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Sunday, June 09, 2013

Os gloriosos anos loucos

Cada farmácia valia de trespasse entre um e dez milhões de euros. Poderia localizar-se em São João da Madeira ou em Faro. Ultrapassavam-se rácios de quase todos os outros negócios. O trespasse de uma farmácia valeria 3, 4, ou 10 vezes, o volume de facturação anual. Era melhor ter uma farmácia, do que uma mina de ouro na África do Sul.

Correia de Campos, que foi dos poucos ministros da saúde, com algum tino, queria dobrar o forte lobby do retalho farmacêutico. Entre as medidas engendradas para forçar a quebra dos retalhistas de medicamentos veio a ideia peregrina de abrir as chamadas farmácias hospitalares. Os valores licitados para as várias farmácias hospitalares pareciam que no Hospital de Santa Maria, por exemplo, se vendia algo ainda mais raro do que diamantes, tal a barbaridade contratualizada com o Estado, para a abertura da farmácia hospitalar.

Como a vida é dura (sempre foi), os ventos mudaram: As seis farmácias hospitalares do País enfrentam processos de cobrança de dívida que deverão levar ao fecho destes estabelecimentos. Em causa, segundo o Diário de Notícias, estão dívidas de 16 milhões de euros aos hospitais onde se instalaram, nomeadamente no que diz respeito ao pagamento de rendas.

A insanidade toldou os portugueses por demasiado tempo: Pedro Nunes, administrador do Hospital de Faro refere que só em rendas fixas a farmácia deve 517 mil euros. Montante que "nunca foi pago nem os 26% da facturação" e por isso perderiam "uma acção de despejo", acrescenta.

Custa muito a quem não sabe! Os portugueses pensaram que Portugal, ao entrar na União Europeia, teria voltado à gloriosa época do ouro do Brasil.

Sunday, January 02, 2011

A iliteracia das élites

Vivemos tempos estranhos. Tempos em que o país não anda, nem deixa andar. Tempos em que as classes dirigentes não contribuem para a solução, mas antes contribuem para a "sua solução". Quando falamos de classes dirigentes, falamos de: políticos, empresários, médicos, juízes, advogados, autarcas, professores, entre outros.

As despesas com a saúde estão descontroladas, por várias razões: 1) os custos com a saúde crescem acima da inflação há mais de 20 anos; 2) os grupos que controlam a saúde actuam, na sua maior parte, em conluio, ou se quisermos, em concertação contra o maior pagador das despesas com a saúde, ou seja, o Contribuinte; 3) os pretensos controladores da despesa de saúde, não exercem a sua função, preferindo ceder perante os vários interesses, e nem sequer querem incomodar-se para lhes fazer frente.

Quando há uma tentativa para controlar um "poço sem fundo", logo vêm os Chefes dos vários gangues atacar. Isto vem a propósito da obrigatoriedade de prescrição de medicamentos por via informática.

Vejamos o que diz um dos Chefes de um dos grupos mais importantes do país: A obrigatória prescrição eletrónica de medicamentos a partir de março está a provocar uma corrida dos médicos privados à compra de programas informáticos. Para o bastonário, a medida é "impraticável", porque há muitos clínicos que "nem computador têm".

Na era do Google, do IPhone, do Facebook ou do E-Bay, este Senhor Bastonário não tem vergonha de ser líder de uma classe "info-excluída"? Ou prefere ganhar mais uma batalha de poder, mesmo ficando com o rótulo de iliterato no campo informático?

Senhor Dr. Pedro Nunes, aconselhamo-lo a ir a umas das várias feiras que vão existindo pelo país, e comprar um computador Magalhães, usado, pela módica quantia de 10 euros!

Sunday, December 19, 2010

Parabéns Senhor Ministro

Não. Não são parabéns à Dra. Jorge. Essa não os merece. Mas, o Ministro Gago merece, pelo menos por este ataque às corporações: O ministro da Ciência e do Ensino Superior acusou este sábado o Parlamento de ceder aos interesses corporativos das ordens profissionais, dizendo que estas organizações apenas pretendem "canibalizar" e "controlar" o acesso ao mercado de trabalho.

Ora, quem são os destinatários desta mensagem? Primeiro, e antes de mais, a Ordem dos Médicos, essa organização que consegue dominar o Estado, vá-se lá saber porquê! Claro que outras Ordens estarão também "no alvo", como se percebe por esta reacção: O bastonário dos advogados, Marinho Pinto, classificou de "impróprias de um membro do Governo" as declarações do ministro Mariano Gago sobre as ordens profissionais.

Mas, os principais visados também reagem: Pedro Nunes afirmou achar "absolutamente lamentáveis" as declarações do ministro.

Mariano Gago tem toda a razão quando diz isto: O ministro da Ciência condenou "a tolerância do parlamento relativamente à criação e funcionamento das ordens profissionais em Portugal", dizendo que tal gera "um condicionamento do mercado de trabalho". "Com toda a franqueza, este é um dos fenómenos mais extraordinários que ocorre neste país. A complacência, a cedência corporativa a quem chateia o parlamento com o argumento de que não se pretende fechar o mercado de trabalho - que ideia! - e apenas se quer fazer deontologia, é absolutamente extraordinária".

O actual governo tem revelado uma inolvidável atracção pelo abismo, que conduzirá à próxima intervenção externa em Portugal, mas afinal ainda tem alguém que pontualmente vai mostrando lucidez. Aquilo que se passa na medicina é confrangedor, quando se quer fingir que há falta de médicos (quando há excesso de médicos nos grandes hospitais centrais), ou quando se impede a abertura de mais vagas nas universidades públicas, para proteger os interesses instalados, com o falso argumento de protecção da qualidade da profissão.

Alguém ouviu falar de desemprego médico? Nós, não.

Wednesday, November 17, 2010

Barões

Fonte: aqui.


Portugal comemorou recentemente 100 anos de República. Mas, os barões, os duques e os princípes continuaram por cá:
  • "Alberto João Jardim é presidente do governo regional, mas tem de perceber algo muito concreto: ou declara independência do país ou, se a Madeira faz parte do todo nacional, há legislação nacional" a cumprir, frisou Pedro Nunes.
  • Enquanto persistir a recusa da Madeira em permitir a avaliação extraordinária do Centro Hospital do Funchal e dos centros de saúde do arquipélago, que deveria ter sido realizada até Setembro passado, o bastonário da OM garante que não permitirá a abertura de novos internatos em 2011.
  • Jardim Ramos reagiu garantindo que tinha “ recebido dos colégios de especialidade da Ordem dos Médicos (OM) pareceres favoráveis para haver formação em 2011 nos serviços do Hospital Central do Funchal”.
  • Por seu lado, Alberto João Jardim reduz a situação a “um conflito que tem natureza política”. Como “o presidente da Ordem dos Médicos está de saída, eu não queria fazer dele uma pessoa importante e, portanto, nós vamos seguir o nosso caminho e o presidente da Ordem dos Médicos vai à vida e não tem qualquer importância para nós”, conclui.

Sunday, September 26, 2010

Os predadores do SNS - II

Porque não há-de ser possivel receitar medicamentos por Denominação Comum Internacional (DCI)? Quem ganhará com isto, para alem da Industria Farmacêutica? As agências de viagem que organizam "Congressos Cientificos" nas Caraibas e na Tailandia?

Vejamos mais predadores do SNS:

1. A possibilidade de escolher uma marca faz parte do objectivo de generalização da prescrição electrónica, o que implicará que, também a partir de Março, só os medicamentos receitados pelo computador sejam comparticipados. Mas para o bastonário dos Farmacêuticos a política que a tutela segue "deveria ser estrutural e não conjuntural", voltando a relembrar que há muito tempo que o sector pede que seja introduzida a prescrição por denominação comum internacional "que permitia poupar milhões" sem a "possível confusão" destes "protocolos terapêuticos".
2. O bastonário da Ordem dos Médicos condenou a medida e alertou para os perigos de confusão de medicamentos e de sobredosagem. Pedro Nunes alertou que qualquer protocolo feito com a Ordem não permitirá que o médico deixe de ter a "garantia de que as suas receitas são invioláveis".
3. O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, deixa o aviso - se o Ministério da Saúde permitir que as receitas médicas sejam alteradas na farmácia, e ainda penalizar as comparticipações dos medicamentos que não foram substituídos, a Ordem irá proceder a "um corte absoluto nas relações com o governo e não haverá protocolos terapêuticos para ninguém".

Nós sabemos que o Estado português é forte com o contribuinte que tem pequenos valores de IVA em atraso, mas é muito fraco perante a fuga ao "IVA em carrossel", perpretada por grandes empresas com ligaçoes internacionais. Mas, ficamos estupefactos com a altivez e arrogancia da Grande Corporação médica. Porque será que as pessoas têm tanto medo dos feiticeiros modernos?

Thursday, August 19, 2010

Uns mais guais do que outros

Ontem, hoje e sempre, com uma visão orwelliana da sociedade humana: "Todos os animais são iguais mas alguns são mais que outros".

Repare-se nisto:
  • Abertura de vaga de ginecologia/obstetrícia para o mapa de pessoal do Centro Hospitalar Oeste Norte: concurso deserto.
  • Abertura de vaga para assistente de oftalmologia para o Hospital de Faro: concurso deserto.
  • Abertura de vaga para assistente de psiquiatria no Hospital do Divino Espírito Santo: concurso deserto.
  • Abertura de vaga para médico na especialidade de nefrologia: concurso deserto. Não é difícil encontrar concursos desertos de 2005, 2002 até de 2000.
  • Há hospitais que em quatro anos só conseguiram contratar um médico quando precisavam de dezenas.

Pior, quando o Chefe do clã afirma isto: "Antigamente, as condições eram iguais para todo o País. Transformaram os hospitais em empresas e o mercado é para todos. Não fomos nós que inventámos o mercado. Agora que resolvam o problema. Se o concurso ficou deserto é porque não é atractivo", disse ao DN Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos.

E mais isto: "Dêem-lhes boas condições, possibilidades de progressão na carreira e pagamento correspondente. Da mesma forma que se contratam profissionais de outras áreas. As pessoas movem-se pelos desafios e pela estabilidade económica", avança o bastonário.

Este Bastonáriozinho faz lembrar a decepada Rainha Maria Antonieta, "se não têm pão comam brioche".

Porque será que os médicos são o equivalente moderno dos padres da época medieval?

Monday, July 12, 2010

A arrogância do Dr. Pedro Nunes

Não temos nada contra os médicos. Antes pelo contrário, temos bons amigos médicos. Já temos algo contra a corporação médica. Apenas e só, porque querem defender-se contra tudo e contra todos.

  • Para o bastonário, "se o governo acha que tem capacidade para abrir 1600 vagas na faculdade, deve simultaneamente garantir que abre 1600 vagas nos internatos quando forem necessários daqui por cinco anos".
  • "Se continuarmos todos os anos a abrir 1600 vagas, é previsível que haja desemprego médico porque não é previsível que o país tenha capacidade económica de os colocar, mas claro que fazem falta: é ilimitada a capacidade que pode haver de trabalho médico", referiu ainda Pedro Nunes.

O Dr. Pedro Nunes pode defender bem a corporação médica, mas não é amigo da Humanidade. Desde quando é que o Estado (que são todos os contribuintes e restantes cidadãos) garante lugares de trabalho a todos os licenciados em Filosofia? Ou licenciados em Economia? Ou licenciados em Enfermagem?

Este é um tipo de discurso sem pudor. Vergonhoso. Desumano. Sem decoro. Revoltante.

Numa fase de tremendas dificuldades para o sector privado, o Dr. Pedro Nunes recostado na sua poltrona afirma isto: "se os hospitais estiverem em contenção financeira, não têm capacidade para pagar os ordenados". Tal como Maria Antonieta, esposa de Luís XVI, "se não têm pão, comam brioche".

E o pior, é que quando os aparentes líderes de opinião dizem disparates, tendem a ser mimetizados: O representante dos alunos frisa que, num futuro próximo, o eventual excesso de médicos “poderá vir em muito prejudicar a saúde em Portugal, porque acreditamos que o sector da saúde não é igual à maioria dos sectores em que a concorrência poderá ser benéfica”.

Os Senhores Doutores, médicos, quando estão recostados na poltrona do Estado, acham que a saúde não é um sector que se mova pela concorrência. Quando, os Senhores Doutores, médicos, estão nas suas clínicas ou consultórios privados, cobram valores absolutamente incomportáveis, a não ser que as poderosas seguradoras de saúde os travem ás 4 rodas, e aí, já não gostam do mercado, outra vez!

Sunday, May 23, 2010

Acordou a Dra. Jorge?

Ao contrário do seu antecessor, a Dra. Ana Jorge faz um enorme sacrifício para encarar o enorme fardo que o sector da saúde representa na despesa do total do Estado. Para o Prof. Correia de Campos conseguir reduzir a despesa da saúde, fecharam-se hospitais e SAP's, negociaram-se "à bruta" cortes administrativos nos medicamentos, e fez-ze muita "engenharia" financeira. Foi de curto-prazo? Foi. Mas, teve alguns resultados.

A Dra. Ana Jorge é mais "Gripe A", lavagem de mãos, embalar o pobre contribuinte, de forma a que não acorde para o fim abrupto do mítico SNS.

Tal como o governo de Portugal já funciona por sub-rogação do Banco Central Europeu, a Dra. Ana Jorge não tem outro remédio e entrar na onda, mas devagar:
  • «Não podemos cortar cegamente o orçamento do ministério da saúde, que já é para manter a qualidade do serviço no que consideramos o mínimo exigível. O que temos de cortar, sim, é naquilo que é o desperdício, naquilo que não é necessário», afirmou a ministra.

Mas, as corporações já berram:

  • A serem aplicadas ao sector da saúde "de forma cega e indiscriminada", haverá uma ruptura nos serviços, pondo em causa o Serviço Nacional de Saúde (SNS), alertou o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. "Mais de 2500 enfermeiros contratados podem ser despedidos", afirmou o SEP num comunicado.
  • “Estamos em tempo de crise, é necessário conter a despesa, mas espero que o Governo seja inteligente nessa matéria para perceber que é possível conter gastos em muitos aspectos, mas não o deve fazer nos recursos humanos da Saúde”, disse à agência Lusa Constantino Sakellarides.
  • Pedro Nunes diz que com os cortes na contratação, impostos pelo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) para o sector da Saúde, existe mesmo o risco de alguns serviços de urgência chegarem a fechar.

Esta gente deve pensar que o contribuinte que acorda todas as manhãs para trabalhar, cumpre os seus deveres fiscais e aguenta o imenso fardo fiscal, vai aturar estes "bem estares" das élites da saúde, para o resto da vida. Se este ou o próximo governo aceitar estas reivindicações corporativas à custa de quem sofre todos os dias para cumprir com um Estado cada vez mais ineficiente, só pode esperar uma próxima e longa "guerra fiscal". Lembram-se do Robin dos Bosques? Apareceu porque havia um Sheriff de Nothingham, tirano.

Post Scriptum: do Reino Unido já se vê isto: Pelo menos 300 mil funcionários públicos britânicos podem perder o emprego nos próximos anos devido às medidas adoptadas pelo novo Governo de coligação para reduzir o défice de 156 mil milhões de libras.

Monday, September 28, 2009

SNS: a descida evidente

Uma vez, há muitos anos, houve um estudo da Organização Mundial de Saúde que classificou o SNS em 12º lugar, no quadro de todos os sistemas de saúde avaliados por aquele organismo da ONU. Desde aí, os funcionários do SNS, acham sempre que o SNS é o 12º melhor do mundo. Esquecem-se as referidas pessoas, que o mundo evolui. Uns pela positiva, outros pela negativa.

Vejamos em que lugar é que está agora o SNS, num ranking a nível europeu: O sistema de saúde português está mal posicionado em comparação com outros países europeus - Portugal aparece em 25º lugar num ranking de 33 países europeus (A lista acaba de ser divulgada por um organismo que avalia a qualidade dos sistemas de saúde e que é apoiada pela Comissão Europeia).

É mau? Bem, poderia ser pior! Mas, avaliemos então mais informação:
  • O sistema com melhor classificação é o holandês, seguido da Dinamarca e da Islândia. O sistema português está no fim da tabela, apesar de ter subido uma posição.
  • No capítulo do “direito dos utentes à informação”, Portugal tem três insuficientes: no direito a uma segunda opinião médica, na consulta do seu processo clínico e no que respeita a informações sobre tratamentos além-fronteiras.
  • Quando se fala da utilização da internet para facilitar a vida dos utentes, Portugal só tem uma nota boa: é possível marcar consultas através da internet.
  • Quanto aos tempos de espera, por exemplo, o acesso ao médico de família no próprio dia, a nota é insuficiente, assim como o acesso a um médico de especialidade e as cirurgias programadas que demoram mais de três meses.
  • Mudando de capítulo e seguindo-se para os indicadores de saúde, nota positiva na redução da mortalidade infantil, mas os restantes indicadores são médios ou mesmo insuficientes, como por exemplo na taxa de mortalidade associada a ataques cardíacos.
  • O relatório mede também o alcance de alguns serviços em particular a taxa de mamografias, que é considera média ou o número de transplantes renais, onde Portugal aparece com nota positiva.
  • Por fim, acesso aos medicamentos: nota média no que respeita à comparticipação do Estado, e nota insuficiente no acesso a novos medicamentos para as doenças oncológicas.

O Senhor Bastonário da Ordem dos Médicos refere a este mesmo propósito, isto: “É uma perspectiva de uma organização que olha para o sistema de saúde na perspectiva do cliente e é óbvio que o nosso sistema de saúde deixa a desejar. Em contrapartida o nosso sistema de saúde pode, com uma enorme eficácia do ponto de vista clínico, sendo aquele que menos gasta em termos de euros per capita”, refere.

Pois é, no SNS tudo funciona na óptica do funcionário, quer ele seja o Administrador, o Médico ou o Enfermeiro! Quanto ao doente, nem se sabe que ele existe.

As coisas vão mudar, e muito.

Wednesday, September 02, 2009

Falta de vergonha II

Fonte: aqui.

A Ordem dos Médicos (OM) está a investigar várias despesas de viagens efectuadas pelo bastonário Pedro Nunes a Madrid na qualidade de conselheiro de uma seguradora. Uma comissão de inquérito foi nomeada para tentar perceber se o bastonário debitou ou não uma série de facturas à OM enquanto recebia, em simultâneo, ajudas de custo da Agrupación Mutual Aseguradora (AMA). É mentira, garantiu ao PÚBLICO o bastonário, contrapondo que está a ser alvo de uma "miserável tentativa de difamação com cumplicidades internas". Pedro Nunes admite apenas a existência de "um erro" em relação às facturas de "uma viagem, eventualmente duas", num conjunto superior a meia centena de deslocações que fez a Madrid como conselheiro da AMA, a mutualista responsável pelo seguro de responsabilidade civil dos médicos portugueses, subscrito pela OM. A confusão começou depois de uma fonte anónima ter feito chegar em Agosto à Secção Regional do Centro (SRC) da OM facturas e extractos bancários com o registo de despesas de transporte, alojamento e refeições relativas a oito deslocações de Pedro Nunes a Madrid. Confrontado com os documentos, o bastonário interrompeu as férias e convocou uma reunião do Conselho Nacional de Executivo (CNE), em 20 de Agosto. No encontro passou um cheque em branco e pediu que fosse feita uma investigação à contabilidade da OM para se poder avaliar a extensão dos erros.

Friday, July 31, 2009

As múltiplas faltas de vergonha

Fonte: aqui.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, foi multado pela Direcção-Geral de Seguros espanhola por receber ajudas de custo alegadamente indevidas. Em causa estão, de acordo com a agência de notícias, ajudas de custo recebidas por Pedro Nunes enquanto conselheiro da seguradora espanhola AMA (responsável também pelo seguro de responsabilidade civil dos clínicos portugueses, subscrito pela Ordem) e que a Direcção-Geral de Seguros espanhola considera indevidas. Além da multa de 135 mil euros, o bastonário arrisca-se a ter de devolver os montantes recebidos como ajudas de custo: três mil euros mensais, durante dois anos.

O bastonário da Ordem dos Médicos considera "normal e natural" que seja a instituição a pagar a multa de 135 mil euros que lhe foi aplicada pela Direcção-Geral de Seguros espanhola. Esta possibilidade está a provocar alarido e muita contestação no interior da Ordem. Fontes médicas citadas pela agência Lusa, afirmam que Pedro Nunes decidiu integrar o Conselho de Administração da AMA sem consultar o Conselho Nacional Executivo da Ordem, a quem foi apenas comunicada a decisão. Pedro Nunes defende-se alegando que as funções na AMA, ainda que não executivas, permitiram-lhe negociar condições vantajosas para os médicos portugueses.

Wednesday, May 13, 2009

Piratas da Malásia

Fonte: aqui.

Não. Não vamos aqui escrever sobre cinema, nem sequer sobre Johnny Depp. Vamos escrever sobre aventuras de médicos na Malásia de Sandokan!

Vejamos esta paisagem: A viagem de cerca de 40 médicos à Malásia a um congresso de ginecologia, que incluiu no programa a visita a uma ilha a 700 quilómetros de distância em que os clínicos se disfarçaram de piratas, já está a ser avaliada pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) e vai ser também investigada pela Procuradoria-Geral da República, a quem a Ordem dos Médicos (OM) pediu ontem a abertura de um inquérito.

Mas, digamos que o script não é assim tão mau: Se se confirmar que os médicos foram à ilha pagos pelo laboratório de genéricos J. Neves que patrocinou a ida ao congresso (o laboratório garante que não subsidiou o programa suplementar), o bastonário Pedro Nunes avisa desde já: vão ser alvo de processos disciplinares que podem conduzir à suspensão temporária.

Vejam só, uma "suspensãozinha temporária"! E porquê, Senhor Bastonário? Explica ele: “Há aqui manifestamente a suspeita de um crime. A ordem não é um clube de amigos, é um regulador. Os meus colegas têm a obrigação de saber que aquilo não é permitido desde há alguns anos. Segundo um parecer jurídico que pedimos há algum tempo, isto pode ser entendido como um crime de corrupção activa (da parte do laboratório se se provar que pagou viagens não relacionadas com a formação dos médicos) e, do lado dos médicos, como corrupção passiva para acto lícito ou corrupção passiva para acto ilícito”.

Foi Você que pediu umas fériazinhas nos trópicos asiáticos? Não. Foram os Senhores Doutores. Mas, os requintes da formação dos Senhores Doutores não são para quaisquer mortais: Em LangKawi os médicos vestiram-se de piratas e as imagens do CD que o laboratório terá distribuído como recordação foram profusamente exibidas na peça da TVI, para consternação de Pedro Nunes.

Thursday, April 16, 2009

As Comadres zangaram-se

A Comadre ANF zangou-se e disparou: a denúncia que João Cordeiro vai fazer também à ministra da Saúde, Ana Jorge, quando entregar nos próximos dias uma carta com todos os factos da alegada corrupção. "Está a ser preparada uma carta que vai ser entregue à ministra da Saúde, onde se dará conhecimento destes problemas."

E em quê que consiste a "corrupção"? Nisto: Demonstrando "ter a certeza de que existem relações ilegais", João Cordeiro exemplificou com a farmácia de que é proprietário em Cascais: "Mal chegam os fins-de-semana, começam a chegar dos hospitais receitas a papel químico, concretamente dos mesmos laboratórios" . E citou o caso das empresas Tetrafarma e Biosaúde, que "num fim-de-semana alcançaram as vendas de três meses".

A Comadre Ordem dos Médicos ripostou: "Se isso não for demonstrável, se for simplesmente uma calúnia, então os médicos que fazem urgências no Hospital de Cascais terão seguramente muitas explicações a pedir ao doutor Cordeiro", concluiu o bastonário da Ordem dos Médicos.

E o que faz a "Justiça"? Talvez faça o habitual! Que é como quem diz, assobiar para o ar, até que o vento mude.

Sunday, April 12, 2009

As corporações da saúde

Portugal foi históricamente palco de luta entre corporações. Aliás, o Estado Novo chegou a ter o Ministério das Corporações. Claro está, que cada um deve saber organizar-se e defender-se. Mas, a sociedade também deve saber defender-se face a lobbies que fazem mais mal do que bem, pelo menos em relação aos outros!

Tudo isto, a propósito desta frase: Está a assistir a uma tentativa da ANF de verticalizar o sector do medicamento, de juntar ao facto de ser um monopólio da venda a retalho, de ser um parceiro incontornável e dominante do comércio grossista, agora também vai produzir medicamentos e quer, como se fosse a cereja em cima do bolo, ultrapassar as receitas dos médicos e dar aos doentes os medicamentos que lhe convém, com a alegação de que são mais baratos.

E quem diz aquilo? Só poderia ser um dos líderes de uma das maiores corporações do país: Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, acusa a Associação Nacional de Farmácias de estar a fazer uma guerra aos portugueses por causa da substituição das receitas.

De facto, a ANF é uma organização bem sucedida, na sequência da cooperação entre os seus membros, perante a falência de grande parte das farmácias nos idos de 1974/75. Mas, a ANF soube tão bem organizar-se que está de facto a ameaçar a sociedade em que vivemos, nomeadamente os contribuintes e os doentes em geral.

Reconhecemos, no entanto, que a ANF tem sido útil ao país e aos portugueses. Mas, quando as corporações falam mais alto do que a sociedade, começamos a chegar aos limites do intolerável.

Mas, o que falar da Ordem dos Médicos? Bem, é uma corporação que tem desempenhado bem o seu papel no ambito da boa formação dos médicos. Mas, a partir daí, o seu papel tem sido demoníaco. E porquê? Porque, directa ou indirectamente, a Ordem dos Médicos impediu a criação de novos cursos de medicina, ao ponto de ser necessária a importação de médicos estrangeiros. A Ordem dos Médicos olvida ou finge olvidar que muita formação dos médicos é suportada por outra corporação relevante, a indústria farmacêutica.

Apesar de tudo o Senhor Bastonário reconhece isto: E hoje a nível mundial, os reguladores éticos, como são as Ordens, e a própria indústria tende a acabar com isso. Não é proibir as instalações de um congresso. Se não for a indústria não são os Estados a fazê-lo e os médicos precisam de aprender. Agora pagar estadias de 15 dias ao Sol é irregular.

Já estamos habituados a guerras entre corporações, sobretudo em fases de previsível depressão económica. A crise pode ser boa, se os doentes tiverem que pagar menos pelos serviços que lhe são prestados, e simultaneamente, se os habituais maiores ganhadores, passarem a ganhar menos.

Sunday, February 22, 2009

As aparências iludem

Assistimos com vergonha, à ida de centenas de portugueses a Cuba, para serem objecto de cirurgias às cataratas. Porquê? Porque Portugal gasta cerca de 10% do seu PIB na saúde e pertence ao restrito grupo da OCDE. Porque Cuba é um país do Terceiro Mundo com grandes dificuldades de recursos financeiros e logísticos.

Depois, veio a Ministra Ana Jorge promover o PIO (Programa de Intervenção em Oftalmologia). E os resultados foram estes:
  • 83 255 operações realizadas em 2008, mais do que as 56 458 registadas em 2007.
  • Governo, que gastou 28 milhões de euros para reduzir, em seis meses, o número de doentes a operar.

Contudo, resta ainda isto:

  • Um total de 26 941 portugueses esperava, a 31 de Dezembro de 2008, por uma operação às cataratas.

Se o PIO foi um programa extraordinário e não deve ser encarado como um programa de trabalho normal, o que irá acontecer quando se acabar o PIO?

Para o Senhor Bastonário dos Médicos, a opinião não é igual: Pedro Nunes, garante que há "desvio de recursos" e que a ida dos doentes a Cuba foi "propaganda política".

Dias difíceis, continuarão a esperar os portugueses.

Wednesday, January 14, 2009

Erros na saúde?

Diz o Senhor Bastonário da Ordem dos Médicos: Pedro Nunes confessou que gostava que José Sócrates admitisse a existência de erros na gestão do sector em Portugal.

Como? O Engenheiro Sócrates vai admitir erros? Pensamos que o Engenheiro Sócrates vai admitir tantos erros cometidos pelo Governo que dirige, como o Dr. Pedro Nunes admitirá que a classe que representa em Portugal, comete erros!

Depois, cá vem o discurso para "enganar cidadão": É óbvio que os médicos gostariam que o sr. primeiro-ministro dissesse que a saúde ia ser gerida com lógica de resultados a favor dos cidadãos, dizer que reconhece que houve alguns erros nesta gestão estritamente economicista e que iria passar a defender a saúde dos seus concidadãos», afirmou o Dr. Pedro Nunes.

Mas, será que os médicos não têm interesse por questões "economicistas"?

Thursday, January 01, 2009

Ministério da Saúde: 1ª batalha 2009

Definir o nível de serviço do atendimento, é um dos princípios básicos de defesa dos cidadãos ou dos clientes. O Ministério da Saúde decidiu isto e bem: O secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, considerou que os prazos máximos que definiu hoje em portaria para consultas nos estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde são «perfeitamente» exequíveis.

Mas, os obstáculos aparecem desde já: Muitos hospitais não vão conseguir cumprir os tempos de resposta aos utentes definidos ontem pelo Ministério da Saúde. O alerta é dado por Pedro Lopes, presidente da Associação de Administradores Hospitalares (AAH), que considera que os objectivos definidos são "um bocado ambiciosos".

Há sempre participantes do jogo, que não percebem que o doente deve estar sempre em primeiro lugar: "Fixar prazos é fácil, cumprir é mais difícil", diz Pedro Nunes, referindo que este não é o caminho para resolver o problemas das listas de espera.

A luta dos doentes tem que passar pela exigência, quer se chame reclamação, acção litigiosa ou recusa do pagamento de serviços por incumprimento. É que a Lei é muitas vezes coxa!

Wednesday, October 29, 2008

Barbaridades II

Há pessoas que gostam de aparecer nas notícias, muitas das vezes pelas piores razões. Sabemos que vivemos numa sociedade mediatizada, em que a força dos poderes se modela pela força que se evidencia nos media. Ou seja, os artistas são promovidos pelos promotores do show!

Vejamos o que nos diz o Senhor Bastonário da Ordem dos Médicos: A cultura económica e de gestão "destruiu" a pureza do Serviço Nacional de Saúde.

Como? A pureza do Serviço Nacional de Saúde? O que será isso? Lembramo-nos que a Ordem dos Médicos foi sempre um adversário do modelo original do SNS, dado que pretendia um modelo de saúde assente numa lógica de convenções entre o Estado e o sector privado. Ou seja, não sabemos a que SNS é que se refere o Dr. Pedro Nunes e à sua inerente "pureza".

Depois, ainda lemos isto da mesma personagem:
  • "Os médicos estão absolutamente afastados da decisão", lamentou Pedro Nunes.
  • Na sua opinião, o problema do SNS não se resolve com "artifícios de gestão", mas dando voz a políticas especializadas. Por isso lamentou que os médicos andem "assoberbados a produzir rotina" e que não sejam incentivados a participar na área da gestão.

Ora bem, perante mais estas barbaridades, temos a contrapor o seguinte:

  • Todos os Conselhos de Administração dos Hospitais do SNS têm como um dos seus membros, o seu Director Clínico. Portanto, em todos os hospitais, há pelos menos um médico na sua Administração.
  • Depois, uma grande parte dos Presidentes de Conselho de Administração dos hospitais do SNS são médicos.
  • Como é que o Dr. Pedro Nunes consegue suportar-se na afirmação de que os médicos estão afastados da gestão dos hospitais do SNS?
  • Finalmente, vem o Dr. Pedro Nunes falar em que os médicos têm que "produzir rotina". Pois é, Dr. Pedro Nunes, qualquer organização necessita de informação com qualidade, e esta só se produz com a criação de rotinas de controlo de gestão. O problema é que muitos médicos ainda assentam o seu desempenho organizativo com base "na caneta e no papel", e isso é absolutamente imperdoável para qualquer profissão do século XXI. Basta pensarmos no receituário, ainda hoje manuscrito!

Monday, October 27, 2008

Barbaridades

Há coisas que se lêem e que se ouvem, que mais valia nem saber. Mas, há barbaridades que se dizem, e que se têm que reter. Tal a monstruosidade do que se diz.

Ao longo da História, houve quem ignorasse discursos e textos bárbaros, mas verificou-se mais tarde, que se cometeu um erro por negligência.

Vejamos o que aqui se diz:
  • A administração errada de medicamentos aos doentes hospitalizados é responsável pela morte anual de 7 mil portugueses.
  • Aida Baptista, da Associação Portuguesa dos Farmacêuticos Hospitalares (APAH), reconhece os erros de medicação e afirma que vão sempre existir. “Não se trata de um erro humano, mas sim do sistema”, disse, lamentando que muitos dos erros sejam escondidos por medo dos profissionais serem acusados.
  • O erro pode acontecer nas mais variadas ocasiões, desde o médico que prescreve o medicamento, e a letra é ilegível ou há confusão na dose, à farmácia que distribuiu, confundido as embalagens, até ao enfermeiro, que pode enganar-se no medicamento.
  • Pedro Nunes desvalorizou estes números, não confirmando a sua dimensão, por considerar que "em Portugal não existe um registo fiável das causas de morte". O bastonário da Ordem dos Médicos lembra que são feitos milhões de actos médicos em Portugal por dia e, por isso, "é natural que se cometam alguns erros".

Mas depois, parece que o "filme" mudou, quando alguém decidiu corrigir o drama, para uma farsa:

  • O ex-vice-presidente do Infarmed esclareceu, este domingo, que os sete mil mortos anuais atribuídos a erros na medicação são dados internacionais e não reflectem a situação em Portugal, onde não há um sistema que registe estes casos
  • Faria Vaz ocupava a vice-presidência da autoridade que regula o sector do medicamento quando, em 2005, realizou uma apresentação onde divulgou números sobre os mortos atribuídos a erros na medicação. Esses dados foram, desde então, interpretados pela Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares (APFH) como nacionais

Mas, a barbaridade maior é esta: "Poderão ser 7.000 ou 70 mil. Sete milhões não serão certamente, pois nesse caso estaríamos quase todos mortos", disse Pedro Nunes.

Como é que os portugueses se poderão ver livres destes bárbaros?

Monday, September 29, 2008

Será que Portugal precisa mesmo de mais médicos?

Os cidadãos vivem hoje bombardeados por "soundbytes" da comunicação social. Antes eram os incêndios; agora são os assaltos e a violência; depois, há a crise financeira; já houve a crise das urgências hospitalares; agora, o tema é a falta de médicos.

Está mais do que comprovado que o número de médicos por 1.000 habitantes existentes em Portugal é idêntico à generalidade dos países da União Europeia. Mas, mesmo assim, há falta de médicos. Há médicos que ganham 100 euros por hora. Há médicos importados. E quer-se importar ainda mais:
  • Portugal já tem 4.287 médicos estrangeiros a exercer no país e vai avançar com novos acordos para a contratação de mais profissionais. O mercado da América Latina é o alvo.
  • De acordo com a Ordem dos Médicos, dos 38.538 clínicos que exercem em Portugal, 300 são oriundos da América do Sul. Do Brasil vieram 600.
  • Mas chegam também da União Europeia (2.583), dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (261), da Europa não Comunitária (378), da África não PALOP (33), da Ásia (42), da Austrália (um) e da América do Norte (19).

Para nós, esta situação espelha a falta de organização de várias entidades do país, nomeadamente do Ministério da Saúde e da Ordem dos Médicos. Já há longos anos, que ouvíamos dizer que o Hospital de Santa Maria tinha cerca de 1.000 médicos a mais. Depois, ouvíamos dizer que Lisboa, Porto e Coimbra tinham médicos a mais, e o Interior tinha falta de médicos.

Ouvimos com frequência dizer que os médicos, apesar de serem escassos, trabalham em vários sítios ao mesmo tempo. O que para nós é estranho, a não ser que estes que trabalham em vários sítios ao mesmo tempo, sejam exclusivamente "profissionais liberais". E não são, quase todos têm o seu vínculo a uma instituição do Estado. E o Estado, que são todos os contribuintes, vê a "caravana passar". Pior, ainda que raramente se houve que poderemos estar à "beira do desemprego médico", como se todas as outras profissões pudessem ter desempregados, com excepção dos médicos.

Depois, ainda temos que ler este tipo de afirmação: Apesar de apoiar o Ministério da Saúde nesta matéria, Pedro Nunes lembrou que há muitos estudantes de Medicina nas universidades portuguesas que esperam um lugar nas unidades de saúde quando iniciarem o internato. Mas, afinal há médicos por colocar ou há médicos a mais?