medicamentos, e há formas de deitar dinheiro fora, ou dá-lo aos laboratórios farmacêuticos, aos retalhistas e grossistas, e retirá-lo do bolso dos doentes, quer por via directa, quer por via fiscal.

Em Portugal, está-se a seguir a via do saque fiscal do contribuinte, até ao dia em que a comparticipação do Estado será diminuída drásticamente. Senão, vejamos os passos para o abismo:

1. O presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), João Cordeiro, admitiu esta tarde, após audição em comissão parlamentar de Saúde, que há “uma hipótese de ruptura a curto prazo” de medicamentos à Madeira. Em causa estão atrasos no pagamento de há 33 meses por parte da região, com uma dívida acumulada correspondente a 105 milhões de euros, que podem pôr em causa o fornecimento.
2. No final de Maio, os hospitais deviam mais 75% de dinheiro aos laboratórios farmacêuticos do que em Junho do ano passado: estavam por saldar 851 milhões de euros. Para se ter uma ideia da grandeza do problema, equivale a 10% do orçamento total da Saúde. Desses 851 milhões, 551,2 são devidos há mais de 90 dias.

Perante esta insolvência declarada do Estado, como é que este mesmo Estado vai impôr este tipo de regras a empresas que têm uma dimensão maior do que Portugal (por exemplo, a Pfizer, a GlaxoSmithkline ou a SanofiAventis):

3. O Governo impôs à indústria uma redução de 3,85% no preço dos remédios de marca. Os utentes pagam menos e o Estado poupa nas comparticipações. Segundo a mesma portaria, a indústria farmacêutica terá de apresentar à Direcção-Geral das Actividades Económicas e ao Infarmed até ao dia 21 de Junho e 15 de Julho, respectivamente, as listas de preços dos medicamentos para se proceder à respectiva comparação.

Parece-nos, que estes grandes laboratórios globais, qualquer dia, se esquecerão de Portugal, sobretudo para alguns novos medicamentos que surjam no mercado. É que, quando o Estado deve tanto dinheiro a entidades tão grandes, arrisca-se a perder capacidade de negociação. Mas, para se perceber isto, é preciso perceber algo sobre gestão de organizações, algo que falta no Ministério da Saúde.

Monday, March 01, 2010

A Face Oculta chegou à farmácia

Pois é, estamos todos (excepto os que vão trabalhando e pagando impostos diáriamente) envolvidos em tramóias, jogadas, manigâncias e outras manipulações. Será que os animaizinhos que estão no Jardim Zoológico também fazem parte da Face Oculta?

Bem e no que respeita à saúde, ouçamos:
  • Ontem o semanário Sol divulgou algumas intercepções feitas a Armando Vara e ao seu amigo, o empresário Lopes Barreira, que indiciam que um diploma aprovado a 23 de Julho em Conselho de Ministros (CM) foi alterado posteriormente de acordo com a versão defendida pela ANF.
  • A cláusula da discórdia permitiria a estas farmácias escapar a uma eventual falência.
  • No dia 24 à noite, Lopes Barreira conta à ex-ministra da Saúde Maria Belém Roseira que "o [Francisco] Ramos roeu com isto tudo". E explica: "O [Fernando] Serrasqueiro [secretário de Estado Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor] tinha falado com o Cordeiro, a dizer que o Sócrates queria, passados dois dias, fazer um Conselho de Ministros em que aquela história iria ser aprovada em favor da ANF." Só que, "de repente, a coisa mudou, o dito cujo [Ramos] apanhou o Sócrates distraído e fez o contrário, o que deu esta guerra toda".

Terá esta estória algo que ver com aquela velha lenda do "Ali Bábá e dos 40 ladrões"?

Thursday, April 16, 2009

As Comadres zangaram-se

A Comadre ANF zangou-se e disparou: a denúncia que João Cordeiro vai fazer também à ministra da Saúde, Ana Jorge, quando entregar nos próximos dias uma carta com todos os factos da alegada corrupção. "Está a ser preparada uma carta que vai ser entregue à ministra da Saúde, onde se dará conhecimento destes problemas."

E em quê que consiste a "corrupção"? Nisto: Demonstrando "ter a certeza de que existem relações ilegais", João Cordeiro exemplificou com a farmácia de que é proprietário em Cascais: "Mal chegam os fins-de-semana, começam a chegar dos hospitais receitas a papel químico, concretamente dos mesmos laboratórios" . E citou o caso das empresas Tetrafarma e Biosaúde, que "num fim-de-semana alcançaram as vendas de três meses".

A Comadre Ordem dos Médicos ripostou: "Se isso não for demonstrável, se for simplesmente uma calúnia, então os médicos que fazem urgências no Hospital de Cascais terão seguramente muitas explicações a pedir ao doutor Cordeiro", concluiu o bastonário da Ordem dos Médicos.

E o que faz a "Justiça"? Talvez faça o habitual! Que é como quem diz, assobiar para o ar, até que o vento mude.

Friday, October 31, 2008

O descontrolo com a despesa nos medicamentos

Grosso modo, os medicamentos representam 20% dos gastos em saúde. É muito dinheiro. Apesar de ser muito dinheiro gasto, os genéricos já representam uma fatia de cerca de 20% dos medicamentos vendidos. E, para além disso, há uma clara travagem por parte do Ministério da Saúde à comercialização de novos medicamentos.

Contudo, o descontrolo com a despesa em medicamentos em 2008, é evidente:
  • A despesa do Estado com os medicamentos vendidos nas farmácias está a disparar a níveis inéditos nos últimos anos. Outubro pode fechar "com aumentos de dois dígitos, entre os 11 e os 12 por cento".

Segundo João Cordeiro, Presidente da Associação Nacional de Farmácias, as razões para tal descontrolo são estas:

  1. Defende que a culpa é do próprio Governo, de uma "política sem critérios", da incapacidade de "afrontar lóbis" e "de fazer cumprir a descida de preços" por parte da indústria de medicamentos de marca.
  2. "Não está a ser cumprida" a legislação que obriga os remédios a ser mais baratos do que nos outros países. A tutela autorizou que 132 produtos ficassem 17,7% mais caros, porque os laboratórios os podiam retirar e, assim, os doentes teriam de comprar outros mais caros.
  3. 11,3 Milhões é quanto Estado (5,5 milhões) e utentes (5,8 milhões) teriam poupado desde 2005, caso o Governo não tivesse decidido isentar a Bial da descida de 6% dos remédios, diz a ANF.
  4. 10 Milhões é o dinheiro que o Estado (4 milhões) e os utentes (seis milhões) gastam a mais por ano com a subida do preço de 132 remédios autorizada este ano pelo Ministério.

Lobbies. Muitos lobbies estão envolvidos na saúde, já o sabemos. Mas, quando não se consegue controlar a voragem descontrolada dos vários lobbies, o abismo aproxima-se!

Monday, August 04, 2008

Medicamentos genéricos aumentam ou diminuem?

A factura dos medicamentos representa cerca de 20% dos custos com a saúde em Portugal. A entrada e posterior incentivo dos genéricos, ajudou a controlar a referida factura. Contudo, os doentes estão progressivamente a comparticipar mais nos gastos totais em medicamentos, porque o Ministério da Saúde tem diminuído a sua comparticipação. Num ambiente económico recessivo, este facto tem levado a que fatias frágeis da população, sobretudo os idosos, tenham reduzido muitas aquisições de medicamentos.

Agora, anuncia-se isto: O preço dos medicamentos genéricos vai baixar 30 por cento a partir de Setembro, disse esta sexta-feira à TSF uma fonte do Ministério da Saúde.

Mas, há já por aí alguém que a redução de preços dos genéricos de outra forma: A descida de 30% do preço de todos os medicamentos genéricos anunciada pelo Ministério da Saúde pode representar para os doentes um aumento da factura em vez de uma poupança, critica o presidente da Associação Nacional de Farmácias, João Cordeiro.

Aguardemos, desconfiados!

Tuesday, January 22, 2008

Mais uma vez: falta de gestão

As receitas médicas estão a inundar as farmácias, porque estão mal preenchidas. Que grande novidade! Sempre estiveram mal preenchidas. Naturalmente, que os maus hábitos demoram a "entrar nos eixos". Deixaram os médicos adquirir o mau hábito de "escreverem à médico", e agora o desgraçado do doente é que paga a factura!

Vejamos alguns detalhes:
  • As farmácias estão a ser inundadas pela devolução de milhares de receitas – em especial com remédios caros e maior comparticipação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) – das mais variadas doenças: cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial, infecções.
  • O bastonário dos médicos, Pedro Nunes, critica o “excesso de burocratização das receitas”.
  • Os doentes “não podem ser penalizados pelo incumprimento das unidades de Saúde e incompetência dos funcionários, que não sabem cumprir a lei e não põem a vinheta, ou dos médicos, que se esquecem de pôr a data”. Quem o diz é João Cordeiro, presidente da Associação Nacional das Farmácias, que confirma ao CM a devolução das receitas pelo Confact.

Ora bem, Dr. João Cordeiro. Não pode ser o doente (que é o "mexilhão") a pagar o mau serviço de alguém!

Porquê que não está já implementado um sistema de receita electrónica, em que os médicos tenham que escrever através "de teclado"?

O doente, que é o cliente do Ministério da Saúde, é que vai pagar a factura, senão vejamos: mas há colegas que não vendem ou então vendem sem receita e o doente paga a totalidade do preço e perde a comparticipação. Outros doentes adiam o tratamento e agravam a doença. Há reinternamentos.

Friday, August 24, 2007

Serviços clínicos em farmácia

Foto: aqui.



E pronto, já está! Vai ao consultório do seu médico, espera mais de uma hora como é habitual, está numa sala pouco cómoda e acha que paga muito. Se acha que é "paciente", aguenta a situação. Se acha que é "cliente", procura uma alternativa.

Nos EUA, as farmácias vendem serviços clínicos e de enfermagem. E por cá? Caberá a resposta, provavelmente, ao Dr. João Cordeiro.

Veja-se a dimensão do negócio, por lá:
  • With demand for primary care doctors surpassing the supply in many parts of the country, the number of these retail clinics in drugstores has exploded over the past two years, and several companies operating them are now aggressively seeking to open clinics in New York City.
  • But with their increasing popularity, the clinics are drawing mounting scrutiny. Several states including New York, New Jersey, Rhode Island, Massachusetts and California are examining ways to more closely monitor the clinics, which are overseen by a hodgepodge of state agencies applying a wide and inconsistent range of regulations.
  • More than 700 clinics are operating across the country at chain stores including Wall-Mart, CVS, Wallgreens and Duane Read.