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Sunday, May 11, 2014

Sem vergonha

Vivemos num mundo diversificado. Há quem ganhe muito na vida. Há quem passe a vida sem ganhar muito. Contudo, existem sempre aqueles que pensam que são predestinados, como estes: De negócio rico, as farmácias passaram, em poucos anos (menos de uma década), a negócio remediado. Se há alguns anos se falava em trespasses milionários, da ordem dos quatro a cinco milhões de euros, agora há farmácias à venda que ficam sem comprador e a situação financeira de muitas está, garante a ANF, periclitante. 

E então? As mercearias de bairro e muitos restaurantes foram durante décadas, bons negócios e deram suporte a negócios familiares relevantes, como é o caso da Jerónimo Martins (ter-se-á iniciado como mercearia). Hoje, as mercearias não representam sequer 25% do número das que existiam há 30 anos. Ninguém quer ser merceeiro, no século XXI.

Se formos falar do consultório médico, a situação é a mesma. Há 30 anos, era vulgar encontrarem-se consultórios médicos, onde vários médicos fizeram fortuna. Hoje, ter um consultório médico aberto é quase sinónimo de "moscas"! As clínicas e os "centros comerciais de saúde" absorvem tudo.

O que é caricato na choraminguice dos farmacêuticos é isto: A Farmácia Teixeira, na Baixa da Banheira, Moita, era um bom negócio. Tão bom que, há alguns anos, chegaram a oferecer-lhe três milhões de euros pelo alvará. Agora, Manuela acabou por fazer a transacção por 850 mil euros. “Não foi mal vendida”, admite, satisfeita porque a Teixeira passou para as mãos de uma jovem farmacêutica.

Esta Dra. Teixeira ainda não percebeu que está a gozar com a generalidade da actividade comercial portuguesa. Pois considerar que vender um alvará de farmácia por 850 mil euros é coisa pouca, pode até ser aviltante.

Num momento de falência da nação, associada à falência de muitas empresas e famílias, esta gentalha das farmácias parece gozar com o destino alheio, sobretudo quando beneficiam de um monopólio que lhes é atribuído por Lei, a venda de medicamentos com prescrição.



Friday, January 18, 2013

Lobos com pele de Cordeiro

Engraçados e patuscos estes farmaceuticos de oficina: Mais de metade das farmácias tinha o fornecimento de medicamentos suspenso em dezembro, mês em que estes estabelecimentos registaram a maior quebra nas vendas, revelou hoje a Associação Nacional de Farmácias (ANF).

Durante décadas, entrelaçaram-se com o Estado, através de negócios tripartidos entre o Ministro de serviço na João Crisóstomo e a banca que oleava o sistema. Viveram como nababos, viajaram por paraísos tropicais, ajudaram à expansão económica dos grupos automóveis alemães, fizeram de cada farmácia de oficina, um objecto de luxo, travestido de serviços de saúde.

Agora, choram, fazem birras, e até luto: Em dezembro de 2012, o número de farmácias com fornecimentos suspensos em pelo menos um grossista era de 1600, ou seja, mais de 55 por cento do total das farmácias do país.

Esqueceram-se que a farmácia de oficina é um negócio, com uma vertente regulamentar, mas simultaneamente altamente protegido pelo sempre amigo Estado, pois foi e é o seu melhor cliente, e ainda por cima, permite que a abertura de farmácias seja limitada por Lei.

Mas, o sempre adormecido Estado, lá acordou, depois de uma falência evidente, e teve que corrigir a obesidade: No total de 2011 e2012, a redução da despesa pública com medicamentos dispensados nas Farmácias será superior a 600 milhões de euros.

Parabéns, Dr. Paulo Macedo.

Sunday, December 16, 2012

Farmácias em luto

Fazer dos outros parvos, foi sempre um dos desportos favoritos de uns quantos cidadãos portugueses. Depois de durante décadas, os detentores de farmácias enriquecerem quase todos, muito à custa de uma relação duradoura com o seu principal cliente, o Ministério da Saúde, de repente viram o seu maná ficar ameaçado porque Portugal faliu. Como Portugal faliu, o Ministério da Saúde deixou de poder ser bondoso para os proprietários de farmácias. Estes, como vingança, decidiram escrever por todo o Portugal, "farmácias em luto".

Há quem lhes chame espertos. Há quem lhes chame, "chicos". Nós rimo-nos, não porque a desgraça alheia nos dê prazer, mas porque o feitiço se pode virar contra o feiticeiro: Uma empresa detida em parte pela Associação Nacional de Farmácias é suspeita de exportação ilegal de medicamentos para vários países europeus, originando falhas no abastecimento às farmácias em Portugal.

Como o assunto é sério, pois a dívida do Estado português durará décadas a ser paga, é com absoluto desdém que assistimos ao dito luto. De luto estão os contribuintes que têm que aguentar a pilhagem fiscal em curso, muito por força da bondade do Estado durante décadas, sobretudo junto de uns quantos amigalhaços.

Sunday, October 14, 2012

Lutos escusados

Fonte: aqui.

A morte é inevitável. O prolongamento da vida é um objectivo permanente do ser humano. A melhoria da qualidade de vida é uma necessidade permanente. A complacência quando levada ao extremo, é mortal. Tudo isto a propósito do chamado "luto dos farmaceuticos".

Uma parte significativa dos portugueses estão em luta. Uma pequena parte está de luto. A maioria dos portugueses viveram uma significativa melhoria do seu nível de vida durante quase três décadas. Apesar disso, em 3 vezes, Portugal precisou de crédito externo apressado, motivado por um estado de falência evidente. Ou seja, os portugueses não aprenderam. Julgaram que era possível ter um nível de vida de primeiro mundo, tendo uma eficiência de segundo ou de terceiro mundo.

Depois da abastança dos BMW's, dos Mercedes e dos Audi's; depois das luxuosas campanhas de comunicação da Associação e dos associados; depois da transformação da farmácia numa loja de luxo; depois dos enormes lucros acumulados durantes décadas. Agora, a choraminguisse e a pedinchisse: O alargamento do prazo do "relacionamento entre a indústria farmacêutica, os grossistas e as farmácias" iria possibilitar a "libertação de fundos para a reposição de stocks", justificou o responsável no cortejo dos profissionais de farmácia, em Lisboa.

Quem não sabe ser merceeiro, fecha a loja! Implorar ao governo que interceda junto de um fornecedor, só lembra a quem gosta muito de um Estado paternalista e deve ter saudades da economia contingentada!

Thursday, September 27, 2012

Lutos

Estar de luto não é bom. Perdeu-se alguma coisa. Perdeu-se alguém. Há, no entanto, quem goste de estar de luto, apenas porque não soube cuidar do seu negócio: As farmácias portuguesas foram chamadas a "pôr luto" e explicar aos utentes as razões que podem levar ao encerramento de 600 unidades, numa ação hoje iniciada que inclui uma petição ao Governo para alterar as políticas do sector.

Engraçado. Curiosamente engraçado, quando deveria ser triste, e até mesmo sinistro. Alguém que comprou um alvará, que foi concedido pelo Estado, para a exploração de um negócio, e não soube gerir a loja, quando tem o privilégio supremo de actuar num mercado contingentado e não num mercado livre. Quem dera as mercearias, que o estado condicionasse no passado, a abertura de supermercados e hipermercados. Se o Estado o tivesse feito, ainda haveriam mercearias nos centros das cidades.

Depois, alguém que é suposto saber da lógica do negócio e da legislação inerente, emite atoardas deste género: Por isso, "se nada for feito o risco é que um número significativo de farmácias, cerca de 600, possa vir a encerrar", afirmou Paulo Duarte, apontando o impacto a nível de emprego, pois "há cerca de 100 mil famílias que dependem direta e indiretamente das farmácias".

Oh meus amigos, os alvarás das farmácias são concedidos pelo Estado, via Infarmed, e se as farmácias se tornarem insolventes, competirá naturalmente ao mesmo Estado colocar no mercado novamente os alvarás. Ao contrário do que dizem, o negócio de farmácia é viável, mesmo com a recessão económica e com o emagrecimento das margens de lucro. Naturalmente que a viabilidade das farmácias passa por uma lógica de gestão, algo que muita gente no sector nem sequer sabe o que é. Se forem entregues os alvarás das farmácias aos principais operadores retalhistas portugueses, eles não perderão dinheiro, com certeza.

Tantos incompetentes, num país tão pequeno, com um poder de opinião maior do que eles!

Friday, September 14, 2012

Lágrimas de crocodilo

Vivem-se em Portugal, situações de drama. Drama real. Drama ficcionado. Se há muita gente que é vítima da recessão económica por razões reais, como sejam as relacionadas com a deslocalização de empresas. Outros há, que viveram durante décadas situações confortáveis, mas não se prepararam para dias mais agrestes.

As farmácias gritam agora: “se nada for feito urgentemente, 600 farmácias, das 2900 que existem, irão encerrar no próximo ano”. Curioso era, que antes, existisse um sector imune à falência. Nas actividades económicas, as falências devem ser encaradas como normais, ainda que não devam ser em quantidades exageradas. Anormal eram os valores de trespasse de cada farmácia, fossem elas pequenas ou grandes, situadas nas grandes cidades ou em zonas rurais.

Num país sempre dependente do Estado - paternal, é normal este tipo de queixume: A solução proposta pela ANF para tentar solucionar a situação é “um pagamento adicional às farmácias de 0,94 cêntimos por embalagem vendida, valor a suportar pela indústria sem penalizar os doentes”.

Porque é que a Indústria farmacêutica haveria de pagar 94 cêntimos por embalagem ao retalho farmacêutico? Porque é que as farmácias mantém uma margem de lucro fixada por Lei nos medicamentos sob prescrição médica?

Enquanto as farmácias beneficiaram do facto de serem um apêndice do Ministério da Saúde, com margens brutas elevadas e garantias de pagamento, tiveram uma vantagem competitiva única na actividade económica em Portugal. Todos os empresários gostariam de ter garantido o pagamento, sempre. Infelizmente, o risco de não - cobrança mantêm-se em todos os sectores, e parece não existir no retalho farmacêutico. Aliás, o Ministério da Saúde chega a pagar com prazos de mais de 300 dias à Indústria farmacêutica. Se isto acontecesse às farmácias, como reagiriam elas?

Wednesday, July 18, 2012

As esperadas boas notícias II

Por vezes, nada melhor do que não ter dinheiro, para se poder reduzir a despesa. Pode parecer duro, mas as sociedades mais ricas têm por vezes demasiada complacência, o que as torna despesistas e consumistas. Quantas vezes, não nos damos conta, num programa de televisão, ou num passeio pela rua, que há pessoas que gostam de exageros, apesar de muitas vezes, nem poderem sequer ter o essencial, quanto mais o excessivo.

Vejamos o extraordinário resultado para o Estado e para os contribuintes, resultante da política promovida pelo Ministro Paulo Macedo de quase imposição dos genéricos, através da obrigatoriedade do princípio da "denominação comum internacional":


  1. “Pela primeira vez, a quota de mercado dos medicamentos genéricos no mercado total ultrapassou os 60%, o que é um número que nunca tinha sido atingido”, disse Paulo Duarte na Comissão Parlamentar de Saúde.
  2. No mesmo mês, verificou-se um “maior aumento de quota de mercado nos medicamentos genéricos”, situando-se nos 6,7 pontos percentuais face a uma média anterior de 5,5 pontos percentuais. Para o vice-presidente da ANF, estes dados evidenciam que “a medida está a ter efeitos do ponto de vista do comportamento do mercado”. 
  3. Também neste mês, registou-se “a maior redução do preço médio dos medicamentos” desde o princípio do ano: 20,3% face aos preços praticados em Janeiro. Já o preço médio dos genéricos reduziu 51,2%.
  4. Sobre a evolução média dos preços dos medicamentos de marca, Paulo Duarte adiantou que, desde 2009, a variação não é significativa. “A redução tem acontecido praticamente a nível dos genéricos”, disse, comentando: “No fundo, são os genéricos que estão a contribuir para as poupanças” na despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em ambulatório, que reduziu 316,4 milhões de euros em 2011, enquanto a despesa no sector hospitalar subiu 12,8 milhões de euros. 
Claro está, que pelo caminho ficarão alguns danos colaterais:
  • O responsável alertou que “as dificuldades das farmácias estão a tornar-se cada vez mais as dificuldades dos utentes conseguirem aceder aos medicamentos”. Dados da ANF divulgados por Paulo Duarte na comissão indicam que, desde Abril, o mercado tem reduzido mais de 10% em valor, com aceleramento a partir de Junho. “Em Junho tivemos uma redução de mercado de 16% e em Julho de 14,5%”, um valor estimado com base nos primeiros 15 dias de mercado. Em termos de unidades não há variações significativas e em termos de despesa pública do SNS verifica-se, até agora, uma redução de 8,1%, adiantou. 
Falta dizer que alguns laboratórios farmacêuticos multinacionais a operarem em Portugal, provavelmente deixarão o país em breve, pois este mercado passará a ser absolutamente marginal e desinteressante.

Thursday, July 12, 2012

Onde estão os milhões ganhos no passado?

Quem gere um negócio, tem que saber gerir os altos e os baixos do mesmo. Não há muito tempo, transaccionavam-se farmácias de oficina a 5, 6 ou mais vezes, o valor da sua facturação. Para que não fiquem dúvidas, transaccionavam-se farmácias por 5 ou 6 milhões de euros, que não chegavam a facturar 1 milhão por ano. E quem comprava, achava que tinha feito um grande negócio.

Como o Estado português foi forçado a gerir melhor o interesse público, por imposição dos seus credores internacionais, passou a saber gerir melhor a sua relação com o retalho farmacêutico. Claro, os donos de farmácia que ganharam milhões durante mais de uma década, agora não sabem o que fizeram ao dinheiro ganho. Perante este cenário expectável, agora só falta pediram um bailout ao amigo Estado: Mais de 1100 farmácias têm actualmente os fornecimentos suspensos e a situação económica é de tal forma insustentável que não permite cobrir os custos fixos na maioria destes estabelecimentos.

De facto, quem não sabe ser merceeiro, deve fechar a loja. Quando os lucros eram grandes, e foram-no durante mais de uma década, ninguém se queixava. Aliás, parece que fecharam nos últimos 2 anos, centenas de restaurantes, de fábricas, ou até milhares de empresas de serviços, mas há sempre quem se queixe, mas tenha dinheiro suficiente para pagar consultoria muito bem paga,  para pedir ajuda: As farmácias "defrontam uma situação económica em que a atividade normal não permite cobrir os custos fixos numa maioria de farmácias", conclui um estudo da Nova School of Business & Economics, coordenado pelo economista e especialista em Saúde Pedro Pita Barros, que está a ser apresentado hoje na Associação Nacional das Farmácias.


Será que ainda vamos assistir a uma ajuda especial, vulgo bailout, ao sector farmacêutico com o beneplácito da Tróika, e à semelhança da banca? Em Portugal, tudo é possível.

Wednesday, May 02, 2012

Farmácias Portuguesas: a esperada queda aos infernos

Durante décadas, o negócio farmacêutico viveu de um proteccionismo, muito para além do condicionamento industrial dos tempos de Salazar. Abertura de novas farmácias limitada. Posse de farmácia limitada a farmacêuticos. Margens de lucro fixadas por Lei. Acordo vantajoso conseguido com o seu principal cliente, o SNS.

Só um cego, conseguiria que uma farmácia não desse lucro. Tudo isto, perante a perda de força dos contribuintes e dos doentes. Tudo isto, com o beneplácito da poderosa Indústria farmacêutica.

Como muitos sonhos acabam em pesadelos, os donos de farmácia descobriram finalmente o que é ter riscos com a posse de um negócio: 

  1. As sucessivas mexidas nos preços dos medicamentos e a redução das margens de lucro das farmácias estão a levar o setor à asfixia.
  2. A Associação Nacional de Farmácias (ANF) apresenta hoje um estudo, encomendado à Universidade de Aveiro e a uma empresa de contabilidade, que traça um cenário negro do setor.
  3. há 844 farmácias com fornecimentos suspensos por dívidas aos fornecedores.
A solução que a ANF apresentará como mais provável para a melhoria do sector, deverá passar inapelavelmente por algumas ajudas do sempre vilipendiado, mas amigo, Estado! Já se devem ter esquecido dos rios de dinheiro que ganharam com o condicionamento concorrencial providenciado pelo Estado, por décadas. É tempo de os colocarem em cima da mesa, para fazerem a necessária reengenharia do negócio, pois o Estado português faliu por décadas.

Thursday, February 23, 2012

O regresso de Cordeiro

Regressado de onde nunca saiu. João Cordeiro. Ex-Presidente da Associação Nacional de Farmácias. Reeleito Presidente da Associação Nacional de Farmácias. Quem fez das farmácias algo mais do que lojas de bairro, não consegue arranjar quem o substitua. Nos Sindicatos, nos Partidos, nas Confederações patronais, é a mesma coisa, eternizam-se no poder, não sabem criar sucessores. Gostam muito do poder.

Apesar de ser co-responsável pela situação, vem lamber as feridas em público: cerca de 1900 farmácias encontram-se hoje em situação económica “dramática” e se nada for feito para inverter a situação, o problema irá atingir, no final de 2012, 2400 farmácias, afirmou esta quarta-feira João Cordeiro que, mais uma vez, tomou posse como presidente da direcção da Associação Nacional das Farmácias (ANF), escreve o Correio da Manhã.


João Cordeiro sabe que usufruiu de vantagens conquistadas na mesa dos sucessivos dirigentes do Ministério da Saúde, como sejam, a contingentação do mercado, as margens de lucro garantidas ou os acordos especiais de pagamento do Estado. Ainda assim, julga que ainda consegue condicionar a mesa: João Cordeiro apontou a consecutiva redução do preço dos medicamentos desde 2005, o adiamento de reformas estruturas e a "instrumentalização partidária da saúde e do medicamento".


Habitue-se, Dr. João Cordeiro. As vantagens conseguidas por vias administrativas, ou seja à mesa do Orçamento de Estado, acabaram. De vez.

Tuesday, December 13, 2011

A Madeira é só um pequeno ilhéu

A Madeira está para Portugal, como Portugal está para a União Europeia. A Madeira viveu durante décadas do financiamento do Continente e do crédito internacional com o aval do Estado português.

Portugal viveu durante décadas tendo como base o financiamento internacional. Agora, com o crédito adicional da chamada Tróika, Portugal vive com o aval da finança internacional, isto é, com o apoio da União Europeia e do FMI.

Ou seja, quer a Madeira, quer o Continente, tiveram um crescente desenvolvimento durante décadas. Este desenvolvimento foi obtido através da dependência acentuada do crédito internacional. Agora, Portugal entrou em bancarrota e a Madeira entrou em colapso.

Este é só mais um exemplo que ilustra a imensa irresponsabilidade de quem tem governado o país ou alguma das suas partes: A Associação Nacional de Farmácias (ANF) informou hoje, em comunicado, que a partir do próximo dia 15 de Dezembro (quinta-feira) as farmácias não poderão continuar a dispensar medicamentos a crédito à população da Região Autónoma da Madeira. Isto porque a dívida da região às farmácias é, neste momento, de 77 milhões de euros, estando em dívida as comparticipações desde Setembro de 2009.

Quem vive à custa dos outros, dificilmente muda de caminho. Isto passa-se com os indivíduos, as famílias ou as empresas. É como a toxicodependência. É quase irreversível. A gente que conduziu Portugal e todas as suas partes à actual condição, continua a dirigir a nação.

Quando a cabeça não pensa, o corpo é que paga: a ANF publicou um anúncio na imprensa informando que as farmácias vão deixar de dispensar medicamentos a crédito à população da Região Autónoma da Madeira a partir de quinta-feira.

Tuesday, December 06, 2011

A evidente incapacidade de gestão

Durante décadas, possuir uma farmácia significava: sucesso, status, riqueza aparente, ou riqueza real. Claro que este maná, fundamentava-se em: contingentação do mercado, isto é, as farmácias beneficiavam de uma protecção legal, que evitava a abertura do número de farmácias necessárias ao mercado. Depois, os lucros estavam garantidos por Lei. E ainda, a corporação das farmácias, geria bem a sua relação com o seu principal pagador, o Estado.

Entretanto, com a bancarrota do Estado português, os credores do Estado impuseram um corte drástico na comparticipação no pagamento dos medicamentos. Os principais consumidores de medicamentos, os idosos, vivem de reformas baixas ou muito baixas.

Perante este cenário, a festa está a chegar ao fim:

1. Distribuição precipitada de dividendos, stocks descontrolados, caixa e crédito das farmácias usados para pagar divórcios, casas, carros e férias sem ter em conta necessidades futuras como pagamento a distribuidores ou modernização. São muitas as razões encontradas pelos vendedores para a falência de farmácias e excesso de oferta no mercado de venda e trespasse.

2. Apesar da desvalorização, nenhum admite que o negócio tenha deixado de ser rentável, passou apenas a ter de ser mais bem gerido: uma farmácia com uma facturação anual de um milhão era vendida por três. Hoje está no mercado a 1,2 milhões.

3. “Antes as margens davam para tudo, para os empregados roubarem, para férias, para casas. Hoje é preciso uma melhor gestão”, diz ao i o representante que tem as 87 farmácias. Assumir o passivo significa ter o dinheiro disponível. E os intermediários cobram ainda a sua margem: “São situações em que se pode negociar com os bancos, mas em grande parte as dívidas a fornecedores, que também estão com a corda na garganta, são para pagar logo”.

Na India, as vacas sagradas morrem de velhas. Em Portugal, parece que já não há vacas gordas. Em Portugal, os empresários sem concorrência, já não têm dinheiro para pagar a sua incapacidade de gestão!

Friday, August 27, 2010

Para que servem os Reguladores?

Exactamente, isto é actuação de um Regulador responsável: O Infarmed proibiu a farmácia «Uruguai», na zona de Benfica, em Lisboa, de continuar aberta 24 horas por dia, horário que cumpria desde 1 de Janeiro do ano passado, depois de, seis meses antes, ter comunicado a alteração de horário ao regulador, que não respondeu, dando assim o seu acordo tácito, como previsto na lei?

Parece-nos que não. Então, a farmácia não cumpre com os ditames da Lei, desde Janeiro de 2009, e só agora é que o Regulador actua? Pior, se o mecanismo de "acordo tácito", após não resposta está previsto na Lei, porque é que não foi aceite neste caso? A Lei é "plástica", bem o sabemos!

Depois, cá vêm os "bem amados" lobbies: a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) procedeu, agora, a uma inspecção, depois de ter recebido uma queixa de um grupo de farmácias concorrentes, pertencentes à Associação Nacional de Farmácias, impedindo aquele estabelecimento, que pertence, por sua vez, ao grupo da Associação de Farmácias de Portugal, de continuar aberto entre a meia-noite e as seis da manhã.

Mas, o Infarmed actua da mesma forma que o Imperador Calígula: No entanto, na capital, existem várias farmácias que estão abertas 24 horas por dia.

Para terminar, e da pior maneira, assistimos a mais um virtuosismo da governação "simplex": A decisão do Infarmed, no entanto, contraria as declarações do primeiro-ministro há dois anos, quando incentivou as farmácias a «ficarem abertas até mais tarde, de acordo com os interesses das pessoas», no âmbito da liberalização da propriedade.

Saturday, March 13, 2010

O crime compensa?

Por vezes. Mas, só para alguns. Sobretudo, para aqueles que já têm muito poder.

Repare-se na Face Oculta já à vista: Como revelaram as intermináveis escutas do "Sol", agora a propósito da rendição ao sinistro lóbi da ANF, no concurso para as farmácias hospitalares. (E também aqui, mais uma vez, vamos encontrar o sempre presente pivô do regime, o inabalável Armando Vara, no centro de todas as grandes operações, dos grandes negócios, das grandes influências).

De facto, nós que temos e teremos sempre memória, recordamo-nos do ainda Primeiro Ministro, ter tido um discurso de tomada de posse em 2005, elegendo como inimigo a abater, precisamente esse "sinistro" lobby em que consiste a congregação do retalho farmacêutico.

Agora, parece que o diabo o deixou de ser. Por anda a honra e dignidade dos poderes? Por anda a consistência de princípios? Por anda Portugal?

Saturday, April 04, 2009

Friday, October 31, 2008

O descontrolo com a despesa nos medicamentos

Grosso modo, os medicamentos representam 20% dos gastos em saúde. É muito dinheiro. Apesar de ser muito dinheiro gasto, os genéricos já representam uma fatia de cerca de 20% dos medicamentos vendidos. E, para além disso, há uma clara travagem por parte do Ministério da Saúde à comercialização de novos medicamentos.

Contudo, o descontrolo com a despesa em medicamentos em 2008, é evidente:
  • A despesa do Estado com os medicamentos vendidos nas farmácias está a disparar a níveis inéditos nos últimos anos. Outubro pode fechar "com aumentos de dois dígitos, entre os 11 e os 12 por cento".

Segundo João Cordeiro, Presidente da Associação Nacional de Farmácias, as razões para tal descontrolo são estas:

  1. Defende que a culpa é do próprio Governo, de uma "política sem critérios", da incapacidade de "afrontar lóbis" e "de fazer cumprir a descida de preços" por parte da indústria de medicamentos de marca.
  2. "Não está a ser cumprida" a legislação que obriga os remédios a ser mais baratos do que nos outros países. A tutela autorizou que 132 produtos ficassem 17,7% mais caros, porque os laboratórios os podiam retirar e, assim, os doentes teriam de comprar outros mais caros.
  3. 11,3 Milhões é quanto Estado (5,5 milhões) e utentes (5,8 milhões) teriam poupado desde 2005, caso o Governo não tivesse decidido isentar a Bial da descida de 6% dos remédios, diz a ANF.
  4. 10 Milhões é o dinheiro que o Estado (4 milhões) e os utentes (seis milhões) gastam a mais por ano com a subida do preço de 132 remédios autorizada este ano pelo Ministério.

Lobbies. Muitos lobbies estão envolvidos na saúde, já o sabemos. Mas, quando não se consegue controlar a voragem descontrolada dos vários lobbies, o abismo aproxima-se!

Monday, August 04, 2008

Medicamentos genéricos aumentam ou diminuem?

A factura dos medicamentos representa cerca de 20% dos custos com a saúde em Portugal. A entrada e posterior incentivo dos genéricos, ajudou a controlar a referida factura. Contudo, os doentes estão progressivamente a comparticipar mais nos gastos totais em medicamentos, porque o Ministério da Saúde tem diminuído a sua comparticipação. Num ambiente económico recessivo, este facto tem levado a que fatias frágeis da população, sobretudo os idosos, tenham reduzido muitas aquisições de medicamentos.

Agora, anuncia-se isto: O preço dos medicamentos genéricos vai baixar 30 por cento a partir de Setembro, disse esta sexta-feira à TSF uma fonte do Ministério da Saúde.

Mas, há já por aí alguém que vê a redução de preços dos genéricos de outra forma: A descida de 30% do preço de todos os medicamentos genéricos anunciada pelo Ministério da Saúde pode representar para os doentes um aumento da factura em vez de uma poupança, critica o presidente da Associação Nacional de Farmácias, João Cordeiro.

Aguardemos, desconfiados!

Thursday, June 19, 2008

Estranho!

Fonte: aqui.


Actualizamos a notícia anterior, com esta que nos deixa ainda mais inquietos:
  • "Arriscamos". Ouvida pelo JN, a responsável de um centro de preparação para o parto e de massagens para bebés que disponibiliza o Infacol aos pais que a procuram garante que continua a ter o medicamento. E insiste, ao contrário do que diz o Infarmed, que é "mais seguro e mais eficaz" do que a alternativa que existe no mercado português, o Aero-Om.
  • "Falo por experiência: o Aero-Om tem a mesma substância activa de base do Infacol, mas não funciona, porque ninguém respeita a posologia de administração e ele perde eficácia". A massagista culpa os próprios hospitais: "Ainda hoje visitei um recém-nascido num hospital privado. Tinham posto uma garrafinha de Aero-Om na mesinha de cabeceira, sem explicar nada". Sem dizer, por exemplo, que o uso não pode ser banalizado e que o líquido "não deve ser posto na chupeta quando os bebés choram", que se calam pelo facto de ser doce e saboroso.
  • A responsável sabe que incorre na ilegalidade ao vender o produto, mas garante ser legal a compra pela Internet. Diz que vende o Infacol para "ajudar pais desesperados" e não para lucrar com isso. Vende cada frasco a dez euros. "Na farmácia de Gaia que o disponibilizava era mais caro 50 cêntimos e há particulares na Internet a vender por nove euros".

Questões nossas:

  1. Porque não a liberalização total da abertura de farmácias, já que a Internet está ao dispor de qualquer um de nós?
  2. É mesmo legal em Portugal, comprar medicamentos na Internet (Boots, Walgreen)?

Monday, May 26, 2008

A concorrência no retalho farmacêutico

Fala-se que no retalho farmacêutico há monopólio, sobretudo devido ao facto de existir a Associação Nacional de Farmácias. Não nos compete dizer se é verdade ou não, que há monopólio no sector. Há uma coisa que não nos agrada como consumidores de medicamentos, que é o facto de não se poderem abrir mais farmácias, este sim é um condicionamento à concorrência.

Mas, vejamos este exemplo de inovação no serviço das farmácias:
  • «Há farmácias que para cativar clientes optam por fazer descontos, nós preferimos melhorar a intervenção farmacêutica na nossa comunidade. Queremos inovar não pelos descontos, mas pelos cuidados que prestamos».
  • As «Farmácias da Boavista» oferecem também um horário prolongado de abertura, distribuído por turnos pelas três farmácias. De segunda a sexta-feira funcionam das 09:00 às 22:00 e aos sábados das 09:00 às 20:00.
  • Três farmácias da zona da Boavista, Porto, iniciam em Junho um «serviço inovador em Portugal» que consiste na oferta de um conjunto de vantagens aos utentes, entre as quais a entrega gratuita de medicamentos ao domicílio.
  • Além da entrega gratuita de medicamentos ao domicílio e no local de trabalho, o projecto prevê o seguimento fármaco-terapêutico dos utentes, nomeadamente de diabéticos, apoio a lares de idosos e outras instituições, através do acompanhamento de um farmacêutico para a administração de unidoses, e a disponibilização de cuidados de enfermagem.

Parabéns a estas farmácias. É preciso mais iniciativas como esta.