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Wednesday, November 14, 2007

Saúde mental: precisa-se!

Mais uma Comissão no sector da saúde, vem dizer que há muita coisa para fazer e há muita coisa mal feita: O nível médio de qualidade dos serviços públicos de psiquiatria está na «faixa inferior do razoável», indica um relatório da Comissão Nacional para a Reestruturação dos Serviços de Saúde Mental, a apresentar sexta-feira no III Congresso Nacional de Psiquiatria.

E diz-se mais: O mesmo relatório refere que a qualidade ao nível do ambulatório é inferior à das unidades de internamento, num momento em que a tendência de prestação de cuidados é cada vez mais a inversa e que as áreas mais críticas de incumprimento de critérios e padrões de qualidade centram-se a nível de recursos humanos e organização administrativa.

Mas, em outro sítio, um Reponsável da área psiquiátrica diz isto: É há muito consensual que o tratamento dos doentes psiquiátricos deve ser feito em hospitais gerais, e isto foi provado por diversos estudos.

Quanto à integração dos doentes mentais, parece que não é um sucesso: O principal problema não é a integração mas o modo como ela foi feita, sem qualquer planeamento. Os serviços de psiquiatria têm todas as competências médicas mas, tirando algumas excepções, não estão preparados em termos de gestão e autonomia para responder aos problemas da comunidade.

Nós já há algum tempo que vimos alertando para a quase inexistência de gestão nos meios de saúde. Apesar das tentativas do actual Ministro, a situação permanece na essência na mesma. Ou seja, há mais Comissões, mais Relatórios e os resultados são muito fracos!

Só continuam a ganhar os mesmos, os que vendem prozac!

Monday, June 04, 2007

Saúde mental

O Serviço Nacional de Saúde só dá resposta a um terço dos doentes que sofrem de perturbações mentais. Esta afirmação não nos surprende. Sabemos que o SNS vai funcionando, mas cada vez mais com....mais ineficiências!

Repare-se em algumas conclusões de um estudo realizado pela Comissão Nacional para a Reestruturação dos Serviços de Saúde Mental:
  • O número de pessoas em contacto com os serviços públicos (168 389 em 2005) mostra que só uma pequena parte das pessoas com problemas de saúde mental têm acesso aos serviços públicos especializados.
  • “os estudos existentes sobre a saúde mental não são vastos e rigorosos”, pelo que foi preciso fazer uma “extrapolação” e comparar com as “taxas que se verificam em países com o mesmo grau de desenvolvimento e cultura”. “Nesses países o número de pessoas que frequenta os serviços na área da psiquiatria ronda os cinco por cento”.
  • Em termos práticos, sublinha o psiquiatra, entre os 500 mil portugueses com perturbações graves “estão pessoas que podem necessitar de internamento e não têm acesso”.
  • “O acesso aos cuidados de saúde mental não é muito fácil, principalmente na periferia, onde há grande escassez de recursos, facto que dificulta a marcação de primeiras consultas”, diz Leuschner.

De facto, é difícil tirar conclusões mais negativas. De facto, não sabemos porque não se investiga a sério a saúde em Portugal. De facto, corremos o risco de perder uma das poucas conquistas da Democracia em Portugal: o Serviço Nacional de Saúde.

Saturday, March 31, 2007

Mais uma Comissão na Saúde

O Professor Correia de Campos é proveniente do mundo académico. Que se conste, o Professor Correia de Campos nunca conheceu o mundo das empresas. Talvez por isso, goste tanto de suportar as suas decisões políticas, em pretensas propostas de Comissões Técnicas.

Poderemos argumentar, antes ter alguém que suporte técnicamente as decisões dos políticos, do que os políticos decidirem sem ouvir ninguém! Mas, quais são os critérios que presidiram à criação das várias Comissões Técnicas, relacionadas com as várias Reformas que tem levado a cabo? Dir-me-ão os defensores de tal metodologia, os Membros das Comissões são pessoas sobretudo com capacidade técnica. Nós gostaríamos de acreditar que sim!

Tudo isto a propósito de mais uma Comissão, relacionada com o Ministério da Saúde e com mais uma das suas Reformas, neste caso chama-se: Comissão Nacional para a Reestruturação dos Serviços de Saúde Mental (CNRSSM).

Bem, esta Comissão lá fez mais um Relatório para o Professor Correia de Campos tomar as suas decisões políticas.

Principais conclusões da tal CNRSSM:
  • O sistema dos serviços de saúde mental em Portugal «funciona mal e tem graves problemas de equidade e acessibilidade».
  • Num relatório preliminar, que ainda carece de parecer do Conselho Nacional de Saúde Mental antes de ser apresentado ao ministro da Saúde, Correia de Campos, é feito o diagnóstico da actual situação e traçado um plano nacional vocacionado para a proximidade local.
  • A aplicação do plano nacional, segundo a comissão, levará a curto prazo à abertura de novas unidades de internamento, nomeadamente em Almada e Tomar, e à criação nas várias regiões do país de unidades de saúde mental comunitária.
  • A médio prazo, aponta-se a criação de serviços de saúde mental em todos os novos hospitais gerais, como Loures, Cascais, Todos os Santos e Vila Franca de Xira. A longo prazo, todos os serviços de saúde mental local passarão para hospitais gerais e para a comunidade.
  • Este processo permitirá, de acordo com a CNRSSM, reorganizar progressivamente os hospitais psiquiátricos, que passarão a acolher, um por cada cidade principal, serviços de âmbito regional.

Finalmente, a tal Comissão tem um remate estonteante: a saúde mental «tem sido uma área muito negligenciada dentro do conjunto dos serviços de saúde», apesar da «magnitude da contribuição das perturbações mentais para a carga global das doenças».

É caso para dizer, está tudo maluco!