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Friday, March 08, 2013

Os leprosos poderosos

Quando a riqueza se concentra e a miséria aumenta, é natural que se processem ajustamentos mais ou menos violentos. Como a chamada Justiça não é amiga dos cidadãos portugueses, e como o sentimento de impunidade é absoluto, sobretudo quando estão em causa pessoas das chamadas "castas superiores", os cidadãos recolhem-se no pouco poder que têm: na desconfiança, no boicote, na omissão, na guerrilha, se for mesmo necessária.

Perante gangues organizados, só mesmo a guerrilha é a ferramenta adequada para afrontar os vampiros: O presidente do Instituto do Sangue receia que as notícias sobre as ligações de José Sócrates à Octapharma, que trata o plasma, se traduzam em menos doações e esclareceu que o sangue dos portugueses não está envolvido em negócios.

Os portugueses são, por ora, um povo manso, ou tolerante. Apesar de ao longo da sua História, os portugueses foram tudo menos mansos! Se alguém tem a memória curta, há quem pense mais fundo e mais longe.

Por ora, a guerrilha é a arma adequada para afrontar os vampiros do sangue: «Qualquer notícia à volta do sangue, do plasma ou das plaquetas é destrutiva em termos de colheitas. Os dadores, que ainda por cima são benévolos, afastam-se das nossas brigadas sempre que pressentem que existe qualquer negócio, qualquer coisa menos transparente».

Ninguém gosta de estar junto dos leprosos (salvo, a dignidade humana que merecem).

Wednesday, June 15, 2011

Comportamentos malvados

Quem gere o bem público, tem que ter em consciência de que a coisa pública não é de alguns, mas que é de todos. Em Portugal, criou-se a ideia de que se é público, é de todos e não é de ninguém. E assim sendo, não há responsabilidade sobre os actos realizados.

Este caso relacionado com o Instituto Português do Sangue tem comportamentos malvados, contra o bem público e em particular o Contribuinte. Se não, vejamos:

1. Quase metade do sangue recolhido em Portugal não é aproveitado porque não existem condições para a separação nos vários componentes. Um concurso para adjudicar esse processamento está parado há dez anos. Mas o problema, diz Beleza, está no processamento do plasma, cujos componentes fraccionados, como o concentrado de eritrócitos ou de plaquetas, entre outros, são usados em patologias ou cirurgias específicas. “Não temos indústria farmacêutica que o faça. O processo foi impugnado várias vezes, está bloqueado há dez anos. E são derivados caríssimos”, diz o responsável.
2. Portugal destrói o plasma do sangue que recolhe devido a problemas com um concurso que obriga o Instituto Português do Sangue (IPS) a gastar anualmente 70 milhões de euros a adquirir este produto de saúde, segundo o seu presidente.
3. O presidente do Instituto Português do Sangue, Álvaro Beleza, confirma que metade do sangue que é recolhido em Portugal não é aproveitado. A denúncia tinha sido feita na edição desta manhã do Jornal de Notícias pelo presidente da Federação das Associações de Dadores de Sangue, Joaquim Moreira Alves, e foi agora confirmada por Álvaro Beleza. A repórter Arlinda Brandão registou as justificações de Álvaro Beleza.

Obviamente que não temos nada contra o Instituto Português do Sangue. Temos contra esta gente que há 10 anos finge que faz coisas, e que desaproveita recursos de todos. O que é isto?

Pior, apesar desta malvadez, o Instituto Português de Sangue quer incentivar a recolha de sangue. O que quer esta gente? Fazer dos outros parvos, sistemáticamente? É isto que é ser gestor do bem público?

Tuesday, February 01, 2011

Coincidências

Entre este facto: O concurso lançado pelo Instituto Português do Sangue (IPS) para a compra de um equipamento inovador cujos requisitos apontavam para uma única empresa da qual era sócio o filho do presidente do organismo foi anulado, como propôs a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde.

E este outro: O médico especialista em imunohemoterapia Álvaro Beleza é a partir de terça-feira o novo presidente do Instituto Português do Sangue (IPS), sucedendo no cargo a Gabriel Olim, anunciou hoje o Ministério da Saúde.

Ligações perigosas? Não. Tudo bons rapazes!