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Monday, March 15, 2010

Serviço Nacional de Saúde em escombros

A listagem dos escombros seria interminável. Fiquemos por estes casos:

1. O Hospital de Aveiro vai entrar em obras em meados deste ano graças aos cerca de sete milhões de euros aprovados nos últimos dias pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). Actualmente, no Hospital de Aveiro, grande parte dos exames de diagnóstico que precisam de recorrer à imagiologia são feitos no exterior devido à falta ou a avarias do equipamento.

Comentário nosso: não sabíamos que o dinheiro do QREN serve para a manutenção de hospitais. Pensávamos que servisse para isto: grande desígnio estratégico a qualificação dos portugueses e das portuguesas, valorizando o conhecimento, a ciência, a tecnologia e a inovação.

2. Familiares de um idoso internado acusam o Hospital dos Capuchos, em Lisboa, de dar banhos de água fria aos pacientes. Cristina diz que outros três pacientes internados no Serviço de Cirurgia lhe confessaram ter sido submetidos ao mesmo tratamento.

3. O comandante dos bombeiros voluntários do Seixal diz que o serviço de urgência do Hospital Garcia da Orta (HGO), em Almada, está sem capacidade de resposta, comprometendo o serviço de socorro prestado pelos bombeiros.

4. A câmara hiperbárica do hospital de Ponta Delgada não funciona desde o dia em que foi inaugurada, em Julho do ano passado. O serviço de medicina hiperbárica do hospital foi adiado porque o único médico especialista em operar com o equipamento tem estado a fazer outra especialidade.

5. A Quinta do Conde, Sesimbra, foi palco ontem de mais uma manifestação dos utentes da saúde que exigem o recomeço das obras de construção da nova extensão de saúde, que estão paradas fez ontem cinco meses devido à falência do empreiteiro. "Ninguém pode estar satisfeito. Aquilo não tem condições. Há uma necessidade urgente de um centro de saúde", afirma também Clara Salvador, de 46 anos, dizendo que quando chegou há nove anos à Quinta do Conde não esperava encontrar um serviço de saúde instalado num pré-fabricado.

6. Aos "mais de 4000 utentes" da vila de Benavente sem médico de família juntam-se mais de 2700 habitantes do Porto Alto, além dos residentes de Santo Estêvão (cujo médico de família se encontra de baixa por doença), pessoas que acorrem ao Serviço de Atendimento Permanente (SAP), cujo funcionamento é garantido por uma empresa contratada pela ARS-LVT.

Mais? Já chega.

Friday, July 27, 2007

A gestão a chegar à saúde

O Hospital Infante D. Pedro, ou Hospital de Aveiro, foi o primeiro hospital a publicar o seu Relatório e Contas de 2006, na internet. Saúde-se, por ser o primeiro, mas veja-se a diferença face ás empresas cotadas em bolsa, que já estão a publicar os resultados do segundo trimestre de 2007, quando o primeiro hospital-EPE, apenas agora, publica os seus resultados de 2006.


Este facto, não é dispiciendo, já que em gestão, não se podem tomar decisões sobre informação demasiado velha. E, hoje, em gestão, informação com mais de 6 meses, já está ultrapassada.


Mas, vamos dar só uma pequena idéia sobre alguns dos resultados apresentados:

  • No Indíce, faz-se alusão ao "Relatório e Parecer do Fiscal Único", vamos à página 105, do Relatório e Contas, e não existe esse parecer. Ou seja, como é que se publicam contas de uma empresa, sem o necessário Relatório do Revisor Oficial de Contas (ROC)? Será que o ROC não concorda com o que está escrito no Relatório e Contas de 2006?

  • Na página 20 do Relatório, verificamos que o Hospital teve um aumento de funcionários, de 1.077, em 2004, para 1.107, em 2005, e para 1.166 em 2006. Significativo. Vejamos o nível de resultados que este aumento deverá ter tido.
  • Na página seguinte, verificamos que a rubrica "Ordenados e Salários/ Efectivos globais", aumentou de 16.283, em 2004, para 16.766, em 2005, e para 17.610, em 2006. Um aumento dos ordenados de 8%, de 2004, para 2006. Significativo aumento.
  • Quanto a resultados, comecemos pela "taxa de ocupação" do internamento, que passou de 74,40% em 2005, para 70,90% em 2006. Mau.
  • A taxa de crescimento de consultas externas foi de 0,82% de 2005 para 2006. Fraco.
  • O número de urgências aumentou 3,71% de 2005, para 2006. Razoável.
  • O Orçamento - Programa foi cumprido, no que toca a internamentos. Ok.
  • As cirurgias realizadas no "Bloco operatório" foram em 2006, 2,7% inferiores, em relação a 2005. Em 2005 tinham sido 4,95% inferiores a 2004. Muito mau.
  • O Orçamento - Programa ficou muito aquém, no que toca à produção cirúrgica (pág. 39), quase 20% abaixo do orçamentado. Péssimo.
  • O Hospital de Dia teve um nível de produção em 2006 de metade do que teve em 2005. Péssimo. Contudo ficou cerca de 42% acima do orçamentado!
  • O custo com pessoal (pág. 60) foi 9,05% em 2006, acima de 2005. Sem comentários!
  • Registamos na pág. 68, que os custos com Enfermagem aumentaram 109,5% e os custos com Pessoal Médico acresceram 35,31%!!!
  • Apesar do Relatório referir que houve vários investimentos realizados em 2006, verificamos que o Activo Líquido do Hospital passou de quase 50 milhões de euros em 2005, para 41,5 milhões de euros em 2006. Terá mesmo havido investimento?
  • Resultados Líquidos (Negativos, leia-se prejuízos) em 2006 de 13 milhões de euros, quando em 2005 foram de 6,5 milhões de euros (também negativos)! Coitados dos Accionistas, que são todos os portugueses!
  • As Dívidas a Terceiros cresceram de 10,6 milhões de euros, em 2005, para 13,8 milhões de euros em 2006!

Resumindo, se nós fossemos o Accionista, que tivéssemos este tipo de Relatório de Actividades, com esta evolução, restavam-nos duas opções:

  1. Chamaríamos a Administração para apresentar um Plano a 3 anos, para recuperação drástica da situação catastrófica em vista.
  2. Demitiríamos, sem qualquer apelo, a Administração. E com justa causa!

Thursday, May 10, 2007

Os SAP's e as urgências hospitalares

Foi famosa a frase do Prof. Correia de Campos, de que "nunca haveria de entrar num SAP (serviço de atendimento permanente)".

Não temos dados para avaliar da razoabilidade do encerramento ou não dos ditos SAP's. Não temos fundamentação para concordar ou não, com a sua falta de qualidade (induzida pela expressão do actual Ministro da Saúde).

Mas, o SNS tem algumas virtudes e alguns defeitos. Os SAP's poderiam potencialmente servir para aquela consulta nocturna, para aliviar uma gripe! Será que tendo apenas essa utilidade, deveriam continuar a existir?


Serão resultados pontuais? Parece que não:
  • no hospital de Aveiro, que recebe doentes dos SAP encerrados em Aveiro, Albergaria-a-Velha, Anadia e Vagos, registou-se um aumento de 20% no número de utentes atendidos no mês de Janeiro, em comparação com o mesmo período de 2006. Este valor representou o atendimento, em média, de mais 70 doentes por dia.
  • No Centro Hospitalar de Coimbra, em Novembro e Dezembro de 2006, houve uma média de mais 1500 doentes, comparando com o mesmo período de 2005, o que corresponde a um aumento de 15% de doentes que recorreram ao serviço de urgência.
  • o Hospital da Feira teve um aumento mais ligeiro em Novembro e Dezembro, 3 e 1% respectivamente, mas subiu para 13% em Janeiro.
  • Nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), o número de utentes subiu entre 7 e 10%.

Finalmente, até Abril de 2007, fecharam 24 Serviços de Atendimento Permanente em todo o País, a maior parte na zona Centro.

Talvez estejam aqui, algumas oportunidades para o sector privado da saúde.