Monday, August 31, 2009

Sunday, August 30, 2009

Morte por apendicite

A negligência médica é um tema vasto, que pode estar muitas vezes relacionada com o erro médico ou com a incompetência. Poderão os médicos errar ou serem negligentes, como os outros tipos de trabalhadores? Podem, mas estarão sempre em risco vidas humanas.

Isto é arrepiante: 1) Ana Rita Santos residia em Sevilha, Tábua, e deu entrada no HPC na tarde de 16 de Março de 2004, por indicação de uma médica do Centro de Saúde, que a tinha observado no dia anterior. 2) Os dois especialistas que a analisaram optaram por lhe dar alta médica, sem procederem a 'qualquer exame de diagnóstico complementar', explica a acusação do Ministério Público. 3) Ana Rita regressou a casa, mas perante o agravamento dos sintomas, a família levou-a no dia seguinte, 17 de Março, a um médico em Arganil que lhe diagnosticou uma apendicite aguda e a encaminhou de novo para o HPC, a 60 quilómetros de distância. 4) A menina acabaria por morrer no caminho, em Raiva, Penacova, a 20 quilómetros do hospital, para onde era levada num carro conduzido pelo irmão, hoje com 29 anos, e acompanhada pela mãe, Emília Marques, de 52 anos, doméstica. Tinham passado apenas 24 horas sobre a primeira consulta no HPC.

A responsabilidade não pode ser fácilmente alijada.

Friday, August 28, 2009

Zenpep

Fonte: aqui.

Sometimes the pancreas of some people does not create sufficient levels of digestive enzymes, thus making the act of digesting food difficult. The name for this rare condition is exocrine pancreatic insufficiency, and is commonly associated with cystic fibrosis. Zenpep is the name of the product that will make it easier for a person to digest food, and is the only treatment available for the condition.

Thursday, August 27, 2009

Wednesday, August 26, 2009

Cuba: um país tropical

Cuba é um paraíso natural. Não há dúvida. Porém, os cubanos têm tido muito azar, pois nunca viveram em liberdade e em democracia. Pobrecitos.

Parece que para além de terem que aguentar com a dinastia dos Castros, e padecerem pela falta de liberdade, os cubanos ainda têm que continuar a sofrer a miséria e a fome, apesar de serem um país com bons recursos naturais (piscícolas, agrícolas e afins). Isto passa-se no Século XXI: Cuba vai substituir os tractores por bois no sector agrícola estatal nos próximos anos para poupar em combustível, numa altura em que o país se debate com uma grave crise económica, segundo a imprensa local desta terça-feira.

No entanto, vá-se lá saber porquê, Cuba foi promovida por Portugal, a "fornecedor oficial de médicos": "Cuba aceitou o pedido de Portugal para contribuir para a solução" da falta de médicos.

Até parece que em Portugal, não há gente para ser médica. Até parece que em Portugal, não há dezenas de milhar de licenciados desempregados! Óbviamente, que não são licenciados médicos desempregados.

Nós bem sabemos que não há falta de médicos em Portugal. Há até, médicos a mais, nos hospitais de Lisboa, do Porto e de Coimbra. Porque é que eles não vão para onde é preciso? Pois, é suposto os políticos que gerem o país, darem a resposta a este enigma!

What's in the medicine cabinet?

Fonte: aqui.

Tuesday, August 25, 2009

Ministra da Gripe A

Fonte: aqui.

Com o Ministério da Saúde em auto-gestão, temos a Ministra da Gripe A. A Ministra da Saúde demitiu-se!

Isto é já um fait-divers pestilento: Depois de, na semana passada, a ministra Ana Jorge ter criticado o funcionamento da Linha Saúde 24, a empresa gestora do serviço argumenta que o contrato celebrado com o Governo não previa situação de epidemia e pede mais dinheiro.

Esta gente não tem vergonha. A Ministra abandonou o seu cargo e dedica-se ao fait-divers da época de Verão. Essa mesma Ministra, da Gripe A, que se demitiu da Saúde, há 3 meses renovou o contrato que tinha com a empresa da CGD, que gere a Linha Saúde 24. Há uma semana apareceu a dizer que a referida linha telefónica estava a atender 3.000 chamadas por dia, em vez das 10.000 chamadas contratadas. Agora, é a tal empresa da CGD (atenção, é do banco do Estado), que vem reclamar mais dinheiro!

A mentira é tão evidente, que vêm até desmentir a Ministra da Gripe A, quando dizem isto: Artur Martins, em declarações à Rádio Renascença, refutou as críticas da ministra e argumentou que o contrato celebrado com o Governo para o estabelecimento da linha "não previa uma situação de epidemia, mas apenas de funcionamento normal do sistema, pontualmente com alguns picos de situações de sazonalidade", mas não 10 ou 20 mil chamadas por dia.

Então a Ministra fala em 3.000 chamadas por dia, e o prestador de serviço fala em 10.000 ou 20.000 chamadas por dia. Quem falará verdade? Porque é que o fornecedor (a Linha Saúde 24) vem desmentir em público a Ministra (o cliente)? E o Cliente fica-se?

Contornos evidentemente pouco explicados, em relações muito difusas, para não lhe chamar outra coisa.

Monday, August 24, 2009

Investigação com sucesso em Portugal

Em Portugal, há muitos cérebros e funcionam, apesar dos presentes tempos negativos. Vejamos este excelente exemplo: O neurocientista Rui Costa recebeu uma bolsa de 1,6 milhões de euros para tentar descobrir, nos próximos cinco anos, as diferenças a nível cerebral entre as acções novas e as praticadas por rotina ou compulsividade.

Parabéns ao Doutor Rui Costa, à Fundação Champalimaud e ao Instituto Gulbenkian de Ciência.

O trabalho que o Doutor Rui Costa irá desenvolver tem em vista: o trabalho poderá contribuir para compreender melhor não só o funcionamento do cérebro, a interacção com o mundo ou como se praticam determinadas acções e não outras, mas também as doenças do foro neurológico e psiquiátrico, em que as pessoas não conseguem criar rotinas, ou as criam em demasia, como nos comportamentos compulsivos ou aditivos.

Sunday, August 23, 2009

Thursday, August 20, 2009

SNS em acentuada degradação

Não somos contra um serviço de saúde público para todos os portugueses, em particular para os que têm menos posses. Somos aguerridamente contra um SNS tomado por uns quantos, que se consideram seus detentores. Pior, são estes, que hoje, aceleram o processo de desmantalamento do SNS, que já se iniciou há alguns anos. E porque é que aceleram a degração do SNS? Simplesmente, por incompetência e irresponsabilidade.

Vejamos alguns dos mais recentes exemplos de incúria e irresponsabilidade:

  • 1. A linha "Saúde 24": Até quarta-feira, a Linha de Saúde 24 estava a responder a cerca de três mil chamadas diárias, que correspondem a cerca de um terço das chamadas feitas (cerca de nove mil), avançou Ana Jorge em conferência de imprensa no Ministério da Saúde. Relembremos que esta mesma Ministra parece que renovou o contrato de prestação de serviços com a empresa do grupo CGD, há poucos meses. Mais, o próprio Director-Geral da Saúde veio recentemente dizer que estava tudo bem com a linha de atendimento telefónico!

  • 2. Uma rapariga de 17 anos foi vítima de violação sexual na noite passada. Ao dirigir-se ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, o pai da menor foi informado que não estavam disponíveis peritos do Instituto de Medicina Legal para a examinar e que a filha teria de aguardar doze horas, sem tomar banho ou ingerir alimentos, até que fosse vista por um médico do instituto. A razão para a espera: durante o mês de Agosto há apenas três médicos naquele serviço e na escala nocturna nenhum está disponível para realizar peritagens por falta de técnicos durante o período de férias.

  • 3. Nove hospitais com o estatuto de Entidade Pública Empresarial (EPE) vão ter menos dinheiro este ano para reforçarem o seu capital social, de acordo com um despacho governamental. Em termos globais, vão ser menos 38 milhões de euros face aos 105,4 milhões de euros previstos inicialmente, sendo que algumas unidades vão receber só metade do que estava estipulado. Um corte que poderá pôr em causa a concretização dos planos de investimento dentro dos calendários previsto por estas unidades, que servem mais de um milhão de pessoas.

É preciso mais exemplos? Os operadores privados de saúde para sobreviverem, têm apenas que ficar sentados, á espera que os clientes (ex-utentes) lhes cheguem aos serviços. Os Altos Funcionários do Ministério da Saúde tratam do resto.

Wednesday, August 19, 2009

Cólera sem controlo

Fonte: aqui.

Zimbabwe is at risk of another outbreak of cholera later on because it failed to deal with causes of the epidemic that began last year, aid agencies say. Both Medicins Sans Frontieres (MSF) and the UN are warning of fresh outbreaks of the disease, which has killed more than 4,000 people since last August. Millions of Zimbabweans remain without access to clean water, the UN says.

The number of cholera cases has tailed off recently, leading Zimbabwean officials to declare the epidemic over. But MSF's Rian van de Braak said the threat was "definitely not over". Everyone expects cholera to be back... because the root cause for the outbreak has not been addressed adequately yet," she said. "The dilapidated water and sewage systems are still a major problem."

A Gripe A causou até agora: O vírus H1N1 da gripe A já matou 1799 pessoas em todo o mundo.

Tuesday, August 18, 2009

Monday, August 17, 2009

Só a primeira pedra?

Fonte: aqui.

Vivemos tempos estranhos. A falta de estratégia para um país uno e com história, até dói. Ao contrário do que muitos pensam, os países em que se vive melhor, são países pequenos, quer geográficamente, quer demográficamente. A Suíça ou a Suécia. A Dinamarca ou Singapura. A Nova Zelândia ou a Holanda. E não se fale que são produtores de petróleo ou de ouro, que não são.

Por cá, temos gente que tem passado pelo poder, deixando a marca indistinta da falta de rigor e de estratégia. Depois, muita conversa, que vai do "discurso da tanga", até ao "discurso da treta".

Esta para nós é conversa da treta: «Este hospital é importante para o Tâmega e Sousa mas é sobretudo fundamental para o Serviço Nacional de Saúde. Temos seis hospitais em construção, em Cascais, Braga, Guarda, Hospital Pediátrico de Coimbra e também em Lamego».

Não. Não somos contra a construção de hospitais. Antes pelo contrário. O que achamos estranho é este frenesim de "construção hospitalar a 30 dias das eleições de Setembro". Evidentemente que não é por mero acaso que estas "novidades" chegam agora. Antes, ouvíamos falar do Aeroporto da OTA (?), ou de Alcochete (?). Pior, viajamos pelo país e encontramos Portugal pejado de estradas e auto-estradas. E o TGV já andará por aí?

Porquê agora hospitais? Pior, "primeiras pedras de hospitais"?

Quem irá pagar esta "primeira pedra": «Este hospital é importante para o Tâmega e Sousa mas é sobretudo fundamental para o Serviço Nacional de Saúde», afirmou o Primeiro-Ministro, em Amarante, na cerimónia de lançamento da primeira pedra do novo Hospital de Proximidade?

Que bonito lançar obras a 30 dias de abandonar cargos! É oportuno, sem dúvida.

Já agora, e os hospitais que demonstram há anos, ou mesmo décadas, sinais evidentes de degradação, ao ponto de estarem até ameaçados de colapso parcial (lembramo-nos do Hospital de Vila Franca de Xira)?

Conspiração ou Tamiflu?

Lemos isto: A autoridade sanitária suíça autorizou a prorrogação da data de validade do Tamiflu, o principal antiviral utilizado para combater o vírus da gripe A (H1N1). A Swissmedic aceitou a petição da farmacêutica helvética Roche, fabricante do Tamiflu, para aumentar de cinco para sete anos a vida útil do medicamento.

Estranho. Um medicamento com tão pequena vida útil no mercado, e logo é aceite o alargamento do seu prazo de validade. Dois anos. Sabendo-se, ainda para mais, que o Tamiflu apareceu para tratar preferencialmente a estirpe H1N5. Sabendo-se que a histeria geral vai ficar ao rubro dentro de momentos, lá para o Outono. Daqui por um mês.

Nada melhor do que esta afirmação, para verificarmos que há algo mais por detrás da "Gripe A": Não há Inverno sem gripe e no último Inverno tivemos 700 mil casos no País. Agora, poderemos ter mais do dobro.

E o pior é que o Senhor Director-Geral da Saúde, de Portugal, ainda diz isto: Mas morrem todos os anos 105 mil portugueses e ninguém se interessa em saber o porquê ou colaborar numa perspectiva pedagógica e educativa para fazer com que os portugueses adoptem comportamentos e possam evitar problemas que antecipam a morte.

Como? O Director-Geral da Saúde anda muitíssimo preocupado com a "Gripe A", mas diz que ninguém se interessa em saber porque morrem 105.000 portugueses anualmente? O problema é que nem o Director-Geral da Saúde sabe porque morrem os tais 105.000 portugueses.

Sunday, August 16, 2009

A Administração cega?


Não gostamos de brincar com coisas sérias. Gostamos de defender apenas e só, os cidadãos doentes, sejam eles ricos ou pobres, deficientes ou não, portugueses ou não. Respeitamos, sem qualquer dúvida, os cidadãos deficientes, mais do que aos outros cidadãos, porque a deficiência deve ser encarada como algo que deve ter uma compensação adicional por parte dos que não têm qualquer deficiência.

Lemos isto no dia 31 de Julho de 2009: Os relatórios da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) e do Infarmed deverão ser revelados "a qualquer momento. Estamos na expectativa de que sejam entregues amanhã [hoje] ou na segunda-feira", afirma ao DN Adalberto Campos Fernandes, o administrador do Hospital de Santa Maria.

No dia 22 de Julho de 2009, líamos isto: «Não prometo nada. Não vou fazer promessas em cima de especulações nem jogar com ambiguidades», disse Adalberto Campos Fernandes, escusando-se também a avançar qualquer explicação para o caso.

No dia 15 de Agosto de 2009, lemos isto: "O que foi dito aqui [por Monteiro Grillo, director do Serviço de Oftalmologia do hospital] é que era um produto tóxico, mas nunca explicaram que produto tinha sido", contava ontem Walter Bom, que continua sem ver dos dois olhos. "Desde que isto foi para segredo de justiça, eles fecharam-se em copas. Nunca mais disseram nada a ninguém."

Pior, ainda se escreve isto: Ontem, o Jornal de Notícias dizia que poderá ter sido injectado um diurético oriundo de uma planta medicinal conhecida por cavalinha, e que a Polícia Judiciária investigava essa hipótese. O jornal escrevia ainda que a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) referiu, nas conclusões do seu relatório ao caso, o elevado risco de troca no medicamento. E que havia outros quatro fármacos (para lá da cavalinha) como hipótese de troca, em relação aos quais o Infarmed terá proposto serem analisados pela agência responsável pelos medicamentos no Reino Unido, por não haver técnicas desenvolvidas para esse tipo de substâncias em Portugal. O Infarmed não quis prestar informações por o processo estar em segredo de justiça.

Como? Responsáveis? Já aqui escrevemos, que este caso teria como "responsável", um tal de Pilatos!

Contudo, nunca imaginámos, que houvesse tanto irresponsável em Portugal. Até no facto de agora virem contar a estrangeirinha de que não há meios de verificar qual era a substância que os doentes receberam nos olhos, e que se terá que mandar os produtos para análise na Grã-Bretanha!

Mas, para que raio servem: o Ministério da Saúde? a Entidade Reguladora da Saúde? a Administração do Hospital de Santa Maria? a Faculdade de Medicina de Lisboa? a Ordem dos Médicos e os seus Colégios de Especialidade? a Inspecção Geral das Actividades em Saúde?

É que isto não se passa no Burkina Fasso, passa-se no mais respeitado Hospital de Portugal: No relatório, terá sido referido que na farmácia hospitalar vários medicamentos citotóxicos são preparados ao mesmo tempo e no mesmo espaço, o que não devia acontecer. Medicamentos com embalagens parecidas no mesmo frigorífico; rótulos de fármacos rasurados ou anotações escritas à mão, terão sido outros problemas detectados.

Dr. Adalberto Campos Fernandes, por que espera?

Friday, July 31, 2009

As múltiplas faltas de vergonha

Fonte: aqui.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, foi multado pela Direcção-Geral de Seguros espanhola por receber ajudas de custo alegadamente indevidas. Em causa estão, de acordo com a agência de notícias, ajudas de custo recebidas por Pedro Nunes enquanto conselheiro da seguradora espanhola AMA (responsável também pelo seguro de responsabilidade civil dos clínicos portugueses, subscrito pela Ordem) e que a Direcção-Geral de Seguros espanhola considera indevidas. Além da multa de 135 mil euros, o bastonário arrisca-se a ter de devolver os montantes recebidos como ajudas de custo: três mil euros mensais, durante dois anos.

O bastonário da Ordem dos Médicos considera "normal e natural" que seja a instituição a pagar a multa de 135 mil euros que lhe foi aplicada pela Direcção-Geral de Seguros espanhola. Esta possibilidade está a provocar alarido e muita contestação no interior da Ordem. Fontes médicas citadas pela agência Lusa, afirmam que Pedro Nunes decidiu integrar o Conselho de Administração da AMA sem consultar o Conselho Nacional Executivo da Ordem, a quem foi apenas comunicada a decisão. Pedro Nunes defende-se alegando que as funções na AMA, ainda que não executivas, permitiram-lhe negociar condições vantajosas para os médicos portugueses.

Saúde: o negócio do futuro?

Parece que os grupos privados portugueses pensam que sim. Vejamos como correu o negócio privado da saúde aos 3 principais operadores, no 1º semestre de 2009:

  • O grupo HPP Saúde, da Caixa Geral de Depósitos, registou no primeiro semestre um aumento da facturação de 130% para 67 milhões de euros e espera terminar o ano com um volume de negócios de 130 milhões de euros, o que representa um crescimento superior a 115% relativamente ao ano passado.
  • O volume de negócios do grupo Espírito Santo Saúde subiu, no primeiro semestre, 17% para 107 milhões de euros. "Só no Hospital da Luz, o crescimento da facturação foi 30%",
  • A José de Mello Saúde foi o único dos três maiores grupos de saúde que não forneceu à Lusa os dados da facturação do primeiro semestre. A organização liderada por Salvador de Mello adianta apenas que os internamentos nas suas unidades subiram 3,5% para 11.360 no primeiro semestre. A José de Mello saúde, que detém os Hospitais Cuf, aumentou ainda as consultas em 27,5% para 328.667, e as urgências em 23,9% para 102.337. O número de doentes operados subiu 16,1% para 11.061 no primeiro semestre.

Será que o SNS se está a desmoronar? Será que a saúde passa ao lado da recessão económica? Será que estes números não serão ainda muito pequenos, e os crescimentos parecem grandes?

Thursday, July 30, 2009

Folhetim da Cegueira II

É em alturas como estas, que os cidadãos têm que forçar a nota de que existem. As pessoas não são farrapos fácilmente substituíveis. Os seres humanos não são descartáveis, nem carne para canhão. Ou a questão dos "direitos humanos" só serve para bandeira política?

Isto não é aceitável: Monteiro Grillo diz que é muito complicado fazer algum prognóstico. A razão para esta reserva é o desconhecimento do produto que foi usado nas injecções intraoculares.

Como é que o produto introduzido nos doentes é desconhecido? Desconhecido, como? Não saberão as pessoas, o produto que lá colocaram? Quantas pessoas mexem no produto antes da cirurgia? Um farmacêutico que prepara, um médico e mais um enfermeiro. Três pessoas? Quatro pessoas? Será que estas três ou quatro pessoas são assim tantas, que não sabem o que fazem?

E de entre, estas três ou quatros pessoas, não é possível de saber, quem foi desleixado? Ou quem foi distraído? Ou quem foi incompetente? Ou quem cometeu um erro?

O que se pretende, fazer dos cidadãos tontos? Ou a teoria do "crime" é para ser levada a sério? Mas, "crime", porquê? Qual o motivo de realizar tal "crime"? Brincadeira? Divertimento?

Até porque, convenhamos, estamos a falar disto: O Hospital de Santa Maria, em Lisboa, a unidade onde no passado dia 17 seis doentes foram sujeitos a uma pequena cirurgia oftálmica na sequência da qual perderam a visão.

Tal como Jesus, "eles não sabem o que fazem"!

Wednesday, July 29, 2009

Folhetim da Cegueira

Não, não é possível ir mais além na irracionalidade, quanto ao caso dos doentes que foram objecto de um mau serviço por parte do Estado, quando eram operados à vista no Hospital de Santa Maria.

Parece que não, se não vejamos mais este episódio com requintes de malvadez: A ministra da Saúde, Ana Jorge, não garantiu aos doentes cegos internados no Santa Maria que o Governo iria pagar todas as despesas de tratamento e deslocações a um país à escolha para que recuperassem a visão, adiantou ao canal tvi24.pt fonte do Ministério da Saúde.

Mas, parece que os doentes e seus familiares não têm a mesma versão: A notícia de que poderiam ser pagos tratamentos em Cuba, ou noutro país à escolha, terá sido adiantada pela própria ministra aos doentes, garantiu ao tvi24.pt, Gorete Lago Bom, mulher de Walter Bom, um dos doentes que ficou cego depois de ter recebido um tratamento com Avastin, nos dois olhos.

Já, George Orwell nos ensinou, que a liberdade só deveria ter uma versão. Mas, os poderes sempre se habituaram a ter uma leitura sobre a liberdade à sua maneira! Aqui, a Senhora Ministra terá dito uma coisa, mas foi mal entendida. Pelos vistos.

Ainda que não acreditemos muito no funcionamento da Justiça em Portugal, somos solidários com este acto: Gorete Lago Bom afirmou ainda que está a pensar recorrer aos tribunais, mas apenas caso o marido não recupere a visão.

Tuesday, July 28, 2009

Lavar as mãos como Pilatos

Ao que chegou a irresponsabilidade em Portugal. Pior, irresponsabilidade ao nível das castas mais elevadas da nação: médicos, administradores hospitalares, farmaceuticos, Altos funcionários públicos, entidades reguladoras. Vejamos o que faz agora a classe criminal, perante isto: No sábado passado foi recebido um telefonema anónimo no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, que indicava que, juntamente com o fármaco Avastin que deveria ter sido injectado nos seis doentes operados há dez dias, foi colocada outra substância, tóxica para os olhos. Essa, segundo a teoria avançada na chamada, teria sido a causa da perda de visão dos seis pacientes que continuam internados na unidade hospitalar.

Qual terá sido o móbil do crime? Denegrir a imagem do SNS? Arrasar com um dos mais velhos e prestigiados hospitais públicos? Deixar na lama, a classe médica? Arranjar mais um ponto fraco ao governo Sócrates? Sim, o que poderá estar por detrás de um "atentado" deste tipo?

Descansemos que quem anda por aí a tentar decifrar o Caso BPN ou o Caso BPP, assim como o Caso Casa Pia, ou o Caso Vale e Azevedo, parece que vai agora tentar perceber se houve crime em Santa Maria: A Procuradoria-Geral da República decidiu instaurar um processo-crime para investigar as circunstâncias em que seis doentes tratados no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, ficaram cegos.

Pois é, alguém está cego, após ter sido objecto de uma intervenção cirúrgica num hospital do Estado. E a responsabilidade é de quem? Será:
  • da Administração do Hospital?
  • da Direcção Clínica?
  • da Direcção do Departamento Clínico de Oftalmologia?
  • da Direcção de equipa cirúrgica?
  • da Área farmacêutica do hospital?
  • do Laboratório que produz o Avastin?
  • do Pilatos?

Pois é, aguardemos que a PGR e os Tribunais portugueses daqui por uns quantos anos, vão dizer que a culpa foi do Pilatos!