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Wednesday, December 01, 2010

A verdade é como o azeite

Andamos há décadas a seguir os conselhos dos banqueiros e das empresas de auditoria, criando alçapões contabilísticos, que tarde ou cedo, se percebem que o buraco, mesmo que tapado, está lá. A Arthur Andersen era a maior empresa de auditoria do mundo, até que foi apanhada por falsificação e fraude contabilística nos EUA, no chamado Caso Enron.

Houve gente na cadeia. A Arthur Andersen acabou. A Enron acabou. Mas, a criatividade contabilística, ou se quiserem, a vigarice, não terminou com eles.

Vejamos o que aqui nos diz uma ex-Governante, a Prof. Manuela Arcanjo, sobre a prática dos governos, ao longo das últimas décadas:
  • Durante muitos anos, a deliberada insuficiência de recursos era resolvida com os famosos orçamentos rectificativos que permitiam discussões infindáveis na Assembleia da República sobre as "derrapagens inaceitáveis". A partir de 2002 assistiu-se a uma solução virtual com a criação dos Hospitais EPE que viriam introduzir, diziam muitos, uma gestão racional e minimizar o desperdício mas que em minha opinião, expressa na época, visavam apenas uma desorçamentação.
  • Com a discussão do OE 2011 ressurgiu o "mau comportamento" do SNS devido a um excesso de despesa, no corrente ano, de 500 milhões de euros face ao previsto. Pois é, ninguém reparou que a dotação inicial para 2010 tinha apenas, se eliminarmos as engenharias contabilísticas, um escasso reforço de 50 milhões de euros? Mais, sabe-se hoje que os Hospitais EPE têm vindo a aumentar o seu nível de endividamento para além da facturação em dívida.

Esta gente quer manter a ideia de que os gastos com a saúde terão inevitavelmente que crescer, independentemente da criação da riqueza nacional. Dizem-se economistas ou outra coisa qualquer. Não. São loucos. Os custos com a saúde só podem crescer se a economia no seu todo crescer. A não ser que o Estado deixe de gastar na educação, ou no pagamento dos juros da dívida pública, uma vez que são as duas áreas que mais recursos consomem ao Estado, logo a seguir à saúde.

Como os credores de dívida pública não parecem querer perdoar os juros. Resta reduzir drásticamente os gastos com a educação. Mas, um país que não investe na educação do seu povo, está a cavar a sua própria sepultura.

Post Scriptum: o actual Ministério da Saúde criou ainda um outro nível de criatividade que mais não é do que ter uma imensa dívida aos fornecedores de medicamentos e de equipamentos médicos de cerca de 1,6 biliões de euros, e não estarem contabilizados!

Thursday, October 18, 2007

Controlo biométrico com silicone!

Curiosa a gestão de recursos humanos que anda pela Administração Pública portuguesa. No Estado, que somos nós todos, há de tudo, para todos:
  • Pessoas com nomeação definitiva em Diário da República, que nem que não apareçam no trabalho durante semanas a fio, colocarão em risco a sua nomeação definitiva;
  • Pessoas que estão há mais de uma dezena de anos, em renovação contratual regular, independentemente de fazerem falta ou não ao Estado.
  • Pessoas que não têm qualquer vínculo ao Estado, mas que trabalham para ele. Sabe-se lá porquê.....
  • Pessoas a "recibo verde".
  • Pessoas que durante anos não têm o mérito reconhecido.
  • Pessoas em "licença sem vencimento" há uma dezena de anos, como se alguém pudesse fazer falta a um qualquer patrão, estando fora da organização durante uma década!

Mas, prometemos no título escrever sobre "controlo biométrico". Aqui vai o que afirmou uma antiga Ministra da Saúde:

  • A instalação de sistemas de controlo de assiduidade biométrica irá conduzir à degradação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e está a provocar um sentimento generalizado de desmotivação na classe médica que já levou muitos clínicos a optarem por trabalhar no sector privado ou a anteciparem a aposentação.
  • Esta é a conclusão tirada da conferência em jeito de aula dada na Ordem dos Médicos, em Lisboa, pela professora universitária (e ex-ministra da Saúde) Manuela Arcanjo perante uma plateia composta por algumas dezenas de clínicos.

Contudo, com arte e engenho, até os controlos biométricos podem ser contornados: