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Monday, February 04, 2013

Helicóptero Portugal despenha-se

Só pode: «As taxas moderadoras deviam desaparecer. Defendo os copagamentos, excluindo para as pessoas que não podem realmente pagar», afirmou Manuel Antunes, considerando que, se assim não for, os impostos terão de «continuar a subir».

Surpreendido? Não. Mas, muitos portugueses devem imaginar que: 1) o mundo está contra Portugal; 2) ou, que o tempo que viveram nos últimos 30 anos, foi apenas um sonho!

O Professor Manuel Antunes vai mais longe: «Um país que já não consegue dar o pão de cada dia aos seus cidadãos, não pode dar cuidados de saúde», sustentou o catedrático e diretor do Centro de Cirurgia Cardiotorácica da Universidade de Coimbra.

Monday, June 20, 2011

Grandes portugueses

Numa altura de profunda descrença da sociedade portuguesa, de um evidente apagamento da chama e de um quase fim à vista da nação, ainda há quem seja bom em Portugal. O Professor Manuel Antunes é um médico, cirurgião e professor universitário de craveira internacional, e não deixa de ser frontal, claro e rigoroso, como os melhores:
  • O cirurgião e professor universitário Manuel Antunes defendeu hoje, dia 17, o fim “da promiscuidade” entre os setores público e privado na Saúde, e a redução progressiva do pessoal, em especial de médicos.
  • “Nunca será possível resolver o problema da falta de produtividade e da qualidade de atendimento dos hospitais quando cada um dos setores não for individualizado e profissionalizado”, afirmou.
  • Manuel Antunes, igualmente diretor de serviço nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), salientou que atualmente três quartos dos médicos estão no setor público e a maioria destes também no privado. “Não é lógico nem aceitável que os mesmos agentes controlem a prestação no setor público e no setor privado num sistema em que a oferta gera a procura e não ao contrário, como no resto do mercado”, referiu.
  • Sendo um dos problemas do SNS o seu elevado orçamento, Manuel Antunes defende um aumento do uso de medicamentos genéricos, dos atuais 20 por cento para “pelo menos 50 por cento”, e a “redução progressiva do pessoal”.
  • “O Estado não pode continuar a garantir emprego aos profissionais de saúde, especialmente aos médicos”, frisou, lembrando que os custos com pessoal representam metade do orçamento da Saúde.
  • O médico defende ainda que os médicos devem estar no Serviço Nacional de Saúde (SNS) em dedicação exclusiva, considerando ainda que “o atual sistema de convenções fere o princípio do mercado, em que a qualidade gera a procura, porque os mesmos agentes controlam simultaneamente a oferta e a procura”.
  • “Aos agentes do Estado não deve ser permitido o acesso a convenções ou a qualquer forma de prestação de serviços ao setor público enquanto participantes do setor privado”, acentuou.
  • “Atualmente é quase impossível gerir o Serviço Nacional de Saúde numa perspetiva de eficiência – eu tenho muita pena do ministro que por aí vem porque na situação atual vai tornar-se mesmo impossível – além do mais o sistema assenta num quadro legislativo incoerente, ambíguo, cheio de remendos e é extremamente despesista, burocrático, lento e ineficiente”, observou.
  • “A questão essencial a que é necessário urgentemente responder é se devemos viabilizar o SNS, ou encontrar alternativas, e neste caso se estamos preparados para isso”, sublinhou.
Não precisa dos nossos elogios, o Professor Manuel Antunes, mas é em alturas destas que se vêem os melhores a emergirem, perante um caudal de mediocridade generalizado.

Tuesday, July 20, 2010

A saúde é gratuita?

Não é gratuita. Como dizia o Professor Manuel Antunes, "a saúde não tem preço, mas tem custos". A saúde não só se paga, e cada vez mais, através de taxas, sobretaxas, co-pagamentos e afins, como cada vez tem uma avaliação de qualidade mais fraca.

Por tudo isto, não achamos mal isto: Educação e saúde "tendencialmente gratuitos" para todos os cidadãos será um conceito riscado da nova Constituição que Pedro Passos Coelho quer aprovar brevemente em Conselho Nacional.

E também, achamos bem isto: Na questão da universalidade e gratuitidade do ensino e da educação, Passos Coelho dá o passo que sempre tem defendido desde que se candidatou à liderança do PSD: acabar com a gratuitidade para todos. Onde antes se lia que o direito à protecção da saúde era "tendencialmente gratuito" passa a ressalvar apenas que não pode, "em caso algum, ser recusado por insuficência de meios económicos" qualquer cuidado de saúde a um cidadão.

Agora, uma outra coisa, Dr. Passos Coelho, a classe média deixa de ter hospitais e escolas, a um valor baixo, mas também em contrapartida tem que se reduzir drásticamente o valor pago em sede de IRS, IRC e IVA. De outra forma, e como diz o outro, é pior a emenda do que o soneto!

Já achamos, passadista e ultrapassado, este discurso: Particularmente na área da saúde, "só a igualdade é que garante a dignidade de todos", sublinhou o criador do SNS (António Arnaut), acusando o PSD de pretender deixar "para os pobres uma medicina caritativa" semelhante à que existia no tempo da ditadura de Salazar.

É que, Portugal não tem a produtividade e a eficiência dos países nórdicos, que lhe permita ter um Estado Social verdejante. E ao contrário das "rosas da Rainha Santa que eram pão", as rosas portuguesas têm muitos espinhos!

Sunday, May 30, 2010

«A saúde não tem preço, mas tem custos»

Quem o afirma? O Professor Manuel Antunes. E diz mais:
  • Manuel Antunes “dissecou” o Serviço Nacional de Saúde, a convite da Confraria da Chanfana, em mais um jantar temático, realizado na noite de sexta-feira, em Vila Nova de Poiares. O director do Centro de Cirurgia Cardiotorácica dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) deu a conhecer «o olhar de quem vive por dentro», que tem um a vivência inteiramente dedicada, nos últimos 22 anos, ao serviço da saúde pública. Com uma média de trabalho de 12 horas/dia, orgulha-se de não ter listas de espera, e aponta o seu olhar crítico em todas as direcções.
  • «A saúde não tem preço, mas tem custos», afirma, e não tem dúvidas em defender a necessidade explícita do doente conhecer os custos do seu tratamento. Isto porque, em seu entender, por vezes de assiste a um «consumo exagerado de um bem porque não é pago» e isso «também é um desperdício». Como tal, e no que aos cuidados de saúde diz respeito, importa “cuidar”, fazer contas e aplicar medidas de gestão efectivas e eficazes, que passam, também, por consciencializar os cidadãos/utentes desses mesmos custos.
  • Manuel Antunes apontou as operações que efectua e que custam ao Estado entre 10 a 12 mil euros. «Se pedisse à maior parte das pessoas que pagassem mil euros, certamente o fariam», aventou, sublinhando, muito embora, a necessidade de «salvaguardar e garantir a prestação de cuidados de saúde àqueles que genuinamente os não podem pagar». Mas afirma, não são todos os que se encontram nesse registo, tanto mais que os números apontam para a existência de 20 por cento de pobres em Portugal, muito abaixo dos «60 por cento que não pagam taxas moderadoras».

Pois é, chegamos sempre à mesma conclusão: a maioria dos portugueses contribui para o bolo, mas há definitivamente muito comedor de chanfana, que não a paga.

Felizmente que há médicos como o Professor Manuel Antunes, que para além do exercício exemplar da medicina, têm sensibilidade para a sua gestão:

  • dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), de acordo com os quais, em 2009, as despesas da saúde foram 10,3 por cento do PIB, um valor acima da média europeia, disse, que está nos 8,4 por cento.
  • «O orçamento do Ministério da Saúde mais que quintuplicou desde 1991 para 2009 e em 2010 são quase nove mil milhões de euros, pouco mais de metade dos quais gastos com pessoal».

Obviamente que a "parede" está próxima, porque os "especuladores financeiros" que sustentam a enorme dívida da República e da banca, não vão permitir este "fandango":

  • «óbvio que o Orçamento de Estado para despesas de saúde não pode continuar a aumentar».
  • HUC, onde trabalham diariamente seis mil pessoas (entre funcionários e contratados em regime de outsourcing): «Já não digo que se possa fazer com metade, mas pelos menos com dois terços», advogou.
  • «Actualmente é quase impossível gerir o SNS numa perspectiva eficiente», afirma, crítico, sublinhando que a terapêutica que “prescreve” «vai doer», apontando a «lógica despesista», a «gestão ineficiente», os «interesses corporativos» e a «inércia relativamente às reformas».
  • Defensor de «reformas progressivas», que nos «últimos 10/15 anos os sucessivos governos» não fizeram, Manuel Antunes defende uma diferenciação «rigorosa das fronteiras entre o sector público e o sector privado, mantendo, inclusive, pontes entre os seus sectores, mas sem permitir promiscuidades».

Ao contrário do Primeiro-Ministro e do Ministro das Finanças que querem apenas arranjar dinheiro para suportar "penduras", através dos que trabalham e pagam impostos, os verdadeiros patriotas, são pessoas como o Professor Manuel Antunes, que querem tirar da mesa da chanfana, os comedores corporativos, que nada acrescentam e que são autênticos penduras nas almoçaradas!

Post Scriptum: Seria curioso ouvir a argumentação do Senhor Presidente dos HUC, Professor Fernando Regateiro, perante tal afirmação do Professor Manuel Antunes.

Thursday, February 07, 2008

Os transplantes e a falta de vergonha

Fonte: aqui.

Antes de mais, queremos afirmar que não somos contra o conceito de "lucro", nem somos contra o princípio do "mérito". Antes pelo contrário.

Mas isto, é absolutamente inconcebível: Há médicos a receber mais de 250 mil euros em prémios de incentivos à transplantação e outros que não recebem nada. A gestão dos incentivos, atribuidos pelo Ministério da Saúde, depende das administrações dos hospitais, que nuns casos distribuem o dinheiro pelas equipas, mas noutros não.

Os detalhes desta notícia são escabrosos, sobretudo porque se passam no SNS, que é suportado por todos os portugueses, e muitos deles vivem em condições próximas do limiar da miséria:
  • De acordo com as contas da visão, (Eduardo) Barroso recebeu no ano passado 277 mil euros de prémios, mesmo sem realizar qualquer transplante. Em delcarações à Visão, o médico explica que a situação foi negociada com a tutela, mas acaba por admitir que o valor é exagerado, pelo que mandou reduzir em 3%, o montante que recebe.
  • O cirurgião considera os prémios exagerados e garante que por iniciativa própria já propos baixar em 3 pontos a percentagem que usufrui...Uma informação que terá apanhado o presidente do conselho de administração do hospital de suspresa...Manuel delgado terá respondido á visão..que o jornalista lhe estaria a dar uma novidade.
  • Outro foco de revolta está na enfermagem, porque só alguns profissionais recebem os incentivos. Em entrevista à Visão, alguns enfermeiros referem que os incentivos são uma pratica imoral e injusta.

Mas, enquanto Manuel Delgado, que parece que é Administrador do Hospital Curry Cabral, mas não sabe o que se lá passa, noutro hospital público passa-se isto:

  • De acordo com a investigação da revista Visão, que amanhã vai para as bancas, os cirurgiões dos hospitais da Universidade de Coimbraos garantem que nunca receberam um cêntimo pelos transplantes realizados, apesar de ser nesta instituição que estão as equipas campeãs nacionais de transplantes renais e de coração.

Lamentamos ter que o escrever, mas isto só falta "tirar os olhos" aos portugueses. É o que se costuma dizer, é fartar vilanagem!