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Friday, March 25, 2011

Antes que fechem a porta

A ansiedade manifesta-se, imediatamente antes da porta se fechar: A ministra da Saúde já escolheu a equipa de Fernando Regateiro na presidência do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra. As escolhas vinham sendo definidas, o prazo terminava na próxima semana,. mas a crise política acelerou o processo. Ao que o Diário de Coimbra apurou, a ministra da Saúde já assinou o despacho de nomeação devendo o seu colega das Finanças fazer o mesmo ainda hoje.

Impressionante, a avidez do lugarzinho. Antes agora, que depois a gente não sabe o que pode acontecer, e outros ainda ficam com o dito.

Pois, e ainda há quem acredite que a mudança é possível em Portugal!

Sunday, May 30, 2010

«A saúde não tem preço, mas tem custos»

Quem o afirma? O Professor Manuel Antunes. E diz mais:
  • Manuel Antunes “dissecou” o Serviço Nacional de Saúde, a convite da Confraria da Chanfana, em mais um jantar temático, realizado na noite de sexta-feira, em Vila Nova de Poiares. O director do Centro de Cirurgia Cardiotorácica dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) deu a conhecer «o olhar de quem vive por dentro», que tem um a vivência inteiramente dedicada, nos últimos 22 anos, ao serviço da saúde pública. Com uma média de trabalho de 12 horas/dia, orgulha-se de não ter listas de espera, e aponta o seu olhar crítico em todas as direcções.
  • «A saúde não tem preço, mas tem custos», afirma, e não tem dúvidas em defender a necessidade explícita do doente conhecer os custos do seu tratamento. Isto porque, em seu entender, por vezes de assiste a um «consumo exagerado de um bem porque não é pago» e isso «também é um desperdício». Como tal, e no que aos cuidados de saúde diz respeito, importa “cuidar”, fazer contas e aplicar medidas de gestão efectivas e eficazes, que passam, também, por consciencializar os cidadãos/utentes desses mesmos custos.
  • Manuel Antunes apontou as operações que efectua e que custam ao Estado entre 10 a 12 mil euros. «Se pedisse à maior parte das pessoas que pagassem mil euros, certamente o fariam», aventou, sublinhando, muito embora, a necessidade de «salvaguardar e garantir a prestação de cuidados de saúde àqueles que genuinamente os não podem pagar». Mas afirma, não são todos os que se encontram nesse registo, tanto mais que os números apontam para a existência de 20 por cento de pobres em Portugal, muito abaixo dos «60 por cento que não pagam taxas moderadoras».

Pois é, chegamos sempre à mesma conclusão: a maioria dos portugueses contribui para o bolo, mas há definitivamente muito comedor de chanfana, que não a paga.

Felizmente que há médicos como o Professor Manuel Antunes, que para além do exercício exemplar da medicina, têm sensibilidade para a sua gestão:

  • dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), de acordo com os quais, em 2009, as despesas da saúde foram 10,3 por cento do PIB, um valor acima da média europeia, disse, que está nos 8,4 por cento.
  • «O orçamento do Ministério da Saúde mais que quintuplicou desde 1991 para 2009 e em 2010 são quase nove mil milhões de euros, pouco mais de metade dos quais gastos com pessoal».

Obviamente que a "parede" está próxima, porque os "especuladores financeiros" que sustentam a enorme dívida da República e da banca, não vão permitir este "fandango":

  • «óbvio que o Orçamento de Estado para despesas de saúde não pode continuar a aumentar».
  • HUC, onde trabalham diariamente seis mil pessoas (entre funcionários e contratados em regime de outsourcing): «Já não digo que se possa fazer com metade, mas pelos menos com dois terços», advogou.
  • «Actualmente é quase impossível gerir o SNS numa perspectiva eficiente», afirma, crítico, sublinhando que a terapêutica que “prescreve” «vai doer», apontando a «lógica despesista», a «gestão ineficiente», os «interesses corporativos» e a «inércia relativamente às reformas».
  • Defensor de «reformas progressivas», que nos «últimos 10/15 anos os sucessivos governos» não fizeram, Manuel Antunes defende uma diferenciação «rigorosa das fronteiras entre o sector público e o sector privado, mantendo, inclusive, pontes entre os seus sectores, mas sem permitir promiscuidades».

Ao contrário do Primeiro-Ministro e do Ministro das Finanças que querem apenas arranjar dinheiro para suportar "penduras", através dos que trabalham e pagam impostos, os verdadeiros patriotas, são pessoas como o Professor Manuel Antunes, que querem tirar da mesa da chanfana, os comedores corporativos, que nada acrescentam e que são autênticos penduras nas almoçaradas!

Post Scriptum: Seria curioso ouvir a argumentação do Senhor Presidente dos HUC, Professor Fernando Regateiro, perante tal afirmação do Professor Manuel Antunes.

Wednesday, May 19, 2010

O SNS entrou em colapso

As organizações não entram em colapso só porque deixam de pagar ou sequer de actuar. Às vezes, as organizações dão evidentes sinais de colapso, apesar de mostrarem sinais de vida. Isto significa o fim de um mito, a existência de um serviço de saúde permamente, disponível, tendencialmente gratuito e para todos:
  • A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) intimou dois hospitais públicos a pagarem a meias uma operação a um descolamento da retina que uma doente fez no hospital privado Cuf Descobertas (Lisboa), depois de esta não ter sido atendida de imediato nas duas unidades, por ser véspera de fim-de-ano.

Isto é absolutamente inacreditável. Mas, o que a seguir registamos, é sinal de um completo estado de irresponsabilidade por parte de toda a estrutura do Ministério da Saúde, desde a pediatra Ana Jorge, até aos Altos Funcionários das ARS's e Hospitais:

  • A doente vinha de Faro para o Porto na noite de 30 de Dezembro de 2008 quando sentiu problemas no olho esquerdo e decidiu recorrer à urgência dos HUC (Hospitais da Universidade de Coimbra), que era a mais próxima. Foi-lhe ali diagnosticado um descolamento grave da retina, mas, por ser véspera de passagem de ano e os especialistas estarem de férias, disseram-lhe que para ser atendida no mesmo dia deveria recorrer a uma urgência de um hospital do Porto ou de Lisboa. Ela optou pela capital.
  • Chegou à urgência do Hospital de S. José (que pertence ao CHLC) às 2h50 e saiu dali duas horas mais tarde, depois de o médico interno que a observou lhe ter dito que não tinham oftalmologistas e se devia dirigir ao Hospital dos Capuchos (também do CHLC) para ser vista e operada. Levava um pedido de consulta externa muito urgente, mas teve de aguardar pela abertura, de manhã, do Hospital dos Capuchos, onde uma funcionária administrativa lhe terá dito que o médico não a poderia atender e só num privado seria operada de imediato. Sugeriram-lhe o Cuf Descobertas. Acabou por ser operada nesse hospital privado pelo médico que dirige o Serviço de Oftalmologia do CHLC.

Esta é uma imagem de um Estado Kafkiano, que está apoderado por um conjunto de interesses e interessados, que cinicamente enchem os discursos com os interesses dos doentes.

Veja-se o detalhe sinistro deste episódio surreal:

  • O director do Serviço de Oftalmologia do CHLC - que foi quem operou a doente na instituição privada - adiantou, porém, ao PÚBLICO que a administração já lhe pediu para apresentar um projecto para alterar a situação na unidade pública, de forma que casos como este não se repitam.
  • O médico garantiu ao PÚBLICO que não teve nada a ver com o facto de a doente ter ido ao hospital privado - "foi uma coincidência superdesagradável" - e sublinhou que a cirurgia do descolamento da retina não é feita nos serviços de urgência. "Não é uma intervenção de emergência, apesar de ser urgente", o que significa que pode ser feita vários dias depois, justificou. No hospital público, a doente teria de esperar por segunda-feira (era quarta-feira no dia seguinte era feriado e no outro havia tolerância de ponto) para ser observada e para depois lhe ser marcada a cirurgia.

Chegámos a uma situação, em que as pretensas élites da sociedade já se desresponsabilizam de tudo, sem nunca abdicarem, no entanto, das suas prebendas, sejam elas "tolerâncias de ponto", ou "promiscuidades público-privadas".

Estamos a chegar a um limiar de absoluta intolerância. Ao observarmos a História, verificamos que algo de muito perigoso está do outro lado da esquina.

Wednesday, February 10, 2010

Foi Você que pediu um Hotel SNS?

Então, aqui o tem:
  • Os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) deverão apresentar dentro de cinco anos uma nova face, com a construção de três novos edifícios, um silo automóvel, um heliporto a nove andares e um hotel privado.
  • O Plano Diretor, elaborado pelo Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra e hoje apresentado, enquadra-se numa intervenção estimada em 87,5 milhões de euros e poderá ser executado «num horizonte de cinco anos», revelou hoje o presidente do conselho de administração, Fernando Regateiro.
  • Na zona central, à entrada do «campus» hospitalar, está prevista a construção de dois edifícios, um com quatro pisos acima do solo, e outro com oito, em cujo terraço ficará o novo heliporto, com uma ligação direta e dedicada ao serviço de urgências, através de elevadores e de uma ponte.

Estamos quase no Carnaval! Este Professor Fernando Regateiro deve ser um grande brincalhão.

Coitados dos que esperam 6 ou mais horas numa urgência de um hospital, e ainda têm que levar com notícias achincalhantes destas.

Thursday, September 24, 2009

Retrocessos?

Já não ouvíamos falar nisto há muitos anos: No domínio das doenças psiquiátricas, a equipa de Fernando Gomes, director do Serviço de Neurocirurgia dos Hospitais Universitários de Coimbra, foi a primeira (e a até agora a única no país) a avançar com esta abordagem, que implica a colocação de eléctrodos no cérebro para tratar obsessivos-compulsivos.

Não temos conhecimento suficiente sobre a matéria, mas estranhamos que aquilo que há uma década era considerado desumano, agora é adequado: “Os choques eléctricos (electroconvulsivoterapia) nunca foram abandonados em psiquiatria, sofreram é uma grande evolução e hoje apenas são usados em casos muito específicos, ao contrário do que sucedia no passado”, garante o presidente do colégio de psiquiatria da Ordem dos Médicos, Marques Teixeira.

O que estranhamos ainda mais, é isto: A electroconvulsivoterapia é actualmente feita com o consentimento informado do doente ou de familiares e com anestesia geral.

Agora, um doente mental pode ser fonte de credibilização de um tratamento, com base na assinatura de um qualquer documento? Como? Um doente mental digere e assina um documento que implica o seu tratamento?

Monday, September 01, 2008

O que é gestão empresarial?

Lemos este título: HUC terão gestão empresarial a partir de hoje.

O que quererá dizer que os Hospitais da Universidade de Coimbra têm gestão empresarial? Será que antes tinham gestão de mercearia? Ou pior, gestão de coisa nenhuma?

Não sabemos se são os jornalistas que não sabem o que escrevem? Ou se os jornalistas acabam por retratar a realidade!

Vejamos mais detalhes da notícia:
  • Os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) vão passar a ter, a partir desta segunda-feira, gestão empresarial, com o objectivo de conseguir uma maior agilidade e eficácia aos serviços sem despedimentos ou aumento de preços
  • A transformação em Entidade Pública Empresarial «vai permitir condições para servir melhor os utentes», segundo o presidente dos HUC, Fernando Regateiro, que sublinha a «maior agilidade e autonomia», que proporcionará «ganhos sem prejudicar a assistência».

Dá a sensação de que até agora, o HUC tratava mal os doentes, ou que o seu Presidente não exercia a sua função de forma integral, já que a partir de agora vai ter ....mais autonomia!

A gestão continua muito mal tratada por cá.

Thursday, February 07, 2008

Os transplantes e a falta de vergonha

Fonte: aqui.

Antes de mais, queremos afirmar que não somos contra o conceito de "lucro", nem somos contra o princípio do "mérito". Antes pelo contrário.

Mas isto, é absolutamente inconcebível: Há médicos a receber mais de 250 mil euros em prémios de incentivos à transplantação e outros que não recebem nada. A gestão dos incentivos, atribuidos pelo Ministério da Saúde, depende das administrações dos hospitais, que nuns casos distribuem o dinheiro pelas equipas, mas noutros não.

Os detalhes desta notícia são escabrosos, sobretudo porque se passam no SNS, que é suportado por todos os portugueses, e muitos deles vivem em condições próximas do limiar da miséria:
  • De acordo com as contas da visão, (Eduardo) Barroso recebeu no ano passado 277 mil euros de prémios, mesmo sem realizar qualquer transplante. Em delcarações à Visão, o médico explica que a situação foi negociada com a tutela, mas acaba por admitir que o valor é exagerado, pelo que mandou reduzir em 3%, o montante que recebe.
  • O cirurgião considera os prémios exagerados e garante que por iniciativa própria já propos baixar em 3 pontos a percentagem que usufrui...Uma informação que terá apanhado o presidente do conselho de administração do hospital de suspresa...Manuel delgado terá respondido á visão..que o jornalista lhe estaria a dar uma novidade.
  • Outro foco de revolta está na enfermagem, porque só alguns profissionais recebem os incentivos. Em entrevista à Visão, alguns enfermeiros referem que os incentivos são uma pratica imoral e injusta.

Mas, enquanto Manuel Delgado, que parece que é Administrador do Hospital Curry Cabral, mas não sabe o que se lá passa, noutro hospital público passa-se isto:

  • De acordo com a investigação da revista Visão, que amanhã vai para as bancas, os cirurgiões dos hospitais da Universidade de Coimbraos garantem que nunca receberam um cêntimo pelos transplantes realizados, apesar de ser nesta instituição que estão as equipas campeãs nacionais de transplantes renais e de coração.

Lamentamos ter que o escrever, mas isto só falta "tirar os olhos" aos portugueses. É o que se costuma dizer, é fartar vilanagem!

Thursday, May 10, 2007

Os SAP's e as urgências hospitalares

Foi famosa a frase do Prof. Correia de Campos, de que "nunca haveria de entrar num SAP (serviço de atendimento permanente)".

Não temos dados para avaliar da razoabilidade do encerramento ou não dos ditos SAP's. Não temos fundamentação para concordar ou não, com a sua falta de qualidade (induzida pela expressão do actual Ministro da Saúde).

Mas, o SNS tem algumas virtudes e alguns defeitos. Os SAP's poderiam potencialmente servir para aquela consulta nocturna, para aliviar uma gripe! Será que tendo apenas essa utilidade, deveriam continuar a existir?


Serão resultados pontuais? Parece que não:
  • no hospital de Aveiro, que recebe doentes dos SAP encerrados em Aveiro, Albergaria-a-Velha, Anadia e Vagos, registou-se um aumento de 20% no número de utentes atendidos no mês de Janeiro, em comparação com o mesmo período de 2006. Este valor representou o atendimento, em média, de mais 70 doentes por dia.
  • No Centro Hospitalar de Coimbra, em Novembro e Dezembro de 2006, houve uma média de mais 1500 doentes, comparando com o mesmo período de 2005, o que corresponde a um aumento de 15% de doentes que recorreram ao serviço de urgência.
  • o Hospital da Feira teve um aumento mais ligeiro em Novembro e Dezembro, 3 e 1% respectivamente, mas subiu para 13% em Janeiro.
  • Nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), o número de utentes subiu entre 7 e 10%.

Finalmente, até Abril de 2007, fecharam 24 Serviços de Atendimento Permanente em todo o País, a maior parte na zona Centro.

Talvez estejam aqui, algumas oportunidades para o sector privado da saúde.

Monday, April 23, 2007

Os tremores do SNS


No nosso trabalho de investigação, temos detectado múltiplas substituições nos Conselhos de Administração dos Hospitais do SNS.

Não nos espanta, a mudança e a aversão à mudança. Mas, uma coisa sabemos: com uma mudança sucessiva e motivada apenas pela mudança, os resultados serão inevitavelmente catastróficos. Os melhores casos internacionais dizem-nos isso!