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Thursday, October 14, 2010

Os predadores do SNS - VIII

Finalmente um ponto positivo:
  • A oposição aprovou hoje diplomas do CDS-PP para generalizar a prescrição de medicamentos genéricos e a dispensa de fármacos em unidose, com críticas unânimes à «inércia» do Governo nestas áreas. O projeto de lei para generalizar a prescrição de medicamentos por princípio ativo (genéricos) foi aprovado com os votos favoráveis do CDS-PP, PSD, PCP, BE e PEV e contra do PS.

Naturalmente, os predadores contra-atacam:

  • A Ordem dos Farmacêuticos saudou hoje a aprovação pelo Parlamento da prescrição de medicamentos por princípio activo mas criticou a aprovação da unidose sem garantias definitivas da segurança desse modelo e dos seus benefícios.
  • A Apifarma condenou hoje as iniciativas aprovadas na Assembleia da República sobre a prescrição de medicamentos, sobretudo a generalização da prescrição por denominação comum internacional (DCI), que considera poder vir a ter consequências catastróficas para o setor.

Curiosa é a posição do partido do governo, que supostamente deveria defender a unidose e a prescrição por DCI, como forma de controlar custos, num orçamento da saúde em total desequilíbrio (sabendo-se que a factura dos medicamentos é superior a 20% do total dos gastos com a saúde). Provavelmente, deverão haver razões que a própria razão desconhece!

Sunday, September 26, 2010

Os predadores do SNS - II

Porque não há-de ser possivel receitar medicamentos por Denominação Comum Internacional (DCI)? Quem ganhará com isto, para alem da Industria Farmacêutica? As agências de viagem que organizam "Congressos Cientificos" nas Caraibas e na Tailandia?

Vejamos mais predadores do SNS:

1. A possibilidade de escolher uma marca faz parte do objectivo de generalização da prescrição electrónica, o que implicará que, também a partir de Março, só os medicamentos receitados pelo computador sejam comparticipados. Mas para o bastonário dos Farmacêuticos a política que a tutela segue "deveria ser estrutural e não conjuntural", voltando a relembrar que há muito tempo que o sector pede que seja introduzida a prescrição por denominação comum internacional "que permitia poupar milhões" sem a "possível confusão" destes "protocolos terapêuticos".
2. O bastonário da Ordem dos Médicos condenou a medida e alertou para os perigos de confusão de medicamentos e de sobredosagem. Pedro Nunes alertou que qualquer protocolo feito com a Ordem não permitirá que o médico deixe de ter a "garantia de que as suas receitas são invioláveis".
3. O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, deixa o aviso - se o Ministério da Saúde permitir que as receitas médicas sejam alteradas na farmácia, e ainda penalizar as comparticipações dos medicamentos que não foram substituídos, a Ordem irá proceder a "um corte absoluto nas relações com o governo e não haverá protocolos terapêuticos para ninguém".

Nós sabemos que o Estado português é forte com o contribuinte que tem pequenos valores de IVA em atraso, mas é muito fraco perante a fuga ao "IVA em carrossel", perpretada por grandes empresas com ligaçoes internacionais. Mas, ficamos estupefactos com a altivez e arrogancia da Grande Corporação médica. Porque será que as pessoas têm tanto medo dos feiticeiros modernos?

Thursday, November 12, 2009

As novidades da Farmácia

Chegou o novo Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Carlos Maurício Barbosa.

Cada um que chega de novo, quer logo marcar agenda: 1) criação de um seguro de responsabilidade civil que faça a cobertura dos riscos inerentes à actividade daqueles profissionais nas diversas áreas; 2) Outra proposta garantida do bastonário para a ministra da Saúde visa pôr fim à expansão das farmácias nos hospitais; 3) o bastonário vê "com toda a naturalidade" que alguns medicamentos de dispensa restrita dentro dos hospitais passem a estar à venda nas farmácias. É o caso de produtos para doenças oncológicas ou a sida.

Senhor Bastonário, welcome to the real world.

Wednesday, September 23, 2009

Um país suspeito

Portugal é suspeito. O Presidente da República parece que suspeita do Governo. O Governo suspeita que os cidadãos fujam ao Fisco. Os cidadãos suspeitam que a Justiça não funcione. Sinceramente, começamos a suspeitar que Portugal seja um país inviável.

Mais uma suspeita em curso: A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos suspeita que, nas farmácias hospitalares, haja medicamentos que estão a escapar ao controlo das autoridades.

E diz mais a Senhora Bastonária: «Não se consegue compreender como é que sendo a margem da comercialização dos medicamentos de 18,25 haja quem consiga dar margens de 30 por cento», questionou Elisabete Faria.

Chega-se até a este ponto: A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos considera que as farmácias nos hospitais só conseguem dar margens de 30 por cento às unidades se recorrerem a meios ilícitos, como venda de medicamentos contrafeiros, acusação que um dos visados classifica de "gravíssima".

Têm os cidadãos que mudar de país, ou o país mudar!

Monday, March 16, 2009

A crise financeira atinge os farmacêuticos

O mercado de capitais não é para almas boas! O mercado de capitais é para quem sabe que está a arriscar, pois se não, o melhor é não arriscar, e colocar o aforro em títulos do tesouro ou em depósitos a prazo.

Mas, nem todos perceberam isto, e a Bolsa é para muitos um "jogo de ganho certo". Mas, não é, e se não vejamos: O Montepio Nacional da Farmácia (Monaf), associação de socorros mútuos que funciona como fundo de pensões dos farmacêuticos, poderá ser penalizado pela crise dos mercados financeiros. Só no Banco Privado Português, por exemplo, o Monaf tem aplicados 300 mil euros.

Mas, ainda se quer manter a opacidade, apostando numa eventual recuperação dos mercados no curto prazo: O relatório do Monaf de 2007 indicava que 43,2% dos fundos estavam aplicados em títulos de rendimento fixo, enquanto 54,8% (face a 41% em 2006) eram activos de rendimento variável. Os investimentos ascendiam em Dezembro de 2007 a 98,9 milhões de euros.

É preciso ter cuidado, na forma como se investe, sobretudo em épocas de grande volatilidade e incerteza.

Wednesday, November 26, 2008

Foi Você que pediu uma linha de saúde 24 horas?

Fonte: aqui.

O caldo transborda por todos os lados. Depois disto:
  • A Ordem dos Farmacêuticos (OF) desaconselhou hoje o recurso à Linha Saúde 24 porque não reconhece a validade das informações prestadas pelo serviço em matéria de medicamentos.

Só mesmo esta boa "caça às bruxas":

  • Há três semanas que uma carta negando a existência de problemas da Linha de Saúde 24 foi posta a circular junto dos funcionários para que estes se demarcassem das notícias sobre o "caos organizativo" do atendimento e assegurassem que "as condições de trabalho e as relações interpessoais se passam dentro da maior cordialidade e profissionalismo".
  • Alguns profissionais ouvidos pelo CM queixam-se de terem sido objecto de "pressão psicológica" para subscrever o texto divulgado na segunda-feira, depois de a Ordem dos Farmacêuticos desaconselhar a linha.

Os tiques autoritários quase sempre existiram na sociedade portuguesa. E não sairam ainda. Provavelmente, nem nunca sairão. Parece que não, mas a limitação ao livre pensamento é um dos maiores travões ao desenvolvimento económico e social de Portugal.

Friday, October 03, 2008

Corporações

Estamos no Outono. Vem aí o frio, a chuva e por isso, também, as gripes e constipações. É a vida. Contudo, o homem gosta de contornar as dificuldades, e inventa soluções para os problemas. E então, está na hora de tomar a vacina contra a gripe.

Perante este cenário, desenvolvem-se sempre novas perspectivas, sobretudo quando se faz qualquer coisa de novo, como a administração das vacinas nas farmácias. O pior são as reacções á mudança:
  • A Ordem dos Enfermeiros está contra a administração de vacinas nas farmácias por esta ser efectuada por farmacêuticos e não por enfermeiros. A posição foi tomada ontem, primeiro dia em que as farmácias passaram a administrar a vacina contra a gripe. A adesão da população superou as expectativas.
  • a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Augusta Sousa, diz que só os enfermeiros e médicos têm conhecimento e treino necessários a cumprir o acto em segurança. 'Entendemos que a vacinação é objectivamente uma intervenção que vai muito para além de vacinar. Pode implicar eventuais complicações e a nossa preocupação vai para a segurança dos cidadãos.'

Do outro lado, a outra corporação:

  • A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Elisabete Faria, contudo, não aceita as críticas. 'Administrar vacinas é uma competência delegada pelo Governo há mais de um ano, com a qual os farmacêuticos estão a ser colaborantes no maior acesso do cidadão ao tratamento. Os farmacêuticos têm formação contínua e estão aptos a prestar mais esse serviço.'

Bem, se o Governo autorizou o novo modelo de vacinação, é porque deve ter analisado e cuidado bem da sua decisão. Nós não percebemos do assunto, mas temos a experiência dura, de ter realizado análises ao sangue, efectuadas por enfermeiras e ficarmos molestados, com manchas posteriores de sangue nos braços. Incompetentes, há-os em todas as profissões!