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Tuesday, August 02, 2011

A iliteracia das élites II

O chico-espertismo é o maior cancro de Portugal desde sempre. Já Antero e Eça, nos idos do Século XIX, o referiam. Continua e continuará:

1. Primeiro dia de prescrição electrónica obrigatória: muitas dúvidas, receitas tradicionais com a palavra "excepção" escrita com e sem acordo ortográfico, ou mesmo mal escrita, com datas da semana passada e sem especificar a alínea que permite continuar a usar o formulário manual. O relato foi feito ontem ao i pelo responsável de uma farmácia no centro de Lisboa.

2. É preciso identificar claramente uma das quatro alíneas que permitem continuar a passar receitas manuais. Ao balcão, o proprietário da farmácia Cardeira recebeu ainda médicos que não sabem a quem comprar um dos 37 sistemas informáticos homologados pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS). "Tem sido muito complicado e só está a começar a agora. Com este subterfúgio de as receitas terem um mês de validade, alguns médicos estão a pôr datas da semana passada. Quando chegar o início de Setembro é que as coisas se vão complicar."

3. Não se sabe portanto quantos dos cerca de 50 mil médicos no país estão a usar sistema informático, apenas que mil estão isentos de usar computador por terem comprovado situações de "inadaptação informática." Usarão, neste caso, um carimbo especial a entregar pela Ordem dos Médicos na sexta-feira.

Inadaptação informática? Será que os bancários podem alegar o mesmo? E os bilheteiros da CP?
 
Portugal é uma nação inviável.

Tuesday, January 11, 2011

Novidades da João Crisóstomo

Na avenida João Crisóstomo pensa-se, pensa-se, mas adia-se, contemporiza-se, permite-se tudo aos "amigos". De vez em quando, e após a pressão dos contabilistas das Finanças, lá vêm umas medidas:
  • A partir de 1 de Março, o Estado só comparticipará os medicamentos que forem receitados por via electrónica.
  • A partir de Março, a prescrição de medicamentos vai passar a ser feita por princípio activo e não pela marca do remédio.
  • Para assegurar a permanência dos médicos internos no SNS, a partir de 2011 estes clínicos ficam obrigados a permanecer no serviço público por um período mínimo igual ao tempo da sua formação. Caso contrário, têm de indemnizar o Estado.

Pois é, o comboio já chega tarde, e ainda não transporta tudo o que devia!

Sunday, January 02, 2011

A iliteracia das élites

Vivemos tempos estranhos. Tempos em que o país não anda, nem deixa andar. Tempos em que as classes dirigentes não contribuem para a solução, mas antes contribuem para a "sua solução". Quando falamos de classes dirigentes, falamos de: políticos, empresários, médicos, juízes, advogados, autarcas, professores, entre outros.

As despesas com a saúde estão descontroladas, por várias razões: 1) os custos com a saúde crescem acima da inflação há mais de 20 anos; 2) os grupos que controlam a saúde actuam, na sua maior parte, em conluio, ou se quisermos, em concertação contra o maior pagador das despesas com a saúde, ou seja, o Contribuinte; 3) os pretensos controladores da despesa de saúde, não exercem a sua função, preferindo ceder perante os vários interesses, e nem sequer querem incomodar-se para lhes fazer frente.

Quando há uma tentativa para controlar um "poço sem fundo", logo vêm os Chefes dos vários gangues atacar. Isto vem a propósito da obrigatoriedade de prescrição de medicamentos por via informática.

Vejamos o que diz um dos Chefes de um dos grupos mais importantes do país: A obrigatória prescrição eletrónica de medicamentos a partir de março está a provocar uma corrida dos médicos privados à compra de programas informáticos. Para o bastonário, a medida é "impraticável", porque há muitos clínicos que "nem computador têm".

Na era do Google, do IPhone, do Facebook ou do E-Bay, este Senhor Bastonário não tem vergonha de ser líder de uma classe "info-excluída"? Ou prefere ganhar mais uma batalha de poder, mesmo ficando com o rótulo de iliterato no campo informático?

Senhor Dr. Pedro Nunes, aconselhamo-lo a ir a umas das várias feiras que vão existindo pelo país, e comprar um computador Magalhães, usado, pela módica quantia de 10 euros!