Sunday, April 12, 2009

As corporações da saúde

Portugal foi históricamente palco de luta entre corporações. Aliás, o Estado Novo chegou a ter o Ministério das Corporações. Claro está, que cada um deve saber organizar-se e defender-se. Mas, a sociedade também deve saber defender-se face a lobbies que fazem mais mal do que bem, pelo menos em relação aos outros!

Tudo isto, a propósito desta frase: Está a assistir a uma tentativa da ANF de verticalizar o sector do medicamento, de juntar ao facto de ser um monopólio da venda a retalho, de ser um parceiro incontornável e dominante do comércio grossista, agora também vai produzir medicamentos e quer, como se fosse a cereja em cima do bolo, ultrapassar as receitas dos médicos e dar aos doentes os medicamentos que lhe convém, com a alegação de que são mais baratos.

E quem diz aquilo? Só poderia ser um dos líderes de uma das maiores corporações do país: Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, acusa a Associação Nacional de Farmácias de estar a fazer uma guerra aos portugueses por causa da substituição das receitas.

De facto, a ANF é uma organização bem sucedida, na sequência da cooperação entre os seus membros, perante a falência de grande parte das farmácias nos idos de 1974/75. Mas, a ANF soube tão bem organizar-se que está de facto a ameaçar a sociedade em que vivemos, nomeadamente os contribuintes e os doentes em geral.

Reconhecemos, no entanto, que a ANF tem sido útil ao país e aos portugueses. Mas, quando as corporações falam mais alto do que a sociedade, começamos a chegar aos limites do intolerável.

Mas, o que falar da Ordem dos Médicos? Bem, é uma corporação que tem desempenhado bem o seu papel no ambito da boa formação dos médicos. Mas, a partir daí, o seu papel tem sido demoníaco. E porquê? Porque, directa ou indirectamente, a Ordem dos Médicos impediu a criação de novos cursos de medicina, ao ponto de ser necessária a importação de médicos estrangeiros. A Ordem dos Médicos olvida ou finge olvidar que muita formação dos médicos é suportada por outra corporação relevante, a indústria farmacêutica.

Apesar de tudo o Senhor Bastonário reconhece isto: E hoje a nível mundial, os reguladores éticos, como são as Ordens, e a própria indústria tende a acabar com isso. Não é proibir as instalações de um congresso. Se não for a indústria não são os Estados a fazê-lo e os médicos precisam de aprender. Agora pagar estadias de 15 dias ao Sol é irregular.

Já estamos habituados a guerras entre corporações, sobretudo em fases de previsível depressão económica. A crise pode ser boa, se os doentes tiverem que pagar menos pelos serviços que lhe são prestados, e simultaneamente, se os habituais maiores ganhadores, passarem a ganhar menos.

Friday, April 10, 2009

Maternidade

Fonte: aqui.

Traffic pollution can harm unborn babies in the womb, according to new research.

Thursday, April 09, 2009

Saúde pública versus saúde privada

Não há um sistema universal de saúde pública. Há muitos tipos de sistemas. Uns mais igualitários. Outros mais diferenciados. Uns mais comparticipados. Outros mais públicos. Mas, a dialética público versus privado, existe na generalidade dos países, quase em situação de concorrência ou de alternancia. Vejamos o que se passa em Espanha:
  • La salud de la Sanidad pública ha vuelto a empeorar. Los españoles siguen prefiriendo recurrir a ella frente a la privada, pero menos que hace cuatro años. Esta última gana terreno en la atención especializada, urgencias y hospitales.
  • Pública o privada. Los ciudadanos prefieren los servicios sanitarios públicos frente a los privados. Sin embargo, los primeros pierden poco a poco el apoyo de la población. Sube el porcentaje de personas que recurrirían a especialistas privados (un 1% más que en 2007).
  • Bajan los que escogerían acudir a las urgencias o los hospitales públicos. Sólo se salva la atención primaria pública.
  • Listas de espera. El 50,2% de los ciudadanos opina que la situación de las listas de espera no ha cambiado respecto de años anteriores. Además, el 34,1· de los españoles cree que las autoridades sanitarias no están tomando iniciativas destinadas a mejorar ese tiempo de acceso a los servicios.

Parece que os Espanhóis têm os serviços públicos de saúde em boa conta, mas em perda progressiva, a favor de serviços de urgência e especializados privados. Por cá, a tendência não deverá ser diferente.

Wednesday, April 08, 2009

A guerra do medicamento

Vivemos uma depressão económica com contornos ainda difíceis de prever. A actividade económica abranda claramente. As corporações e os lobbies instalados sentem que o poder treme, e lutam pelo controlo dos seus bastiões.

Vejamos estas lutas pelo naco saboroso do medicamento:
  • 1: O bastonário da OM alertou ainda que se está "a assistir, essencialmente, à troca de genéricos por genéricos que dão mais interesse à farmácia, em vez de outro genérico de outra marca". "Estamos a assistir neste momento a uma campanha de desinformação", frisou o bastonário, afirmando que o presidente da ANF, João Cordeiro, "dirige um monopólio que já devia ter sido desfeito".
  • 2: "Cada médico que encontre um medicamento que foi substituído tem todo o direito de comunicar ao Ministério Público que se praticou um crime naquele estabelecimento comercial. A Ordem dos Médicos deixa à consciência de cada médico fazer essas participações", explicou.
  • 3: A ministra da Saúde anunciou, esta terça-feira, que o Serviço Nacional de Saúde não pagará às farmácias a comparticipação dos medicamentos que forem substituídos pelo genérico mais barato sem autorização do médico.
  • 4: Teresa Caeiro considerou que "não é possível tolerar um conflito aberto entre a Associação Nacional de Farmácias e a Ordem dos Médicos" porque "pelo meio estão os utentes" e "o ministério da Saúde, que é altamente responsável". Por outro lado, a deputada apelou para que o Governo "aceite a proposta do CDS" -- um projecto de resolução que recomenda a mudança da legislação para que a prescrição de medicamentos se faça em regra por princípio activo e não pela marca.
  • 5: Em declarações à TSF, António Arnaut, que assumiu ser um utilizador de genéricos por uma questão de princípio, considerou o assunto da troca de medicamentos de marca por genéricos delicado, sobretudo porque, face à actual lei, há dois direitos em conflito. «Por um lado, o direito do médico à liberdade de prescrição e a sua autonomia técnica que a lei consagra e, por outro,, o direito do utente que pode querer substituir o medicamento de marca, muito mais caro, por um genéricos», disse.

Meu Deus, tanta luta por um naco saboroso! E o pobre do contribuinte? E o coitado do doente? As corporações mandam em Portugal. O dito Governo fechou para obras.

Tuesday, April 07, 2009

Mudança no estilo de vida


Fonte: aqui.

The five lifestyle changes that can cut colorectal cancer risk by a third:
  1. One of the recommendations made by Professor. Donald Maxwell Parkin of Cancer Research UK Centre for Epidemiology, Mathematics, and Statistics, London, is that people’s consumption of red and processed meat should not be more than 80 or 90 grams per day.
  2. He also suggests that people consume at least five portions of fruit, vegetables, and fibre every day.
  3. The third recommendation is to exercise at least 30 minutes on five or more days per week.
  4. The experts also suggest that men should not to consume more than 21 units of alcohol per week, and women should restrict their intake to 15 units.
  5. According to them, overweight and obesity should be reduced to rates of 20 years ago.

Sunday, April 05, 2009

Senhora Ministra: não se desculpe, faça!

Existe uma sistemática falta de cumprimento de promessas por parte do poder político. Existe uma falta de controlo do poder político, tendo em vista o controlo efectivo das promessas por cumprir!

Esta é só mais uma promessa por cumprir: Ana Jorge, ministra da Saúde, admitiu esta sexta-feira um atraso na implementação de um sistema de dispensa de medicamentos em unidose. Uma medida anunciada pelo Primeiro-ministro há três anos.

Porque é que esta medida ainda não foi implementada? Por várias razões, segundo o poder político:
  • explicando que se trata de um “processo complexo” que tem levado o Ministério da Saúde a efectuar diversos estudos de forma a garantir uma distribuição eficaz.
  • o facto de durante os estudo que têm vindo a ser feitos foram “levantados alguns problemas, nomeadamente o risco maior de haver medicamentos de contrafacção”, dada a distribuição das doses à unidade.
  • Ana Jorge referiu ainda que tendo em conta que numa fase experimental a distribuição seria feita em farmácias hospitalares, onde “pode ser feita de forma mais segura”, e recordou que existem apenas “duas farmácias hospitalares no País”.

Oh Senhora Ministra, se fosse tão produtiva a fazer coisas, como é a arranjar desculpas, teríamos Ministra! O que estará por detrás de tal inacção do Ministério da Saúde? Custa tanto colocar à venda "1 comprimido" em vez de 60 comprimidos? Ou será que a venda em unidose não interessa aos Laboratórios farmacêuticos, nem à distribuição farmacêutica?

Contudo, a Senhora Ministra deveria defender os interesses dos cidadãos e dos contribuintes. Estes são os interesses que Ana Jorge deveria defender, a todo o custo. Se não conseguir defender os interesses dos contribuintes, então, Ana Jorge não está a fazer nada no governo.

Saturday, April 04, 2009

Wednesday, April 01, 2009

Crisis? What crisis?

Há uns meses, ouvíamos o Primeiro-Ministro a falar na "crise dos outros", quando já existiam sinais evidentes de degradação das condições económicas. Depois, o tsunami começou, pouco a pouco, a inundar tudo. E agora, já se lê isto, sem grande espanto: Mais de 200 mil doentes portugueses abdicam de comprar medicamentos devido à falta de dinheiro. São doentes geralmente idosos e a quem o Estado não consegue garantir a cobertura plena das necessidades em termos de medicação.

Será que os medicamentos passaram a ser superfluos? Será que os portugueses deixaram de ser hipocondríacos? Será que estes são ainda, e só, os primeiros sinais de uma pequena inundação?

A economia tem ciclos. Uns, de crescimento. Outros, de contração. Naturalmente, que a presente contração é mais profunda, pois assenta numa colossal falta de valores da sociedade moderna, que não reconhece o mérito, que opta pelo nepotismo e pelo "amiguismo". Enquanto a sociedade mantiver estes paradigmas, a recessão transformar-se-á em depressão. E aí, a redução de despesas não se restringirá aos medicamentos. Com toda a certeza.

A satisfação na saúde

Os países da OCDE ainda são os mais ricos do mundo. São também estes países, que possuem os melhores sistemas de saúde do mundo, apesar da sua diversidade de modelos.

A agência Gallup é muito prestigiada em sondagens e estudos de mercado. Fez recentemente um estudo, em que se avalia a satisfação e a insatisfação dos cidadãos dos países da OCDE, com os respectivos serviços de saúde.

Os resultados são os seguintes:
  • Irlanda: 90% de satisfeitos, 9% de insatisfeitos.
  • Suíça: 89% de satisfeitos, 10% de insatisfeitos.
  • Bélgica: 88% de satisfeitos, 11% de insatisfeitos.
  • Luxemburgo: 87% de satisfeitos, 12% de insatisfeitos.
  • Itália: 86% de satisfeitos, 13% de insatisfeitos.
  • México: 86% de satisfeitos, 14% de insatisfeitos.
  • Nova Zelândia: 85% de satisfeitos, 14% de insatisfeitos.
  • Espanha: 85% de satisfeitos, 14% de insatisfeitos.
  • Holanda: 85% de satisfeitos, 14% de insatisfeitos.
  • Reino Unido: 85% de satisfeitos, 15% de insatisfeitos.
  • Áustria: 85% de satisfeitos, 15% de insatisfeitos.
  • Canadá: 85% de satisfeitos, 15% de insatisfeitos.
  • França: 85% de satisfeitos, 15% de insatisfeitos.
  • Grécia: 84% de satisfeitos, 16% de insatisfeitos.
  • Finlândia: 84% de satisfeitos, 15% de insatisfeitos.
  • Dinamarca: 84% de satisfeitos, 16% de insatisfeitos.
  • Islândia: 84% de satisfeitos, 16% de insatisfeitos.
  • Estados Unidos: 83% de satisfeitos, 16% de insatisfeitos.
  • Noruega: 82% de satisfeitos, 15% de insatisfeitos.
  • Austrália: 82% de satisfeitos, 17% de insatisfeitos.
  • Alemanha: 82% de satisfeitos, 18% de insatisfeitos.
  • Suécia: 80% de satisfeitos, 18% de insatisfeitos.
  • Portugal: 80% de satisfeitos, 20% de insatisfeitos.
  • República Checa: 77% de satisfeitos, 20% de insatisfeitos.
  • Turquia: 76% de satisfeitos, 23% de insatisfeitos.
  • Polónia: 76% de satisfeitos, 22% de insatisfeitos.
  • Hungria: 72% de satisfeitos, 27% de insatisfeitos.
  • Eslováquia: 72% de satisfeitos, 27% de insatisfeitos.
  • Japão: 68% de satisfeitos, 26% de insatisfeitos.
  • Coreia do Sul: 67% de satisfeitos, 31% de insatisfeitos.

Rankings são rankings. Sondagens, valem o que valem. Estudos de mercado têm alguma validade. No entanto, por cá, gosta muito de se dizer que o serviço de saúde em Portugal é um dos melhores do mundo. Bem, estar em 23º lugar do mundo, em termos de satisfação, não é mau!

Tuesday, March 31, 2009

Nos EUA, os Deuses estão loucos

Quando lemos isto: Healthcare costs doubled from 1996 to 2006, and are projected to rise to 25 percent of GDP in 2025; 49 percent by 2082 if something does not change. Percebemos, que algo está muito errado na sociedade ocidental. Há com certeza muita gente equivocada, quando organismos públicos estimam que os custos com a saúde poderão representar cerca de 50% do produto de uma economia! Ainda que estejamos a imaginar o não tão longinquo ano de 2082!

Talvez porque estes organismos públicos apenas conjecturam cenários loucos, há alguém que sente necessidade de mudar as coisas: Reform of the U.S. healthcare system is vital this year because of growing costs and worsening care, the Health and Human Services Department said in a report on Monday.

É que os EUA atingem sempre cenários inimagináveis para os outros:
  • The report points out that the United States spent $2.2 trillion on healthcare in 2007, or $7,421 per capita. Healthcare accounts for more than 16 percent of gross domestic product, nearly twice the average of other developed nations.
  • "In spite of the vast resources invested, the health care system has not yet reached the goal of high-quality care," the report said.
  • "Across 37 performance indicators, the United States achieved an overall score of 65 out of a possible 100," it said, citing the non-profit Commonwealth Foundation.

Do or die, parece ser a opção do Presidente Barack Obama.

Monday, March 30, 2009

Listas de espera, sempre!

Os portugueses são bons no improviso. Os portugueses não gostam muito de planificar. É pena, que assim seja. No sector da saúde pública vive-se constantemente no improviso. A gestão estratégica é inexistente. Tapam-se buracos. Apagam-se fogos. Lembremo-nos, apenas, dos que foram resolver os problemas derivados das listas de espera de oftalmologia a Cuba!

Agora, é vez das listas de espera de urologia: As listas de espera para uma consulta de urologia ainda superam um ano em muitos hospitais, disse ao DN o médico Real Dias, presidente do colégio da especialidade da Ordem dos Médicos.

Isto é o que salta para a imprensa. O que não acontecerá por esse país fora, com gente amordaçada pela ineficiência sistemática dos serviços.

O governo limita-se a apagar fogos, mas ainda cria mais frustração, quando cria Leis que não funcionam na realidade: o Governo já definiu em portaria, em Dezembro, que os tempos máximos de espera por consultas não prioritárias não deverão exceder os 150 dias, regra que já está em vigor desde Janeiro.

Então há uma Lei que fixa os tempos máximos de lista de espera em 150 dias, e na realidade há listas de espera de mais do que 365 dias? Para que serve então a Lei? Apenas para enganar os portugueses!

Depois, cada um tem uma solução:
  • Helder Monteiro, director do serviço de urologia do Hospital Egas Moniz, admite haver atrasos na resposta na sua unidade. Porém, desde o início do ano, a unidade desenhou o seu próprio plano de intervenção (ver caixa). "As consultas prioritárias têm de ter resposta mais rápida, tal como as primeiras consultas", sublinha. O grande problema está "nas consultas subsequentes, que podem ser marcadas para daí a seis meses, um ano ou ainda mais tarde".
  • Francisco Rolo sugere uma solução para acelerar as respostas com base na "triagem dos casos, prioritários ou não, e a emissão de cheques-consulta depois de ultrapassado o limite de tempo que for estabelecido".

Onde estão os "Administradores" da saúde pública?

Sunday, March 29, 2009

Se Disney Administrasse Seu Hospital

Fonte: aqui.

A Bookman Editora lança "Se Disney Administrasse seu Hospital" de Fred Lee. Na obra o consultor em serviços mostra que entre um parque como a Disneylândia e um hospital pode haver mais semelhanças do que se imagina. Com uma bagagem que reúne experiências inusitadas nas organizações Disney e em ambientes hospitalares, Lee relata que integrou a equipe de entretenimento, entre 1996 e 1997, para auxiliar no desenvolvimento de um programa de fidelidade aos clientes.

"Acredito que seja infinitamente mais fácil gerenciar a Disney do que um hospital. Mas, diante de diversas dificuldades que os profissionais de saúde enfrentam no cotidiano, a Disney oferece alguns insights que podem ser valiosos" - comenta o autor.

Wednesday, March 25, 2009

Mais impostos: não, obrigado!

Perante esta sugestão: O fundador do Serviço Nacional de Saúde (SNS), António Arnaut, defende a criação de um imposto especial, aplicado a rendimentos a partir de determinado montante, para garantir o financiamento do sistema, caso seja «absolutamente necessário». Nós respondemos, sem tibiezas ou complacência: NÃO.

Bem sabemos, que António Arnaut, referiu isto: o modelo de financiamento do SNS só deve incluir um imposto especial depois de esgotados todos os mecanismos de redução da despesa supérflua. Mas, esta conversa fiada sobra sempre para quem trabalha e ganha dinheiro. Pois que, os mais ricos têm os seus rendimentos em zonas off-shore, para além de outros que mascaram sistemáticamente os seus rendimentos, através de esquemas de fuga ao fisco, como sejam a sub-facturação ou a simples "não-facturação".

Este caminho sugerido por António Arnaut, não nos surpreende nada, mesmo nada. Estamos à espera dele há já muito tempo. Contudo, deveremos lutar para que sejam os lobbies que envolvem o SNS a verem limitados nos seus ganhos (indústria e retalho farmacêutico, élites públicas do SNS, corporações médica e de enfermagem, entre outros). Ou em alternativa, a universalidade do SNS está condenada. Isto é, acabou!

Tuesday, March 24, 2009

É a negligência!

Negligência médica, o que é? Será a negligência médica muito diferente de erro médico? Para nós, é. Contudo, muitos dos casos que por aí vão aparecendo na comunicação social, com o rótulo de "negligência médica", caiem no âmbito de "erro médico", ou pior, de incapacidade das organizações, ou incapacidade logística, ou algo que se assemelhe com "responsabilidade de ninguém"!

Bem, mas os sound bytes vão ficando, não há volta a dar. Os médicos, os enfermeiros e os outros técnicos de sáude, são tão falíveis como os banqueiros, os pedreiros ou os professores. Isto é, todos podem cometer erros, e todos são, por vezes, negligentes.

O tema é cada vez mais importante, senão vejamos: Os pedidos de indemnização aos hospitais públicos em acções judiciais por assistência clínica alegadamente deficiente ultrapassaram os 29 milhões de euros, entre 2005 e 2007, contabiliza a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), numa avaliação preliminar sobre esta matéria.

É pouco? Não. Mas, também não é muito. Mas, atenção que os portugueses estão a acordar para o problema. E, a distância que as velhas gerações, com menos informação, tinham para com os médicos, tem tendencia a diminuir.

Claro que há, infelizmente, um benefício do infractor: As condenações "são em número reduzido", atesta Cristina Costa, chefe da Divisão de Segurança do Doente, da Direcção-Geral da Saúde (DGS). Ou seja, os médicos beneficiam de um sistema de justiça opaco e ineficiente.

E o pior, é que a base do serviço de saúde em Portugal, nem sequer está preparada para proteger as vítimas dos erros/ negligência médica:
  • só uma minoria dos hospitais (7,58 por cento) detém seguros de responsabilidade profissional.
  • O inquérito da IGAS pretendeu ainda monitorizar o erro médico em 68 hospitais do Serviço Nacional de Saúde. E as conclusões não são animadoras: mais de metade dos estabelecimentos admitiu não ter protocolos escritos de prevenção de erros médicos e só um terço disse possuir sistemas informatizados de alerta e prevenção de riscos.

Obesidade: de pequenino se começa

A saúde está muito longe de se restringir aos médicos, enfermeiros, hospitais ou medicamentos. A saúde pode ser melhorada, se as pessoas começarem a tratar dela, em casa, na escola, no trabalho. Ou, ao contrário, a nossa saúde pode piorar se nós nos alhearmos daqueles aspectos rotineiros, tais como sejam: a alimentação, o exercício físico, a postura corporal ou a vida mais arejada!

Ou seja, na falta de prevenção ou na existência de hábitos desadequados, começam muitos problemas de saúde. E logo, desde pequeninos. Vejamos, o que aqui se diz: O número de consultas de obesidade pediátrica está a aumentar em Portugal, com 61 por cento das crianças consultadas a terem menos de 10 anos de idade. Mas há casos em que as situações surgem enquanto bebés.

Lembramo-nos, que em Portugal, sempre se pensou que "gordura é formosura". Mas, não é. E pior, os pais deveriam saber que gordura não é formosura. Mas, por variadas razões, os pais alheiam-se dos próprios problemas que têm em casa.

E depois, o que acontece? Isto:
  • "A epidemia do sec.XXI alastra-se e, na verdade, é já a partir dos 2 anos que os pais começam a levar os filhos à consulta", alerta Graciete Bragança, pediatra do Hospital Amadora- Sintra.
  • Os dados do estudo promovido pelo Hospital Amadora-Sintra indicam que 21 por cento das crianças avaliadas, no agrupamento escolar da Amadora, têm excesso de peso e 9,5 por cento são obesas.
  • São os alunos do 1º ciclo os que apresentam maior índice de gordura corporal.

Preocupante. E, agora, o que se vai fazer? Acabar com os donuts nas cantinas escolares? Acabar com os bolicaos nos lanches das festas? Evitar o consumo de happy meals? Ou, continuar tudo na mesma?

Monday, March 23, 2009

Tuberculose

Fonte: aqui.

Thursday, March 19, 2009

O fim esperado do SNS II

Não há omoletes sem ovos, já o sabemos. Dificilmente se consegue um SNS gratuito ou tendencialmente gratuito, já o dizemos por aqui há algum tempo. Os políticos que vão vivendo de mensagens gostosas para português saborear, sentem-se à vontade a criar estes embustes, porque os cidadãos estão adormecidos com as crises!

O SNS não é sustentável. O artigo 64º da Constituição da República Portuguesa não pode ser garantido, de forma séria. Isto é, o artifício que lá puseram, "um SNS tendencialmente gratuito", não passa de um embuste, ou se quiserem, uma fantasia.

Restam duas soluções: 1) os contribuintes terão que pagar mais impostos para sustentar um SNS ineficiente e vítima de múltiplos lobbies; 2) os portugueses terão que pagar cada vez mais a sua saúde através de seguros privados de saúde.

Para os que ainda acreditam em fantasias, vem a Senhora Ministra mostrar que já não há milagres: A ministra da Saúde, Ana Jorge, lançou hoje um apelo aos médicos de família para que prescrevam medicamentos genéricos aos seus doentes, sobretudo numa fase de crise económica.

Curiosamente, foram sempre os médicos (Colegas da Senhora Ministra), que criaram o máximo de obstáculos à expansão dos medicamentos genéricos!

A verdade custa. Mas, a realidade é mais forte.

Wednesday, March 18, 2009

Obesidade: mais uma vez!

Fonte: aqui.

Pedestrians walk across the street near Times Square in New York. About two-thirds of American adults are overweight or obese, putting them at an increased risk for diabetes, hypertension, heart disease, osteoarthritis, stroke, gallbladder disease, sleep apnea and respiratory problems and even some cancers. Those who are extremely obese, about 100 or more pounds over a healthy weight, could be shortening their lives by as many as 10 years.

Tuesday, March 17, 2009

O fim esperado do SNS

Já há bastante tempo, que vimos por aqui falando no fim do SNS, tal como o conhecemos: gratuito ou tendencialmente gratuito.

Pois agora, é Jorge Sampaio, ex-Presidente da República, que vem fazer o alerta: Jorge Sampaio considerou hoje que o problema do financiamento do sector da Saúde é mais grave que o da Segurança Social, mas reconheceu que a situação dificilmente se resolverá sem maiores contribuições dos utentes.

Ora, cá está, a verdade é dura, mas vai sendo dita, no meio de umas quantas frases, inseridas num qualquer evento!

E diz mais, Jorge Sampaio: «Não conheço outros países da OCDE com um sistema de saúde de matriz igual à nossa que tenha encontrado uma fórmula milagrosa que não implique um aumento das contribuições de utentes», como consumidores, como contribuintes, ou ambos.

No entanto, como estamos a 6 meses das eleições, não é interessante falar em tal "castanha": Ana Jorge revelou que a discussão em torno da sustentabilidade do SNS é oportuna, mas não prioritária.

Pois é, a verdade dói. E custa votos!

Monday, March 16, 2009

A crise financeira atinge os farmacêuticos

O mercado de capitais não é para almas boas! O mercado de capitais é para quem sabe que está a arriscar, pois se não, o melhor é não arriscar, e colocar o aforro em títulos do tesouro ou em depósitos a prazo.

Mas, nem todos perceberam isto, e a Bolsa é para muitos um "jogo de ganho certo". Mas, não é, e se não vejamos: O Montepio Nacional da Farmácia (Monaf), associação de socorros mútuos que funciona como fundo de pensões dos farmacêuticos, poderá ser penalizado pela crise dos mercados financeiros. Só no Banco Privado Português, por exemplo, o Monaf tem aplicados 300 mil euros.

Mas, ainda se quer manter a opacidade, apostando numa eventual recuperação dos mercados no curto prazo: O relatório do Monaf de 2007 indicava que 43,2% dos fundos estavam aplicados em títulos de rendimento fixo, enquanto 54,8% (face a 41% em 2006) eram activos de rendimento variável. Os investimentos ascendiam em Dezembro de 2007 a 98,9 milhões de euros.

É preciso ter cuidado, na forma como se investe, sobretudo em épocas de grande volatilidade e incerteza.

brain health awareness

Fonte: aqui.

The competition, launched by The Stroke Association and the University of Edinburgh, invites people from across Edinburgh to think about their brain and the way that it affects their body and mind.

Wednesday, March 11, 2009

As maravilhas da medicina

Fonte: aqui.

A seven-year-old girl has survived a surgery procedure which required doctors to remove six of her vital organs. Doctors at New York Presbyterian Hospital removed Heather McNamara's pancreas, liver, spleen, stomach and small and large intestines in order to extract a tennis ball-sized cancerous tumour before the organs were re-implanted.

Tuesday, March 10, 2009

Headache

Fonte: aqui.


Médicos espanhóis II

Em Portugal, dizem que há falta de médicos, em Espanha, parece que também há falta: De los 408 nuevos galenos que se dieron de alta en el Colegio Oficial de Médicos de la Región el pasado año, 223 eran de fuera. Quiere decir que más de la mitad de los nuevos doctores que ejercen en la Región (54%) no son españoles.

A origem dos médicos estrangeiros em Espanha, é muito diversificada: Más bien, el perfil de los médicos recién llegados es el de una mujer de un país latinoamericano. Sobre todo, vienen de Colombia (27), Argentina (19) y Venezuela (18).

E não têm especialização: «El 90% de los médicos extranjeros son sólo licenciados en Medicina, sin especialidad».

Parece que não existem Faculdades de Medicina, na Europa.

Sunday, March 08, 2009

Médicos espanhóis

Durante as últimas décadas, a má distribuição geográfica dos médicos, tem sido compensada pela vinda progressiva de médicos do estrangeiro, quer sejam espanhóis, ucranianos, moldavos ou brasileiros.

No entanto, apesar deste grande período, o Ministério da Saúde e o Ministério da Ciência e do Ensino Superior foram incompetentes em duas vertentes: 1) na formação de mais médicos; 2) na melhor redistribuição geográfica de médicos.

Agora, o problema vai-se acentuar, pois os médicos espanhóis parece que se querem ir embora, regressando à sua terra natal: La Asociación de Profesionales de la Salud Españoles en Portugal considera "imprescindible" recuperar a médicos españoles que trabajan fuera de su país para hacer frente al déficit de facultativos que afecta a España.

O que fará agora o Ministério da Saúde (consta que existam mais de 3.000 médicos espanhóis em Portugal, que normalmente exercem fora das grandes cidades, onde os portugueses não gostam de trabalhar)? Importará médicos da América Latina? Forçará os médicos que existem a mais em Lisboa, Porto e Coimbra, a deslocarem-se para o Algarve, Trás-Os-Montes e Alentejo? Ou assobiará para o ar, como é habitual?

Thursday, March 05, 2009

Uma cirurgia no supermercado mais próximo

Fonte: aqui.

Dr Mohammed Jiva stands by his surgery inside Sainsbury's in Heaton Park, Manchester. Another 200 could be opened after its success. Anyone would be able to walk in for treatment, with doctors accessing their records via the NHS computer system.

Wednesday, March 04, 2009

As contas dos hospitais e os "fantasmas"

Temos escrito por aqui, que o SNS e os Hospitais por si geridos, demonstram "a olho nu" muitas incongruências, ou se quiserem, muita criatividade. Entretanto, lá se vai tocando na "ferida", de vez em quando: A Inspecção-Geral de Finanças (IGF) detectou divergências entre as compras e as vendas declaradas pelos hospitais e os respectivos fornecedores no valor de 283,2 milhões de euros, de acordo com um relatório do Ministério das Finanças.

283,2 milhões de euros? Como é possível haver uma divergência tão grande? Bem sabemos que o orçamento do SNS é também muito grande, mas 283,2 milhões de euros, dá para fazer muita coisa.

O pior é que mesmo nesta notícia corriqueira se detecta que há algo mais do que meras incongruências ou divergências, pois se não vejamos: Foram ainda encontradas nas investigações junto dos hospitais «compras de 22,2 milhões de euros, efectuadas por hospitais a fornecedores cessados em sede fiscal», ou seja, a empresas que fiscalmente não existem.

Ou seja, entidades públicas estão a pagar serviços/produtos a entidades "fantasmas". E o contribuinte também pode passar a "fantasma"? Mesmo com a crise internacional, pensamos que o Estado português tem recursos a mais, ao contrário do que por aí se diz.

Monday, March 02, 2009

Os Deuses estão loucos!

Lemos isto: A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) vai pagar 410 mil euros a privados para prestarem "serviços de consultoria para recuperação da sustentabilidade económico-financeira do Centro Hospitalar de Setúbal EPE e do Centro Hospitalar do Médio Tejo EPE".

Como? O Estado que tem imensas estruturas de assessoria, apoio técnico, Altos-Comissariados e outros experts, vai recorrer a empresas para "porem na ordem" dois hospitais do SNS? Os Deuses do Ministério da Saúde estão a ficar sem senso.

Os visados, nem sabem porquê: Fonte da administração do Centro Hospitalar de Setúbal remeteu para a ACSS quaisquer esclarecimentos: "Neste momento não faz sentido [dar informações]. Qualquer dúvida, deverá questionar a ACSS".

Então, e os funcionários do Ministério da Saúde que deveriam fazer esta função que está a ser sub-contratada? Vão para a mobilidade especial? Ou estão entretidos?

Sunday, March 01, 2009

Secretary of Health

Fonte: aqui.

A Governadora Kathleen Sebelius deverá ser apontada por Barack Obama, como nova Secretária da Saúde do governo dos EUA, conforme se refere aqui: President Barack Obama named Kansas Governor Kathleen Sebelius to help steer his $634 billion plan to provide every American with affordable medical coverage as head of the U.S. Health and Human Services Department.

Algumas das novas tarefas da futura Secretária da Saúde (equivalente à nossa Ministra da Saúde) e o respectivo background:
  • Sebelius is a two-term Democratic governor who successfully pushed to expand subsidized health-care for children in her largely Republican state.
  • The nomination ended almost a month of uncertainty over who would assist Obama in developing and promoting his health plan. His previous nominee, former Senator Thomas A. Daschle, withdrew after questions were raised about his back payment of taxes.
  • Sebelius would also oversee the Food and Drug Administration, which polices the U.S. food supply and approves drugs, and the National Institutes of Health, which holds responsibility for medical research.
  • Sebelius previously served as the Kansas insurance commissioner. She was the first commissioner to reject a proposed conversion of a nonprofit Blue Cross Blue Shield into a for-profit company, slowing the pace of such conversions nationally.
  • Obama this week presented Congress with a budget that envisions spending $634 billion over 10 years to begin overhauling the health-care system.
  • The $634 billion would be a “down payment” on the president’s pledge to make health care affordable and cover the 46 million uninsured. Obama proposed financing it with increased taxes on wealthy Americans and less government money for some drugmakers and health insurers.

Saturday, February 28, 2009

Tabaco: o ataque continua

Fonte: aqui.

Cigarette sales in Scotland will be further restricted after ministers announced plans today to outlaw cigarette vending machines and ban shops from openly displaying tobacco.

Thursday, February 26, 2009

A avaliação dos médicos

Perante isto: A avaliação dos médicos, que já existia, baseava-se num sistema de concursos. Agora passará a ser baseada nesta avaliação de desempenho, que classifica como relevante, adequada ou inadequada a prestação do profissional, mediante a confrontação dos objectivos fixados e dos resultados obtidos. Parece-nos que vamos ter mais uma ladaínha idêntica à avaliação dos professores.

Porquê que não se encara a avaliação em Portugal, de uma forma normal e habitual? Bem sabemos que o homem é um animal de hábitos, mas quem não se adapta à mudança não sobreviverá.

  • Carlos Arroz - secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos - declara-se favorável desde que sejam reconhecidas as especificidades do sector e acrescenta que tem sido o Ministério da Saúde a travar as negociações.
  • Mário Jorge Neves - da Federação Nacional dos Médicos - manifesta-se preocupado com a eventual aplicação aos médicos de um modelo de avaliação equivalente ao da restante Administração Pública.
  • Particularmente critico dos planos do Governo para a avaliação dos médicos por objectivos declara-se Paulo Mendo. O antigo ministro da Saúde de Cavaco Silva sustenta que o desempenho dos médicos já é fortemente escrutinado e considera que o Governo procura distrair o país dos verdadeiros problemas recorrendo a temas fracturantes.

É difícil que Portugal venha a evoluir no sentido positivo. Nem os profissionais gostam de ser avaliados. Nem o governo sabe avaliar os seus funcionários.

Wednesday, February 25, 2009

Obama e o universal healthcare II

O Presidente Obama trouxe muita esperança. O Presidente Obama está em estado de graça. Aguardemos.

Uma das principais esperanças que Obama trazia, tinha que ver com os cerca de 45 milhões de Americanos excluídos de um serviço de saúde universal. Ainda assim, os EUA gastam cerca de 17% do seu PIB em saúde. Ou seja, Obama prometeu trazer serviços de saúde a quem não os tinha.

Vejamos, o que nos dizem as últimas notícias:
  • President Barack Obama will ask Congress to set aside $634 billion over 10 years to help pay for an overhaul of the nation’s health-care system.
  • About half the money will come from cost cuts in the Medicare and Medicaid programs and the other half from tax provisions.
  • The tax changes would limit deductions for wealthy tax payers.
  • “The cost of our health care has weighed down our economy and the conscience of our nation long enough,” Obama told a joint session of Congress.
  • Obama has set a goal of reducing the nation’s spending on health care and getting more of the nation’s uninsured covered.

Disse o Poeta, que "o sonho comanda a vida". Contudo, não acreditamos em milagres, sejam de que tipo forem. No país em que se gasta mais em serviços de saúde, o Presidente Obama quer aumentar o nível de serviços aos que não os têm, e simultaneamente reduzir os custos globais de saúde.

A quadratura do círculo!

Tuesday, February 24, 2009

Álcool

Fonte: aqui.

Statistics published at the weekend revealed Scots consume the alcoholic equivalent of 125 bottles of wine each every year and are near the top of a new international drinking league table.

Monday, February 23, 2009

Contabilidade criativa na Saúde

Há muito, que empresas e Estados vivem na opacidade das contas criativas ou forjadas. Há Assembleias Gerais que assinam de "cruz". Há Revisores Oficiais de Contas que assinam de "cruz". Há Auditoras que assinam de "cruz". Naturalmente, que este regabofe de irresponsabilidade aguenta no curto-prazo. A médio-prazo, a sustentabilidade vem ao de cima, ou a criatividade transforma-se em mega-prejuízos. Exemplos? Tantos. Basta começar pelo fino negócio bancário, quer nacional, quer internacional.

Mas, aqui, falamos habitualmente de Saúde, dos seus negócios, das suas contas e do seu futuro. Lemos isto, e sorrimos: As contas da Saúde deterioraram-se em 2008 com o excedente orçamental a baixar para 42,7 milhões de euros, num ano em que as despesas subiram mais do que as receitas.

Não seria mau, se a notícia fosse verdadeira. Mas, na mesma notícia percebe-se que a "coisa está má", mesmo muito má: Segundo os dados da Direcção-Geral do Orçamento (DGO), o saldo da execução orçamental do Serviço Nacional de Saúde (SNS) passou de um excedente de 111,8 milhões de euros em 2007, para um lucro de 42,7 milhões de euros no ano passado.

Alguém com bom senso e raciocínio lógico acredita que o SNS tenha dado lucro? Naturalmente, que a notícia aqui relatada, transporta em si muita iliteracia económica. Mas, mesmo que o SNS tenha tido um excedente de 42 milhões de euros face às dotações do Orçamento de Estado, e decrescido esse excedente de 111 milhões de euros, fácilmente percebemos que as contas não reflectem a realidade da situação, pois há muita desorçamentação, até por isto: A DGO refere que em Setembro e Outubro de 2008 houve cinco hospitais e três sub-regiões de saúde que saíram da esfera do Sector Público Administrativo e passaram a integrar o grupo das Entidades Públicas Empresariais, pelo que foi necessário ajustar o universo de 2007 para poder comparar as contas dos dois anos.

Nuvens negras no horizonte.

Sunday, February 22, 2009

As aparências iludem

Assistimos com vergonha, à ida de centenas de portugueses a Cuba, para serem objecto de cirurgias às cataratas. Porquê? Porque Portugal gasta cerca de 10% do seu PIB na saúde e pertence ao restrito grupo da OCDE. Porque Cuba é um país do Terceiro Mundo com grandes dificuldades de recursos financeiros e logísticos.

Depois, veio a Ministra Ana Jorge promover o PIO (Programa de Intervenção em Oftalmologia). E os resultados foram estes:
  • 83 255 operações realizadas em 2008, mais do que as 56 458 registadas em 2007.
  • Governo, que gastou 28 milhões de euros para reduzir, em seis meses, o número de doentes a operar.

Contudo, resta ainda isto:

  • Um total de 26 941 portugueses esperava, a 31 de Dezembro de 2008, por uma operação às cataratas.

Se o PIO foi um programa extraordinário e não deve ser encarado como um programa de trabalho normal, o que irá acontecer quando se acabar o PIO?

Para o Senhor Bastonário dos Médicos, a opinião não é igual: Pedro Nunes, garante que há "desvio de recursos" e que a ida dos doentes a Cuba foi "propaganda política".

Dias difíceis, continuarão a esperar os portugueses.

Thursday, February 19, 2009

Partos no sector privado

Fonte: aqui.

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) existe há mais de 5 anos. Muitos portugueses desconhecem para que serve tal entidade. Nós também temos dificuldade em perceber o que distingue a ERS, da Inspecção Geral da Saúde, ou da Autoridade da Concorrência.

Mas, adiante, agora a ERS percebeu que tem que justificar a sua existência. Depois do estudo, em que revela que há um bom acesso à prestação de cuidados de saúde nos Centros de Saúde, que nós comentamos noutro lado, agora vem a ERS dizer isto: Um relatório elaborado pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS) revela que 70% dos cerca de 31 mil partos realizados entre 2006 e 2008 nos hospitais e maternidades privadas foram feitos com qualidade e segurança.

O que significa "70% dos cerca de 31 mil partos"? Significará que os restantes 30% dos 31 mil partos não foram feitos com qualidade?

É que um dos seus mais altos responsáveis vem dizer isto: O principal problema verificado nesta instituições prende-se com o número de partos, referiu o mesmo porta-voz, que em alguns casos é muito inferior ao que seria desejado para garantir meios adequados e uma equipa de profissionais de saúde permanente e bem treinada.

Se de facto 30% dos partos realizados no sector privado não têm qualidade, porque não se fecham essas mesmas instituições? Ou, estamos a jogar com interesses particulares e contra os interesses do público em geral? Para que serve, afinal esta ERS?

Wednesday, February 18, 2009

Estudos da Entidade Reguladora da Saúde

A Entidade Reguladora para a Saúde, que a generalidade da população desconhece, mas que os prestadores de serviços de saúde conhecem pelos custos que lhes acarreta, decidiu fazer um estudo de satisfação dos utentes dos Centros de Saúde, e conclui isto: Os utentes parecem estar globalmente satisfeitos com o acesso aos Centros de Saúde do SNS, nomeadamente ao nível dos horários de funcionamento, tempos de espera para atendimento, higiene e conforto das instalações nos estabelecimentos públicos de cuidados de saúde primários.

Nós que até percebemos alguma coisa sobre a realização de estudos de mercado fomos ver o documento integral do estudo, e achamos que a metodologia utilizada no estudo é frágil e indiciadora de leituras enviesadas. Se não, vejamos qual a amostra do estudo:
  • Foram inquiridos 1.031 utentes dos 101 Centros de Saúde (em média, 10,2 por Centro), tendo a selecção dos utentes sido aleatória, desde que o utente cumprisse as seguintes condições: (i) estar no Centro de Saúde com uma consulta médica programada (não urgente), previamente marcada; (ii) ter 15 ou mais anos de idade.

Seleccionar apenas 10 utentes que visitam cada um dos Centros de Saúde, não é um método adequado para depois tirar conclusões de que a acessibilidade dos Centros de Saúde é boa. Até porque, é caso para se perguntar, porque é que as pessoas que não vão aos Centros de Saúde, não têm o direito de ser inquiridas?

Este é mais um estudo que vai branquear muitas situações degradantes e degradadas, em múltiplos Centros de Saúde, por esse Portugal fora.

Só com críticas, não vamos longe. Mas, com branqueamento de situações menos boas, também nunca alcançaremos a desejada melhoria.

Mais adiante, voltaremos á leitura deste "estudo de mercado".

Thursday, February 12, 2009

Portugal Prozac

Num país em que o partido que ocupa a função governamental, se ocupa da questão candente da eutanásia, lê-se isto:
  • Nos últimos cinco anos, houve progressos na prestação de cuidados médicos a crianças e jovens, mas o indicador de saúde mental registou um agravamento.
  • «O consumo de ansiolíticos e antidepressivos ou as taxas de suicidio está a agravar-se e temos um consumo exagerado».

Será que são mais preocupantes as razões que conduzem a um suicídio, ou as razões que podem levar um doente terminal a pedir a eutanásia?

Nós temos uma opinião e uma prioridade muito clara.

Wednesday, February 11, 2009

Eutanásia: a última prioridade

Faltam médicos. Existem dezenas ou centenas de Centros de Saúde em estado de degradação. Há partes significativas de hospitais em decadência. Há listas de espera de vários tipos de cirurgias. Há listas de espera de tratamentos oncológicos. O Serviço Nacional de Saúde não tem serviço de estomatologia para a generalidade da população. Contudo, a prioridade do poder político é esta: Um grupo de militantes socialistas anunciou que quer levar ao XVI Congresso do partido o tema da eutanásia. Para tal, o deputado Marcos Sá entregou uma moção sectorial nos serviços do partido a propor a abertura do debate sobre a eutanásia, uma prática proibida por lei em Portugal.

Ou seja, estamos num mundo com os pés ao contrário! Portugal está dirigido por um bando de gente louca. A insanidade passou para o controlo da nação. Pior, um dos defensores daquela proposta é Secretário de Estado da Saúde: O documento é igualmente subscrito por Manuel Pizarro, secretário de Estado da Saúde.

Ainda vai demorar mais algum tempo, para Portugal bater mesmo no fundo.

Saugella

Fonte: aqui.

A autoridade que regula o sector do medicamento (Infarmed) mandou retirar do mercado nacional todos os lotes de um produto específico para higiene íntima por utilizar um conservante proibido.

Sunday, February 08, 2009

Tratamento oncológico sem auditoria

Vimos alertando para a falta de avaliação da qualidade dos serviços de saúde. Contudo, a situação já foi pior. Os doentes e os meios de comunicação social vão pressionando para que os serviços sejam mais e melhor auditados. Por tudo isto, não nos surpreende que isto se passe:
  • Especialistas em oncologia, reunidos na Assembleia-Geral da Sociedade portuguesa de Oncologistas, divulgam Carta de Princípios em que alertam para o “desperdício e a ineficiência” na utilização de recursos na luta contra o cancro em Portugal.

Gastamos globalmente cerca de 10% do PIB em saúde. É demasiado para o nível de resposta obtido. Espanha gasta cerca de 8% do seu PIB, e tem um nível de resposta melhor do que nós.

Contudo, é preciso ter em atenção que o desperdício e a ineficiência dos gastos em saúde dão jeito a muita gente!

Ainda que este alerta dos especialistas de oncologia tenha um outro enfoque:

  • Para os autores do documento, "o desperdício dos recursos deve-se à incapacidade e à inexperiência por parte de alguns profissionais face à abordagem diagnóstica e terapêutica dos doentes com vários tipos de tumores".
  • Os dados que se dispõe, nomeadamente os dos resultados obtidos em cada região e instituição, são na opinião destes especialistas "escassos e em regra pouco completos e fiáveis".

Ou seja, há pouco nível de controlo de gestão e pouca especialização da oferta de saúde na área oncológica. Nada de surpreendente.

Mas, também há aspectos positivos:

  • Enfatizam o alargamento da cobertura em cuidados especializados através da descentralização da prestação de serviços, o incremento da formação dos profissionais e uma melhor organização das instituições.

Aguardemos por melhores dias.

Thursday, February 05, 2009

A ansia de protagonismo de Correia de Campos

Correia de Campos foi Ministro, por duas vezes e Secretário de Estado, por uma vez. Foi um destacado membro de uma Universidade Pública e de um organismo público de formação. Contudo, Correia de Campos vive para a imagem. Não consegue viver sem as luzes da ribalta!

Há quem lhe ligue. Há quem goste de Correia de Campos. Nós achamos que Correia de Campos até fez algumas coisas positivas na última passagem pelo governo, como Ministro da Saúde.

Mas, já não temos paciência para ler este tipo de diatribes:
  • O ex-ministro da Saúde António Correia de Campos admite a existência de «excessos» e até de «fraudes» no sector, classificando-as como «perfeitamente normais».
  • «O que o gestor máximo tem de fazer é estar atento e ter mecanismos de intervenção», disse, recordando o sucesso da mediação que fez em 2005 quando, numa cerimónia pública no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, revelou que a nova direcção desta instituição, onde foram registadas fraudes com o aprovisionamento, estava a receber ameaças de morte.

Oh Senhor Professor Correia de Campos, se tem conhecimento de fraudes no sector que tutelou até há um ano, deve denunciá-las, sob pena de parecer ser conivente com elas!

Porque será que a imagem da classe política portuguesa anda pelas ruas da amargura? Apenas e só, porque não têm espírito de serviço público, assim como não se controlam para estarem sempre no púlpito.

Melhores dias virão.

Wednesday, February 04, 2009

Obama e o universal healthcare

Fonte: aqui.

O Presidente Obama criou uma onda de novidade. Mesmo, uma aura de grandiosidade. "Yes, we can". Todos, ricos e pobres, pretos e brancos, velhos e novos, podem alcançar o "american dream".

Obama questionou sobretudo que "a América não poderia aceitar que cerca de 46 milhões de cidadãos não tivessem cobertura de saúde", dado que não tinham dinheiro para suportar um seguro de saúde.

Azar, Presidente Obama, logo o Secretário da Saúde (equivalente ao nosso Ministro da Saúde), escolhido por Obama, haveria de lhe deixar mais um amargo de boca: When President Obama nominated former Senator Tom Daschle to be his secretary of health and human services, it seemed to be a good choice.

Mas, afinal: Unfortunately, new facts have come to light — involving his failure to pay substantial taxes that were owed and his sizable income from health-related companies while he worked in the private sector — that call into question his suitability for the job. We believe that Mr. Daschle ought to step aside and let the president choose a less-blemished successor.

Pois é, a moral e a ética está pelas ruas da amargura, por todo o lado. E Obama aguentará tanta falta de ética e de moral na política e nos negócios?

Monday, February 02, 2009

Sunday, February 01, 2009

Palavras malditas: negligência médica

Errar é humano. Só por isso, a nossa sociedade deveria aceitar mais o erro. A negligência é que não deveria ser tolerável. A negligência deveria ser punida. Punição implacável.

Mas não, em Portugal, como em muitos outros países, "há pessoas mais iguais do que outras"! Vejamos o que aqui nos dizem e que nos deixa mesmo profundamente revoltados:
  • A Inspecção-Geral das Actividades de Saúde movimentou 2388 processos de natureza disciplinar e pré-disciplinar, em 2007.
  • Se tivermos em conta que só no livro amarelo o mesmo ano registou 39 652 reclamações (metade direccionadas aos médicos), percebemos a abissal distância entre a sociedade civil e o resultado das suas queixas.

Ou seja, das quase 40.000 reclamações feitas por doentes e familiares, apenas foram levadas a sério pelo IGAS, cerca de 5% das reclamações. As restantes 95% foram para o lixo! Dito isto, valerá a pena reclamar?

Vejamos mais: Em termos práticos, no ano de 2007 aplicaram-se 62 penas disciplinares, a maioria de repreensão escrita (e não dependente de prévio processo disciplinar), dirigidas em 60% aos médicos. Em causa esteve a assiduidade, as deficiências e omissões nos registos clínicos e a assistência médica.

E isto, ainda constrange mais: Mas no mesmo relatório anual de actividades do IGAS não se diz quantos casos de negligência médica foram, de facto, provados. Aliás, palavras como erro e negligência médica praticamente não aparecem. Quando muito, fala-se em "alegada assistência negligente".

Pior é ainda o que se diz aqui: "Há uma diferença grande entre existir negligência e prová-la. Na maioria esmagadora das vezes, não se prova a negligência. É muito difícil", atalha Pedro Nunes, acrescentando que, "numa percentagem muito elevada, há uma relação de igualdade, sendo a voz de um contra a de outro".

Naturalmente que há também um grave problema, de que não se fala neste artigo, que é o facto de os doentes não terem na maioria dos casos, apoio judiciário para se defenderem perante uma classe importante, mas demasiado poderosa, numa sociedade portuguesa ainda com tiques feudais!

Ou seja, há uma grande oportunidade para os jovens advogados começarem a defender os interesses dos doentes fragilizados e mal tratados. É que para o Bastonário da Ordem dos Médicos, negligência é isto: "sendo a negligência a falta de prestação de cuidados".

Nós, que não somos juristas, achamos que a simples falta de prestação de cuidados, não é a única fonte de negligência médica. Negligência médica pode ser o que aqui se escreve: falta de diligência, preguiça, incúria, desmazelo, desleixo.

A informação será a arma dos doentes objecto de negligência médica.

Post Scriptum: não temos nada de especial contra os profissionais médicos, não podendo contudo, classificá-los fora do âmbito dos outros cidadãos.