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Monday, September 07, 2009

Sinais evidentes de decadência do SNS

Vamos ouvindo que o SNS é uma referência internacional. Vamos ouvindo que os recursos humanos que estão no SNS são dos melhores do mundo. Vamos ouvindo que o SNS tem uma qualidade de infraestruturas relevante. Mas, afinal no SNS existe isto: quando o calor aperta em Lisboa, investigadores e técnicos de alguns laboratórios do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa) trabalham sob temperaturas que por vezes ultrapassam os 35 graus, a transpirar debaixo de batas, luvas e máscaras.

Mas, ainda há mais: Há arcas frigoríficas que descongelam e equipamentos de diagnóstico que frequentemente dão erro por excesso de temperatura. O problema é denunciado por investigadores e técnicos do departamento de doenças infecciosas do Insa, cansados de reclamar uma solução para a situação que alegam poder pôr em causa a qualidade e fiabilidade dos resultados das análises.

Para afundar mais a situação: O Conselho Directivo do Insa desdramatiza a situação e garante que a qualidade dos resultados das análises não está em causa. Numa primeira resposta enviada por escrito ao PÚBLICO, sublinha que as actividades laboratoriais decorrem sem nenhum problema e reconhece tão-só que ocorreu "um episódio isolado, num dos poucos dias de pico de calor em Lisboa, que apenas levou à repetição dos resultados que estavam a ser efectuados".

Apesar disto acontecer: Pedindo o anonimato por temerem retaliações do Conselho Directivo (CD) do Insa, os funcionários dizem que têm denunciado internamente o problema e reclamado a colocação de vulgares aparelhos de ar condicionado nos laboratórios, sem sucesso. Sucessivas queixas foram feitas ao longo dos anos, este Verão houve mesmo quem ameaçasse parar com a actividade, mas nada surtiu efeito imediato. Uma solução foi prometida para 2010.

Este é o preço de Portugal não ter Ministro da Saúde, mas antes ter uma Ministra da Gripe A.

Sunday, June 22, 2008

O calor mata

Há alguns anos, tivemos internados num hospital público, onde fomos objecto de uma cirurgia. Globalmente, o serviço teve "nota 13". E "nota 13" é pouco ou muito? É satisfatório.

Nesse hospital público, a estada durou três dias, mas as histórias foram muitas. A cirurgia correu bem. O apoio de enfermagem foi satisfatório. A comida era pobre. O atendimento foi razoável. As instalações eram bem más.

E porque eram más as instalações? A camarata era partilhada com cerca de 40 pessoas; havia algumas paredes de dois metros, em contraplacado, a dividir grupos de 4 a 6 doentes; havia 2 WC's para 40 pessoas; e, sobretudo, o calor apertava bem (cerca de 40º em Junho).

Será que a qualidade das instalações não é importante para avaliar a qualidade de serviço do hospital? Claro que é. Até porque, em variadas circunstâncias, as condições de serviço, muito para além do puro serviço médico, podem fazer a diferença.

Tudo isto a propósito desta notícia:
  • Nos hospitais sem ar condicionado o número de mortes aumenta em 60 por cento. A conclusão é de um estudo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), agora divulgado, que analisou os 41 hospitais do Serviço Nacional de Saúde e que vem agora provar aquilo para que os especialistas alertavam: dentro das unidades de Saúde também se morre por excesso de calor. Os doentes com mais de 65 anos e os serviços de Medicina Geral são os mais afectados.

Não somos contra os estudos, mas há estudos que seriam evitáveis, e este é um deles. Será que se os Senhores Altos Funcionários do Ministério da Saúde visitassem as várias unidades de saúde do SNS, não poderiam ver com os seus próprios olhos que as condições de habitabilidade em muitos hospitais é muito má?

Nós, com a experiência que tivemos, chegámos à conclusão que viver doente num hospital pode ser fatal. E não poderá ser só fatal pela doença. É que passámos 3 dias num hospital e jamais nos esqueceremos dessa experiência, mas recordamo-nos de pessoas que já lá estavam há meses!

Será que nos Serviços Administrativos do Ministério da Saúde haverá algum gabinete sem ar condicionado?

Post Scriptum: se não há recursos para suportar a instalação de ar condicionado nas camaratas dos hospitais, também não deverá haver recursos para suportar ar condicionado nos Gabinetes administrativos!

Wednesday, May 21, 2008

A Sida e o Ministério da Saúde

No mesmo dia em que o Ministério da Saúde vem anunciar cortes no apoio ao combate à SIDA, lemos isto:
  • Num momento em que a situação financeira do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) é descrita como "paupérrima" e o dinheiro nem chega para comprar reagentes para fazer análises, a entidade pública decidiu contratar uma assessora de imagem por 50 mil euros.
  • O contrato foi aprovado em Maio, mas com efeitos a partir de Abril. E terá duração até Dezembro, custando cerca de 50 mil euros. Apesar de já ter a funcionar um gabinete de comunicação, o conselho directivo do INSA decidiu solicitar este serviço ao SUCH (empresa especializada em logística e compras).
  • 'O INSA é nosso cliente na engenharia, equipamentos e fiscalização de obras. Em Março solicitou-nos este serviço de comunicação, que não estávamos a prever', disse ao CM Lurdes Hill, administradora do SUCH. E o pedido foi satisfeito porque 'temos um quadro, que transitou da anterior Unidade de Missão para os Hospitais SA [por onde passou também um dos actuais administradores do INSA], especializado no sector da saúde pública, divulgação científica e gestão de crise'. Uma tarefa 'muito específica e da qual o SUCH não carece todos os dias', admite.

Será isto compadrio? Será isto amiguismo? Será isto boa gestão da "coisa pública"?

Não sabemos. Sabemos é que no mesmo Minisério que se cortam verbas de apoio ao combate à SIDA, há dinheiro para se comunicar melhor no Instituto Ricardo Jorge!

Friday, November 24, 2006

A luta contra o VIH/ SIDA e a incongruência das estatísticas

Lemos aqui que "Portugal reduziu nos últimos quatro anos em cerca de um terço as infecções por VIH entre toxicodependentes, que passaram de 1.247 para 857 casos notificados". Excelente, comentamos nós.

Depois, na mesma notícia, vemos ainda que "A ONUSida estimava, no relatório de Maio, que a Sida atinja 32 mil portugueses, números acima dos indicados nos últimos dados do Centro de Vigilância Epidemiológica de Doenças Transmissíveis (CVEDT) do Instituto Nacional Ricardo Jorge, que, até Junho de 2006, registava 29.461 infecções por VIH/SIDA". Curto - circuito, dizemos nós!

Numa outra notícia, lemos isto, "De acordo com o documento da Agência Europeia da Droga, sedeada em Lisboa, Portugal continua a ser "o país da Europa Ocidental com maior incidência de SIDA relacionada com o consumo de drogas injectadas, com 31 casos por milhão de habitantes".

Finalmente, aqui (Relatório das Nações Unidas para VIH/ SIDA - 2006), retemos isto, "In Portugal, for example, HIV diagnoses among injecting drug users were almost one third (31%) lower in 2005, compared with 2001 (857 versus 1247)".

Nós, consumidores da saúde, ficamos confusos com o tratamento das estatísticas sobre o VIH/ SIDA. Aliás, como é habitual no domínio das estatísticas da saúde.