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Saturday, January 22, 2011

Não há falta de médicos em Portugal II

É uma das maiores falácias do momento: a propalada falta de médicos. Basta consultar os relatórios da OCDE, e verificar que o número de médicos por 1.000 habitantes em Portugal, não é inferior ao que existe na Bélgica ou na Finlândia. Mesmo tendo em conta que existem muitos médicos em regime de "licença sem vencimento", justificando esta situação pelo desempenho de actividades políticas ou empresariais, a falta de médicos é um embuste promovido pelas associações médicas e afins!

Mas, o que vemos aqui, é mais uma forma de percebermos que não há falta de médicos em Portugal:
  • Dados da Ordem dos Médicos (OM) avançados à agência Lusa indicam que em 2008 estavam inscritos 39.473 médicos, dos quais 3.736 eram estrangeiros, número que subiu para 3.842 (de um total de 40.664) em 2009 e para 3.937 (de 42.031 registados) em 2010.
  • A grande maioria é oriunda de países da União Europeia, principalmente de Espanha, e tem vindo a subir: em 2008 eram 2.355, número que subiu para 2.382 em 2009 e para 2.426 em 2010.
  • Também o número de médicos brasileiros tem vindo aumentar, passando de 562 em 2008, para 621 em 2009 e 657 em 2010.
  • Estavam ainda registados, em 2010, em Portugal 238 médicos de países europeus (fora da UE), cinco africanos, 18 asiáticos, dois australianos e 21 da América do Norte.
  • Uma fonte da OM explicou que o facto de os médicos estarem registados em Portugal não significa que estejam todos a exercer. Há muitos médicos que se inscrevem para tirar a especialidade e depois regressam ao país de origem, sobretudo os dos PALOP.

Continuamos a não perceber, porque se mantem a mentira oficial de que há falta de médicos. Pode haver falta de médicos em Montemor-O-Novo ou em Alcoutim. Mas, isto só acontece, porque há médicos a mais no Hospital de Santa Maria ou no Hospital Egas Moniz. Ou seja, não existem médicos em alguns sítios, apenas porque o Ministério da Saúde não cumpre a sua função de pôr as pessoas que nada fazem, nos sítios onde fazem falta. Aliás, os últimos Governos fartaram-se de falar em mobilidade na Função Pública, e parece que aplicaram o conceito em alguns sectores, como no Ministério da Agricultura. Mas, quando se pensa em tocar em algumas zonas mais nevrálgicas, os poderosos políticos têm medo. Porque será?

Sunday, October 10, 2010

Os predadores do SNS - VII

Estamos ao rubro. Percebe-se que afinal há muito predador de Portugal, e não apenas do SNS. Já o sabíamos. Todos os dias, os media se entretêm a descobrir faustosas festas por tudo quanto é órgão da administração central, regional e local. Ainda dizem que não é possível cortar nas despesas. Só não corta nas despesas, quem tem dinheiro. Bem, Portugal parece que não tem dinheiro, mas vive dos empréstimos dos "especuladores financeiros". Como diria o saudoso Fernando Pessa, "e esta, hein!".

Mas, vejamos mais predadores do SNS:

1. A Associação de Profissionais da Saúde Espanhóis em Portugal (APSEP) disse à agência de notícias espanhola EFE que actualmente trabalham em Portugal 1800 médicos espanhóis. Quase 2200 exerciam em território nacional há cinco anos. O presidente do organismo explicou à EFE que com a descida salarial dos funcionários – que pode ir até aos dez por cento para os ordenados mais elevados – incluída pelo executivo de José Sócrates no seu pacote de medidas de austeridade, um médico do sector público ganhará em Portugal entre 20 a 25 por cento menos do que em Espanha. Apesar de reconhecer que ainda é cedo para tirar conclusões, uma vez que a redução salarial é recente, Xoán Gómez considera que as vantagens que Portugal oferecia já não existem e que há agora “mais pressão sobre os médicos” espanhóis.

2. Primeiro sim, depois não e agora de novo sim. O Governo recuou e, afinal, os aposentados do Estado que acumulam salários com pensões vão manter-se nesta situação e não serão obrigados a prescindir da reforma. Em causa estão responsáveis de empresas públicas, consultores, médicos, deputados, autarcas e o próprio Presidente da República, que estejam a acumular o salário pelas funções públicas que desempenham com pensões pagas pela Caixa Geral de Aposentações.

Já sabíamos que "Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros", mas agora, ficamos a saber que os médicos espanhóis que trabalham em Portugal ameaçam ir-se embora, e que os médicos aposentados fazem parte (em conjunto com o Presidente da República) dos que não querem ceder o privilégio de auferirem salário e pensão de reforma, em simultâneo.

Mas, os outros portugueses estarão condenados a pagar tudo e "um par de botas", para serem "servidos" pelas élites improdutivas do país?! Até quando?

Tuesday, March 10, 2009

Médicos espanhóis II

Em Portugal, dizem que há falta de médicos, em Espanha, parece que também há falta: De los 408 nuevos galenos que se dieron de alta en el Colegio Oficial de Médicos de la Región el pasado año, 223 eran de fuera. Quiere decir que más de la mitad de los nuevos doctores que ejercen en la Región (54%) no son españoles.

A origem dos médicos estrangeiros em Espanha, é muito diversificada: Más bien, el perfil de los médicos recién llegados es el de una mujer de un país latinoamericano. Sobre todo, vienen de Colombia (27), Argentina (19) y Venezuela (18).

E não têm especialização: «El 90% de los médicos extranjeros son sólo licenciados en Medicina, sin especialidad».

Parece que não existem Faculdades de Medicina, na Europa.

Sunday, March 08, 2009

Médicos espanhóis

Durante as últimas décadas, a má distribuição geográfica dos médicos, tem sido compensada pela vinda progressiva de médicos do estrangeiro, quer sejam espanhóis, ucranianos, moldavos ou brasileiros.

No entanto, apesar deste grande período, o Ministério da Saúde e o Ministério da Ciência e do Ensino Superior foram incompetentes em duas vertentes: 1) na formação de mais médicos; 2) na melhor redistribuição geográfica de médicos.

Agora, o problema vai-se acentuar, pois os médicos espanhóis parece que se querem ir embora, regressando à sua terra natal: La Asociación de Profesionales de la Salud Españoles en Portugal considera "imprescindible" recuperar a médicos españoles que trabajan fuera de su país para hacer frente al déficit de facultativos que afecta a España.

O que fará agora o Ministério da Saúde (consta que existam mais de 3.000 médicos espanhóis em Portugal, que normalmente exercem fora das grandes cidades, onde os portugueses não gostam de trabalhar)? Importará médicos da América Latina? Forçará os médicos que existem a mais em Lisboa, Porto e Coimbra, a deslocarem-se para o Algarve, Trás-Os-Montes e Alentejo? Ou assobiará para o ar, como é habitual?