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Tuesday, July 09, 2013

Hospital ou sítio mal frequentado?


É triste, continuar a ver o principal hospital do país, envolto nisto: A Polícia Judiciária efetuou, esta terça-feira, buscas à farmácia de venda livre no perímetro do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, no âmbito de uma investigação que está em curso. As buscas decorreram na farmácia externa ao hospital, que serve o público em geral, disse à Agência Lusa fonte policial.

A história de sucesso da farmácia de Santa Maria, integrada num período sinistro da História de Portugal: Inaugurada a 14 de abril de 2009 - numa cerimónia que contou com a presença do primeiro-ministro na altura, José Sócrates, e a ministra da Saúde Ana Jorge - esta farmácia deveria ter pago uma percentagem das vendas e uma renda ao hospital, o que nunca chegou a acontecer.

Os loucos que criaram esta vergonha, deveriam ser responsabilizados criminalmente. A bem do contribuinte português.

Wednesday, May 08, 2013

Médicos: finalmente, um caminho

É verdade. A vida está má. Portugal faliu. Por muito tempo. Não vale a pena, chorar. Não vale a pena, parar. É preciso avançar: O ministro da Saúde brasileiro anunciou planos para recrutar milhares de médicos estrangeiros para trabalhar em regiões remotas e onde há maior carência de clínicos no país. A maioria, cerca de seis mil, serão cubanos, mas Alexandre Padilha abriu também a porta ao recrutamento de profissionais de Portugal e Espanha.

Aliás, os próximos patrões dos jovens médicos portugueses, até os elogiam: "Como ministro da Saúde, não vou ficar vendo a situação de Espanha e Portugal – que têm médicos de muita qualidade, que falam português e que vivem uma situação de 30% de desemprego – sem pensar em alternativas de intercâmbio para trazer esses profissionais", anunciou o governante na última terça-feira.

Um outro português emigrado, tão do agrado do Ministro da Saúde do Brasil: As fotografias foram divulgadas pelo próprio Ministério da Saúde do Brasil. Mostram uma reunião de trabalho entre a Octapharma, uma empresa farmacêutica sediada na Suiça, o ministro brasileiro da Saúde, Alexandre Padilha e José Sócrates. Um encontro que decorreu em Brasília, no início de Fevereiro. O ex-primeiro ministro português é, desde dia 1 de Janeiro, presidente do conselho consultivo para a América Latina da multinacional farmacêutica.

Friday, March 08, 2013

Os leprosos poderosos

Quando a riqueza se concentra e a miséria aumenta, é natural que se processem ajustamentos mais ou menos violentos. Como a chamada Justiça não é amiga dos cidadãos portugueses, e como o sentimento de impunidade é absoluto, sobretudo quando estão em causa pessoas das chamadas "castas superiores", os cidadãos recolhem-se no pouco poder que têm: na desconfiança, no boicote, na omissão, na guerrilha, se for mesmo necessária.

Perante gangues organizados, só mesmo a guerrilha é a ferramenta adequada para afrontar os vampiros: O presidente do Instituto do Sangue receia que as notícias sobre as ligações de José Sócrates à Octapharma, que trata o plasma, se traduzam em menos doações e esclareceu que o sangue dos portugueses não está envolvido em negócios.

Os portugueses são, por ora, um povo manso, ou tolerante. Apesar de ao longo da sua História, os portugueses foram tudo menos mansos! Se alguém tem a memória curta, há quem pense mais fundo e mais longe.

Por ora, a guerrilha é a arma adequada para afrontar os vampiros do sangue: «Qualquer notícia à volta do sangue, do plasma ou das plaquetas é destrutiva em termos de colheitas. Os dadores, que ainda por cima são benévolos, afastam-se das nossas brigadas sempre que pressentem que existe qualquer negócio, qualquer coisa menos transparente».

Ninguém gosta de estar junto dos leprosos (salvo, a dignidade humana que merecem).

Friday, March 01, 2013

Promiscuidades

Num país que vive a miséria, a impunidade, e o esbulho fiscal, todos os cidadãos de bem, e ainda há muitos, têm que desconfiar de tudo. Até porque, a quase generalidade dos detentores de cargos públicos, vá-se lá saber porquê, são normalmente ricos ou pelo menos abastados, depois de exercerem os tais cargos, quando antes, andavam por aí, aos caídos!

Às vezes, o que parece é: «O presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT), Luís Cunha Ribeiro, vive numa casa no mesmo prédio de José Sócrates, na rua Braamcamp, em Lisboa. A casa está arrendada à empresa Convida - Investimentos Imobiliários e Turísticos, da qual é administrador Paulo Castro, que é também gestor da Octapharma na Suíça e gerente da Octapharma em Portugal. E foi ainda Paulo Castro que convidou José Sócrates para ser consultor daquela farmacêutica suíça para a América Latina.»

Tuesday, May 24, 2011

Amigos de Peniche

Tantas loas ao SNS, são para desconfiar:
  • O futuro do Serviço Nacional de Saúde (SNS) "vai a votos nas próximas legislativas" e é preciso mobilização para defender este sistema público, afirmou esta noite o secretário-geral do PS.
Qual SNS? Aquele que é "tendencialmente gratuito"? Ou aquele que é "tendencialmente a pagar"? O SNS que suporta menos de 70% da despesa de saúde em Portugal, com tendência para diminuir aquela percentagem? Ou o SNS que não suporta a saúde oral, ou as consultas de especialidades, ou as próteses oculares, entre outras?

Ou será o SNS que permite que apenas 20% dos medicamentos sejam genéricos, ao contrário do que se passa nos países do Norte da Europa, em que mais de 50% são genéricos?

Quem criou as taxas moderadoras para as cirurgias diz isto: O secretário-geral do PS acusou hoje o PSD de pretender retirar cuidados de saúde do sistema público e querer obrigar os cidadãos a pagar mesmo quando são atendidos no Serviço Nacional de Saúde.

Curiosamente foi o mesmo governante que concretizou mais Parcerias Público - Privadas.

Manipulação? Falácia? Embuste? Ou afinal, "olha para aquilo que eu digo, e não para o que eu faço"!

Monday, March 07, 2011

A grande manipulação

A política é por vezes séria. Na maioria das vezes, a política é feita de sombras. A política é feita de jogos. Os cidadãos são na sua maioria, ingénuos e aquiescentes.

Vejamos o que se diz aqui: “O mito da privatização da saúde como contributo para a eficiência na saúde é apenas um mito e não tem nenhuma base empírica, não tem nenhuma demonstração”, afirmou o primeiro-ministro na Guarda.

Ora, não nos esquecemos que foi com este Primeiro-Ministro, que o Governo de Portugal assinou várias Parcerias Público - Privadas. Então, se a gestão pública é melhor do que a gestão privada, porque faz o governo parcerias com entidades privadas?

Aliás, foi com este Primeiro-Ministro, que o Governo de Portugal denunciou o contrato de Parceria Pública - Privada com a José de Mello Saúde, no Hospital Amadora - Sintra. E foi com este Primeiro-Ministro que o Governo de Portugal assinou uma Parceria Pública - Privada com a José de Mello Saúde, no novo Hospital de Braga!

Consistência política? Onde? Será que dizer hoje uma coisa e amanhã o inverso, faz parte da política? Claro que não. Isto tem outro nome.

Quando as sombras se tornam evidentes para todos, o ambiente adensa-se e torna-se perigoso. Muito perigoso, mesmo.

Monday, October 18, 2010

Com a verdade me enganas

É um ditado antigo e popular. Assim, nos parece isto: Ao mesmo tempo que defende com unhas e dentes a Saúde e a Educação públicas, o Governo de Sócrates faz os maiores cortes nos orçamentos sectoriais exactamente nestas duas pastas.

Evidentemente que o SNS tinha laivos interessantes, como seja a sua democraticidade, ou seja, era acessível aos ricos e aos pobres, era acessível aos que vivem na cidade e na aldeia, era acessível até a muita gente que nem português era, tendo como base a solidariedade com os luso-africanos, que vinham e ainda vêm tratar-se aos hospitais públicos portugueses.

Misturavam-se no SNS, hospitais topo de gama, como os Hospitais da Universidade de Coimbra, com hospitais decadentes, como o Hospital de Vila Franca de Xira ou o Hospital Curry Cabral. Nunca houve um SNS. Existiam sítios muito acessíveis e decentes. Havia muita imundice, muita irresponsabilidade.

Agora, quem tem o mandato para mandar no país, pelo menos parcialmente, quer fazer a quadratura do círculo: o ministério de Ana Jorge é o que mais sofre com cortes na despesa consolidada, passando dos 9,8 mil milhões de euros para os 8,5 mil milhões (menos 12,8%).

É impossível, e apenas por uma razão: habituaram mal e a viver à grande e à portuguesa, uma quantidade de gente, desde os médicos que pululam por muitos hospitais centrais, que "picam o ponto" às 9h05m, e já estão a caminho do almoço pelas 12h30m, passando pelos custos descontrolados com medicamentos, com fornecimentos de parceiros "a jeito", etc.

E agora, travagem às quatro rodas? Com a verdade me enganas!

Wednesday, September 22, 2010

Os predadores do SNS

O que são predadores? Predação é o hábito alimentar de muitos animais, que procuram activamente as suas presas, que são outros animais, os perseguem e capturam. Os predadores são normalmente animais de grandes dimensões — em relação às suas presas.

Bem, vejamos quem são alguns dos predadores do SNS:
  • José Sócrates só baixou medicamentos no ano das eleições. Há cinco anos que os encargos totais dos portugueses com medicamentos têm registado subidas anuais, com excepção de 2009, ano de eleições. Os dados têm por base a facturação das farmácias e foram ontem divulgados pela Associação Nacional de Farmácias (ANF). É um dos argumentos usados por João Cordeiro para defender que a culpa do descontrolo dos gastos do Estado com comparticipações é... do próprio governo e das suas medidas "eleitoralistas" ou decididas à "pressa".
  • É já na próxima semana que entra em vigor o novo regime de comparticipação dos medicamentos que vai fazer com que os utentes passem a pagar quase o dobro por alguns dos remédios mais vendidos. A portaria com as alterações à lei foi publicada na sexta-feira com a indicação de que entra em vigor já a 1 de Outubro, mais cedo do que era esperado.
  • Farmácias e indústria preparam contra-ataque ao Governo. está em cima da mesa a possibilidade das farmácias recusarem vender medicamentos aos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou mesmo uma greve ao pagamento de impostos. Também a Apifarma já ameaçou retirar alguns medicamentos baratos do mercado. Medidas de protesto com um "impacto tão gravoso que não deviam sequer estar a ser equacionadas" mas que são inevitáveis face à situação, admitiu ao Diário Económico fonte do sector.

Sunday, September 19, 2010

Crónica de uma morte anunciada

Nós já vamos escrevendo há algum tempo sobre a próxima morte daquilo que nos é vendido desde 1979 como um Serviço Nacional de Saúde.

Inicialmente, a extensão dos serviços de saúde, quer através dos Centros de Saúde (vulgo "Caixas", desde os tempos de Marcelo Caetano e de Salazar), quer através dos hospitais centrais e locais, foi-se realizando lentamente através da melhoria das infraestruturas que existiam anteriormente. No início da década de 80, Portugal gastava sensivelmente 5% do seu PIB em saúde.

Depois, vieram as exigências de maior qualidade, que obrigaram a um investimento significativo em mais pessoal e em mais equipamento. Paralelamente, criaram-se inúmeras redes à volta do SNS, que olharam para ele como uma fonte de rendimento crescente.

As ligações políticas com alguns dos principais participantes no negócio da saúde (médicos, retalho farmacêutico, funcionalismo público, etc.) veio acentuar a "árvore das patacas" que constituiu o SNS. Actualmente, gasta-se mais de 10% do PIB em saúde.

Pior, com um PIB estagnado desde há cerca de uma década, é inviável aumentar a despesa com a saúde. Ou seja, os portugueses têm que escolher entre dois cenários: 1) custearem directamente o financiamento crescente do SNS, e em simultâneo, alimentarem os insaciáveis predadores do SNS; 2) procurarem alternativas que lhes tragam uma qualidade de saúde aceitável a um preço mais baixo.

Ou seja, o tempo de escolha entre opções esvai-se. Veja-se o tiroteio que por aí vai:

1. O coordenador do Bloco de Esquerda acusou o primeiro-ministro de «estar a destruir o sistema nacional de saúde, com a entrega de hospitais a privados e com aumentos nos medicamentos». «O que mais tem acontecido é a degradação do Estado social», disse.
2. A Associação Nacional de Farmácias enviou uma carta ao primeiro-ministro, em que pede a suspensão da redução dos preços dos medicamentos. A missiva explica que os estabelecimentos não há condições para suportar esta decisão.
3. O primeiro-ministro.....Citando um relatório da OCDE, notou que, enquanto "o crescimento com a despesa em saúde foi de 4,2 por cento entre 2000 e 2008 em média [nos países da organização], em Portugal foi de 2,2 por cento".
4. o director-geral da Saúde, Francisco George, adiantou que em 2011 "todos os portugueses com 16 anos terão todos os dentes tratados ou protegidos", sem explicar como tal cobertura será obtida.
5. Passos Coelho afirma que o PSD nunca falou na extinção do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
6. O Serviço Nacional de Saúde já perdeu quase 500 médicos desde o início do ano. Os pedidos de aposentação autorizados ultrapassam a média de anos anteriores.

Monday, March 01, 2010

A Face Oculta chegou à farmácia

Pois é, estamos todos (excepto os que vão trabalhando e pagando impostos diáriamente) envolvidos em tramóias, jogadas, manigâncias e outras manipulações. Será que os animaizinhos que estão no Jardim Zoológico também fazem parte da Face Oculta?

Bem e no que respeita à saúde, ouçamos:
  • Ontem o semanário Sol divulgou algumas intercepções feitas a Armando Vara e ao seu amigo, o empresário Lopes Barreira, que indiciam que um diploma aprovado a 23 de Julho em Conselho de Ministros (CM) foi alterado posteriormente de acordo com a versão defendida pela ANF.
  • A cláusula da discórdia permitiria a estas farmácias escapar a uma eventual falência.
  • No dia 24 à noite, Lopes Barreira conta à ex-ministra da Saúde Maria Belém Roseira que "o [Francisco] Ramos roeu com isto tudo". E explica: "O [Fernando] Serrasqueiro [secretário de Estado Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor] tinha falado com o Cordeiro, a dizer que o Sócrates queria, passados dois dias, fazer um Conselho de Ministros em que aquela história iria ser aprovada em favor da ANF." Só que, "de repente, a coisa mudou, o dito cujo [Ramos] apanhou o Sócrates distraído e fez o contrário, o que deu esta guerra toda".

Terá esta estória algo que ver com aquela velha lenda do "Ali Bábá e dos 40 ladrões"?

Sunday, November 22, 2009

O gato escondido de José Sócrates

Há muito tempo, nos idos de 1979, quando o SNS foi criado, era gratuito. Depois, nos meados da década de 80, arranjou-se uma frase lapidar: "o SNS é tendencialmente gratuito" (referência ao artº 64º da Constituição da República).

Os políticos portugueses habituaram-se a falar por meias palavras e através de meias-verdades. Ou se quiserem, os políticos vivem dizendo inverdades!

Vejamos a última etapa de um SNS para os que podem, e um SNS para os outros: “Deve haver igualdade e todos devem pagar em função das possibilidades.” Sócrates recusou explicar se vai alterar o financiamento do SNS ou o pagamento das taxas moderadoras.

Que o SNS era insustentável, já nós o sabemos há muito. Mas, a classe política (relembremos que José Sócrates esteve em funções governativas durante mais de 10 anos, nos últimos 15 anos) entretém os portugueses a dizer que não. O SNS está aí para durar, dizem eles, em versão de canto gregoriano.

Não estaremos longe de um SNS pago em função do rendimento de cada um. O problema é que quem paga muito, passa a escolher serviços melhores. E aí, só irá ao SNS aqueles que não têm escolha! Pois.

Sunday, September 06, 2009

Hospital de Braga III

O Hospital de Braga arrancou. Isto é, a José de Mello Saúde começou a gestão do antigo Hospital de São Marcos, a que sucederá o novo Hospital de Braga, em construção.

O que é curioso no caso do futuro-actual Hospital de Braga é isto: A presidir ao novo conselho de administração do São Marcos está Rui Raposo, que era até ao final do ano passado presidente da administração do hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra), unidade que estava sob a gestão privada da José de Mello Saúde mas que passou a uma gestão pública por decisão do actual Governo.

Parece que a José de Mello Saúde é incompetente para gerir o Hospital Fernando da Fonseca (ou Hospital Amadora-Sintra), mas já é competente para gerir o Hospital de São Marcos, futuro Hospital de Braga!

Admiramos o Grupo Mello desde as suas origens, de Alfredo da Silva, no Barreiro. A lendária CUF, José Manuel de Mello, Jorge de Mello, são parte da história da gestão empresarial em Portugal, por muito que isso custe a muita gente. Contudo, José Sócrates achou que o Ministério da Saúde não tinha competência para gerir o contrato de gestão da Parceria Público - Privada, no Hospital Amadora Sintra. Esse mesmo Ministério parece que já tem capacidade para gerir uma parceria em tudo idêntica no Hospital de Braga. Tudo isto num espaço de meses e com o mesmo Governo!

Rosas, Senhor, eram rosas, dizia a Rainha Santa!

Tuesday, September 01, 2009

SNS: a falácia dos números

Embora a natureza dos números seja mais clara do que a leveza das palavras, sabemos que a contabilidade não é uma ciência, mas antes uma arte. Não é invulgar ouvirmos falar de engenharia financeira ou de contabilidade criativa. No SNS, tal como em Wall Street, os números são trabalhados conforme as conveniências de serviço. Contudo, este tipo de criatividade nas contas tem limites, e um dia, rebenta!

Tudo isto a propósito da apresentação das Contas do SNS, relativas ao 1º semestre de 2009. Vejamos a situação resumida do que vem aqui:
  • Total da receita do SNS: 4.217 milhões de euros (+1,3% do que em igual período de 2008).
  • Total da despesa do SNS: 4.176 milhões de euros (+1,7% do que em igual período de 2008).
  • Saldo do SNS: 40,5 milhões de euros (-27% do que em igual período de 2008).

É este resultado espantoso? Não. O que nos espanta é a forma "crua" como os contabilistas do Ministério da Saúde transmitem este tipo de variações: 1) as despesas com pessoal decresceram em 2009, 23% face a 2008; 2) os subcontratos cresceram em 2009, 9,2% face a 2008.

Não é de estranhar que as despesas com pessoal tenham decréscimos de dois dígitos? Pois, tira-se daqui, para pôr acolá! O que se pretende com estes jogos? Manipulação, ou se quisermos, mera criatividade financeira! Pois.

Mas, se quisermos analisar as contas das ARS's ou dos Hospitais SPA, encontramos, mais e múltiplos artifícios. Assim não vamos lá, a tentar mascarar coisas. É que, quando ouvimos o Senhor Primeiro Ministro ou a Senhora Ministra da Saúde a falar em grandes investimentos públicos na saúde, e depois verificamos que a rubrica de Imobilizações constantes nas Contas do SNS, para o 1º semestre de 2009, foi de 23,2 milhões de euros investidos, achamos que há algo de inconsistente. Isto, nem para uma ala de um velho Hospital chega!

São rosas, meu Senhor, dizia a Rainha Santa!

Monday, August 17, 2009

Só a primeira pedra?

Fonte: aqui.

Vivemos tempos estranhos. A falta de estratégia para um país uno e com história, até dói. Ao contrário do que muitos pensam, os países em que se vive melhor, são países pequenos, quer geográficamente, quer demográficamente. A Suíça ou a Suécia. A Dinamarca ou Singapura. A Nova Zelândia ou a Holanda. E não se fale que são produtores de petróleo ou de ouro, que não são.

Por cá, temos gente que tem passado pelo poder, deixando a marca indistinta da falta de rigor e de estratégia. Depois, muita conversa, que vai do "discurso da tanga", até ao "discurso da treta".

Esta para nós é conversa da treta: «Este hospital é importante para o Tâmega e Sousa mas é sobretudo fundamental para o Serviço Nacional de Saúde. Temos seis hospitais em construção, em Cascais, Braga, Guarda, Hospital Pediátrico de Coimbra e também em Lamego».

Não. Não somos contra a construção de hospitais. Antes pelo contrário. O que achamos estranho é este frenesim de "construção hospitalar a 30 dias das eleições de Setembro". Evidentemente que não é por mero acaso que estas "novidades" chegam agora. Antes, ouvíamos falar do Aeroporto da OTA (?), ou de Alcochete (?). Pior, viajamos pelo país e encontramos Portugal pejado de estradas e auto-estradas. E o TGV já andará por aí?

Porquê agora hospitais? Pior, "primeiras pedras de hospitais"?

Quem irá pagar esta "primeira pedra": «Este hospital é importante para o Tâmega e Sousa mas é sobretudo fundamental para o Serviço Nacional de Saúde», afirmou o Primeiro-Ministro, em Amarante, na cerimónia de lançamento da primeira pedra do novo Hospital de Proximidade?

Que bonito lançar obras a 30 dias de abandonar cargos! É oportuno, sem dúvida.

Já agora, e os hospitais que demonstram há anos, ou mesmo décadas, sinais evidentes de degradação, ao ponto de estarem até ameaçados de colapso parcial (lembramo-nos do Hospital de Vila Franca de Xira)?

Wednesday, June 03, 2009

A realidade e a mistificação

Se esta imagem é dura: "Muito provavelmente, teremos entre 6% e 8% da população a precisar de cuidados especializados. Há muita gente que anda perdida", referiu o coordenador nacional para a Saúde Mental, José Caldas de Almeida, ontem, em Coimbra.

Esta imagem é mistificadora: Em Portugal, no entender do chefe do Governo, nunca se construíram tantas creches e tantas unidades de apoio à terceira idade como agora.

Até porque estamos fartos de um marketing político "de primeira pedra": Antes, José Sócrates passou por Garvão para a colocação da primeira pedra da Unidade de Cuidados Continuados.

Gostamos de verdade. Não gostamos de mistificações. E ainda menos gostamos de falta de humildade!

Tuesday, May 05, 2009

A fanfarronice de Correia de Campos

Correia de Campos adora estar nos media. Correia de Campos adora os cadeirões do poder. Correia de Campos gosta de se mostrar. Vejamos (edição de 5 de Maio de 2009) no que dá, esta ansia de protagonismo: Se se tivesse concretizado o investimento anunciado em Janeiro de 2006 por três ministros e um secretário de Estado, Portugal pertenceria hoje ao restrito número de países do mundo com capacidade de produzir vacinas antigripais.

Em 2006, lá estava para aparecer no telejornal do dia: Correia de Campos, Manuel Pinho e Mariano Gago a assistir à assinatura do protocolo de entendimento entre a Medinfar e a Agência Portuguesa para o Investimento.

E agora, o que diz o sempre presente Correia de Campos: Segundo o relato do ex-ministro, foram os responsáveis da empresa que manifestaram ao Governo a intenção de avançar para uma fábrica que pudesse produzir 800 mil vacinas por ano para a gripe sazonal e que, ao mesmo tempo, estivesse desde logo preparada para readaptar a sua produção às necessidades de responder a uma pandemia, assim que fosse conhecida a estirpe do vírus em causa. "Nós só nos podíamos associar a esta intenção, já que não investíamos um cêntimo, e apenas nos comprometíamos a comprar, em caso de pandemia, as vacinas que ali fossem produzidas, e a preço de mercado", sublinhou.

Para nós, só faz sentido inaugurar algo, quando algo está pronto a funcionar. Ou se quiserem, quando algo está a começar a ser construído. Para Correia de Campos e também para José Sócrates, a ansia de mostar coisas é tanta, que até se prestam ao triste espectáculo de irem atrás de boas intenções. Mas, como se costuma dizer, de boas intenções está o inferno cheio!

Monday, April 27, 2009

Medicamentos: o grande bolo

Não vamos aqui falar do SwineFlu, temos mais do que escrever e analisar. Vamos escrever sobre medicamentos, esse belo bolo que dá de comer a muita gente! Mas, que tem ajudado muita gente a melhorar a sua qualidade de vida.

Ora vejamos estas duas notícias:

1. Em Junho, um milhão de reformados com pensões inferiores a 450 euros terão acesso a medicamentos genéricos gratuitos, desde que receitados pelo médico. A medida terá contudo um efeito limitado nas vendas das farmácias, que registam quebras significativas. Dar genéricos aos pensionistas do regime especial de comparticipação de medicamentos representa apenas 2% da despesa do Serviço Nacional de Saúde com medicamentos, que no ano passado foi de 1,473 mil milhões de euros.

2. Em Portugal venderam-se no ano passado mais de 1,9 mil milhões de euros de medicamentos de marca, segundos dados revelados ao DN pelo IMS Health - empresa de consultoria internacional em marketing farmacêutico. E em genéricos, os gastos situaram-se nos 461,5 milhões. O que significa que o ano passado, os portugueses gastaram quase 2,4 mil milhões de euros em medicamentos.

Ora bem, é muita fartura. Dá para perceber porquê que há tanto ruído, quando se fala em medicamentos, genéricos, utilização agressiva de Delegados de Informação Médica, seminários nas Caraíbas, derrapagens no orçamento da saúde, campanhas de informação e de desinformação nos media.

Que pague o "Zé", que é hipocondríaco e paga impostos! Até onde e até quando, vão ter os portugueses dinheiro para pagar o festim?

Post Scriptum: quando é que o Engenheiro José Sócrates cumpre a promessa de lançar no mercado, o medicamento em unidose? É que a medida vinha no Programa do Governo, e as eleições serão já no próximo Outono.

Sunday, April 05, 2009

Senhora Ministra: não se desculpe, faça!

Existe uma sistemática falta de cumprimento de promessas por parte do poder político. Existe uma falta de controlo do poder político, tendo em vista o controlo efectivo das promessas por cumprir!

Esta é só mais uma promessa por cumprir: Ana Jorge, ministra da Saúde, admitiu esta sexta-feira um atraso na implementação de um sistema de dispensa de medicamentos em unidose. Uma medida anunciada pelo Primeiro-ministro há três anos.

Porque é que esta medida ainda não foi implementada? Por várias razões, segundo o poder político:
  • explicando que se trata de um “processo complexo” que tem levado o Ministério da Saúde a efectuar diversos estudos de forma a garantir uma distribuição eficaz.
  • o facto de durante os estudo que têm vindo a ser feitos foram “levantados alguns problemas, nomeadamente o risco maior de haver medicamentos de contrafacção”, dada a distribuição das doses à unidade.
  • Ana Jorge referiu ainda que tendo em conta que numa fase experimental a distribuição seria feita em farmácias hospitalares, onde “pode ser feita de forma mais segura”, e recordou que existem apenas “duas farmácias hospitalares no País”.

Oh Senhora Ministra, se fosse tão produtiva a fazer coisas, como é a arranjar desculpas, teríamos Ministra! O que estará por detrás de tal inacção do Ministério da Saúde? Custa tanto colocar à venda "1 comprimido" em vez de 60 comprimidos? Ou será que a venda em unidose não interessa aos Laboratórios farmacêuticos, nem à distribuição farmacêutica?

Contudo, a Senhora Ministra deveria defender os interesses dos cidadãos e dos contribuintes. Estes são os interesses que Ana Jorge deveria defender, a todo o custo. Se não conseguir defender os interesses dos contribuintes, então, Ana Jorge não está a fazer nada no governo.

Friday, January 23, 2009

Saúde Ibérica

De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento! Quem foi o autor desta frase? Confessamos que não sabemos se é mais do que uma frase popular.

Sinceramente, não somos contra Espanha. Até gostamos de Espanha. Se somos a favor da Ibéria? Temos muitas dúvidas em seguir por esse caminho, pela História e pela dignidade dos antepassados.

Bem, tudo isto a propósito disto: Do lado da Saúde, vão ser protocoladas as intervenções de assistências às populações das regiões transfronteiriças. Uma questão que ganha importância acrescida com a implementação da nova organização física do sistema de Saúde português.

Dito de outra maneira, a Ministra Ana Jorge foi a Zamora, com José Sócrates, entregar a gestão da saúde fronteiriça ao Ministério da Saúde de Espanha, e respectivos Governos Regionais. Só quem não conhece partes raianas, é que acha inovadora esta abordagem de Ana Jorge em Zamora.

Na Região de Elvas-Campo Maior, é normal ir tratar da saúde a Badajoz. Assim como na Região de Reguengos de Monsaraz, se passa o mesmo!

Então, o que foi fazer a Zamora, Ana Jorge? Apenas e só, formalizar a entrega do SNS raiano a Espanha!

Haverão de vir, dias melhores!

Wednesday, January 14, 2009

Erros na saúde?

Diz o Senhor Bastonário da Ordem dos Médicos: Pedro Nunes confessou que gostava que José Sócrates admitisse a existência de erros na gestão do sector em Portugal.

Como? O Engenheiro Sócrates vai admitir erros? Pensamos que o Engenheiro Sócrates vai admitir tantos erros cometidos pelo Governo que dirige, como o Dr. Pedro Nunes admitirá que a classe que representa em Portugal, comete erros!

Depois, cá vem o discurso para "enganar cidadão": É óbvio que os médicos gostariam que o sr. primeiro-ministro dissesse que a saúde ia ser gerida com lógica de resultados a favor dos cidadãos, dizer que reconhece que houve alguns erros nesta gestão estritamente economicista e que iria passar a defender a saúde dos seus concidadãos», afirmou o Dr. Pedro Nunes.

Mas, será que os médicos não têm interesse por questões "economicistas"?