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Thursday, March 19, 2009

O fim esperado do SNS II

Não há omoletes sem ovos, já o sabemos. Dificilmente se consegue um SNS gratuito ou tendencialmente gratuito, já o dizemos por aqui há algum tempo. Os políticos que vão vivendo de mensagens gostosas para português saborear, sentem-se à vontade a criar estes embustes, porque os cidadãos estão adormecidos com as crises!

O SNS não é sustentável. O artigo 64º da Constituição da República Portuguesa não pode ser garantido, de forma séria. Isto é, o artifício que lá puseram, "um SNS tendencialmente gratuito", não passa de um embuste, ou se quiserem, uma fantasia.

Restam duas soluções: 1) os contribuintes terão que pagar mais impostos para sustentar um SNS ineficiente e vítima de múltiplos lobbies; 2) os portugueses terão que pagar cada vez mais a sua saúde através de seguros privados de saúde.

Para os que ainda acreditam em fantasias, vem a Senhora Ministra mostrar que já não há milagres: A ministra da Saúde, Ana Jorge, lançou hoje um apelo aos médicos de família para que prescrevam medicamentos genéricos aos seus doentes, sobretudo numa fase de crise económica.

Curiosamente, foram sempre os médicos (Colegas da Senhora Ministra), que criaram o máximo de obstáculos à expansão dos medicamentos genéricos!

A verdade custa. Mas, a realidade é mais forte.

Monday, May 12, 2008

O SNS em fatias

A prestação de serviços de saúde às populações é um direito constitucional. Contudo, para além dos recentes e vergonhosos casos dos acordos com Cuba para resolução de cirurgias às cataratas, há outras fatias do SNS que só existem para quem tem dinheiro.

Pior, os políticos adoram vir dizer que é a primeira vez que fazem isto ou aquilo, mesmo que saibam que mentem com a boca toda! O actual Primeiro Ministro e o antigo Ministro da Saúde, Correia de Campos, vieram pomposamente anunciar a cobertura de serviços de saúde dentário a determinadas franjas da população, como sejam idosos e grávidas. Quando se foi ver quantos portugueses tinham a tal "esmola" (um cheque - dentista no valor de 120 euros), viu-se que apenas cobria cerca de 200.000 pessoas! Claro que José Sócrates, para além de gostar de dizer que é o primeiro em tudo, vem ainda dizer que o que "dá" é sempre mais do que os outros "deram" e que não pode "dar" mais!

Bem, e depois ainda temos que ler isto: A Direcção-geral de Saúde admite o alargamento do programa de saúde oral para grávidas, mas pretende primeiro ver quais são as necessidades destes grupo de pessoas.

E isto: A Direcção-geral de Saúde admite alargar o programa de saúde oral para grávidas, que prevê actualmente um máximo de três cheques-dentista, mas que também prevê que a grávida fica livre de lesões activas de cárie dentária.

Seria melhor que se assumisse claramente o quê que as pessoas têm direito e não andarmos atrelados a princípios de uma Constituição de República que dizem que ainda existe!