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Tuesday, June 02, 2009

Onde está a Ordem dos Médicos? E a Justiça portuguesa?

Estes factos são graves:
  • Acusado de três crimes de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência, previsto como um acto sexual de relevo, José V. foi condenado por dois e absolvido de um a dois anos e três meses por cada crime, traduzindo-se a decisão num cúmulo jurídico de três anos de prisão suspensa.
  • ficou provado que, a 24 de Agosto de 2004, na clínica de que é o proprietário, no centro de Faro, o médico "iniciou observação sem luvas" e, a dada altura, "introduziu a mão na bata e começou a acariciar o pénis". Depois, "friccionou a sua zona genital na zona desnudada da vagina da vítima".
  • Numa outra ocasião, a 2 de Setembro, as vítimas foram duas amigas que foram juntas ao ginecologista. Perguntou se podia colocar pomada e, fazendo crer que se tratava de um dos seus dedos, "começou a aplicar pomada com o pénis". Fazendo movimentos com a anca "perguntou três vezes se estava a doer". Uma das mulheres estranhou o contacto, olhou para o vidro do armário e "apercebeu-se de que o arguido tinha o pénis na mão a tocar com ele na sua vagina". Perante tal cenário, empurrou o clínico. "Quando me levantei, ainda o vi a colocar o pénis dentro das calças", declarou a vítima em julgamento.
  • Segundo o tribunal, o arguido "actuou contra a vontade das vítimas para obter satisfação pessoal".

O Sr. José V., perdão, o Dr. José V. é médico! E o que aconteceu ao Dr. José V.?

Isto: O médico continua a exercer a actividade numa clínica privada e no Hospital Central de Faro sem que lhe tenham sido aplicadas sanções disciplinares.

E porque é que houve este desenlace? Por isto: Segundo o Código Penal, o titular de cargo público que no exercício da actividade cometer um crime só é proibido de exercer funções se a pena for superior a três anos.

Pelo menos, as pessoas que são utentes do Hospital de Faro, que estejam atentas a um médico ginecologista de nome, Dr. José V.: fujam.

Sunday, May 24, 2009

Hospital de Faro: o hospital calamidade

Já aqui escrevemos sobre a eventual morte de doentes no Hospital de Faro, motivada por infecções adquiridas em ambiente hospitalar. Da parte do hospital, foi dito que houve doentes que faleceram, mas por causas distintas do Clostridium Difficile.

Mas, afinal, parece que os factos começam a desmentir a versão dos Senhores que assumem responsabilidades no Hospital de Faro (será que assumem?). Pois afinal: Faro: Paciente morreu mesmo com Clostridium Difficile.

Mas, ainda assim, os Senhores que parecem assumir a responsabilidade do Hospital de Faro continuam a negar os factos: O Hospital de Faro esclareceu hoje que o paciente de 74 anos falecido a 16 de Maio e em cuja certidão de óbito se indica uma infecção por "Clostridium Difficile", não contraiu "seguramente" esta bactéria multi-resistente naquela unidade hospitalar.

Então, a certidão de óbito passada por um médico (parece que a Lei assim obriga) diz uma coisa, que o Hospital de Faro nega! Em que é que ficamos, Senhores Doutores?

Diz a Médica Responsável (será mesmo responsável?): Helena Gomes, directora clínica do Hospital de Faro, referiu à agência Lusa que o paciente já tinha essa infecção 40 dias antes da morte, nomeadamente quando foi internado, altura em que lhe foi diagnosticado esse problema.

Depois, é um conjunto habitual de chorrilhos de lavar as mãos como Pilatos:
  • Segundo Helena Gomes, esta infecção "não foi contraída garantidamente" no Hospital de Faro, já que lhe fora diagnosticada na altura do internamento.
  • Durante a permanência no hospital, o doente, apesar dos cuidados clínicos prestados, foi tendo "outras complicações resultantes da sua situação clínica complexa", adiantou, observando que ocorreu uma "falência multiorgânica que não tem uma relação directa com a ´Clostridium Dificcile".

No fundo, coitado de quem precisa de ir ao Hospital de Faro. Não apenas por mais este caso, mas por um largo histórico de questões muito mal explicadas, mas em que claramente os doentes são os que perdem sempre.

Mais importante, seria que os doentes vítimas deste tipo de tratamento, se organizassem para levar a Tribunal, quer o Estado, entidade máxima responsável pelo Hospital de Faro, quer os vários responsáveis clínicos e administrativos. Até lá, e se não houver constestação jurídica, os irresponsáveis manter-se-ão.

Sunday, May 10, 2009

Hospital de Faro: mais uma vez

O Hospital de Faro é muito mediático. Seja pelas urgências hospitalares esgotadas no Verão. Seja pela falta de médicos. Seja pela falta de condições logísticas no atendimento de doentes. Seja pela degradação das suas infraestruturas. Ou seja, o Hospital de Faro é tristemente célebre!

Mais uma vez, parece seguir no caminho sinistro: A Inspecção-Geral de Actividades em Saúde (IGAS) abriu um processo de inquérito para avaliar se as infecções com uma bactéria resistente à maioria dos antibióticos estão relacionadas com a morte de oito pessoas no Hospital de Faro.

Depois, admiram-se que isto aconteça: Os números da IGAS, baseados sobretudo nos registos dos livros de reclamações, em 2008, revelam que o número de reclamações apresentadas nos hospitais e centros de saúde, públicos e privados, sofreu um aumento de 17 por cento, subindo para 46.414 as 39.652 queixas que tinham sido apresentadas no ano anterior.

Mas, apesar do inquérito do IGAS, já há alguém responsável no Hospital de Faro que não tem pejo em afirmar isto: "Tenho a certeza que nenhuma foi directamente causada pela Clostridium. Outras patologias foram a causa primária destas mortes".

Continuem assim, que o Ministério da Saúde vai continuar a ver aumentar o número de reclamações, e pior, daqui a pouco, o número de processos em Tribunal, quer contra o Estado, quer contra os próprios profissionais de saúde, vão crescer exponencialmente. É só uma questão de tempo.

Tuesday, January 27, 2009

Sai uma Licenciatura em medicina em 3 anos?

Após "Bolonha", a generalidade dos cursos do ensino superior passaram a ter 3 anos. É a força da padronização da União Europeia. Goste-se ou não. Mas, há sempre "vacas sagradas". O curso de medicina continua a ser de 6 (seis) anos, mais os estágios.

Bem, parece que era. Se não, vejamos o que aqui se diz:
  • Por um lado, a duração do internato (estágio de especialidade) passou de 18 meses para 12.
  • Por outro, deixou de existir um período de seis meses de preparação para o exame.

Todo este "encurtamento" tem um objectivo: Até Janeiro de 2010 vão estar formados mais 600 médicos de família.

Então, e os argumentos de que a qualidade da medicina obriga a uma não-redução do tempo de formação? Então, o que dirá agora a toda-poderosa Ordem dos Médicos? É que o poder político foi célere para tapar buracos na falta de médicos que dizem haver: esta vaga de médicos resulta de uma alteração feita na lei que diminuiu em um ano o tempo de formação dos clínicos.

Nós continuamos na nossa: não há falta de médicos. Há de facto, alguns médicos a entrar em fase de reforma. Mas, na essência existem demasidos médicos nos hospitais centrais, de Lisboa, Porto e Coimbra. E faltam médicos no Interior Norte, Centro e Sul, e nos centros de saúde.

Por exemplo, como é que se percebe que o Centro Hospitalar de Lisboa Central (Hospital de São José, Hospital dos Capuchos e Hospital de Santa Marta) tenha cerca de 60 oftalmologistas e, até há pouco tempo, o Hospital de Faro tinha apenas 1 (um) oftalmologista?

Virá o tempo em que os médicos terão uma de duas opções: o desemprego ou a emigração. Aliás, como os restantes portugueses!

Sunday, January 11, 2009

Hospital de Faro: outra vez!


O Hospital de Faro é falado, quase sempre pelos piores motivos. São os médicos-Chefes, demissionários há mais de um ano. São os problemas no Verão, por causa da avalanche de doentes, de férias. São os médicos oftalmologistas que quase não existem. São as péssimas condições das urgências. São os corredores do hospital sempre cheios. Será possível ser pior?

Parece que não, pois vejamos:
  • Num dos dias mais frios do ano, há pacientes que têm de esperar sentados à mercê do clima, por uma consulta de Ortopedia. Aquecedores ficaram sem gás.
  • Só no dia de hoje, mais de uma dezena de pessoas encontravam-se no exterior do edifício do Hospital Central de Faro, onde se encontra montada uma enorme tenda amarela, para tentar proteger os utentes da chuva e do vento.
  • “Isto é uma situação que se arrasta para aí há um ano e meio”, garante Eduardo Rocheta, outro dos utentes à espera de consulta. “Só hoje já houve duas pessoas a pedir o livro de reclamações por causa das más condições de espera”.
  • Caso caricato, é que houve até mesmo um utente que estacionou debaixo da tenda, num lugar de acesso exclusivo às ambulâncias, para que a mulher que tem doenças dos ossos, pudesse ficar à espera sem ser ao relento.

Triste e caricato, de facto. E acontece alguma coisa ao poder responsável pelo Hospital de Faro?

Thursday, December 11, 2008

Hospital de Faro: palavras para quê?

Fonte: aqui.

Primeiro a versão "normal":
  • A ministra da Saúde, Ana Jorge, recusou hoje a existência de caos na urgência do Hospital de Faro, considerando que há apenas uma «maior procura» por estarmos em «plena época de Inverno». A ministra disse ter informações de que «os doentes estão a ser atendidos, e não num tempo de espera que ultrapasse aquilo que é razoável».

Depois a versão normal:

  • Um dos médicos daquele serviço hospitalar disse à Lusa que «a situação actual é de ruptura». O novo serviço de urgências do Hospital de Faro começou a funcionar este mês, mas as macas acumuladas nos corredores estão a provocar o caos e os médicos que há um ano pediram a demissão continuam demissionários.
Quando os Governantes não saiem dos gabinetes, ou se o fazem, vão apenas lançar "primeiras pedras", tudo é "normal"!

Post Scriptum: e nós que pensávamos que o Algarve tinha maior afluxo de pessoas no Verão!

Sunday, January 20, 2008

Serviços de urgência de Terceiro Mundo?

O nosso lado da fronteira é muito claro: defendemos os doentes da saúde e os contribuintes do SNS (ou seja, os que pagam impostos). E defendemos estes dois grupos pelas seguintes razões:
  1. Há demasiada gente a ganhar com a saúde (laboratórios farmaceuticos, médicos, grupos privados de saúde, Altos funcionários públicos, farmácias, enfermeiros, etc.).
  2. Os doentes e os contribuintes são normalmente uma parte passiva do "grande jogo", quer porque estão fragilizados pela doença, quer porque não sabem que estão a engordar grandes interesses!

Contudo, não metemos todos os participantes no "grande jogo", dentro do mesmo saco. Há muita gente boa a actuar na saúde, desde médicos a enfermeiros, que aguentam muitas vezes, situações anómalas e dolorosas no dia-a-dia de um sector em declínio evidente!

Vejamos duas reflexões recentemente trazidas por dois participantes no "grande jogo":

Primeiro, o Bastonário da Ordem dos Médicos, recentemente eleito, Dr. Pedro Nunes:

  • Há determinados serviços de urgência em Portugal que nós teríamos todo o interesse em não os exibir, não podiam existir no Terceiro Mundo, nem num País do terceiro mundo, e muito menos andar a pedir avaliações a universidades estrangeiras. Não é preciso nenhum professor catedrático de nenhuma universidade estrangeira para entrar nos corredores do hospital de Faro e saber que aquilo não é possível acontecer num País mesmo do terceiro mundo.

Segundo, o Deputado Manuel Alegre:

  • O ex-candidato presidencial independente e deputado socialista, Manuel Alegre, teceu este sábado críticas demolidoras à reforma dos serviços de saúde, considerando que se trata de um «erro colossal» e de uma política «estapafúrdia» do actual Governo.

Estas reflexões, vêm de diferente lados da barricada do "grande jogo", mas coincidem numa avaliação fraca à actual política do Ministério da Saúde. Para nós, há muito tempo que percebemos que a racionalidade do SNS não se pode fazer à custa dos mais fracos e pobres, sob pena de poder aparecer um qualquer fantasma, como aliás Manuel Alegre o tipifica: «Se aparece uma Maria da Fonte, de saias ou de calças, arranja uma fronda popular, e isso pode pôr em causa um certo consenso nacional sobre a própria democracia».

Post Scriptum: não somos contra o lucro. Antes pelo contrário, somos favoráveis ao mérito de quem é mais competente e eficiente.

Tuesday, January 15, 2008

A gestão da falácia e o futuro Hospital do Algarve

Vamos lendo e ouvindo que há vários médicos demissionários no Hospital de Faro (principal hospital do Algarve). Vamos vendo na TV, que o referido hospital não tem condições para acolher a torrente de doentes nas suas urgências, mesmo no tempo de Inverno. No Verão, com o Algarve a ter três vezes mais população, deve ser de fugir de ir a uma urgência ao Hospital de Faro!

Mas, a qualidade das pessoas que dizem que governam Portugal continua elevada! Vejamos algumas pérolas de alguns dos Senhores que os portugueses tiveram a infelicidade de eleger:
  • Os deputados do Partido Socialista eleitos pelo Algarve asseguraram hoje que a construção do Hospital Central do Algarve arranca no segundo semestre de 2009 e que abrirá as portas ao público em 2012.
  • Aldemira Pinho (deputada Socialista) recordou que em 2005, altura em que o PS chegou ao Governo, «não encontrou nada sobre o novo Hospital Central do Algarve, excepto os terrenos cedidos pelas câmaras municipais de Faro e Loulé».
  • A deputada frisou a ideia de que foi o PS «que desenvolveu todo o processo para que em 2012 o Algarve tenha um bom hospital», «de raiz», no parque das Cidades, junto ao novo Estádio, construído para receber o campeonato europeu de futebol em 2004.
  • Os deputados do PS/Algarve recordaram que desde 2004 o «PSD investiu cinco milhões de euros» na Saúde do Algarve e que o PS investiu «12 milhões de euros».

Perante tais alarvidades da Senhora que foi eleita pelos portugueses residentes no Algarve, colocamos alguns comentários:

  1. O PS investiu 12 milhões de euros? Ou o Estado português investiu 12 milhões de euros, Senhora Deputada? Desde quando é que os partidos se confundem com o Estado?
  2. O governo do PS não encontrou nada feito, em 2005, diz a Senhora Deputada. Então, mas está no poder desde 2005 e só vai conseguir começar a fazer alguma coisa, precisamente no ano em que haverá novas eleições, ou seja 2009? Que coincidência!
  3. Já que se fala no Estádio do Algarve, a Senhora Deputada deveria ter vergonha de abordar o assunto, já que é um investimento que foi decidido pelo actual Primeiro Ministro (José Sócrates) que só serve para a realização de 3 ou 4 jogos por ano! E até já serviu para uma prova do Rali de Portugal!!! Porquê que o então Ministro José Sócrates não preferiu construir um novo hospital no Algarve, em vez do "Estádio de futebol do Algarve", para Inglês ver no Verão?

Que vergonha de gente, a quem os portugueses entregaram os destinos da nação.

Post Scriptum: Este espaço não trata de política, trata de assuntos relacionados com a saúde. Mas, a política brinca demasiado com a saúde das pessoas.

Wednesday, January 09, 2008

O estado da saúde no Hospital de Faro

Perante isto: Segundo o médico, que pediu para manter o anonimato, a Unidade de AVC do Hospital Central de Faro «está sem coordenador e médicos neurologistas há mais de um mês, devido à transferência do então coordenador, o médico Luís Pereira, para o Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio (CHBA)», em Portimão, em meados do passado mês de Novembro. A mesma fonte hospitalar revelou à Lusa que os serviços daquela Unidade «estão a ser assegurados pela equipa de enfermagem e, esporadicamente, pelos médicos neurologistas da urgência hospitalar».

E mais isto: «Não é verdade que a Unidade de Acidente Vascular Cerebral (AVC) tenha ficado sem coordenador. É injusta esta acusação», disse Ana Paula Gonçalves, há dois anos na presidência do Conselho de Administração e há 16 anos a trabalhar no Hospital de Faro. Segundo a presidente do Conselho de Administração, depois de o médico e coordenador Luís Pereira ter ido trabalhar para o hospital do Barlavento algarvio, foi nomeada a 28 de Novembro uma nova coordenadora do serviço de AVC, a médica Fátima Firmino. No entanto, fontes médicas do hospital ouvidas pela Lusa disseram que Fátima Firmino foi convidada para o cargo mas nem chegou a entrar em funções, uma vez que um projecto que apresentou para a coordenação da Unidade terá sido recusado pelo Conselho de Administração.

Perguntamos: haverá alguém Responsável na Avenida João Crisóstomo, em Lisboa? Ou andarão todos a fechar urgências hospitalares?

Thursday, December 20, 2007

Hospital do Algarve: para as calendas!


Resposta das hostes governamentais: Aldemira Pinho confirmou que a obra «foi uma bandeira do PS» e concluiu: «Nós continuamos a acreditar no nosso Governo e que em 2012 o Hospital Central do Algarve vai ser uma realidade».

Comentário nosso: quem diz 2.012, também pode dizer 2.022! O que é facto, é que o Algarve continua a ser mal servido pelo Hospital de Faro.