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Friday, July 04, 2008

O que é qualidade em saúde?

O Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) aborda a temática da qualidade do serviço de saúde, e nomeadamente, do SNS, no seu Relatório da Primavera 2008. Temática importante e muito pouco estudada e ainda menos implementada.

Ora retiramos algumas partes significativas do referido Relatório:
  • A insuficiência na avaliação de resultados tem importantes e deletérias consequências no desempenho e, provavelmente, na própria sobrevivência do SNS, pois impossibilita a determinação do valor da sua actividade, indispensável para balizar quaisquer tentativas de melhoria e para o impor perante outros prestadores.
  • Como poderá resistir à parasitação por prestadores privados que não deixarão de propagandear a excelência dos resultados próprios enquanto alijam a parte não lucrativa dos serviços para um SNS silenciado na afirmação das suas realizações?
  • Invocando dificuldades na avaliação quantificada do que é “viver mais e melhor”, tornou-se hábito avaliar, em vez disso, as estruturas ou os processos que são utilizados pelos serviços ou estabelecimentos de saúde. A tal ponto que, muitas vezes, os meios substituem os fins.

Ora, a questão que o Relatório da Primavera 2008 levanta é determinante para o SNS, uma vez que este não tem, nem implementa um conceito prático de qualidade. Isto é, o que é qualidade nos serviços de saúde? Como é que se materializa?

Presentemente, ainda segundo o referido Relatório, para o SNS, o único controlo de qualidade que é feito (para nós, mesmo este é muito pontual e pouco sistemático) é este:

  • Os objectivos da actividade dos sistemas de saúde não podem ser fazer mais consultas ou dar mais altas de internamento, radiografar mais as pessoas ou fazer-lhes mais endoscopias, proceder a mais operações cirúrgicas ou aumentar a percentagem das que se realizam em regime ambulatório.

Dito isto, então como é que se mede qualidade, num hospital ou num centro de saúde? Para o OPSS a qualidade deveria ser medida assim: viver mais tempo sem doença ou, se a doença chegar a manifestar-se ou persistir, minimizar o “fardo” que ela constitui.

Se o SNS não mudar a sua forma de medir qualidade nos serviços de saúde, vai estar perante caminhos turtuosos:

  • Sem capacidade de avaliação, o serviço de saúde não tem possibilidade de tomar decisões no que respeita à incorporação de tecnologias.
  • Sem “saber de experiência feito”, tem de se limitar a acreditar nas comunicações de terceiros, prescindindo de ter voz activa na discriminação do valor relativo do que é levado a adquirir.
  • Dito de outro modo, o SNS encontra-se nas mãos de quem tem interesse em vender-lhe o que quer que seja.

Será que algum Alto Funcionário do Ministério da Saúde, a começar na Ministra ou nos Secretários de Estado, têm uma noção clara do que é "qualidade nos serviços de saúde"? Admitimos que sim. Então, porque pretendem apenas fazer controlo de gestão e não a avaliação da qualidade do serviço de saúde?

Tuesday, June 24, 2008

Mistificação nas contas da Saúde?

Nada nos surpreende. Sabemos que as práticas de gestão são fracas. As Entidades Reguladoras não cumprem muitas vezes o seu papel, sabe-se lá porquê! As Auditoras e os Revisores Oficiais de Conta têm uma visão mais comercial, do que técnica da sua função. Até onde irão parar as organizações? Não sabemos. Vamos lendo na imprensa internacional, que há indivíduos objecto de processos - crime, pelas más práticas de gestão, ou se quiserem o chamado "crime de colarinho branco"! Foram os casos da Enron, da WorldCom, ou da Arthur Andersen (na altura, era a maior Auditora do mundo, em volume de negócios).

Por cá, o Sol continua resplandecente, mas a vida continua triste. Há quem diga que é o fado!

Vejamos o que aqui se escreve:
  • O Governo não disponibilizou informação "sobre a série de despesas com pessoal expurgada dos efeitos da transformação dos hospitais em hospitais-empresa".
  • A informação consta do relatório da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) da Assembleia da República, na sua análise ao Relatório de Orientação de Política Orçamental(ROPO) de Maio 2008 e das Grandes Opções do Plano de 2009.
  • A título de exemplo destas incongruências, sublinha-se que "a parte da redução das despesas com pessoal em 2007 não explicada pela transformação de hospitais do Serviço Nacional de Saúde em hospitais -empresa" num lado é estimada em 0,5 pontos percentuais do PIB, enquanto noutra página do mesmo relatório se refere ser de 0,4 pontos percentuais do PIB.

A vantagem que a análise quantitativa tem, é que se fundamenta em números. Os números são mais objectivos do que as palavras.

Quando vier o próximo Governo, vamos voltar ao chorrilho do passado, com críticas avassaladoras sobre as práticas de gestão actuais. Este Governo fê-lo em relação aos anteriores. O pior, é que o próximo Governo, seja ele qual for, fará quase de certeza o mesmo. Até quando?

Friday, February 29, 2008

Wednesday, July 04, 2007

Observatório Português dos Sistemas de Saúde - Relatório da Primavera 2007

O Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), todos os anos, por esta altura, lança o seu "Relatório da Primavera", da autoria de Académicos de várias Universidades. O Professor Correia de Campos, actual Ministro da Saúde, já colaborou em Relatórios da Primavera, no passado.

Dito isto, gostaríamos de ler em detalhe o referido Relatório da Primavera - 2007, mas infelizmente, para já, o referido site está inactivo!

Detemo-nos, para já, numa sumula desta notícia:
  • O acesso dos cidadãos aos serviços, como no caso das listas de espera para cirurgias, "parece estar fora das prioridades do Ministério da Saúde e do seu discurso político".
  • A elevada percentagem de pessoas expurgadas das listas é igual àquela que existia há dez anos e "é demonstrativa dos poucos progressos na gestão da informação".
  • continua por fazer a definição dos tempos de espera máximos para cada doença, bem como uma avaliação da capacidade instalada dos hospitais.
  • O Governo continua a não prestar contas da evolução das listas de espera ao Parlamento, tal como define a lei.

Quando for possivel ver o Relatório da Primavera - 2007, no respectivo site, faremos uma análise com mais detalhe, mas só estes destaques desta notícia, continuam a reafirmar que há pouca gestão dos recursos públicos da saúde!

Achamos apenas infeliz, este comentário: Durante a apresentação do relatório, a secretária de Estado discordou do comentário de pouca «sensibilidade social» contido no texto (do Relatório do OPSS).

Tuesday, June 26, 2007

Afinal, o Estado financia o Estado

As Parcerias Público - Privadas parece que vão assumir-se como a solução para todos os problemas. Pelo menos, é o que se vai lendo na imprensa, e também é o que vão dizendo os políticos do Governo e da Oposição.

Agora, surge-nos esta notícia: A Caixa Geral de Depósitos (GGD) e a Parpública criaram um banco que vai «renegociar o financiamento de parcerias público-privadas (PPP)».

Mas, afinal a CGD é 100% do Estado e a Parpública é o braço-financeiro do Estado. De que lado estará a parceria entre a CGD e a Parpública? Do lado "Privado" ou do lado "Público"?

Coisas estranhas, da sociedade Europeia!

Monday, May 07, 2007

A saúde em Portugal, vista da Galiza

Discutimos muito se temos um bom serviço de saúde, sobretudo público, já que pagamos impostos, e queremos ver o retorno.

Diga-se o que se disser, o SNS é segundo a OMS, o 12º melhor do mundo. É um ranking, de certa maneira, imparcial. Contudo, a gestão do SNS, conjugada com a estagnação económica, pode fazer desmoronar o actual sistema, até porque os portugueses já pagam cerca de 35% dos custos totais da saúde do seu bolso, sem contar com o que pagam de impostos.

Vejamos, qual a imagem que têm os Espanhóis, em particular os Galegos, sobre o que se passa por cá:
  • Cualquiera que acuda a un centro de salud en Portugal en un día normal no hallará muchas diferencias con un ambulatorio gallego. A media mañana, el edificio está lleno de pacientes, mayoritariamente jubilados, que esperan ser consultados, que entran y salen con sus cartillas y sus recetas.
  • Ahora bien, si el observador se detiene un momento notará la presencia de un elemento insólito en los centros de salud de Galicia: el dinero. Ir al médico en Portugal no es gratis. Casi nada lo es en la sanidad pública excepto para algunos grupos que quedan exentos de las tasas que regulan la atención médica.
  • Las tasas abarcan prácticamente todos los aspectos de la sanidad. Las pruebas encargadas por el médico también suponen un coste para el usuario. Análisis de sangre, ecografías, radiografías..., hasta la aplicación de una inyección subcutánea tiene un precio y el número de puntos que se aplican en una sutura marca también la diferencia en la factura. Es el sistema que Portugal utiliza para racionalizar su sanidad pública. Ahora, las autoridades del país están a punto de poner en marcha una nueva reforma: la centralización de las urgencias, algo parecido a la concentración de servicios que Galicia realizó a finales de los noventa y que supuso el cierre de numerosos puntos de atención en lugares pequeños para concentrarlos en localidades de referencia.
  • La no gratuidad absoluta afecta también a las recetas. Los medicamentos tienen varios precios en función del régimen del paciente. Una caja de Zarator 10, un fármaco muy popular para reducir el colesterol, cuesta 29,68 euros. Un paciente normal pagará por el fármaco 18,70 y un jubilado, 14,25. De ahí el interés por entrar en el grupo de los exentos.El sistema, sin embargo, no ha conseguido evitar las listas de espera aunque, según los médicos españoles, sí favorece una mejor atención al paciente. La ley obliga a conceder 15 minutos a cada uno, aunque, en la práctica, rara vez se emplea tanto tiempo. En una jornada normal, un médico atiende a una media de entre 15 y 22 pacientes.

Seria importante, que os responsáveis portugueses de saúde, fizessem um benchmarking, para analisarem sobretudo onde se está a cometer erros em Portugal!

Monday, February 05, 2007

Estratégia Europeia de Saúde

A União Europeia tem em discussão, desde meados da década de 90, a estratégia a prosseguir no domínio da saúde.

Neste momento, está em discussão a estratégia a seguir, a partir de 2010. Deixamos aqui, os principais aspectos que deverão constar da estratégia em acção:
  • Improve prevention of and response to health threats, including a review of the mandate of the European Centre for Disease Control.
  • Help reduce health inequalities, narrowing health gaps within and between countries.
  • Support citizens and patients, including by making more healthy choices available and improving information to patients.
  • Complement the work of national health systems in providing better quality and safety in healthcare (including issues of better governance and evaluation and use of technologies) and addressing cross border issues.
  • Promote health and help address key health determinants such as nutrition and physical activity, harmful alcohol consumption and smoking, as well as tackling important challenges such as mental health.

Thursday, December 21, 2006

Os problemas globais dos serviços de saúde

É habitual, nós falarmos mal dos serviços de saúde, em Portugal. E também é normal, nós exigirmos mais dos serviços de saúde, em Portugal. Não é que fiquemos satisfeitos com a miséria alheia, mas é sempre importante compararmos a nossa situação, para o bem e para o mal, com os outros, sobretudo com aqueles que nós percepcionamos como melhores.

O serviço nacional de saúde Britânico (NHS) é habitualmente considerado como bom, em termos internacionais. Contudo reparem nisto:
  • Some NHS patients are waiting two years for treatment.
  • Some patients needing orthopaedic surgery are waiting more than two years for treatment, according to new Government figures.

O governo Blair quer, no entanto, mais e melhor:

  • By the end of 2008, the Government wants nobody to wait more than 18 weeks from referral to the start of treatment, whether they are an in-patient or an out-patient.

Mas, hoje, as estatísticas são estas:

  • most specialities - including gynaecology, dermatology and cardiology - treat between 30 per cent and 50 per cent of in-patients within 18 weeks.
  • However, that figure falls to below 20 per cent in trauma and orthopaedics, which includes hip replacements, broken bones and limb disorders. The average patient in that speciality waits an average of 39 weeks for treatment.
  • A quarter (23 per cent) wait between 52 weeks and 104 weeks for treatment, while 3 per cent wait longer than 104 weeks.
  • The overall figures released today showed that an average of 70 to 80 per cent of patients who do not require hospital admission are treated within 18 weeks.
  • But when it comes to patients needing hospital admission, just 35 per cent are seen within the target.

O Ministro da Saúde Britânico remata de uma forma, no mínimo, fleumática: Doing more of the same is not the answer - we know that traditional tactics to reduce waiting times will not be enough this time.

Friday, December 08, 2006

A impaciência dos doentes

É com incredulidade que lemos isto:
  • "Se a construção do centro foi articulada, em 1999, entre as duas entidades (Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT)), não compreendemos como é que agora a ARS vem dizer à comunicação social que o edifício é grande demais para ser apenas uma extensão de saúde."
  • a Câmara não só concluiu a sua parte em 2002, como ainda acarretou com a empreitada respeitante aos interiores, que era da responsabilidade da ARS.

Tudo isto, porque os moradores de Marvila, zona oriental de Lisboa, deveriam ter uma extensão de um Centro de Saúde, e esta está construída desde 2002. Contudo, até agora está fechada! Ou seja, nunca abriu!

Onde está a responsabilidade dos Responsáveis da ARS? A quem respondem hierárquicamente estes Senhores?

É que os gastos da saúde, não se baixam apenas, através do aumento da comparticipação dos portugueses. Baixam, se houver mais organização e mais responsabilidade, por parte dos Responsáveis do Estado.

Friday, November 24, 2006

A luta contra o VIH/ SIDA e a incongruência das estatísticas

Lemos aqui que "Portugal reduziu nos últimos quatro anos em cerca de um terço as infecções por VIH entre toxicodependentes, que passaram de 1.247 para 857 casos notificados". Excelente, comentamos nós.

Depois, na mesma notícia, vemos ainda que "A ONUSida estimava, no relatório de Maio, que a Sida atinja 32 mil portugueses, números acima dos indicados nos últimos dados do Centro de Vigilância Epidemiológica de Doenças Transmissíveis (CVEDT) do Instituto Nacional Ricardo Jorge, que, até Junho de 2006, registava 29.461 infecções por VIH/SIDA". Curto - circuito, dizemos nós!

Numa outra notícia, lemos isto, "De acordo com o documento da Agência Europeia da Droga, sedeada em Lisboa, Portugal continua a ser "o país da Europa Ocidental com maior incidência de SIDA relacionada com o consumo de drogas injectadas, com 31 casos por milhão de habitantes".

Finalmente, aqui (Relatório das Nações Unidas para VIH/ SIDA - 2006), retemos isto, "In Portugal, for example, HIV diagnoses among injecting drug users were almost one third (31%) lower in 2005, compared with 2001 (857 versus 1247)".

Nós, consumidores da saúde, ficamos confusos com o tratamento das estatísticas sobre o VIH/ SIDA. Aliás, como é habitual no domínio das estatísticas da saúde.

Thursday, November 23, 2006

O conhecimento e a investigação em saúde

A propósito do VI Congresso Nacional de Enfermagem Oncológica, organizado pela Sociedade Portuguesa de Enfermagem Oncológica, lemos aqui, que "Mais de 22 mil portugueses morreram de cancro em 2003", e que:
  • A principal causa de morte por cancro é o cancro colorrectal, que representa 14% do total das mortes por cancro.
  • O cancro do pulmão surge logo a seguir, com 13,9%.
  • seguido pelo cancro do estômago com 11% e pelo cancro da mama, com 7%.

É positivo que existam entidades que estudem e investiguem a saúde, de forma a promover a prevenção nos aspectos que causem mais mortes.

No entanto, lamentamos que este tipo de estudo nos pareça pontual e é muitas vezes realizado, mais por vontades individuais, do que por objectividade profissional e sistemática.

Deixamos aqui, os vários temas abordados no referido Congresso.

Wednesday, November 15, 2006

O apoio à velhice fora dos hospitais

O governo Britânico decidiu importar um esquema de tratamento de pessoas idosas fora dos hospitais, dos EUA.

À partida, o novo esquema que teve por nome
"Evercare", vinha dos EUA com resultados apreciáveis: "The Evercare programme was based on a successful scheme in the US, where it cut hospital admissions by up to half".

Só que na Grã-Bretanha, o sucesso parece não ser evidente, conforme afirma um
estudo da Universidade de Manchester: "But the British Medical Journal study said it failed to cut admissions, length of stays and death rates".

O líder da investigação,
Dr. Martin Rowland, resume assim:
  • "the idea of trying to manage cases in the community in this way was unlikely to reduce hospital admissions".
  • "Although lessons have been learnt from these initial pilots, such as better ways of identifying high-risk groups, we predict the same outcome from the newly introduced community matron policy as that is based on the same principles as the Evercare advanced primary nurses".
  • "Community matrons are likely to be popular with patients and increase access to care, but they are unlikely to reduce hospital admissions unless there is also a more radical system design".

O governo Britânico refere que não é bem assim: "Health minister Rosie Winterton said: "Much has moved on, and continues to do so, since the pilots"".

Estaremos atentos a este tema, até porque o Ministério da Saúde em Portugal, pretende seguir pelo mesmo caminho.

Tuesday, November 14, 2006

Boicote médico à livre escolha dos doentes

Diz este jornal, que: "Most GPs are boycotting the government's scheme to give patients a choice of at least four hospitals for diagnosis and treatment on the NHS, a survey of patients revealed yesterday".

Grave. Muito grave. Achamos que os prestadores são importantes, mas a sua existência só se justifica porque há doentes!

Continuando a leitura:

  • "The survey showed 70% of patients in some parts of England remembered being given a choice, but in other areas the proportion was less than 10%".
  • "Patient choice was Tony Blair's big idea for reforming the NHS by putting hospitals under competitive pressure".
  • "In 2008 the choice will be widened to include any private or NHS hospital which can meet government standards on quality and cost".
  • "The scheme depends on GPs - the "gatekeepers" regulating access to hospitals - telling patients about their rights".

Temos que informar os doentes e pressioná-los a usarem os seus direitos, para poderem usufruir de maior qualidade de serviço. De outra forma, sem pressão concorrencial, o serviço cairá de qualidade.

Monday, November 13, 2006

A qualidade do exercício da Medicina

Lemos nesta notícia, um excelente exemplo do que deveria ser a prática da Medicina:
  • Since 2004 all future cancer specialists in Britain are expected to receive specific training in how best to communicate with patients.
  • the various ways that doctors and nurses prevented patients from expressing their real worries or distress during clinical interviews.
  • they could elicit the patients' concerns and give difficult information without overwhelming the patients.
  • communication skills training for all healthcare staff on the agenda in both undergraduate and postgraduate training and has promoted the role of the specialist cancer nurse in the UK.
  • clinical practice meeting the needs of seriously depressed cancer patients and their relatives at the Christie Hospital, Manchester, and helping those struggling with traumatic bereavements.

Toda esta notícia, se refere ao Professor Peter Maguire. O Professor Maguire, da Universidade de Manchester, foi professor de Medicina psicológica e teve estes desempenhos:

  • After completing his psychiatry training, his first study, at Oxford, showed that many patients in medical wards had anxiety or depressive illnesses, which added to their suffering.
  • For 30 years, Peter devoted his professional life to this problem, especially in the field of cancer.
  • He went on to train health care staff to change their interviewing style.
  • In order to achieve change, Peter had to engage senior medical and nursing staff.
  • He was prepared to challenge any complacency with a combination of hard data, recordings of their own interviews, a wealth of his own research findings, personal charm and a great sense of determination.
  • Peter was a source of inspiration as well as an excellent colleague and dedicated researcher and clinician.

São pessoas como o Professor Peter Maguire que ajudam a que tenhamos esperança nos seres humanos. Não poderemos por isso, voltar as costas à mudança e à busca constante de uma melhor qualidade nos serviços de saúde. Por muito que isso custe.

Friday, November 10, 2006

A saúde dentária dos portugueses

Lemos esta afirmação do Senhor Ministro da Saúde: "Até 2010 todos os menores de 16 anos terão médico dentista".

Ficamos satisfeitos quando vemos responsáveis políticos com ideais! Até porque, está cientificamente comprovado, que os dentes poderão ser fonte de saúde ou de doença. E é na juventude, que o tratamento dos dentes deve começar.

Agora, Senhor Ministro, não vale a pena criar grandes expectativas aos portugueses, quando o que se perspectiva nos próximos anos, não é muito agradável: aumento da esperança média de vida, aumento dos custos das tecnologias médicas, aumento dos custos com novos fármacos, e, sem querer enumerar muitos mais obstáculos, o fim do actual modelo de organização do serviço nacional de saúde.

Senão
vejamos o panorama dos dentes das crianças:
  • "ser preocupante que metade das crianças com menos de seis anos sofra de cárie dentária".
  • "é melhor o panorama do que há cinco anos, em que a cárie dentária atingia dois terços das crianças".

E perante este panorama, o Senhor Ministro propõe:

  • "será criado, com a Ordem dos Médicos Dentistas, um grupo de trabalho para propor medidas concretas, afirmando abertura do Ministério da Saúde a “parcerias inovadoras”".

Comentários nossos:

  1. Mais um grupo de trabalho?
  2. Mais parcerias, porque o Estado continua a não ter dinheiro para pagar a saúde dentária dos portugueses?

Thursday, November 09, 2006

Organização Mundial de Saúde

Lemos aqui, que, "An expert on bird flu, Margaret Chan, has been nominated to head the World Health Organization (WHO)".

Ao visitarmos o sítio da
World Health Organisation, registamos a confirmação: "8 November 2006 -- Dr Margaret Chan of China was nominated today for the post of Director-General by the Executive Board of the World Health Organization".

Registamos as primeiras declarações da
Dra. Margaret Chan, após a nomeação:
  • "I have the commitment, the passion, and the humility to serve the member states of this organization, this great organization".

Registe-se ainda, que a Dra. Chan é originária de Hong Kong, "As head of Hong Kong's public health department, Margaret Chan won praise for helping fight the world's first outbreak of bird flu in 1997".

A Ásia começa a assumir a liderança de várias organizações, como foi recentemente confirmado pelo novo Secretário - Geral da ONU, e a definir-se como um player afirmado, na nova ordem mundial.

Tuesday, November 07, 2006

A falta de transparência na gestão da saúde


Lemos com alguma incredulidade, notícias sobre um relatório realizado pelo Tribunal de Contas, sobre uma nova experiência realizada nos hospitais do estado, que teve o nome de Hospitais, S.A..

Mais tarde, dedicaremos algum espaço a este relatório oficial.

Contudo, registamos algumas notícias:

Aqui:

  • A adopção do modelo empresarial em vários hospitais portugueses resultou em aumentos de eficiência, em termos globais e em comparação com as unidades de gestão tradicional.
  • os défices de exercício dos hospitais empresarializados têm-se agravado.
  • Devido à transformação jurídica em sociedades anónimas (SA) no final de 2002, os hospitais com gestão empresarial receberam dotações de cerca de 897 milhões de euros....este dinheiro, na maior parte dos casos, foi utilizado para cobrir despesas correntes, não contribuindo para tornar estas unidades viáveis financeiramente.

Aqui:

  • E, se as auditorias a três hospitais servirem de exemplo, o grau de satisfação dos utentes baixou.
  • Apesar do ano de 2005 não constar do período auditado, o Tribunal refere já que ascendeu a 20 o número de hospitais SA com resultados negativos, no ano passado, "aumentando em relação a anos anteriores".
  • Quanto ao endividamento, verificou-se um crescimento das dívidas a fornecedores a partir de 2002, particularmente no período da transformação, com um acréscimo de 30%.
  • o Tribunal de Contas critica a actuação da Unidade de Missão Hospitais SA por não ter procedido em 2003 e 2004 a um "adequado controlo financeiro, em especial, ao endividamento resultante dos compromissos assumidos perante os fornecedores, no sentido de acautelar as necessidades futuras".

E aqui:

  • O Tribunal de Contas também não poupa críticas às entidades com competência para fiscalizar aqueles hospitais – Unidade de Missão e Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde (IGIF), dependentes do Ministério da Saúde.
  • As despesas com o pessoal representaram o maior acréscimo nos custos dos hospitais SA, mais do que com mercadorias, material clínico, fornecimentos ou serviços exteriores.
  • O administrador hospitalar Manuel Delgado não tem dúvidas de que o modelo dos hospitais SA “falhou”, porque, sublinha, “tiveram dinheiro fresco [898 milhões de euros] e não se coibiram de contrair empréstimos bancários, com 16,4 milhões de euros”.

Comentários nossos:

  1. Continuamos a insistir que não há gestão na saúde, e verificamos pelo relatório do Tribunal de Contas, que infelizmente temos razão. Para os mais detatentos, sempre dizemos que se não há controlo de gestão, não há gestão.
  2. É confrangedor, que o Ministério da Saúde e todos os órgãos tentaculares, na sua dependência, tenham informação de gestão, 2, 3 ou 4 anos, após o fim dos exercícios. Em Wall Street, ou na Bolsa de Valores de Lisboa, os resultados das empresas, aparecem a público, 15, 30 ou 45 dias, após o encerramento de cada ciclo.
  3. Finalmente, gostaríamos de saber se haverá consequências, nos vários níveis, que são alvo deste relatório: Ministério da Saúde, Unidade de Missão, IGIF ou Administrações Hospitalares. Ou não acontecerá nada? A palavra ao contribuinte....

Sunday, November 05, 2006

Electronic Health Records

Em experiência recente que tivemos numa urgência de um hospital do Serviço Nacional de Saúde (SNS), continuamos a verificar a falta de informática ou se quiserem, de gestão de informação, no atendimento aos doentes. Seria um elemento tão facilitador, o facto de haver registo dos doentes e de todas as operações inerentes ao seu percurso no hospital, quer para os doentes, quer para os outros participantes no processo: médicos, enfermeiros, técnicos e até para os serviços financeiros.

Vimos
aqui, algumas soluções, que já se utilizam em outros países.

Registamos alguns dos benefícios da utilização de sistemas de informação na gestão da saúde:

  • Point and click interface makes charting fast and easy.
  • Simple access to patient's Medications, Allergies and other past medical history.
  • Patient records can be simultaneously viewed from any terminal on the network.
  • Records are portable - Use the Synchronization module to make a database that can be used independently from the network.
  • No folders to file, nothing to misplace, and every note is typed for legibility.
  • Automated Office Tasks.
  • Physician Referral Letters - Automatically generates referral letters based on your charting note. What used to be a struggle is now so simple that your letters will always get out on time.
  • Patient Instructions - Before the patient leaves the office, you can print specific care instructions for their medical condition. These instructions are excellent reminders that your patient must follow their prescribed care. Their permanent digital records indicate that they were given instruction for care.
  • Prescriptions - No more looking for your script pad. Now you may generate prescriptions right from the program, and store a copy in the patient's folder for future reference. Once in the system, refills are simple - just click the refill icon.
  • Billing Statements - Billing codes used in the note can be exported directly to compatible billing programs or printed as SuperBill statements.
  • Physician's Orders - Orders that are stated in the note can be printed as separate documents.

Se os proprietários dos hospitais privados e os administradores do SNS, não avançarem pela informatização, e rápidamente, não será possível controlar um processo cada vez mais complexo.

Friday, November 03, 2006

Alzheimer

A perda do juízo, sempre foi assustadora. Todos os seres humanos podem vir a estar sujeitos a ela.

Lemos este
retrato, que nos deixa muito preocupados:
  • ""Há doentes que são amarrados às camas em lares e hospitais" públicos, denunciou ao JN. Erika Marcelino, uma das psicólogas da APFADA, acrescentando que a falta de preparação do pessoal técnico conduz muitas das vezes ao "excesso de medicação". "A forma mais fácil de controlarem os doentes é entupi-los de medicamentos", afirma".

Independentemente das opções políticas ou de gestão, a humanidade deve ser um princípio que norteie os serviços de saúde.

Deixamos mais idéias aterradoras, que vinham na referida notícia:

  • Maria do Rosário Reis, presidente da Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes com Alzheimer (APFADA), não tem dúvidas em Portugal são "raríssimos" os técnicos especializados e até mesmo médicos sensibilizados para o tratamento de doentes com Alzheimer.
  • Uma maior comparticipação nos medicamentos ou medidas a pensar nos cuidadores, como a redução de horário, são alterações legislativas pelas quais há muito luta.
  • As comparticipações dos medicamentos rondam os 40% e as receitas têm de ser prescritas por neurologistas ou psiquiatras, o que é mais um entrave, alega Maria Rosário. Há poucos especialistas nessas áreas. "Um paciente que vá a um médico privado gasta na consulta o que poupa na comparticipação", afirma.
  • Depois há imensos produtos essenciais que não são comparticipados, como as fraldas ou cremes.
  • O paciente pode ainda fazer sessões de fisioterapia ou aulas de natação e se frequentar um dos poucos centro de dia existentes no país as despesas aumentam substancialmente .
  • E numa fase mais adiantada da doença são necessárias três dessas técnicas para garantirem a vigilância dos pacientes de dia, à noite e aos fins-de-semana.