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Sunday, December 05, 2010

O SNS já não existe

Vem agora um grupo de académicos afirmar que "Ou o actual modelo de financiamento é reformado, ou até 2020 Portugal fará com que o SNS como o conhecemos morra por si próprio".

Que grande novidade! Aliás, o SNS tendencialmente gratuito já não existe. Quem paga a generalidade dos custos com a saúde oral? Quem paga a generalidade das próteses oculares? Quem paga cada vez mais os medicamentos? São os doentes.

Em que consiste então hoje, o SNS? Numa rede de prestação de cuidados de saúde, muito suportados nas urgências hospitalares (cada vez mais esgotadas), e na prestação de alguns cuidados preventivos à classe mais idosa, que tem paciência para suportar os labirinticos caminhos dos Centros de Saúde. De resto, o SNS já deixou de ter o crescimento de qualidade que teve durante vários anos.

Mas, vejamos o que concluem os académicos, sobre o que é e o que anteveem que venha a ser o SNS:
  • Augusto Mateus....defendeu que "Portugal em matéria de saúde entrou num ideal manifestamente insustentável" com a despesa pública a "atingir patamares de terreno desproporcionados", correndo agora o "risco de chegar a 2010 com o SNS destruído".
  • Augusto Mateus.....sugeriu ainda que os pagamentos passem a ser feitos em função de resultados pretendidos e que haja uma verdadeira articulação entre os sectores público, privado e social.
  • "Não se pode pensar que prolongar a vida por um minuto vale qualquer preço", explicou ao PÚBLICO Augusto Mateus, que defende que o financiamento do sistema de saúde seja feito de forma plurianual e em função das necessidades da população. O responsável lembrou também que o actual sistema já não é gratuito e poderá encarecer ainda mais, se continuar a haver abusos, como acontece com as demasiadas idas a urgências hospitalares - o que passa por "exercer pedagogia junto do cidadão".
  • E acrescentou: "O Estado tem um enorme papel de regulação. Deve ser prestador de cuidados apenas naquilo em que é insubstituível. Se usasse as Misericórdias e os novos investimentos privados em articulação com o sistema público, teria mais sucesso.

Por aqui, as conclusões dos académicos é mais rotunda e contundente:

  • "Chegámos a uma situação limite da expansão", diz o professor do ISEG. Se nada for feito, daqui a dez anos a saúde absorve 23,6% da despesa pública e 15% do PIB, o que é "absolutamente impossível".
  • "Não se reforma o Serviço Nacional de Saúde com medo de perder o Serviço Nacional de Saúde, porque essa é a maneira mais fácil de o destruir", afirmou, acrescentando que "o maior economicista é aquele que não faz contas e que diz ''pague-se''".
  • No novo modelo sugerido pelo estudo, em vez de o Estado pagar as infra-estruturas (a oferta de hospitais e centros de saúde), passa a pagar os cuidados (os tratamentos de que a população precisa), independentemente de serem prestados pelo sector público, privado ou social. O foco terá de ser nos resultados obtidos para as populações, premiando o que é melhor e mais eficiente. E o público deve centrar-se naquilo que faz melhor, deixando o sector privado e o sector social complementarem os cuidados.
  • A ministra Ana Jorge foi à apresentação, mas já não ficou para ouvir as conclusões e os recados que lhe foram direccionados. "A ministra disse há pouco que Portugal não gasta de mais com a saúde, a despesa é que cresce menos do que a riqueza. Ora, eu acho que isto é gastar mais. Não se pode gastar o que não se tem", afirmou o sociólogo António Barreto.

Novidades? Nenhumas. A não ser que o alerta vem agora de quem está mais próximo do poder político. Este continuará com a cabeça na areia, cheios de medo que o Povo não vote neles. Naturalmente, que esta situação típica de avestruz será o caminho a seguir, e daqui por 3 ou 4 anos, quem quiser saúde com um mínimo de qualidade, terá que ter dinheiro no bolso. Mesmo que a Constituição da República se mantenha imutável.

Post Scriptum: há uma coisa que não vimos nas conclusões deste estudo, que é o facto de o SNS servir melhor os seus prestadores, do que os seus utentes.

Wednesday, May 14, 2008

Esperança média de vida baixa

A esperança média de vida das populações a nível mudial tem aumentado. Causas para este sucesso: 1) o aumento da aposta na prevenção; 2) a inovação tecnológica nos equipamentos e nos medicamentos; 3) o aumento da despesa em saúde, quer por parte dos Estados, quer por parte dos indivíduos.

Mas, pela primeira vez a tendência muda: A esperança média de vida vai baixar em Portugal, pela primeira vez em 200 anos. E porquê? Sobretudo pelo efeito da diabetes: A diabetes manifesta-se cada vez mais cedo e em pessoas cada vez mais jovens, muito por culpa de uma vida sedentária, repleta de excessos alimentares. A comida fast-food está na «moda» e tem sido a grande aliada no aumento da diabetes em todo o Mundo.

Comer bem não é comer muito. Custa a aprender, mas as pessoas vão ter que o fazer, sob pena de perderem qualidade de vida e de virem a morrer mais cedo.

Friday, April 04, 2008

Cluster da saúde

O tema da saúde é relevante e de importância crescente. Fala-se muito em saúde, pelas razões mais negativas. É tempo de olhar também para iniciativas de importância capital para um desenvolvimento do sector da saúde mais assente numa projecção futura do que em olhar para um passado e um presente de decadência.

Vejamos alguns detalhes sobre esta iniciativa louvável:
  • Portugal verá hoje constituído o seu primeiro pólo de competitividade e tecnologia. E será na saúde. O Health Cluster Portugal (HCP) conseguiu reunir, em meia dúzia de meses, a nata de toda a cadeia de valor do sector: são sete dezenas de instituições públicas e privadas, entre empresas, universidades, centros de investigação e hospitais, que querem fomentar o desenvolvimento de parcerias e projectos inovadores, nacional e internacionalmente, que acrescentem valor e aumentem as exportações nesta área.
  • Luís Portela, da farmacêutica Bial, será o presidente da associação HCP, que, para além de vários laboratórios e produtores de dispositivos médicos, conta entre os seus associados com outros pesos pesados, como a Fundação Champalimaud e o Instituto Ibérico de Nanotecnologias, na investigação, ou o grupo José de Mello Saúde e os Hospitais Privados de Portugal, na área da prestação de cuidados.

Exemplos de alguns dos participantes do HCP:

  • CNC - Centro de Neurociências e Biologia Celular
  • Fundação Champalimaud
  • IBMC - Instituto de Biologia Molecular e Celular
  • IMM - Instituto de Medicina Molecular
  • Instituto Gulbenkian de Ciência
  • IPATIMUP - Instituto Patologia e Imunologia Molecular da UP
  • Universidade Católica
  • Universidade de Coimbra
  • Universidade de Lisboa
  • Universidade do Minho
  • Universidade do Porto
  • Biocant - Centro de Inovação em Biotecnologia
  • Bial - Portela & CA, SA
  • GlaxoSmithKline
  • Jansen-Cilag Farmacêutica, SA
  • Laboratórios Pfizer, Lda
  • Wyeth Lederle Portugal (Farma), Lda
  • Espirito Santo Saúde, SGPS, SA
  • Hospitais da Universidade de Coimbra
  • Hospital de Vila Nova de Gaia
  • HPP - Hospitais Privados de Portugal, SGPS, AS
  • Instituto Português de Oncologia - Porto
  • José de Mello Saúde, SGPS, SA