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Monday, November 01, 2010

USF's: a montanha pariu um rato?

Para o Prof. Correia de Campos, assumido "pai" das Unidades de Saúde Familiar, estas trariam cuidados primários únicos e diferenciados. Todos os meses, o Mínistério da Saúde trazia novidades sobre novas USF's abertas. Só conquistas!

Bem vejamos, o que por aqui se diz:
  • 40% das USF ultrapassam gasto com remédios, revelam dados de 2009.
  • As unidades de saúde familiar (USF) falharam as metas que fixaram para a oferta de consultas ao domicílio na saúde materna e infantil e na consulta de revisão após o parto.
  • Por exemplo, no que diz respeito ao pagamento de verbas a enfermeiros e administrativos (incentivos financeiros - o que só é possível em USF de modelo B - as equipas acordaram metas para 16 objectivos diferentes. Na consulta após o parto, que permite fazer um exame ginecológico, avaliação física e da contracepção, entre outros aspectos, 46 das 96 USF não atingiram as metas. "Por vezes, as mulheres vêm dias mais tarde ou preferem ir à unidade onde foi o parto", explica Vilas Boas (presidente da Associação Nacional das USF).
  • A estas metas juntam-se outras como a vacinação até aos dois anos, que é difícil de cumprir porque as metas são rígidas (acima dos 95%), e a medição do peso e altura no segundo ano de vida (no prazo de um ano). "Há dificuldades em cumprir porque muitos pais vão antes ao pediatra", diz.
  • A necessidade de fazer mais visitas ao domicílio levou o Ministério da Saúde a financiar o aumento destas respostas. Em Lisboa, 31 das 49 unidades não cumprem o número de domicílios médicos e 19 os de enfermeiros. "Por vezes há dificuldade em gerir o tempo disponível e de facto não se fazem os necessários. Mas também não havia cultura nesta área. Por outro lado, devíamos apostar nestas visitas com âmbito preventivo e menos curativo", alerta.

Ao lermos estes relambórios, ficamos a pensar que há muita gente que deve pensar que a fixação de objectivos implica que toda a gente cumpre objectivos. Quando se fixam objectivos, há uns quantos que cumprem e outros que não cumprem. Não se pode tomar um potencial ganho variável em função do alcance de objectivos, numa conquista automática. Era o que faltava.

Depois, vem-se dizer que não se consegue atingir os objectivos porque "não há cultura instalada". De uma forma geral, as pessoas que trabalham nas USF's, são pessoas formadas e qualificadas, pelo que não podem ou devem fazer o papel do ingénuo ou do coitadinho! O que querem? Ganhar mais, com objectivozinhos fáceis de atingir? Se a cultura muda é porque o que existia antes não servia. Porque não querem fazer consultas ao domicílio? Talvez porque estejam habituados a não apanhar chuva e a bater à porta da casa dos doentes, o que para algumas castas pode parecer mal.

Afinal, Prof. Correia de Campos, "a montanha pariu um rato"! Mas, lá em Estrasburgo, a temperatura é bem melhor, do que em Lisboa.

Friday, April 18, 2008

Simplex na saúde

Para nós a "idéia" do "simplex" está ainda muito longe de se realizar. Isto é, há ainda um vastíssimo campo de actuação na modernização e desburocratização das organizações de saúde. Se nos lembrarmos dos carimbos, vinhetas, papeletas e afins, verificamos logo que o "simplex" ainda está no papel......

Mas, importa verificar que se vai realizano alguma coisa. Vejamos esta iniciativa louvável:
  • Foi inaugurado ontem, na Unidade de Saúde de S. Julião, o primeiro portal do país “Região de Saúde Digital”, que permite aos utentes a marcação de consultas ou o acesso a resultados de exames médicos via Internet.
  • “Região de Saúde Digital”, é um projecto desenvolvido pela empresa PT Prime, «que vai permitir a integração dos sistemas de informação nos cuidados de saúde primários diferenciados, simplificando o acesso dos cidadãos da Figueira da Foz aos serviços de saúde» explicou José Luís Biscaia, responsável pela Unidade de Saúde Familiar (USF) de São Julião.
  • Esta primeira fase consta da informatização total da Unidade de Saúde Familiar de São Julião e do Hospital Distrital da Figueira da Foz mas, brevemente, todas as unidades de saúde do concelho vão ficar ligadas por rede.
  • Numa segunda fase o projecto prevê que a marcação de exames, receitados a um determinado paciente por um médico, possa ser debitada a um laboratório que venha a integrar a rede informática. O programa informático possibilita ainda a gestão da sala de espera do centro de saúde, podendo chamar os doentes para a consulta.

Parabéns a quem está a implementar esta nova realidade. A melhoria dos serviços de saúde passa por novas ferramentas, novos instrumentos e por uma relação mais amigável com os doentes.

Monday, March 17, 2008

A repetida insustentabilidade do SNS

Todos sabemos que para suportar a saúde, todo o dinheiro é pouco. Este estrangulamento tem várias motivações: 1) o custo acrescido da saúde é motivado pela vontade de enriquecimento de vários profissionais e corporações da saúde; 2) os doentes exigem aquilo que é possível e impossível (a eterna beleza); 3) a desorganização e a falta de controlo de gestão, ajudam muita gente.....

Uma das "pérolas" do antigo Ministro da Saúde, Correia de Campos, eram as Unidades de Saúde Familiar (USF). O modelo foi bem recebido por profissionais e por doentes. Mas, o dinheiro, que é o "lubrificante" de tudo, escasseia e então deveremos estar com mais um aborto à vista:
  • Uma das principais bandeiras políticas do Governo - a multiplicação de unidades de saúde familiar (USF), pequenos grupos com autonomia nos centros de saúde que permitem melhorar a cobertura de médicos de família - pode estar em risco, se não entrarem rapidamente em vigor as compensações financeiras previstas na lei para os profissionais de saúde que as integram.
  • Em Fevereiro, a ministra da Saúde foi criticada depois de ter anunciado uma portaria que estipula incentivos financeiros para os enfermeiros e administrativos das USF. Nessa altura, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) pôs em causa a exclusão dos clínicos destes incentivos financeiros. Agora voltou à carga, numa carta enviada ao primeiro-ministro, em que o acusa de estar “intoleravelmente longe da verdade quando se refere a incentivos para médicos” nas USF.
  • Mas o principal problema - que pode mesmo vir a pôr em risco a reforma, segundo os sindicatos - prende-se com o atraso da entrada em vigor do pagamento das remunerações aos médicos das USF, como estava previsto na lei para o chamado “modelo B”. Tanto o SIM como a Federação Nacional dos Médicos já afirmaram que é necessário uma decisão política urgente que não pode ser protelada para além do início de Abril.
  • No 1º Encontro das USF do Norte, realizado na semana passada, houve mesmo quem equacionasse a hipótese de desistir do novo modelo organizativo - através do qual os médicos se comprometem a assumir uma lista de utentes mais alargada (uma média de 1750, em vez dos 1500 até agora previstos) e a trabalhar em horários mais prolongados. O problema é que os profissionais de saúde (não só os médicos, mas também os enfermeiros e os administrativos) têm estado até agora a assegurar esta carga de trabalho suplementar sem serem compensados financeiramente por isso.

É que este Governo é perito em gerir a falácia! Será que ainda vai mudar de comportamento até às eleições?

Sunday, December 09, 2007

Pela boca morre o peixe

O Ministro da Saúde, Correia de Campos, tem fama de ser um incontinente verbal. Não que isto signifique má educação. Não. Apenas significa que não tem controlo na sua boca.

Disse Correia de Campos, que nunca entraria num SAP. Disse Correia de Campos, que não apresentaria Orçamento Rectificativo. Disse Correia de Campos, que as Unidades de Saúde Familiar (USF) representariam a quintessência dos cuidados primários.

Quanto aos SAP, uns fecham sem alternativa, outros vão continuando a existir. O Tribunal de Contas veio dizer recentemente, porquê que não há Orçamento Rectificativo, simplesmente porque as contas da saúde estão "marteladas". Quanto às USF's, também temos novidades.

Vejamos isto: Falta de espaço e condições de trabalho aquém do que seria desejável. Foi com estas limitações que inaugurou, em Dezembro de 2006, a Unidade de Saúde Familiar (USF) de Santa Maria, na Benedita. Um ano depois, as obras prometidas para as instalações continuam por realizar.

Então, Senhor Ministro, as USF's seriam a modalidade adequada para modificar integralmente a má imagem e a ineficiência dos cuidados primários, e afinal abrem-se USF's em estado de degradação?

Professor Correia de Campos seria bom que falasse menos e mostrasse mais trabalho feito. Os contribuintes agradeceriam. Ou então, sempre pode regressar à Escola, onde como se costuma dizer , "quem não sabe fazer, ensina".