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Sunday, December 19, 2010

Parabéns Senhor Ministro

Não. Não são parabéns à Dra. Jorge. Essa não os merece. Mas, o Ministro Gago merece, pelo menos por este ataque às corporações: O ministro da Ciência e do Ensino Superior acusou este sábado o Parlamento de ceder aos interesses corporativos das ordens profissionais, dizendo que estas organizações apenas pretendem "canibalizar" e "controlar" o acesso ao mercado de trabalho.

Ora, quem são os destinatários desta mensagem? Primeiro, e antes de mais, a Ordem dos Médicos, essa organização que consegue dominar o Estado, vá-se lá saber porquê! Claro que outras Ordens estarão também "no alvo", como se percebe por esta reacção: O bastonário dos advogados, Marinho Pinto, classificou de "impróprias de um membro do Governo" as declarações do ministro Mariano Gago sobre as ordens profissionais.

Mas, os principais visados também reagem: Pedro Nunes afirmou achar "absolutamente lamentáveis" as declarações do ministro.

Mariano Gago tem toda a razão quando diz isto: O ministro da Ciência condenou "a tolerância do parlamento relativamente à criação e funcionamento das ordens profissionais em Portugal", dizendo que tal gera "um condicionamento do mercado de trabalho". "Com toda a franqueza, este é um dos fenómenos mais extraordinários que ocorre neste país. A complacência, a cedência corporativa a quem chateia o parlamento com o argumento de que não se pretende fechar o mercado de trabalho - que ideia! - e apenas se quer fazer deontologia, é absolutamente extraordinária".

O actual governo tem revelado uma inolvidável atracção pelo abismo, que conduzirá à próxima intervenção externa em Portugal, mas afinal ainda tem alguém que pontualmente vai mostrando lucidez. Aquilo que se passa na medicina é confrangedor, quando se quer fingir que há falta de médicos (quando há excesso de médicos nos grandes hospitais centrais), ou quando se impede a abertura de mais vagas nas universidades públicas, para proteger os interesses instalados, com o falso argumento de protecção da qualidade da profissão.

Alguém ouviu falar de desemprego médico? Nós, não.

Tuesday, May 05, 2009

A fanfarronice de Correia de Campos

Correia de Campos adora estar nos media. Correia de Campos adora os cadeirões do poder. Correia de Campos gosta de se mostrar. Vejamos (edição de 5 de Maio de 2009) no que dá, esta ansia de protagonismo: Se se tivesse concretizado o investimento anunciado em Janeiro de 2006 por três ministros e um secretário de Estado, Portugal pertenceria hoje ao restrito número de países do mundo com capacidade de produzir vacinas antigripais.

Em 2006, lá estava para aparecer no telejornal do dia: Correia de Campos, Manuel Pinho e Mariano Gago a assistir à assinatura do protocolo de entendimento entre a Medinfar e a Agência Portuguesa para o Investimento.

E agora, o que diz o sempre presente Correia de Campos: Segundo o relato do ex-ministro, foram os responsáveis da empresa que manifestaram ao Governo a intenção de avançar para uma fábrica que pudesse produzir 800 mil vacinas por ano para a gripe sazonal e que, ao mesmo tempo, estivesse desde logo preparada para readaptar a sua produção às necessidades de responder a uma pandemia, assim que fosse conhecida a estirpe do vírus em causa. "Nós só nos podíamos associar a esta intenção, já que não investíamos um cêntimo, e apenas nos comprometíamos a comprar, em caso de pandemia, as vacinas que ali fossem produzidas, e a preço de mercado", sublinhou.

Para nós, só faz sentido inaugurar algo, quando algo está pronto a funcionar. Ou se quiserem, quando algo está a começar a ser construído. Para Correia de Campos e também para José Sócrates, a ansia de mostar coisas é tanta, que até se prestam ao triste espectáculo de irem atrás de boas intenções. Mas, como se costuma dizer, de boas intenções está o inferno cheio!

Friday, April 18, 2008

A formação em medicina em Portugal

Há já muitos anos que se fala na falta de médicos em Portugal. Há já alguns anos que se sabe que existem alunos portugueses a estudar medicina na República Checa e em Espanha. Finalmente, parece que o poder político em Portugal acordou para o problema:
  • O ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, garantiu ontem que o número de vagas em medicina vai aumentar.

Mas, este "acordar" parece que tem obstáculos vários:

  • O anúncio do ministro do Ensino Superior surgiu depois de Manuel Sobrinho Simões, professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e um dos oradores da conferência, ter indicado que "não há capacidade" para as escolas portuguesas de medicina receberem mais alunos. "Atingiu-se o número máximo. Não conseguimos aguentar mais médicos nas faculdades de medicina clássicas", acrescentou.

Como? Não há cá instalações suficientes? Então, construam-se novas Universidades. Nós não temos petróleo ou ouro, que se saiba, mas ainda temos terrenos para construção e pessoas para estudar, porque é que se tem que optar por esta solução:

  • Sobre a possibilidade de o Governo português estabelecer acordos com escolas estrangeiras, Manuel Sobrinho Simões afirmou conceber a possibilidade de se estabelecer parcerias "com universidades espanholas de qualidade comprovada", rumo à formação em medicina de alunos portugueses.

Ás vezes parece que os portugueses estão demasiado adormecidos!