Sunday, October 28, 2012

Total desprezo pelos cidadãos

Já aqui tínhamos comentado esta triste notíciaO Hospital de Braga assumiu «erro humano» na programação do equipamento utilizado no tratamento de fototerapia de uma mulher de 61 anos, que acabou por morrer poucos dias após o tratamento.

Curiosamente, antes, um alegado responsável do hospital (director clínico) terá dissertado algo deste géneroFernando Pardal apenas garantiu que o hospital iniciou “um processo de averiguações interno com carácter de urgência”. Mas frisou, em declaração pública e baseado em “informações preliminares de um processo que será mais longo”, que “não houve, em nenhum momento, esquecimento de doente em qualquer tipo de equipamento do hospital”.

Errar é humano. Mas, trabalhar tendo como objecto pessoas, deve implicar um elevado grau de responsabilidade. Não pode ser gerido de forma leviana. O branqueamento da morte de um cidadão, ainda que por erro ou incidente, é um acto leviano. Não se compreende que exista Ministério Público em Portugal, e este órgão não pareça ter qualquer intervenção.

Pelo menos, é o que pareceDe acordo com o que se vier a apurar, poderá ser instaurado um processo de natureza disciplinar ou então ser feita uma participação ao Ministério Público.

O que será preciso para que exista a intervenção do Ministério Público? Uma escuta telefónica a um político?

Sunday, October 21, 2012

Negligência indesculpavel

Isto é revoltanteHá mais de sete anos que Rosa, de 61 anos, era seguida no Hospital de Braga, devido a um problema de pele que a obrigava a um tratamento de fototerapia, na unidade de dermatologia. Na semana passada, depois de mais uma visita de rotina ao hospital, terá sido deixada dentro da máquina de radiações durante 20 minutos, mais 15 do que era habitual. À noite, com o corpo coberto de bolhas, a sexagenária regressou àquela unidade de saúde, mas os médicos decidiram transferi-la para a Unidade de Queimados do Hospital de São João, no Porto. Menos de uma semana depois morreu, vítima de queimaduras graves.

Ainda que se alegue ter sido uma falha: "A enfermeira que a acompanhava enganou-se no programa: a máquina tem dois tipos de radiação, A e B, com tempos de exposição diferentes. E, em vez dos cinco minutos de tratamento habitual, a minha mãe esteve na máquina durante 20."

O pior, muito pior, são os tipicamente portugueses "branqueamentos""Apenas garantimos que o ocorrido não se ficou a dever a um esquecimento da doente dentro da máquina", frisou Fernando Pardal, contrariando a notícia publicada, esta manhã, no Diário de Notícias, que diz que a paciente ficou 20 minutos na máquina, em vez dos 5 habituais.

Uma coisa não se pode branquear, isto é, alguém deu entrada num hospital para ser tratado, e o tratamento resultou na sua morte, sem sequer ser acidental. Em casos como este, não deveria ser feito qualquer inquérito clínico, deveria ser objecto de uma investigação do Ministério Público.

Sunday, October 14, 2012

Lutos escusados

Fonte: aqui.

A morte é inevitável. O prolongamento da vida é um objectivo permanente do ser humano. A melhoria da qualidade de vida é uma necessidade permanente. A complacência quando levada ao extremo, é mortal. Tudo isto a propósito do chamado "luto dos farmaceuticos".

Uma parte significativa dos portugueses estão em luta. Uma pequena parte está de luto. A maioria dos portugueses viveram uma significativa melhoria do seu nível de vida durante quase três décadas. Apesar disso, em 3 vezes, Portugal precisou de crédito externo apressado, motivado por um estado de falência evidente. Ou seja, os portugueses não aprenderam. Julgaram que era possível ter um nível de vida de primeiro mundo, tendo uma eficiência de segundo ou de terceiro mundo.

Depois da abastança dos BMW's, dos Mercedes e dos Audi's; depois das luxuosas campanhas de comunicação da Associação e dos associados; depois da transformação da farmácia numa loja de luxo; depois dos enormes lucros acumulados durantes décadas. Agora, a choraminguisse e a pedinchisseO alargamento do prazo do "relacionamento entre a indústria farmacêutica, os grossistas e as farmácias" iria possibilitar a "libertação de fundos para a reposição de stocks", justificou o responsável no cortejo dos profissionais de farmácia, em Lisboa.

Quem não sabe ser merceeiro, fecha a loja! Implorar ao governo que interceda junto de um fornecedor, só lembra a quem gosta muito de um Estado paternalista e deve ter saudades da economia contingentada!

Thursday, October 11, 2012

Being a Doctor in China


In 2010, the last year for which official figures are available, the health ministry says there were 17,000 protests or attacks directed against doctors or hospitals in China. The number of incidents, which continues to rise at a double-digit rate each year, may have more than doubled since 2005, official estimates indicate.

Last month the death of a woman treated for a sore throat and fever at a hospital in southern China triggered a riot of 2,000 people. Earlier in the month, four staff in the ear, nose and throat department of a private hospital in the southern city of Shenzhen were stabbed by a patient treated for allergic rhinitis.

In May a nurse was attacked in Nanjing by a woman who claimed that a Caesarean delivery at the same hospital 16 years before had harmed her sex life. And last year a Beijing doctor who had operated on a man with laryngeal cancer was stabbed by him multiple times when his cancer returned. The man sued the hospital in 2008 but knifed her before the court was able to hear the case.

Incidents like these are not just isolated acts perpetrated by those driven crazy by illness or grief. Instead they reflect widespread public anger at the high cost of medical care in China, fuelled by corruption in the medical system where many patients have to pay bribes just to secure a doctor’s appointment.

China has vastly expanded health insurance coverage in recent years, but according to a new McKinsey report, it still spends only about 5 per cent of gross domestic product on healthcare, compared with 10-12 per cent in western Europe and 15-17 per cent in the US – and far less per capita. There are not even two doctors for every 1,000 people in China – and many of them are paid only a few thousand renminbi per month.

Doctors are under intense pressure to generate extra income for their hospitals – not to mention themselves – leading patients to suspect them of practising mercenary medicine. Patients have unreasonably high expectations of the wonders of modern medicine, and the gap between rich and poor, in healthcare as in everything else, is glaring. Patients say they do not respect doctors – and many doctors say the last thing they want their children to do is study medicine

Li Huijuan is a lawyer who sits on the medical risk control and management committee of the China Association of Medical Doctors. She represents the family of Wang Hao, a trainee doctor at a hospital in northern China, who was killed recently by a 17-year-old whom he had never even treated. The assailant, who became enraged after repeated hospital visits failed to cure his tuberculosis and back problems, spent Rmb4.30 ($0.68) on a fruit knife at a nearby supermarket, and attacked the 1.8-metre tall Dr Wang because he feared the tall doctor would otherwise block his way, Ms Li said.

Monday, October 08, 2012

Chegaram os brasileiros

Nos idos da década de 50, Portugal vivia a miséria, enquanto o Brasil antecipava a sua futura capital Brasília. Depois, em meados de 70 e 80, o Brasil dirigido por militares, sentia a ignomínia do FMI e do Clube de Paris. Portugal saía, nessa altura, para a democracia e para o desenvolvimento. Agora, o Brasil é o futuro. Portugal é cada vez uma nação sem futuro.

Vão-se os anéisDepois de resolvidos problemas entre o Hospital de Cascais e o Ministério da Saúde, o Grupo Amil fechou o negócio por menos de 100 milhões.

Tomara Portugal vir a ocupar o lugar da Grã-Bretanha, na sua relação com os EUA, no que se refere ao Brasil. Nem isso, vai acontecer.

É o fado!

A Caixa Seguros (Império, Bonança, Mundial - Confiança, Multicare, OK Teleseguro) será o próximo anel a ir, antes dos dedos.

Thursday, October 04, 2012

Promiscuidades

Há muitos anos que se sabe que médicos e enfermeiros, na sua grande maioria, saltitam entre os seus lugarzinhos públicos e os seus negócios privados. Nada que seja ilegal. Embora, é do conhecimento público que o cumprimento da Lei apenas tem servido os interesses de parte pequena da população, prejudicando-se a grande maioria.

Apesar da realidade evidente, poucas situações de promiscuidade evidente vêm ao domínio público. Há no entanto, gente com coragem«Há profissionais que recebem dos bancos privados [de células do cordão umbilical] entre 800 a mil euros por mês», declarou Helena Alves, contando ainda que a publicidade do banco público desaparecia toda dos hospitais, restando apenas a informação prestadas pelas empresas privadas. Estas declarações foram feitas aos deputados na comissão parlamentar de Saúde, onde Helena Alves foi ouvida para prestar esclarecimentos sobre a situação do banco público, depois de ter cessado funções como responsável e de as colheitas terem sido suspensas.

Naturalmente que esta denúncia servirá apenas para incomodar uns quantos mal azarados. Mas, na essência, tudo continuará igual. Ora, entrada pelas 9h15m, no hospital público, para dar início ao negócio privado, logo pelas 13h30m. E claro, tudo dentro da Lei.

Portugal não aprende.

Thursday, September 27, 2012

Lutos

Estar de luto não é bom. Perdeu-se alguma coisa. Perdeu-se alguém. Há, no entanto, quem goste de estar de luto, apenas porque não soube cuidar do seu negócioAs farmácias portuguesas foram chamadas a "pôr luto" e explicar aos utentes as razões que podem levar ao encerramento de 600 unidades, numa ação hoje iniciada que inclui uma petição ao Governo para alterar as políticas do sector.

Engraçado. Curiosamente engraçado, quando deveria ser triste, e até mesmo sinistro. Alguém que comprou um alvará, que foi concedido pelo Estado, para a exploração de um negócio, e não soube gerir a loja, quando tem o privilégio supremo de actuar num mercado contingentado e não num mercado livre. Quem dera as mercearias, que o estado condicionasse no passado, a abertura de supermercados e hipermercados. Se o Estado o tivesse feito, ainda haveriam mercearias nos centros das cidades.

Depois, alguém que é suposto saber da lógica do negócio e da legislação inerente, emite atoardas deste género: Por isso, "se nada for feito o risco é que um número significativo de farmácias, cerca de 600, possa vir a encerrar", afirmou Paulo Duarte, apontando o impacto a nível de emprego, pois "há cerca de 100 mil famílias que dependem direta e indiretamente das farmácias".

Oh meus amigos, os alvarás das farmácias são concedidos pelo Estado, via Infarmed, e se as farmácias se tornarem insolventes, competirá naturalmente ao mesmo Estado colocar no mercado novamente os alvarás. Ao contrário do que dizem, o negócio de farmácia é viável, mesmo com a recessão económica e com o emagrecimento das margens de lucro. Naturalmente que a viabilidade das farmácias passa por uma lógica de gestão, algo que muita gente no sector nem sequer sabe o que é. Se forem entregues os alvarás das farmácias aos principais operadores retalhistas portugueses, eles não perderão dinheiro, com certeza.

Tantos incompetentes, num país tão pequeno, com um poder de opinião maior do que eles!

Friday, September 21, 2012

Mortality rate for all cancers


More than 575,000 Americans are expected to die of cancer this year, according to the American Cancer Society, making it the No. 2 cause of death after cardiovascular disease. Some 7.6 million people died of the disease world-wide in 2008, according to the International Agency for Research on Cancer. During the five years ended in 2008, the death rate from cancer in the U.S. declined at 1.5% to 2% a year. Recent advances in molecular biology and immunology have led to powerful new drugs for melanoma and lung cancer, for instance, and hope for further progress against the disease. They are also helping to fuel excitement that other tumors are ripe for similar successes. "In almost every disease, we have an example of something that works," said Gordon Mills, head of systems biology at M.D. Anderson. "Once you have a first step, it's easier to take the second, the third."

Monday, September 17, 2012

Friday, September 14, 2012

Lágrimas de crocodilo

Vivem-se em Portugal, situações de drama. Drama real. Drama ficcionado. Se há muita gente que é vítima da recessão económica por razões reais, como sejam as relacionadas com a deslocalização de empresas. Outros há, que viveram durante décadas situações confortáveis, mas não se prepararam para dias mais agrestes.

As farmácias gritam agora“se nada for feito urgentemente, 600 farmácias, das 2900 que existem, irão encerrar no próximo ano”. Curioso era, que antes, existisse um sector imune à falência. Nas actividades económicas, as falências devem ser encaradas como normais, ainda que não devam ser em quantidades exageradas. Anormal eram os valores de trespasse de cada farmácia, fossem elas pequenas ou grandes, situadas nas grandes cidades ou em zonas rurais.

Num país sempre dependente do Estado - paternal, é normal este tipo de queixume: A solução proposta pela ANF para tentar solucionar a situação é “um pagamento adicional às farmácias de 0,94 cêntimos por embalagem vendida, valor a suportar pela indústria sem penalizar os doentes”.

Porque é que a Indústria farmacêutica haveria de pagar 94 cêntimos por embalagem ao retalho farmacêutico? Porque é que as farmácias mantém uma margem de lucro fixada por Lei nos medicamentos sob prescrição médica?

Enquanto as farmácias beneficiaram do facto de serem um apêndice do Ministério da Saúde, com margens brutas elevadas e garantias de pagamento, tiveram uma vantagem competitiva única na actividade económica em Portugal. Todos os empresários gostariam de ter garantido o pagamento, sempre. Infelizmente, o risco de não - cobrança mantêm-se em todos os sectores, e parece não existir no retalho farmacêutico. Aliás, o Ministério da Saúde chega a pagar com prazos de mais de 300 dias à Indústria farmacêutica. Se isto acontecesse às farmácias, como reagiriam elas?

Wednesday, September 12, 2012

Louvores

Antigamente, era usual atribuir-se louvores públicos por serviços prestados à Pátria. Situações de guerra. Situações de sacrifício evidente. Situações de valor extremo.

Agora, pratica-se o cinismo e finge-se que os esquemas de sobrevivência deverão dar azo a atribuição de louvoresPaulo Macedo, ministro da Saúde, retirou da presidência do Infarmed Jorge Torgal. Agora, faz um louvor público à direcção da autoridade que substituiu.

Porque demitiu então, Paulo Macedo, o anterior Presidente do Infarmed? Terá sido porque não gostava da sua barba? Numa fase de completo desconchavo da nação, isto é patético: Paulo MAcedo diz que tendo cessado funções é "justo prestar público louvor pelo trabalho desenvolvido nessa instituição e pela forma como o desenvolveram, desde a sua nomeação inicial em 2010, até à presente data, e especialmente no período de tempo que comigo colaboraram". Elogia o currículo destes responsáveis, "principalmente o do professor Jorge Torgal, médico, eminente especialista em saúde pública, professor e investigador, tendo a actuação no sector do medicamento nestes dois anos demonstrado inequivocamente a sua capacidade de dirigentes".

Portugal vai mal, e não tem conserto.

Tuesday, September 04, 2012

Impunidade

Durante décadas, os operacionais políticos foram responsáveis por um completo desvario do interesse público. Contudo, e mesmo após a falência do Estado e a entrega de Portugal nas mãos do poder financeiro internacional, nada acontece a quem foi ou é operador políticoO deputado do PS, ex-secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, e responsável pela criação do banco em 2009, falava à Lusa a propósito de um comunicado emitido na segunda-feira pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação que aponta «Irregularidades de gestão, processuais e financeiras» no Centro de Histocompatibilidade do Norte (CHN).

Porque acontecerá esta passividade? Não sabemos. Entretanto, o faz-de-conta continua: As irregularidades originaram um «relatório preliminar» enviado às «autoridades competentes» para que sejam «desenvolvidas as inspeções necessárias ao completo esclarecimento das situações e apuramento de eventuais responsabilidades».

Monday, September 03, 2012

E-cigarettes can damage lungs too

Electronic cigarettes are being marketed as a potentially safer alternative to normal cigarettes, but new research has shown that they are still causing harm to the lungs. The study has also added new evidence to the debate over the safety of alternative nicotine-delivery products. Electronic cigarettes are devices that deliver nicotine through a vapour, rather than smoke. There is no combustion involved but the nicotine in the device is still derived from tobacco. There has been much debate over the safety and efficiency of the products, but little scientific evidence to support either claim. Electronic cigarettes are devices that deliver nicotine through a vapour, rather than smoke. There is no combustion involved but the nicotine in the device is still derived from tobacco. There has been much debate over the safety and efficiency of the products, but little scientific evidence to support either claim.

The study included 8 people who had never smoked and 24 smokers, 11 with normal lung function and 13 people with either chronic obstructive pulmonary disease (COPD) or asthma. Each person used an electronic cigarette for 10 minutes. The researchers then measured their airway resistance using a number of tests, including a spirometry test. The results showed that for all people included in the study, the e-cigarette caused an immediate increase in airway resistance, lasting for 10 minutes. In healthy subjects (never smokers) there was a statistically significant increase in airway resistance from a mean average of 182 percent to 206 percent.

Friday, August 31, 2012

Crónica de uma morte anunciada

Durante décadas, o retalho farmacêutico viveu faustoso. Durante décadas, os detentores de uma farmácia, limitavam-se a levar o dinheiro da caixa registadora, não se preocupando com as entradas e saídas de capital, tal era a bonança.

O negócio realizado com o principal cliente, o Estado (e por esta via, o Contribuinte), falhou, porque o Estado está falhado. Agora, faz-se a missaDuas em cada cinco farmácias tinham fornecimentos suspensos, em Junho deste ano, e mais de 600 podem estar em situação de ruptura, uma situação que a ANF considera de «catástrofe», exigindo medidas rápidas do Governo para salvar o sector.

Como a vergonha não tem preço ou valor, depois dos milhões de lucros acumulados ao longo de décadas, pede-se o apoio do Estado, e por esta via, do Contribuinte, quando existem mais de um milhão de desempregados, e quando as filas de emigração se alargam.

Que topete!

O Estado, através da gestão do Ministro Paulo Macedo conseguiu alguns resultados: Reconhecendo que o Ministério da Saúde conseguiu bons resultados com a sua política de medicamento, nomeadamente o aumento do consumo e a redução da despesa do Estado e do beneficiário, João Cordeiro considerou que agora é «urgente que o Governo encare com frontalidade a gravíssima situação das farmácias».

O que devem fazer os farmacêuticos, donos de farmácia, deverá ser o mesmo que fez o Dr. Paulo Macedo. Baixar a cilindrada do parque automóvel. Baixar o luxo no interior de cada farmácia, que afinal dizem que é um serviço de saúde público. Frequentar uns cursozinhos de gestão doméstica, isto é, procurar não gastar mais do que recebem, como faz qualquer cidadão. E reencontrarão o caminho da eternidade. Se não o fizerem, aumentarão o número crescente de falidos.

Tuesday, August 28, 2012

Gente fina

Portugal vive a ignomínia da perda de soberania. O desemprego é galopante. A pobreza aumenta. A emigração volta a ser imensa. Entretanto, há gente que quer escapar incólume, demonstrando mesmo sem vergonhiceAssim, os sindicatos (médicos) não aceitam a proposta do Governo de 2400 euros como salário-base, porque "metade" são para impostos e não pagam o "sacrifício" do trabalho na Urgência, contrapropondo com uma remuneração de três mil euros.

Como? Os médicos pagam metade do que ganham em impostos? É muito, concordamos. Mas, os outros cidadãos pagarão menos? Não. Apenas, os outros cidadãos têm vergonha na cara. Quanto aos sindicatos médicos, parece que querem que os médicos sejam diferentes dos outros. Pois é, no "Animal farm", de George Orwell, havia "All animals are equal, but some animals are more equal than others".

Contudo, estes mesmos Sindicatos, que querem fazer dos médicos a excepção, perante os restantes cidadãos, querem a igualdade absoluta entre eles: Ao que o CM apurou, os sindicatos querem que o valor do suplemento seja integrado na remuneração-base e não uma compensação para as horas feitas na Urgência. Segundo os sindicatos, se esse valor fosse pago como suplemento não seria recebido pelos médicos de família, que não fazem Urgências, e isso seria "injusto".

Friday, August 24, 2012

Tatoo

Authorities say contaminated water used in tattoo ink caused a mysterious outbreak of nasty skin rashes in upstate New York. Dermatologist Mark Goldgeiger discovered the link after finding traces of bacteria related to tuberculosis in a sample taken from a patient who had a bumpy, reddish rash around his new tattoo. “I explained [to the patient] that he had TB, and he had a look of horror on his face,” Goldgeiger told ABC NewsGoldgeiger’s patient, a normally healthy 20-year-old male with several other tattoos, didn’t have tuberculosis, but the doctor did find a trace of bacteria related to the deadly germ. He had recently been inked at a tattoo parlor in Rochester, N.Y. “As soon as biopsy came back, I knew something in the process of tattooing was involved — the ink, the water used for dilution, the syringes, the dressings.” Officials found 19 people who had been tattooed at the same location — all with gray ink — and experienced skin infections.

Tuesday, August 21, 2012

A venda em partes

O SNS público está em declínio há vários anos. Várias são as razões que explicam a debacle: 1) descontrolo de gestão; 2) falta de estratégia integradora; 3) falência financeira do Estado.

Depois do "milagre das rosas" das Parcerias Público - Privadas, só mesmo a venda a retalho do SNSHá três grupos na corrida à compra dos HPP, o negócio de saúde da Caixa Geral de Depósitos: a Espírito Santo Saúde, os brasileiros da AMIL e a Frontino, de Jaime Antunes e de um outro grupo brasileiro. Dois dos três grupos integram, assim, empresas brasileiras. Os concorrentes já entregaram propostas para comprar o negócio de saúde da Caixa Geral de Depósitos (CGD), incluindo o Hospital de Cascais, uma parceria público-privada (PPP). Se o negócio for entregue a um destes grupos com capital brasileiro, é a primeira vez que um hospital do Serviço Nacional de Saúde e, por isso, público é gerido por estrangeiros.

Para nós, nada de novo. Portugal passa e passará por um processo longo e lento de perda completa de soberania.

Thursday, August 16, 2012

A urgência

Portugal vive uma eventual nova fase da sua longa vida. Quem sabe, a última. Contudo, ainda dá sinais de viver no Império. Como é possível, ainda existir um hospital militar por cada ramo das Forças Armadas? Entretanto, parece que querem mudar mais um luxo do passadoO pólo de Lisboa resultará da fusão entre o Hospital da Marinha (perto do Campo de Santa Clara, em Lisboa), do Hospital Militar Principal (na Estrela), do Hospital Militar de Belém e do Hospital a Força Aérea (Lumiar). Estes hospitais serão, a partir de sexta-feira (data de entrada em vigor deste diploma) extintos.

Pequenos passos lentos: "Este processo de reestruturação hospitalar é um eixo essencial da política de saúde a desenvolver no âmbito militar", diz o Governo no diploma, dando um máximo de dois anos para se efectivar a fusão. Durante estes 24 meses, a direcção do pólo de Lisboa terá de nomear os chefes dos serviços hospitalares do Lumiar, planear e conduzir a transferência dos recursos humanos e materiais dos outros hospitais, fazer o levantamento das necessidades inerentes à fusão e estimar os custos envolvidos, elaborar as propostas de regulamentos e assegurar a direcção dos hospitais que serão extintos.

A não ser que a falência do país, imponha celeridade, daqui por 24 meses, ainda estará tudo na mesma, apenas com a mudança do nome do novo hospital. Cosmética!

Thursday, July 26, 2012

Gangues II

O SNS é uma grande empresa. O SNS funciona como se fosse um somatório de muitas lojas. Ou seja, em vez de ser gerido de forma orgânica, o SNS é mantido de pé, por força de muitos artifícios e jogadas. Estas são apenas mais algumas pontas do icebergPaulo Macedo diz-se convencido de que há negócios suspeitos nos hospitais, seja na aquisição de materiais clínicos, na prescrição de medicamentos ou nos meios complementares diagnóstico. Ficou também a saber-se que estão a decorrer investigações às ligações de médicos a clínicas privadas e também a casos de venda de dispositivos com variações de preço na ordem dos 100 por cento.


O Ministro Paulo Macedo sabe melhor do que ninguém o que dizMinistro quer reduzir custos com dispositivos médicos. Falta de "controlo", "custos crescentes" e "margens enormes". É desta forma que Paulo Macedo descreve uma área que terá de começar a sofrer cortes.

Wednesday, July 25, 2012

A balda no SNS continua

Há umas semanas, parece que vieram 4.000 médicos para a rua, manifestarem-se. Algumas das razões de insatisfação da corporação médica estava relacionada com más condições de trabalho e más condições de remuneração. Como os hospitais, as ARS's e a ACSS não sabem ou não querem saber o que é controlo de gestão, vem-se agora saber, o que já sabemos há muito:

  • No ano passado, o IGAS detectou 374 casos de médicos com vínculos a unidades dos Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que simultaneamente estavam contratados à tarefa, com regime de prestação de serviços, pelas mesmas entidades, de acordo com o relatório de actividades de 2011 da IGAS.
  • Actualmente ainda existem hospitais a pagar 60 euros à hora a médicos contratados à tarefa, o que significa o dobro do máximo estipulado há um ano pelo secretário de Estado da Saúde.
Perante isto, o que faz ou diz o sempre activo Bastonário da corporação médica? Assobia. O contribuinte tem que pagar.

Perante isto, o que fazem os chamados Administradores hospitalares? Fazem imensas reuniões de resultado nulo. O contribuinte tem apenas que lhe pagar os salários.

Perante isto, o que fazem as várias entidades de "controlo", as ARS's, a ACSS, o IGAS, a Secretaria Geral do Ministério da Saúde? Fazem imensas reuniões, cheias de "powerpoints". O contribuinte tem ainda assim, que lhes pagar os bem abonados salários.

É que, o financiador externo já saiu de jogo. Portugal paga à chamada "Tróika" cerca de 5% de juros sobre o crédito concedido. O contribuinte financia o Estado, gratuitamente, mesmo ficando progressivamente pobre e penhorado.

Que se saiba, a corporação médica não tem nenhuma manif marcada por esta razão.

Tarde ou cedo, a música muda. Garantidamente!