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Friday, November 08, 2013

Crimes de lesa contribuinte!

A gestão é um eufemismo em muitos sectores em Portugal. Na área da saúde também:

1) O ministro da Saúde, Paulo Macedo, revelou hoje que mandou investigar casos de imóveis da area da saúde inaugurados e sem funcionar há anos, aparelhos de diagnóstico que nunca foram usados e instalações sobredimensionadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS). "Como é que o SNS - que todos nós reconhecemos que precisa de mais fundos para áreas como a prevenção -- tem equipamentos que nunca foram usados?", questionou-se.


2) Sete unidades de saúde gastaram dinheiro em material e equipamentos que nunca utilizaram. A conclusão consta do relatório da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, que analisou 46 unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com o objetivo de otimizar recursos. O documento não refere as verbas gastas. Este levantamento faz parte de uma análise mais pormenorizada ao SNS levada a cabo pelo Ministério da Saúde.

3) O documento faz igualmente referência à Unidade Local de Saúde do Norte Alentejo, que apresenta uma lista "de cerca de meia centena de artigos" comprados em 2011 e 2012, mas que "ainda não afetou a qualquer serviço". Entre esse equipamento estão, por exemplo, 12 bombas de infusão volumétrica.

4) O Centro Hospitalar Lisboa Norte, o Hospital Francisco Zagalo, em Ovar, e o Centro Hospitalar do Tâmega-Sousa (CHTS) não listaram os equipamentos comprados que ainda não foram usados. O Centro Hospitalar do Algarve diz ter sido impossível fornecer a informação em tempo útil, enquanto o Centro Hospitalar Tondela-Viseu referiu dois equipamentos.

5) Um dos aspetos verificados durante o levantamento efetuado pela IGAS diz respeito às unidades que têm equipamentos subutilizados por falta de recursos humanos especializados. No total, foram oito as unidades que responderam ter equipamentos ou material hospitalar nessas condições: Centro Hospitalar do Oeste, Centro Hospitalar do Algarve, Centro Hospitalar do Alto Ave, Centro Hospitalar Tâmega-Sousa, Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga, Centro Hospitalar São João, Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro-Rovisco Pais e Unidade Local de Saúde de Castelo Branco. 


6) O relatório conclui que metade das 46 entidades hospitalares tinha, em agosto, equipamento que não estava em funcionamento. O Centro Hospitalar Lisboa Central - inclui os hospitais de São José, Capuchos, Santa Marta, D. Estefânia, Maternidade Alfredo da Costa e Curry Cabral - é um dos casos. Tem parados um angiógrafo, um TAC e um aparelho de RX, pela desativação de serviços na fusão do Hospital Curry Cabral. Sem especificar a quantidade, estão equipamentos do bloco operatório e do internamento de Ginecologia/Obstetrícia do Hospital D. Estefânia.

A falência prossegue.

Wednesday, May 19, 2010

O SNS entrou em colapso

As organizações não entram em colapso só porque deixam de pagar ou sequer de actuar. Às vezes, as organizações dão evidentes sinais de colapso, apesar de mostrarem sinais de vida. Isto significa o fim de um mito, a existência de um serviço de saúde permamente, disponível, tendencialmente gratuito e para todos:
  • A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) intimou dois hospitais públicos a pagarem a meias uma operação a um descolamento da retina que uma doente fez no hospital privado Cuf Descobertas (Lisboa), depois de esta não ter sido atendida de imediato nas duas unidades, por ser véspera de fim-de-ano.

Isto é absolutamente inacreditável. Mas, o que a seguir registamos, é sinal de um completo estado de irresponsabilidade por parte de toda a estrutura do Ministério da Saúde, desde a pediatra Ana Jorge, até aos Altos Funcionários das ARS's e Hospitais:

  • A doente vinha de Faro para o Porto na noite de 30 de Dezembro de 2008 quando sentiu problemas no olho esquerdo e decidiu recorrer à urgência dos HUC (Hospitais da Universidade de Coimbra), que era a mais próxima. Foi-lhe ali diagnosticado um descolamento grave da retina, mas, por ser véspera de passagem de ano e os especialistas estarem de férias, disseram-lhe que para ser atendida no mesmo dia deveria recorrer a uma urgência de um hospital do Porto ou de Lisboa. Ela optou pela capital.
  • Chegou à urgência do Hospital de S. José (que pertence ao CHLC) às 2h50 e saiu dali duas horas mais tarde, depois de o médico interno que a observou lhe ter dito que não tinham oftalmologistas e se devia dirigir ao Hospital dos Capuchos (também do CHLC) para ser vista e operada. Levava um pedido de consulta externa muito urgente, mas teve de aguardar pela abertura, de manhã, do Hospital dos Capuchos, onde uma funcionária administrativa lhe terá dito que o médico não a poderia atender e só num privado seria operada de imediato. Sugeriram-lhe o Cuf Descobertas. Acabou por ser operada nesse hospital privado pelo médico que dirige o Serviço de Oftalmologia do CHLC.

Esta é uma imagem de um Estado Kafkiano, que está apoderado por um conjunto de interesses e interessados, que cinicamente enchem os discursos com os interesses dos doentes.

Veja-se o detalhe sinistro deste episódio surreal:

  • O director do Serviço de Oftalmologia do CHLC - que foi quem operou a doente na instituição privada - adiantou, porém, ao PÚBLICO que a administração já lhe pediu para apresentar um projecto para alterar a situação na unidade pública, de forma que casos como este não se repitam.
  • O médico garantiu ao PÚBLICO que não teve nada a ver com o facto de a doente ter ido ao hospital privado - "foi uma coincidência superdesagradável" - e sublinhou que a cirurgia do descolamento da retina não é feita nos serviços de urgência. "Não é uma intervenção de emergência, apesar de ser urgente", o que significa que pode ser feita vários dias depois, justificou. No hospital público, a doente teria de esperar por segunda-feira (era quarta-feira no dia seguinte era feriado e no outro havia tolerância de ponto) para ser observada e para depois lhe ser marcada a cirurgia.

Chegámos a uma situação, em que as pretensas élites da sociedade já se desresponsabilizam de tudo, sem nunca abdicarem, no entanto, das suas prebendas, sejam elas "tolerâncias de ponto", ou "promiscuidades público-privadas".

Estamos a chegar a um limiar de absoluta intolerância. Ao observarmos a História, verificamos que algo de muito perigoso está do outro lado da esquina.

Monday, April 19, 2010

SNS: acentua-se o declínio

Na nossa opinião o SNS e respectivas instituições deveriam ter por finalidade, o "lucro zero". Mas, no tempo do Prof. Correia de Campos, imagine-se, até se vangloriavam dos Hospitais EPE darem lucros (alguns deles, nomeadamente os IPO's).

Naturalmente, que estes reversos só confirmam que muita da informação governamental limita-se a utilizar recursos de "contabilidade criativa" e expedientes momentâneos. A verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima.

Agora, o barco afunda-se: No ano passado, os prejuízos dos hospitais públicos com gestão empresarial dispararam 40%, para os 295 milhões de euros. Em 40 hospitais de todo o país, apenas 13 apresentam resultados positivos. As unidades da Região de Lisboa são as piores.

Os "homens da administração" não se sentem desconfortáveis: O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, admite que os números "não são famosos".

Numa altura em que se discutem os salários da "gestão de topo" no sector privado, não se discutem os valores ganhos pelos "gestores públicos" quando os resultados são maus. Pior, no sector privado quando não se atingem resultados positivos, normalmente "atinge-se a rua", de forma mais rápida!

Pior, para alguns, quando os números são maus, a culpa é sempre das regras: O CH Lisboa Central critica os mecanismos de financiamento existentes por não se ajustarem a uma instituição que agrega quatro hospitais dispersos, "a funcionar em instalações adaptadas de antigos conventos, com constrangimentos vários, além de custos de manutenção e conservação elevados".

Esperamos na "plateia" pelos impactos do PEC na Administração Pública. A outra alternativa, o aumento de impostos, seria matar Portugal, de uma só vez, e rápidamente!

Tuesday, January 27, 2009

Sai uma Licenciatura em medicina em 3 anos?

Após "Bolonha", a generalidade dos cursos do ensino superior passaram a ter 3 anos. É a força da padronização da União Europeia. Goste-se ou não. Mas, há sempre "vacas sagradas". O curso de medicina continua a ser de 6 (seis) anos, mais os estágios.

Bem, parece que era. Se não, vejamos o que aqui se diz:
  • Por um lado, a duração do internato (estágio de especialidade) passou de 18 meses para 12.
  • Por outro, deixou de existir um período de seis meses de preparação para o exame.

Todo este "encurtamento" tem um objectivo: Até Janeiro de 2010 vão estar formados mais 600 médicos de família.

Então, e os argumentos de que a qualidade da medicina obriga a uma não-redução do tempo de formação? Então, o que dirá agora a toda-poderosa Ordem dos Médicos? É que o poder político foi célere para tapar buracos na falta de médicos que dizem haver: esta vaga de médicos resulta de uma alteração feita na lei que diminuiu em um ano o tempo de formação dos clínicos.

Nós continuamos na nossa: não há falta de médicos. Há de facto, alguns médicos a entrar em fase de reforma. Mas, na essência existem demasidos médicos nos hospitais centrais, de Lisboa, Porto e Coimbra. E faltam médicos no Interior Norte, Centro e Sul, e nos centros de saúde.

Por exemplo, como é que se percebe que o Centro Hospitalar de Lisboa Central (Hospital de São José, Hospital dos Capuchos e Hospital de Santa Marta) tenha cerca de 60 oftalmologistas e, até há pouco tempo, o Hospital de Faro tinha apenas 1 (um) oftalmologista?

Virá o tempo em que os médicos terão uma de duas opções: o desemprego ou a emigração. Aliás, como os restantes portugueses!

Friday, November 17, 2006

Novo Hospital de Todos os Santos

Foi anunciado pelo Administrador do Centro Hospitalar de Lisboa Central, a construção do novo Hospital de Todos Os Santos, em Chelas.

O novo Hospital será lançado em concurso público em Janeiro de 2007, e será construído no ambito das Parcerias Público Privadas.

Deduzimos nós, que ao ser anunciado pelo Administrador do Centro Hospitalar de Lisboa Central, esta nova Unidade Hospitalar venha substituir aquela velha unidade (que inclui o Hospital de S. José, o Hospital dos Capuchos e o Hospital de D. Estefânia).

Foram referidos alguns
requisitos pelo Senhor Administrador:
  • o futuro hospital de Lisboa terá tecnologia de ponta.
  • com recursos humanos mais qualificados.
  • Terá ensino universitário .
  • acrescentando a necessidade de fidelizar os profissionais de saúde para que não sejam atraídos para outros hospitais.

Folgamos que daqui por 4 anos, Lisboa tenha um novo Hospital que substitua os velhos hospitais, já caducos. Mas, achamos estranho o anúncio de que o novo Hospital venha a ter tecnologia de ponta e também, que virá a ter recursos humanos mais qualificados. Será que o actual Centro Hospitalar de Lisboa Central carece de tecnologia de ponta e de recursos humanos qualificados?