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Monday, March 30, 2009

Listas de espera, sempre!

Os portugueses são bons no improviso. Os portugueses não gostam muito de planificar. É pena, que assim seja. No sector da saúde pública vive-se constantemente no improviso. A gestão estratégica é inexistente. Tapam-se buracos. Apagam-se fogos. Lembremo-nos, apenas, dos que foram resolver os problemas derivados das listas de espera de oftalmologia a Cuba!

Agora, é vez das listas de espera de urologia: As listas de espera para uma consulta de urologia ainda superam um ano em muitos hospitais, disse ao DN o médico Real Dias, presidente do colégio da especialidade da Ordem dos Médicos.

Isto é o que salta para a imprensa. O que não acontecerá por esse país fora, com gente amordaçada pela ineficiência sistemática dos serviços.

O governo limita-se a apagar fogos, mas ainda cria mais frustração, quando cria Leis que não funcionam na realidade: o Governo já definiu em portaria, em Dezembro, que os tempos máximos de espera por consultas não prioritárias não deverão exceder os 150 dias, regra que já está em vigor desde Janeiro.

Então há uma Lei que fixa os tempos máximos de lista de espera em 150 dias, e na realidade há listas de espera de mais do que 365 dias? Para que serve então a Lei? Apenas para enganar os portugueses!

Depois, cada um tem uma solução:
  • Helder Monteiro, director do serviço de urologia do Hospital Egas Moniz, admite haver atrasos na resposta na sua unidade. Porém, desde o início do ano, a unidade desenhou o seu próprio plano de intervenção (ver caixa). "As consultas prioritárias têm de ter resposta mais rápida, tal como as primeiras consultas", sublinha. O grande problema está "nas consultas subsequentes, que podem ser marcadas para daí a seis meses, um ano ou ainda mais tarde".
  • Francisco Rolo sugere uma solução para acelerar as respostas com base na "triagem dos casos, prioritários ou não, e a emissão de cheques-consulta depois de ultrapassado o limite de tempo que for estabelecido".

Onde estão os "Administradores" da saúde pública?

Friday, December 26, 2008

A defesa dos doentes II

É com prazer, que lemos isto: A partir de 01 de Janeiro, os estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde terão de informar os utentes dos prazos máximos previstos para consultas ou cirurgias e divulgar a posição do doente na lista de espera.

De vez em quando, o poder político lá vai fazendo alguma coisa pelos doentes, a quem gostam de chamar utentes, mas que para nós são clientes, dado que o SNS é suportado pelos impostos que os contribuintes portugueses pagam.

Vamos ver se os hospitais e centros de saúde cumprem as regras definidas pelo Ministério da Saúde.

Monday, July 14, 2008

Oftalmologia

Depois da vergonha da "solução Cubana", o Ministério da Saúde parece que decidiu arranjar soluções para as listas de espera das cirurgias oftalmológicas. Não percebemos porquê que só agora arranjaram solução.

Vejamos alguns detalhes dos resultados alcançados:
  • Os hospitais públicos estão a responder ao desafio do Ministério da Saúde, que determinou a redução das listas de espera nas consultas e cirurgias às cataratas.
  • A referenciação para hospitais privados "não está a ser equacionada nem é uma questão de relevo neste momento", refere fonte do ministério, visto que "o SNS está a provar que consegue responder às necessidades".
  • O programa visa a realização de 30 mil cirurgias às cataratas e 75 mil primeiras consultas num ano. Julho marca o início do prazo, mas vários hospitais "já se anteciparam e os serviços estão a dar uma resposta adequada".
  • Além da produção adicional de 10, 20% ou 30% da actividade programada, os hospitais têm de fazer as cirurgias e consultas acima referidas para beneficiar dos incentivos de 28 milhões de euros. Duas unidades do Norte, Braga e Barcelos, garantem ter triplicado o número de cirurgias.

Parece que a solução das listas de espera de cirurgia oftalmológica passou pelo incentivo financeiro!

Thursday, March 27, 2008

A encruzilhada

Por aqui, defendemos os doentes, que são na maior parte das situações, as vítimas de um sistema de saúde que é alvo de muitos interesses: laboratórios farmacêuticos, corporações de médicos e enfermeiros, associações de retalho farmacêutico e outros.

Revemo-nos na frase da Professora Regina Herzlinger: os pacientes estão fartos de serem pacientes!

Mas, há doentes que gostam de ser tratados como pacientes. Vejamos este caso anormal:
  • Nos últimos três anos, quase 33 mil doentes recusaram ser operados fora do seu hospital de origem, rejeitando a utilização dos chamados vales-cirurgia em hospitais privados ou do sector social.
  • Em causa estão três grandes motivos, um dos quais "o facto de os doentes gostarem dos seus médicos", afirma Pedro Gomes, coordenador do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC). Os doentes com situações menos críticas são os que optam por se manter nas listas de espera.
  • Entre 1 de Dezembro de 2004 e 31 de Dezembro de 2007 foram emitidos 157 mil documentos em nome de doentes em lista para cirurgia. Destes, apenas 28% culminaram numa cirurgia e 21% não foram utilizados por iniciativa dos doentes. Esta percentagem ainda elevada de recusas deu origem a um inquérito por parte do SIGIC, que já foi entregue ao Ministério da Saúde.

Perante isto, ficamos siderados. As pessoas preferem ficar em lista de espera, do que serem operadas num outro hospital? Então, é porque a doença não é grave.

Com doentes destes, é fundamental que o SNS os trate como pacientes e os retire das listas de espera!

Parabéns ao SIGIC e ao Dr. Pedro Gomes, pela iniciativa de analisar esta irracionalidade.

Wednesday, March 26, 2008

Mais uma Comissão da Saúde

Não sabemos se em todos os Ministérios há tantas Comissões como no Ministério da Saúde. desde que exista um assunto, de maior ou menor importância, no Ministério da Saúde cria-se mais uma Comissão.

Vejamos para que foi criada a Comissão Técnica para o Desenvolvimento da Oferta em Oftalmologia, dirigida pelo Dr. Florindo Esperancinho:
  • O grupo de peritos foi encarregado de fotografar e traçar soluções para o panorama da especialidade ainda sob a tutela de Correia de Campos.
  • A 31 de Dezembro de 2007, 116 mil portugueses esperavam por uma primeira consulta, quando em 2006, o número de inscritos em lista era mais reduzido (98 mil), segundo dados da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS).

Vejamos o que propõe a tal Comissão para resolver os problemas que existem:

  • A comissão elaborou um plano aplicável aos diversos cenário no País, que, nuns casos se caracterizam pela ausência de recursos humanos ou equipas, mas também podem passar pela falta de meios técnicos ou simples organização do serviço.
  • Os incentivos integram um dos modelos: "Terão de se adequar a uma determinada métrica de produção. O hospital irá negociar os incentivos em função disso com uma equipa autónoma. Depois são os profissionais que se organizam e decidem a forma de o cumprir gerindo recursos e desperdícios".
  • Em localidades mais diversificadas e com menos médicos - é o caso do Algarve, em que existe um oftalmologista em Faro e quatro ou cinco em Portimão - a solução pode passar pela prestação de serviços. Cria-se uma equipa multidisciplinar para prestar um serviço e toda a "gestão, recursos técnicos e investimento ficam por conta do hospital".
  • Por último, a comissão propõe uma solução semelhante à anunciada recentemente no Hospital de Santa Maria, que terá numa unidade própria, um centro autónomo de oftalmologia. "Os profissionais negoceiam um modelo autónomo e negoceiam o número de consultas, cirurgias e exames que vão fazer com administração. O serviço gere isso e terá um orçamento atribuído pela administração do hospital. Hoje está tudo centralizado na administração. O objectivo é descentralizar essas decisões para uma unidade independente".

Sinceramente, criam-se Comissões para propôr soluções, mas depois são os burocratas do Ministério que tentam implementar as mesmas. Que confusão. Que falta de enfoque estratégico.

Depois, há uma Comissão que faz um conjunto de propostas, que para além de não as implementar, nunca virá a ser avaliada pela valia das suas propostas.

Assim, é o que se chama, "deitar dinheiro à rua"! Pelo menos, o dinheiro do contribuinte.

Post Scriptum: convenhamos que a culpa não é das referidas Comissões, mas antes de quem as cria.

Thursday, January 10, 2008

Friday, November 30, 2007

Thursday, May 31, 2007

Gestão global dos recursos

Portugal faz parte da OCDE e da UE, logo faz parte dos países mais desenvolvidos do mundo. Contudo, o país não tem tido um desenvolvimento adequado, desde pelo menos, o ano de 2000. O país dá mesmo indícios de estar a assistir a algum tipo de definhamento!

Por tudo isso, seria importante, que Portugal soubesse gerir melhor todos os seus recursos, e não existir por excesso uma "gestão compartimentada".

Tudo isto, a propósito desta oferta ao Ministério da Saúde: As Misericórdias portuguesas poderiam ajudar o Estado a baixar as listas de espera para cirurgia em cerca de 80% das situações – é o que diz o presidente da União das Misericórdias.

Contudo o Responsável da União das Misericórdias faz esta afirmação, que para nós é dúbia: O Estado muitas vezes tem uma capacidade instalada, mas não a aproveita porque se a aproveitasse não havia listas de espera. Por exemplo, aqui no norte, isso é muito evidente. Podíamos resolvê-la em 80 a 90% das listas de espera. Não é legitimo que nenhum cidadão português esteja à espera mais do que é razoável. Na Misericórdia pode fazê-lo na semana seguinte ou na quinzena seguinte”, disse.

Não percebemos se o Estado tem uma capacidade instalada própria, que não utiliza, ou se o Estado não utiliza a capacidade instalada das Misericórdias.

Para o caso tanto faz, há excesso de capacidade instalada, que não é utilizada a bem dos consumidores da saúde, que continuam meses ou anos à espera de uma cirurgia!