Wednesday, June 27, 2007

O combate à SIDA em África

África é um continente abandonado. Por todos os que vivemos noutras zonas do planeta, e pelas élites no poder dos países africanos, com uma ou outra excepção.

A SIDA/AIDS tem corroído a pouca resistência dos africanos, e ameaça mesmo devastar o continente, mesmo em países com mais recursos económicos e de saúde, como é o caso da África do Sul.

O Governo e o Congresso dos EUA têm apoiado a luta contra a SIDA/AIDS em África, ainda que haja quem ache que em pequena dimensão. Ms. Laura Bush vai estar em África (Moçambique, Botswana e Zâmbia), para se dar conta dos resultados que existem no terreno, originados pelos apoios do Governo e do Congresso dos EUA: A primeira-dama dos EUA, Laura Bush, visita Moçambique nesta quarta-feira para avaliar os projetos de combate à Aids e malária financiados pelo governo norte-americano, com um moentante que já ultrapassa US$ 370 milhões.

Vejamos algumas pistas sobre o combate em curso:
  • O Programa de Emergência Presidencial de Alívio à Aids (Pepfar, na sigla em inglês), aprovado pelo congresso norte-americano, a pedido de George W. Bush, deu mais de R$ 370 milhões a Moçambique em 2003 para apoio no combate à Aids em 15 países de África e do Caribe.
  • Atualmente, o pacote financeiro autorizado pelo congresso norte-americano em 2003 ultrapassa R$ 29 bilhões e prevê, entre outras medidas, o alargamento do acesso de mais doentes aos antiretrovirais.
  • Dados governamentais indicam que 110 mil pessoas irão receber tratamento antiretroviral até 2008, contra 34 mil este ano, e 16,2 mil em 2006, como efeito direto dos apoios concedidos no quadro do Pepfar.
  • Mais de 16% de um universo de mais de 19 milhões de moçambicanos estão infectados com o vírus HIV,d a Aids, contabilizando-se 500 novos casos de infecção diária.

Esperemos que não seja apenas um elemento de propaganda do país mais poderoso do planeta!

Tuesday, June 26, 2007

Afinal, o Estado financia o Estado

As Parcerias Público - Privadas parece que vão assumir-se como a solução para todos os problemas. Pelo menos, é o que se vai lendo na imprensa, e também é o que vão dizendo os políticos do Governo e da Oposição.

Agora, surge-nos esta notícia: A Caixa Geral de Depósitos (GGD) e a Parpública criaram um banco que vai «renegociar o financiamento de parcerias público-privadas (PPP)».

Mas, afinal a CGD é 100% do Estado e a Parpública é o braço-financeiro do Estado. De que lado estará a parceria entre a CGD e a Parpública? Do lado "Privado" ou do lado "Público"?

Coisas estranhas, da sociedade Europeia!

Monday, June 25, 2007

Que grande confusão vai no Ministério da Saúde

Descobriu-se que o Serviço Nacional de Saúde estava incontrolável, em termos de gastos. E, o pânico instalou-se. O Estado ainda não aprendeu a fazer como as famílias e as empresas. Tem que poupar. Claro que pode também tentar recolher mais receitas. O problema é a quem?

Ora, o "Comité dos Sábios", a quem foi incumbida a tarefa de arranjar o "milagre da solvência" do Sistema, fez um estudo, que parece que não aparece à luz do dia, pelo menos oficialmente. Entretanto, vamos lendo em vários jornais e blogues, bocados do Relatório do "Comité dos Sábios". Ora vejamos:
  • Os utentes do Serviço Nacional de Saúde que «abusem» das consultas nos hospitais devem pagar uma taxa moderadora mais elevada do que os restantes. A medida, proposta por uma comissão técnica encarregue de encontrar soluções para garantir a sustentabilidade do sistema público, apenas exclui os doentes crónicos e as pessoas que efectuem tratamentos prolongados, refere o «Público».
  • O limite é estabelecido em três consultas por trimestre. Tudo o que excedesse esse limite implicaria um pagamento de 75 por cento do valor real da consulta. Refira-se que os utentes pagam 2,75 euros por uma consulta num hospital distrital, sendo que o valor real da mesma ronda os 30 euros.
  • A Comissão independente propõe ainda que as despesas de saúde apenas possam ser dedutíveis até um limite de dez por cento (actualmente o limite é 30 por cento), mas ao mesmo tempo admite que 92 por cento das consultas dentárias são feitas no sector privado porque quase não há dentistas no SNS. Na Ginecologia e na Oftalmologia, 67 por cento das consultas são privadas e na Cardiologia essa cifra é de 54 por cento.
  • Os peritos referiram ainda que «nenhuma das medidas, por si só, tem capacidade de assegurar a sustentabilidade financeira do SNS». O ministro da Saúde, Correia de Campos, referiu já que nenhuma das medidas propostas pelos onze técnicos deve ser aplicada a curto prazo.

Nós apenas perguntamos o seguinte: o que vai fazer o Ministério da Saúde ao estudo do "Comité de Sábios? Deitá-lo fora (ou arquivá-lo)? Pedir um novo estudo? Ou achar que o SNS se vai degradar ao ponto, de os cidadãos recorrerem ao sector privado, e assim não ser preciso fazer nada?

Saturday, June 23, 2007

Friday, June 22, 2007

Drogas: um velho problema olvidado!

O consumo de estupefacientes, sejam de que tipo forem, não é saudável, por muito que por vezes nos queiram convencer que há determinadas "drogas" menos más do que outras, ou se quiserem, menos dependentes do que outras!

Em Espanha, o problema não será menor do que em Portugal, se não, vejamos o retrato que aqui nos deixam:
  • Más de 2.071 jóvenes fueron atendidos en Proyecto Hombre durante el año pasado, el 10,4 por ciento más que en 2005 y el 64 por ciento más que en 2004, según un informe presentado hoy por esta ONG, dedicada al tratamiento y prevención de las toxicomanías.
  • Durante el 2006, 16.993 personas recibieron un tratamiento de desintoxicación en alguno de los 26 centros de Proyecto Hombre y que el 70 por ciento de ellos consumía cocaína.
  • De estos casi 17.000 drogodependientes, 2.071 eran adolescentes que al llegar a los centros de esta ONG eran consumidores habituales de drogas (el 90 por ciento de ellos).
  • En cuanto al perfil de estos adolescentes, el informe refleja que el 80 por ciento eran varones con una edad media de 17,8 años, el 93 por ciento eran españoles y para el 39 por ciento de ellos no era el primer tratamiento de desintoxicación que recibían.
  • El informe explica además que el 44 por ciento de los adolescentes que acudieron a Proyecto Hombre en 2006 estaba estudiando, y el 27,7 por ciento no tenía ningún tipo de ocupación.
  • Sin embargo, aunque pocos trabajaban, el gasto medio semanal de estos adolescentes asciende a 66 euros (16 euros en alcohol y el resto en otras sustancias).
  • Respecto a las sustancias que tomaban estos jóvenes, el informe señala que el 77 por ciento eran fumadores habituales, el 60,7 por ciento consumía cannabis o alcohol, el 23,3 por ciento inhalaba cocaína y el 11,7 por ciento tomaba 'speed'.

Retrato preocupante, pois trata-se de um grave problema de saúde pública. Por enquanto, é um problema, que nuns casos é sublimado, e em outros casos é ferozmente atacado!

Thursday, June 21, 2007

Mais impostos para financiar a saúde: pede-se!

Já esperávamos que viesse a acontecer. Mas, duvidamos que venha a ser implementado. O crescimento das despesas do SNS tornou-o insustentável, como aliás vimos sucessivamente alertando. Parece que o SNS português será o 12º melhor do mundo, em termos de serviço prestado. Parece, também, que o SNS português tem o 4º maior gasto do mundo, se compararmos o gasto em saúde, com o PIB (apenas atrás dos EUA, da Suíça e da Alemanha).

Um "comité de Sábios", veio propôr ao Ministro da Saúde um conjunto de medidas:
  • Os peritos querem que o SNS permaneça universal e gratuito, sob pena de deixar de ser justo e equitativo.
  • O controlo da despesa pública e uma maior eficiência do sistema são, por isso, defendidos pelos especialistas. As sugestões para alcançar uma menor despesa em Saúde são múltiplas: assegurar a função de triagem dos cuidados de saúde primários, melhorar os sistemas de informação, rever o sistema de convenções, entre outras.
  • A Comissão liderada por Jorge Simões aconselha ainda que seja revisto o actual regime de isenção das taxas moderadoras.
  • É proposta uma redução da dedução dos encargos com a Saúde no IRS de 30% para 10%. O Governo deverá ainda rever as categorias de despesa elegível para deduções fiscais.
  • Os subsistemas como a ADSE (para os funcionários públicos) e a ADMA (para os militares) devem ser auto-sustentados ou eliminados.
  • A Comissão deixa uma medida ‘excepcional’ para aplicar apenas em caso de falência total do Serviço Nacional de Saúde. Nesse caso, e apenas nesse, os peritos aconselham a “imposição de contribuições compulsórias, temporárias e determinadas pelo nível de rendimento”.

Repare-se que o "Comité de Sábios" pressupõe ainda o seguinte: mantém-se impossível a saída do SNS, mesmo que não se recorra a cuidados de saúde públicos.

Os nossos comentários breves:

  • Aprendemos na Gestão, teórica e prática, que há sempre duas hipóteses de equilibrar as contas: aumentando receitas ou diminuindo custos.
  • Parece-nos que o "Comité de Sábios" só admite reduções de custos, sem contudo assumir, que deveria ser através desta redução draconiana, é que o SNS deveria subsistir.
  • É inconcebível que quem mais contribui para o SNS (no fundo, os que têm maiores taxas de IRS), sejam cada vez mais condicionados a não deduzir as suas despesas privadas em sede fiscal, e nem por isso possam optar pela saída de um sistema que até podem achar que não os serve (o SNS).
  • O "Comité de Sábios" não coloca sequer a hipótese de completa reengenharia do SNS, o que seria fundamental numa fase em que já se coloca no papel, a eventual falência do sistema. O que seria para nós uma hipotética reengenharia do sistema? Seria por exemplo, a completa redefinição do papel dos serviços públicos e privados. Seria por exemplo, a reorganização geográfica dos serviços. Seria por exemplo, a profissionalização do sistema de gestão dos organismos do Estado (hospitais e centros de saúde).

Wednesday, June 20, 2007

A opção de Livre Escolha na saúde

Defendemos, antes de mais, os doentes, quer o sejam já ou estejam em vias de o ser. Detestamos que chamem aos doentes, "pacientes", e não gostamos que lhes chamem "utentes".

Não gostamos que chamem "pacientes", porque se as pessoas pagam um serviço (através de impostos, ou através de seguros de saúde), não têm que ser pacientes! Têm que ser exigentes. Aliás, como são, quando estão numa Escola, num restaurante ou numa papelaria.

Não gostamos que chamem "utentes", porque soa a caritativo ou encapotadamente, a uma forma de "se és utente, não pagas, e também não reclamas". Não. Os cidadãos em Portugal pagam impostos para suportar o SNS, pelo que não são "pacientes", nem sequer "utentes"!

Dizemos isto, porque queremos aplaudir a iniciativa do Governo Blair, de promover uma livre escolha na saúde, através da Internet, conforme vemos aqui: The website was launched by the health secretary, Patricia Hewitt, who said it was the boost patients needed to exercise their right to choice.

Parabéns a Tony Blair e a Patricia Hewitt.

Vejamos o que faz a nova plataforma eletrónica: NHS Choices is intended to allow patients to access NHS approved information under four different headings:
  • Living Well – providing information to help people stay fit and manage their health;
  • Health A-Z – providing a library of approved medical literature;
  • Choose Services – full authoritative and comparative data on standards and availability of services with quality scorecards for all services;
  • Your Thoughts- where patients are invited to comment an feedback on NHS services.

Finalmente, registamos esta frase da Senhora Hewitt: The website was launched by the health secretary, Patricia Hewitt, who said it was the boost patients needed to exercise their right to choice.

O site está aqui.

Tuesday, June 19, 2007

Eutanásia e as prioridades na saúde

Gostamos, sinceramente, de reflectir sobre a saúde, na perspectiva do doente, que poderemos ser todos nós, em qualquer momento. A vida não pode ser só brilho, mas a vida também não pode ser só sacrifício ou dôr.

Tudo isto, vem a propósito desta notícia: O primeiro grande estudo feito em Portugal sobre a eutanásia e o suicídio assistido mostra que 40 por cento dos médicos oncológicos que assistem doentes terminais é favorável à legalização desta forma antecipada de morte em doentes incuráveis.

Julgamos que a dôr permanente é insuportável. Julgamos que a dôr elevadíssima e permanente, é ainda mais insuportável. Mas, será que é prioritário discutir a eutanásia ou o suícidio assistido (não sabemos a diferença, entre um conceito e o outro), nesta fase do Sistema de Saúde português? Julgamos que não.

Não queremos traçar paralelos entre a "pena de morte" e a eutanásia. Fazemo-lo apenas num sentido, ambas levam à morte definitiva. E se a "pena de morte" não é aceitável, porque não é corrigível (se por acaso, houve um lapso na decisão que conduziu ao acto), porque será a eutanásia, que também não é corrigível (e a doença ou a causa da doença pode ser alterada, em função por exemplo, de novas tecnologias)?

Finalmente, e ainda referente a esta notícia, achamos que isto sim, é matéria prioritária: em Portugal existem apenas cinco ou seis unidades de cuidados paliativos", o que é manifestamente pouco. "Estas cinco ou seis unidades não podem ser consideradas uma rede e uma das coisas que o estudo prova é exactamente a inexistência de uma rede de cuidados paliativos para os doentes terminais".

Sociedade Prozac

Monday, June 18, 2007

O negócio dos cuidados de Saúde

Em todas as sociedades há "vacas sagradas". Em Portugal, há imensas, apesar de ser um país predominantemente Católico!

Uma das "vacas sagradas" é sem dúvida uma frase que se vai ouvindo por aí, de que: a saúde não pode ser um negócio!

Ora, o Professor Pedro Pita Barros, Investigador de Economia da Saúde, explicita, e brilhantemente, que há muita gente a fazer negócio na saúde. Isto é, no limite pergunta-se se haverá alguém a trabalhar na saúde em Portugal, por mera atitude altruísta (retirando, porventura, o caso de Organizações de carácter religioso)!

Vejamos, algumas das idéias claras, ainda que não originais, do Professor Pita Barros:
  • A saúde de cada um é pessoal e intransmissível. Não se compra nem se vende saúde. São os cuidados de saúde que constituem um negócio, definido como transacção mercantil entre partes. Basta olhar para a experiência pessoal de cada um. Cada medicamento foi inventado, produzido, recebeu autorizações técnicas para introdução no mercado, foi comercializado, os médicos informados da sua existência e vantagens, as farmácias abastecidas e o Estado decidiu sobre a sua comparticipação. Os agentes intervenientes neste processo olham para ele como um negócio. De forma similar, num consultório privado de um médico ou numa clínica, está-se a entrar num negócio: contra um pagamento, recebe-se a atenção e a expertise do médico na recomendação do que fazer. Mesmo quando recorre ao Serviço Nacional de Saúde, o cidadão é parte de um negócio: afinal, os cuidados que recebe serão pagos a quem os prestou.
  • Dirão muitos que a principal diferença está em que o Serviço Nacional de Saúde não tem como objectivo o lucro. Na verdade, não estou tão certo. Vejamos com cuidado onde o procurar. Mais de 50% das despesas em cuidados de saúde constituem receitas de entidades privadas (contratadas pelo Serviço Nacional de Saúde). Estas últimas têm na sua grande maioria objectivos de criar excedente económico. Será lucro formal no caso de empresas, será rendimento no caso de médicos em medicina privada (por exemplo).

Para nós anda por aí uma "vaca" que não é sagrada, mas que é muito portuguesa: o cinismo!

Mas, afinal que mal tem o lucro, se houver satisfação dos vários "actores" das operações, e se houver concorrência sã?

Friday, June 15, 2007

SNS: na Grã-Bretanha e em Portugal

As críticas à forma como são geridos os Sistemas de Saúde, em Portugal e na Grã-Bretanha, parece que são idênticas. Os "louros" das respectivas conquistas também são idênticos.

Senão, vejamos:
  • And in May the British Medical Association called for an end to "constant political dabbling" in the NHS, and the establishment of a board of governors and executive management board to run the NHS.
  • But in a speech about the future of the health service, Mrs Hewitt told the London School of Economics: "The NHS is four times the size of the Cuban economy and more centralised.
  • "That is part of its problem, and the problem can't be solved by proposing that a modern health service be run like a 1960s nationalised industry."
  • She said a free, comprehensive NHS was "under attack" - pointing to recent comments from Doctors for Reform and the BMA.

As Reformas, sejam elas quais forem, são sempre objecto de críticas, dos vários interesses instalados, e dos que são naturalmente prejudicados.

Contudo, a Reforma é o único caminho, para que a saúde se mantenha saudável, isto é, para que o acesso à saúde seja possível e adequado.

Vejamos este remate contundente da Ministra Patricia Hewitt: But she added that NHS structures of the 1940s and 1960s were not right for the NHS now, and needed to be more "patient led", financially disciplined, well regulated with a "plurality of providers". Completamente de acordo, Dra. Hewitt.

No entanto, há vozes discordantes, embora, na nossa opinião, com pouca visão: They said that increased pressure on beds and waiting times meant more patients were being forced home early, when they had not properly recovered.

É que, para ter as pessoas mais tempo nos hospitais, é preciso mais dinheiro, e esse vem do bolso de todos os contribuintes. E estes não querem pagar mais impostos.

Thursday, June 14, 2007

Wednesday, June 13, 2007

Farmácia: revolução em curso

O sector da farmácia de retalho, ou se quiserem, e como dizem os Farmacêuticos, "farmácia de oficina", era um monopólio, com maior ou menor intensidade. Se não, vejamos este retrato, que aqui nos é dado:

  • No final de 2005 existiam 2782 farmácias em Portugal.
  • A região de Lisboa e Vale do Tejo concentra mais de um terço das farmácias (36,9%), o Norte um pouco mais de um quarto (28,8%) e o Centro um quarto (24,6%).
  • O número de habitantes por farmácia atingiu os 3.761 em 2004, bem acima dos 1.825 na Bélgica ou 2.099 em Espanha, mas inferior aos 3.858 na Alemanha, 4.604 no Reino Unido ou 10.000 na Holanda.
  • Em termos financeiros tinha, em média, um volume anual de vendas de cerca de 1,2 milhões de euros e um resultado líquido de 84.500 euros, em 2003.
  • Segundo o Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada da Universidade Católica, "O enquadramento normativo que regula a actividade das farmácias tem as abrigado do processo concorrencial e, inequivocamente, tem lhes permitido a obtenção de lucros supra-normais muito consideráveis".

Mas, a pressão de pendor liberalizante tem-se acentuado, como vemos aqui:

  • "A liberalização da propriedade das farmácias é bem vinda mas ainda há muito por fazer", afirma António Saleiro, sócio maioritário da SRM, que detém a Pharmacon - rede de parafarmácias com 50 estabelecimentos espalhados por todo o País.
  • "Não se compreende. Posso abrir um consultório, uma clínica, posso até abrir uma loja onde vendo químicos muito mais perigosos do que os medicamentos, mas não posso abrir uma farmácia se não houver um concurso", critica o antigo governador civil de Beja.

O Governo actual, tal como tinha anunciado préviamente, reafirma aqui, a sua intenção liberalizante:

  • O Governo tem seis meses para apresentar a nova legislação que permita a qualquer pessoa ser proprietária de uma farmácia, até agora um exclusivo da classe farmacêutica, segundo um diploma hoje publicado em Diário da República.
  • As excepções a esta autorização são os profissionais de saúde prescritores de medicamentos, empresas de distribuição de medicamentos, indústria farmacêutica, empresas prestadoras de cuidados de saúde ou associações representativas das farmácias.
  • O Governo vai ainda alterar o número máximo de farmácias por proprietário de uma para quatro.
  • A propriedade das farmácias vai deixar de ser um exclusivo dos licenciados em farmácia.

Vejamos, qual será a próxima batalha pelo controlo de sector tão saboroso!

Monday, June 11, 2007

O crescimento assustador da doença de Alzheimer

Há já vários anos que doenças como "Alzheimer" e "Parkinson", entraram no léxico comum. Não temos background clínico, mas gostamos de acompanhar as tendências da saúde, numa perspectiva do ser humano.

Lemos isto: Mais de 100 milhões de pessoas sofrerão da doença de Alzheimer em todo o mundo em 2050. E ficamos muito preocupados, pois sabemos que a doença, para além de fatal, não permite qualquer qualidade de vida, após o seu diagnóstico.

Aqui, lemos mais detalhes sobre a investigação do Prof. Ron Brookmeyer, da Universidade Johns Hopkins:
  • More than 26 million people worldwide have Alzheimer's disease, and a new forecast says the number will quadruple by 2050.
  • At that rate, one in 85 people will have the brain-destroying disease in 40 years.
  • "If we can make even modest advances in preventing Alzheimer's disease, or delay its progression, we could have a huge global public health impact," said Johns Hopkins public health specialist Ron Brookmeyer, who led the new study.

O estudo foi patrocinado por duas empresas farmacêuticas: a Wyeth e a Elan.

Friday, June 08, 2007

Centro de Excelência em Healthcare and Medical Solutions

Em Portugal, os projectos inseridos em novas tecnologias são raros, ou mesmo inexistentes. Se nos desviarmos para o nicho do sub-sector da saúde, os projectos que apostam na inovação, são ainda mais escassos. Por tudo isto, vemos com bastante agrado este projecto que dá pelo nome de: Centro de Excelência em Healthcare & Medical Solutions.

Vejamos, em traços largos em que consiste:

Parabéns pela idéia. Tentaremos acompanhar os resultados.

Wednesday, June 06, 2007

O nó górdio do SNS

Mais dia, menos dia, sabíamos que estaríamos perante o verdadeiro estrangulamento do orçamento da saúde. A propósito de um Relatório encomendado a uma "Comissão de Sábios", pelo Ministro da Saúde, lemos algumas das conclusões do tal Relatório dos Sábios:
  • O Governo nomeou um grupo de peritos para estudar fontes de receita e cortes de despesa que salvem o Serviço nacional de Saúde da falência.
  • As recomendações recebidas neste relatório de 184 páginas (....) deverá pelo menos reduzir drasticamente a possibilidade de os portugueses abaterem despesas de saúde na próxima declaração de impostos.
  • A medida afecta 3 milhões, dos 4 milhões de agregados familiares sujeitos ao IRS.
  • As despesas de saúde representam quase 500 milhões de euros poupados por ano pelas famílias portuguesas.
  • Os peritos lembram que estes 500 milhões de euros representam 5 por cento da despesa pública em saúde e são um montante 5 vezes superior à receita do Estado com as taxas moderadoras cobradas nos hospitais e centros de saúde.

E os "Sábios" terminam lapidarmente:

  • Os peritos oferecem ainda ao Governo um argumento político: Portugal é dos países do mundo desenvolvido mais simpáticos para os contribuintes. Na Espanha, na França e no Reino Unido as despesas com a Saúde, pura e simplesmente, não são dedutíveis no IRS.

É triste que os Sábios portugueses, só saibam ver o que lhes interessa! Pois, os Sábios não questionam a forma como já se gasta mais de 10% do PIB, no SNS, sem que este sistema esteja a melhorar a sua qualidade, pelo menos na perspectiva dos doentes.

Voltamos sempre à mesma questão: em Gestão há duas soluções, aumentar receitas ou reduzir despesas. Nós somos dos que achamos que os portugueses já pagam demasiado para o SNS. Perante tal constrangimento, só resta ao Ministério da Saúde, reduzir despesas.

Tuesday, June 05, 2007

A satisfação ou a devolução do dinheiro

Estamos habituados às guerras comerciais me vários sectores da economia, como por exemplo na distribuição alimentar. Chega-se mesmo a prometer, a satisfação ou a devolução do dinheiro.


Estamos a ler bem? Estamos a ler sobre medicamentos? Parece que sim. Mas, perguntamos nós, como é que se pode demonstrar a insatisfação perante medicamentos que poderão conduzir a uma melhoria do estado de doentes com câncro? Será isto apenas e só marketing agressivo?

Vejamos mais detalhes da notícia:
  • Glaxo, Britain’s biggest pharmaceutical company, has already introduced similar risk-sharing schemes in two European countries.
  • It hopes that the system will allow the NHS to afford expensive new cancer treatments that it is developing – some of which are expected to cost tens of thousands of pounds but which may work in only a limited number of patients.
  • They include Tykerb, a breast cancer drug that was recently approved for sale in America and is also being tested as a treatment for brain cancer. It is expected to cost about £25,000 a year.
  • The news comes after Janssen-Cilag, another pharmaceutical company, has offered to pay the costs of Velcade, another £25,000 cancer treatment, if patients do not benefit.

Uma ideia que o Professor Correia de Campos deveria acolher e promover em Portugal.

Monday, June 04, 2007

Saúde mental

O Serviço Nacional de Saúde só dá resposta a um terço dos doentes que sofrem de perturbações mentais. Esta afirmação não nos surprende. Sabemos que o SNS vai funcionando, mas cada vez mais com....mais ineficiências!

Repare-se em algumas conclusões de um estudo realizado pela Comissão Nacional para a Reestruturação dos Serviços de Saúde Mental:
  • O número de pessoas em contacto com os serviços públicos (168 389 em 2005) mostra que só uma pequena parte das pessoas com problemas de saúde mental têm acesso aos serviços públicos especializados.
  • “os estudos existentes sobre a saúde mental não são vastos e rigorosos”, pelo que foi preciso fazer uma “extrapolação” e comparar com as “taxas que se verificam em países com o mesmo grau de desenvolvimento e cultura”. “Nesses países o número de pessoas que frequenta os serviços na área da psiquiatria ronda os cinco por cento”.
  • Em termos práticos, sublinha o psiquiatra, entre os 500 mil portugueses com perturbações graves “estão pessoas que podem necessitar de internamento e não têm acesso”.
  • “O acesso aos cuidados de saúde mental não é muito fácil, principalmente na periferia, onde há grande escassez de recursos, facto que dificulta a marcação de primeiras consultas”, diz Leuschner.

De facto, é difícil tirar conclusões mais negativas. De facto, não sabemos porque não se investiga a sério a saúde em Portugal. De facto, corremos o risco de perder uma das poucas conquistas da Democracia em Portugal: o Serviço Nacional de Saúde.

Thursday, May 31, 2007

Gestão global dos recursos

Portugal faz parte da OCDE e da UE, logo faz parte dos países mais desenvolvidos do mundo. Contudo, o país não tem tido um desenvolvimento adequado, desde pelo menos, o ano de 2000. O país dá mesmo indícios de estar a assistir a algum tipo de definhamento!

Por tudo isso, seria importante, que Portugal soubesse gerir melhor todos os seus recursos, e não existir por excesso uma "gestão compartimentada".

Tudo isto, a propósito desta oferta ao Ministério da Saúde: As Misericórdias portuguesas poderiam ajudar o Estado a baixar as listas de espera para cirurgia em cerca de 80% das situações – é o que diz o presidente da União das Misericórdias.

Contudo o Responsável da União das Misericórdias faz esta afirmação, que para nós é dúbia: “O Estado muitas vezes tem uma capacidade instalada, mas não a aproveita porque se a aproveitasse não havia listas de espera. Por exemplo, aqui no norte, isso é muito evidente. Podíamos resolvê-la em 80 a 90% das listas de espera. Não é legitimo que nenhum cidadão português esteja à espera mais do que é razoável. Na Misericórdia pode fazê-lo na semana seguinte ou na quinzena seguinte”, disse.

Não percebemos se o Estado tem uma capacidade instalada própria, que não utiliza, ou se o Estado não utiliza a capacidade instalada das Misericórdias.

Para o caso tanto faz, há excesso de capacidade instalada, que não é utilizada a bem dos consumidores da saúde, que continuam meses ou anos à espera de uma cirurgia!

Tuesday, May 29, 2007

Monday, May 28, 2007

O planeamento familiar estará fora do SNS?

Perante esta notícia, ficamos aterrados: "Mais de metade dos centros de saúde, hospitais e delegações do Instituto Português da Juventude fecharam as portas aos jovens que procuraram planeamento familiar a pedido da associação de defesa do consumidor DECO".

Ainda recentemente, os portugueses referendaram a "interrupção voluntária da gravidez", e o Ministro da Saúde mostrou o máximo voluntarismo, para que o SNS ajudasse ao cumprimento da Lei.

Independentemente, de se ser favorável ou contrário à "interrupção voluntária da gravidez" (que na nossa opinião, ficará ao critério de cada um(a)), importa apostar num planeamento familiar eficiente e funcional, para que se evitem situações como a "interrupção voluntária da gravidez", ou a gravidez indesejada.

Mas, afinal o SNS, não existe para efeitos de planeamento familiar:
  • O estudo da DECO sobre este serviço, cujas conclusões são publicadas na edição de Junho da revista Teste Saúde, baseou-se em 85 visitas anónimas àqueles estabelecimentos feitas por jovens entre os 15 e os 20 anos que procuraram uma consulta de planeamento familiar.
  • «Em 49 estabelecimentos os utentes não passaram da recepção», afirma a DECO naquela publicação, lembrando que a lei determina que os centros de saúde e hospitais com serviços de gonecologia devem ter consultas de planeamento familiar e facilitar o acesso aos jovens, seja qual for a sua área de residência.
  • Segundo a Teste Saúde há um «abismo» entre a prática e o que diz a lei, uma vez que «a maioria dos centros de saúde impediu» a entrada das jovens por não estarem aí inscritas.

Afinal, para que serve a Lei? E para que servem os impostos? E ainda há quem ponha a hipótese de se aumentarem os impostos para suportar o SNS.....

Friday, May 25, 2007

Descontrolo nos pagamentos da saúde

O Prof. Correia de Campos exultou com os resultados relativos à execução orçamental de 2006. Nós, que até percebemos alguma coisa sobre gestão financeira e contabilidade, desconfiámos!

Agora, vem esta notícia mostrar que talvez aquele sucesso, relativo à execução do orçamento de 2006, não seja muito claro:
  • As dívidas do Ministério da Saúde à indústria farmacêutica voltaram a disparar e há hospitais com facturas por pagar com quase três anos de atraso.
  • Os dados mais recentes da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), a que o 'Diário de Notícias Bolsa' teve acesso, revelam que no final de Abril a dívida total dos hospitais totalizava 719,2 milhões de euros, dos quais 456,3 milhões de euros, a mais de 90 dias - três meses é o limite de pagamento normal das transacções comerciais.
  • O prazo médio de pagamento disparou, no período em análise, de 329 dias para os 364 dias, mas há hospitais, como o Centro Hospitalar de Setúbal, EPE, com facturas por pagar com 1041 dias de atraso. Neste ranking aparecem ainda mais sete hospitais com dívidas por pagar com mais de 500 dias em atraso. O hospital com o maior volume de dívida é o Centro Hospitalar Lisboa Central, com 61,5 milhões de euros, dos quais 44,1 milhões de euros há mais de 90 dias. O Hospital de Santa Maria, com 55,5 milhões de euros (32,5 milhões há mais de três meses), surge em segundo lugar do ranking das dívidas dos EPE. O Centro Hospitalar de Setúbal aparece em terceiro, com 48 milhões de euros, sendo que 41 milhões são a mais de três meses.
  • O Instituto Português do Sangue é a unidade com facturas por pagar há mais tempo: 549 dias. Neste ranking aparecem ainda mais cinco hospitais com dívidas por pagar com mais de 300 dias.

Terá a execução orçamental de 2006 sido, efectivamente, a que foi comunicada ao público?

Os disfuncionamentos na ADSE


Parece que a Justiça ainda funciona! Mas, nós por cá, preocupamo-nos mais com a saúde, seus sistemas e sub-sistemas. E claro, defendemos, com unhas e dentes, os consumidores da saúde, que somos todos nós.

Repare-se nesta achega da Senhora Juíza, em relação à ADSE:
  • «A ADSE funciona muito mal, muitas vezes andam atrás de bagatelas e deixam ficar as grandes dívidas», disse, sublinhando que o arguido se aproveitou das fragilidades do sistema de comparticipações para enriquecer, numa «desmedida ambição», como admitiu em tribunal.
  • «A ADSE não exerce qualquer controlo sobre os documentos que lhe são apresentados. Limita-se a verificar a validade formal dos documentos e não a sua veracidade. Naquela altura quem se quisesse aproveitar tinha terreno fértil para o fazer», considerou.

São as palavras da Senhora Juíza. Valerão alguma coisa? Isto é, quem está na função do Estado, com a responsabilidade da ADSE tirará alguma conclusão? Pensamos que não.

Relembramos apenas que a ADSE se auto-define assim: A ADSE (Direcção-Geral de Protecção Social aos Funcionários e Agentes da Administração Pública) é um Serviço Integrado do Ministério das Finanças e da Administração Pública, dotado de autonomia administrativa que tem a responsabilidade de gerir o sistema de protecção social dos funcionários e agentes do sector público administrativo.

Wednesday, May 23, 2007

A (in)sustentabilidade do SNS: outra vez!

Por aqui, vamos insistindo na temática da "quadratura do círculo" do SNS. Ou seja, da maneira que o SNS é gerido, não há dinheiro que chegue para o aguentar!

O Prof. Correia de Campos, com todas as virtudes e defeitos, percebe o problema, mas "empurra com a barriga": encerra SAP's (onde nem quer entrar), encerra maternidades, encerra urgências, aumenta taxas moderadoras, e, entre outros, desinveste nas infraestruturas dos hospitais.

Não chega, Senhor Ministro.

Os políticos, antes de tomarem decisões, vão mandando "recados" através dos media:
  • Correia de Campos admite a hipótese de serem solicitadas contribuições aos utentes para poder garantir a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
  • Entre as medidas equacionadas pelo ministro da Saúde, conta-se nomeadamente a possibilidade de acabar a isenção de taxas moderadoras para todas as crianças até aos 12 anos.

Não vai chegar, Senhor Ministro.

Enquanto a hiper-concentração hospitalar em Lisboa, Porto e Coimbra, persistir; enquanto a prescrição medicamentosa não tiver controlo; enquanto a prescrição de meios complementares de diagnóstico for descontrolada; enquanto não existir real responsabilidade de gestão, nos principais sectores do SNS; Senhor Ministro, não há possibilidade de melhorar a sustentabilidade do SNS.

O tempo, o confirmará! Mais impostos, NÃO.

Tuesday, May 22, 2007

Novos desafios para o ser humano

Os custos com a saúde aumentam desmesuradamente, em todo o mundo. São os Estados e os indivíduos que se queixam.

Surgem-nos, diáriamente, situações novas, que nos deixam preocupados e surpreendidos. Vejamos, esta situação inesperada, que nos é trazida da Grã-Bretanha:

People who have been treated for cancer are being overcharged for travel insurance, a charity claims.

Lynn Abel, from Creigiau in Cardiff, received breast cancer treatment in 2001. She has been free of cancer since, but says she still faces paying inflated insurance premiums every time she and her husband go on holiday. "One company insured me one year then refused the next, although there was no change in my health. "I have been quoted ridiculous amounts of money because I used to have cancer or refused cover for cancer." Mrs. Abel added "I really do feel as though insurance companies do not want our business."

E, o que fazer perante uma situação, que só tem tendência para se agravar?

As entidades privadas têm o direito de recusar "negócio" que não lhes é potencialmente rentável.

E o Estado (que somos nós todos) deve substituir as pessoas, em casos como este? E os custos globais com a saúde, serão suportáveis?

A ética, a humanidade e a economia, em completa ebulição! A reflectir.

Monday, May 21, 2007

Cidadãos e profissionais de primeira e de segunda

Vai-se dizendo que as Unidades de Saúde Familiar (USF) são um sucesso. Nós não sabemos se são ou não!

Vejamos o que aqui nos dizem:
  • Segundo Manuel Oliveira (do Observatório da Ordem dos Enfermeiros para os Cuidados de Saúde Primários), os dados provisórios indicam ganhos nas USF, ao nível dos sistemas de informação, estruturas físicas e satisfação dos profissionais graças à contratação colectiva e à sua autonomia funcional, organizativa e técnica.
  • «Há uma forte coesão nestas equipas e os elementos sentem que todos têm de trabalhar para o mesmo fim e estão envolvidos no mesmo projecto», referiu (Manuel Oliveira).
  • Apesar de ainda estar aquém do rácio defendido pela OE de cerca de 1.200 utentes por enfermeiro, o Observatório contabilizou um rácio de 1.661 nas USF.
  • Na parte não reconfigurada do centro de saúde, o valor ascende a 2.047 utentes por enfermeiro.
  • No capítulo da substituição de recursos humanos, ao abrigo da mobilização de profissionais do centro de saúde para as USF, o coordenador sublinhou que «não se podem esquecer as competências».
  • «Há substituições que não são efectivas. Não basta substituir um número por um número, porque é diferente mobilizar um enfermeiro especialista para uma USF e substitui-lo por um não especialista», afirmou.

Ao ler mais esta postura "corporativa", teremos que responder de imediato: então e o consumidor da saúde? Fala-se nos Médicos, nos Técnicos, nos Enfermeiros, nos Administradores, nos......e os Doentes?

Infelizmente, sabemos que com esta ladaínha das "corporações", acabaremos num serviço de saúde de primeira para os "profissionais", e de segunda para os doentes!

Friday, May 18, 2007

Conferencia da European Health Management Association

A aprendizagem processa-se hoje, de modo global, quer através da maior possibilidade de mobilidade das pessoas, quer através do carácter virtual do conhecimento.

Entre 27 e 29 de Junho de 2007, decorrerá em Lyon (França), a Conferência Anual da European Health Management Association, que é provavelmente um dos melhores fóruns científicos mundiais na área da gestão da saúde.

Em Portugal, as deficiências a nível de gestão estratégica e operacional, são muitas. Temos, aqui, levantado diversas. Precisamos que a hierarquia e os operacionais das organizações de saúde portugueses, possam beneficiar da aprendizagem de outros países e mercados.

Deixamos aqui, a temática da Conferência deste ano, que só por si, nos dá pistas sobre o que se irá passar no mundo da saúde, nos próximos anos:
  • New values have been introduced in health care in the last two decades. The introduction of regulated competition in a number of countries has been accompanied by greater discretionary power for health care delivery organisations and a more dominant role for patients. These have led to greater freedom of choice for patients and freedom of strategy for delivery organisations.
  • Making profit in health care has become increasingly acceptable (at least in some countries) as has the use of market-driven incentives such as claiming a larger market share. Money has become a value in itself. Sometimes it seems as if we are dealing with a money-driven system with efficiency as the principal performance indicator for success.
  • There is a serious risk that values will disappear in face of market forces that can undermine the solidarity of the system, introducing inequality in access and quality. The currently popular performance indicators primarily measure quantifiable outputs and unfortunately we do not have efficiency parameters which can measure caring, compassion and empathy. It therefore becomes difficult to convince managers and policymakers that these are values which deserve serious attention.
  • Health care delivery needs to be based on trust - trust between doctor and patient but also trust between policy makers and health care managers. This trust relation is at risk when control mechanisms, accounting procedures and measurable indicators and benchmarks are used as the basis to judge performance. There is a need to reconcile both elements – values and measurable performance. High trust needs high transparancy.

Wednesday, May 16, 2007

HIV/ SIDA: evolução em Portugal

Em tempos, a SIDA era encarada com excessivo mediatismo. Aliás, os vários tipos de doenças, que são objecto momentâneo dos media, vão-se sucedendo ao longo do tempo.


Mas, a realidade traz ainda algumas novidades: Uma em cada oito pessoas infectadas pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) em Portugal tem mais de 50 anos de idade, uma percentagem que tende a aumentar, revela um estudo coordenado pelos Hospitais da Universidade de Coimbra.

E ainda: O aparecimento de novos fármacos que promovem uma vida sexual activa contribui largamente para este facto, além de que os idosos pertencem a uma faixa etária muito pouco informada acerca dos perigos de contágio devido à ausência de campanhas de sensibilização que visem uma atitude defensiva, como o uso do preservativo.

É preciso mais investigação nesta área, mesmo que o tema não seja hoje, capa de primeira página de jornal diário!

Finalmente, e com grande tristeza lemos isto: Portugal é o país que apresenta a maior taxa de incidência de ambos os vírus (HIV1 e HIV2) na Europa Ocidental.

Tuesday, May 15, 2007

«Politicas de Saúde: Ensaio para um Debate Nacional»

A gestão das organizações de saúde não é objecto habitual da edição de novos livros. Infelizmente.

O Prof. Paulo Kuteev Moreira decidiu publicar um livro sob o título: «Politicas de Saúde: Ensaio para um Debate Nacional».

Alguns destaques:

Avanços e recuos na Saúde? Incoerências nas políticas de sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde? Ministros que enfrentam os mesmos desafios vezes sem conta? Que Futuro para as profissões da Saúde? Uma relação entre pintura abstracta e políticas de Saúde? Ética dos profissionais de Saúde em risco?

Um primeiro tema junta artigos de discussão dos grandes desafios organizacionais enfrentados pelos actuais sistemas de Saúde e respectivas políticas em geral e pelo nosso SNS em particular. Na sua diversidade e complexidade incluem-se, de forma sucinta, questões para o debate nacional relacionadas com a qualidade, a produtividade, a eficiência, os desperdícios e o financiamento dos serviços e produtos da Saúde.

O segundo tema agrupa textos que procuram promover o debate relacionado com os desafios inerentes ao desenvolvimento de políticas de Saúde que incluam os outros sectores das sociedades contemporâneas conforme, aliás, recomendado pela Organização Mundial da Saúde através dos seus documentos subjacentes à filosofia do ‘Health For All XXI’.

O terceiro tema agrupa textos que procuram enquadrar desafios ideológicos que afligem as consciências dos decisores políticos actuais e dos líderes dos grupos e interesses organizados. Este é o tema de debate mais complexo dos três. Por isso, é tratado, por vezes, de forma menos convencional recorrendo à imaginação e a terrenos pouco habituais no debate sobre políticas de Saúde.

Finalmente:

Desta forma, um Estado membro da União Europeia (U.E.) que defina ‘Uma Política de Saúde’ deverá assumir que já não está a definir uma série de princípios ideológicos subjacentes à força política que no momento constituiu governo e adquiriu legitimidade para o fazer. Se for essa a perspectiva, o Estado corre o risco de ser apanhado de surpresa com políticas e/ou directivas europeias que chocam com os princípios enunciados no nível nacional. Nós, portugueses, temos que passar a ter constantemente presente o facto de que vivemos na União Europeia e não apenas no ‘cantinho semi-pacato’ a que chamamos Portugal.

Monday, May 14, 2007

A (in)sustentabilidade da saúde

O Presidente da Comissão de Avaliação da Sustentabilidade da Saúde, Prof. Jorge Simões, não parece ter ideias muito claras. Pior. Parece só ver como forma de viabilizar o SNS, o aumento do pagamento, de quem paga pouco.




Nós, humildemente, e sempre na pele do contribuinte e do consumidor da saúde, perguntamos, para que é que se criam Comissões, para tirar conclusões destas?

É que em Gestão, há sempre duas soluções: 1) aumentar receita; 2) reduzir custos.

Nós, achamos que a actual carga fiscal directa e indirecta, já não tem uma contrapartida adequada em termos de serviços públicos. O Prof. Jorge Simões ainda quer aumentar a comparticição dos portugueses.......é que há tanto sítio onde se podem racionalizar as despesas. É só entrar num qualquer Hospital ou Centro de Saúde.

Thursday, May 10, 2007

Australia: Bioinformatics Radiotherapy, Dr Jesus Lopez

Os SAP's e as urgências hospitalares

Foi famosa a frase do Prof. Correia de Campos, de que "nunca haveria de entrar num SAP (serviço de atendimento permanente)".

Não temos dados para avaliar da razoabilidade do encerramento ou não dos ditos SAP's. Não temos fundamentação para concordar ou não, com a sua falta de qualidade (induzida pela expressão do actual Ministro da Saúde).

Mas, o SNS tem algumas virtudes e alguns defeitos. Os SAP's poderiam potencialmente servir para aquela consulta nocturna, para aliviar uma gripe! Será que tendo apenas essa utilidade, deveriam continuar a existir?


Serão resultados pontuais? Parece que não:
  • no hospital de Aveiro, que recebe doentes dos SAP encerrados em Aveiro, Albergaria-a-Velha, Anadia e Vagos, registou-se um aumento de 20% no número de utentes atendidos no mês de Janeiro, em comparação com o mesmo período de 2006. Este valor representou o atendimento, em média, de mais 70 doentes por dia.
  • No Centro Hospitalar de Coimbra, em Novembro e Dezembro de 2006, houve uma média de mais 1500 doentes, comparando com o mesmo período de 2005, o que corresponde a um aumento de 15% de doentes que recorreram ao serviço de urgência.
  • o Hospital da Feira teve um aumento mais ligeiro em Novembro e Dezembro, 3 e 1% respectivamente, mas subiu para 13% em Janeiro.
  • Nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), o número de utentes subiu entre 7 e 10%.

Finalmente, até Abril de 2007, fecharam 24 Serviços de Atendimento Permanente em todo o País, a maior parte na zona Centro.

Talvez estejam aqui, algumas oportunidades para o sector privado da saúde.

Wednesday, May 09, 2007

O poder acrescido dos Clientes

Fazemos aqui, a apologia do poder dos consumidores. Não porque seja politicamente correcto, mas porque cada um de nós tem o direito de exigir um nível de serviço, efectivamente idêntico ao nível de pagamento do mesmo.

Vem isto a propósito desta notícia: A Administração Pública recebeu o ano passado 29.505 queixas, uma média de 80 por dia, a maioria das quais, 70 por cento, relacionadas com hospitais e centros de saúde, segundo dados oficiais obtidos pela agência Lusa.

Não estamos perante nenhuma surpresa. Já aqui temos alertado, diversas vezes, para as dificuldades que vão enfrentar, os Médicos, os Enfermeiros, os Administradores e em geral, todos os que trabalham no sector da saúde, pela insatisfação que os Clientes da saúde vão demonstrar de forma acrescida.

É fácil perceber porquê que isto acontece:
  1. Seguimos, em Portugal, a tendência dos países mais desenvolvidos.
  2. Os Clientes da saúde, e não os utentes (passivamente a paternalisticamente tratados), exigirão cada vez mais contrapartidas, pelo que pagam pela saúde, directamente ou indirectamente (via impostos).

Clinton

Há cidadãos que demonstrarão sempre que vale a pena fazer sempre algo pelos outros, sobretudo se são mais pobres, mais fracos ou pura e simplesmente, abandonados.

Bill Clinton foi Presidente dos EUA, durante oito anos. Marcou um tempo de uma América poderosa, inteligente e distinta. Saiu com uma mácula, lamentável. Continuará como um Grande Presidente.


Apesar de não ser já "político profissional", Bill Clinton é um cidadão do mundo.

Tuesday, May 08, 2007

Saúde 24

A generalidade das Seguradoras têm linhas telefónicas de apoio aos seus Segurados, desde há longos anos. Uma das vantagens destes serviços, é a potencial despistagem de situações, que podem ou não ser graves. Essa despistagem é feita, normalmente, por Enfermeiros e por vezes, por Médicos.


O número do serviço Saúde 24, é: 808 24 24 24.

Já agora, registe-se esta atitude, na nossa opinião, despropositada: Perante as dúvidas manifestadas pela Ordem do Médicos, que receia que um telefonema seja substituído pela ida a um médico.

Monday, May 07, 2007

A saúde em Portugal, vista da Galiza

Discutimos muito se temos um bom serviço de saúde, sobretudo público, já que pagamos impostos, e queremos ver o retorno.

Diga-se o que se disser, o SNS é segundo a OMS, o 12º melhor do mundo. É um ranking, de certa maneira, imparcial. Contudo, a gestão do SNS, conjugada com a estagnação económica, pode fazer desmoronar o actual sistema, até porque os portugueses já pagam cerca de 35% dos custos totais da saúde do seu bolso, sem contar com o que pagam de impostos.

Vejamos, qual a imagem que têm os Espanhóis, em particular os Galegos, sobre o que se passa por cá:
  • Cualquiera que acuda a un centro de salud en Portugal en un día normal no hallará muchas diferencias con un ambulatorio gallego. A media mañana, el edificio está lleno de pacientes, mayoritariamente jubilados, que esperan ser consultados, que entran y salen con sus cartillas y sus recetas.
  • Ahora bien, si el observador se detiene un momento notará la presencia de un elemento insólito en los centros de salud de Galicia: el dinero. Ir al médico en Portugal no es gratis. Casi nada lo es en la sanidad pública excepto para algunos grupos que quedan exentos de las tasas que regulan la atención médica.
  • Las tasas abarcan prácticamente todos los aspectos de la sanidad. Las pruebas encargadas por el médico también suponen un coste para el usuario. Análisis de sangre, ecografías, radiografías..., hasta la aplicación de una inyección subcutánea tiene un precio y el número de puntos que se aplican en una sutura marca también la diferencia en la factura. Es el sistema que Portugal utiliza para racionalizar su sanidad pública. Ahora, las autoridades del país están a punto de poner en marcha una nueva reforma: la centralización de las urgencias, algo parecido a la concentración de servicios que Galicia realizó a finales de los noventa y que supuso el cierre de numerosos puntos de atención en lugares pequeños para concentrarlos en localidades de referencia.
  • La no gratuidad absoluta afecta también a las recetas. Los medicamentos tienen varios precios en función del régimen del paciente. Una caja de Zarator 10, un fármaco muy popular para reducir el colesterol, cuesta 29,68 euros. Un paciente normal pagará por el fármaco 18,70 y un jubilado, 14,25. De ahí el interés por entrar en el grupo de los exentos.El sistema, sin embargo, no ha conseguido evitar las listas de espera aunque, según los médicos españoles, sí favorece una mejor atención al paciente. La ley obliga a conceder 15 minutos a cada uno, aunque, en la práctica, rara vez se emplea tanto tiempo. En una jornada normal, un médico atiende a una media de entre 15 y 22 pacientes.

Seria importante, que os responsáveis portugueses de saúde, fizessem um benchmarking, para analisarem sobretudo onde se está a cometer erros em Portugal!

Wednesday, May 02, 2007

A revolução genética



A genética está ainda na fase de nascimento, segundo vários cientistas. Poderá trazer muitos efeitos positivos, e alguns negativos. Olhemos para um potencial sinal positivo.

Assim, Investigadores da University College London iniciaram os primeiros testes clínicos sobre uma terapia genética que tem como objectivo tratar a cegueira desde a fase da infância.

Os detalhes podem ler-se aqui: Researchers will be conducting the trial among children as well as adults suffering from a condition known as Leber's congenital amaurosis (LCA), in which retina has problems in correctly detecting light, leading to a progressive deterioration of eyesight. This condition is caused by defect in a gene called RPE65.

A fase de teste clínico acontece 15 anos após estudo em laboratório: Says Robin Ali, professor of human molecular genetics at UCL, "We have been developing gene therapy for eye disease for almost 15 years but until now we have been evaluating the technology only in the laboratory. Testing it for the first time in patients is very important and exciting, and represents a huge step towards establishing gene therapy for the treatment of many different eye conditions".

Somos dos que acreditamos que a tecnologia é amiga do Homem.