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Wednesday, April 20, 2011

Absolutely No Government

Fonte: aqui.

Nos idos de 70, Chico Buarque cantou: "O que não tem governo, nem nunca terá". Portugal é o Brasil do século XXI. Antes fosse. O Brasil parece que tem governo, e continuará a ter. Portugal não tinha médicos na década de 80. Não tinha médicos na década de 90. E aí, começou a importação de médicos de Espanha. Chegou a ter 3.000 médicos espanhóis, sobretudo mas zonas raianas, em particular do Minho e do Alentejo.

Passaram duas décadas, e o problema permanece. Tentou tapar-se buracos com médicos do Leste da Europa (que tão bem sabem falar português), dos PALOP's ou da América Latina. E a festa continua. Ainda há por aí, médicos espanhóis.

Entretanto, emigraram jovens portugueses, para cursar medicina, na República Dominicana, em Espanha e na República Checa. As Universidades portuguesas tinham vaga para todo o tipo de curso, menos para medicina. Isso seria só para alguns. A medicina, dizia essa coisa chamada de "Ordem", que não é para todos. Aliás, em Portugal consta-se que sejam mais de 700.000 os desempregados, mas médicos desempregados, nem um! Que bom, pelo menos que haja uma profissão sem desempregados.

Depois, sabe-se que há médicos na política, na administração de empresas, na diplomacia, em missões humanitárias várias, mas claro, sempre com o seu poiso certinho, não venham a ficar sem poiso na política ou nas empresas! Isto é, a vagazinha jamais é ocupada. Pois, são os feiticeiros modernos, e nunca se sabe, se não venhamos a necessitar de uma cirurgiazinha e depois eles venham a vingar-se!

Mas a Senhora Jorge vai tentar fazer do SNS, as Nações Unidas médicas: Depois da contratação de 42 médicos colombianos para centros de saúde de Lisboa e Vale do Tejo e para o Algarve, Portugal vai contratar médicos da Costa Rica e de Cuba.

Governo? Para quê? Assim é bem melhor, as corporações governam-se, governando os outros, à sua boa maneira. E, o Zé Povinho, jamais abdica de ter o Senhor Doutor, pois quem quererá ficar sem um Senhor Doutor!

Entretanto, o tal governo promove licenciados às resmas em Teorias da Comunicação, Teatro ou Administração Pública. "Não tem governo, nem nunca terá", Seu Chico!

Sunday, September 13, 2009

SNS: faltará muito para o seu fim?

Retratos da vida de um SNS:
  • Nos últimos anos, milhares de médicos têm saído dos serviços públicos. Mas ninguém sabe ao certo quantos. Nem a Ordem, nem o Ministério. Sabe-se que são muitos e que vão sobretudo para um sector privado em expansão e que oferecerá melhores condições de investigação e médicas.
  • A Lusa tentou apurar junto do Ministério da Saúde quantos médicos deixaram o SNS nos últimos tempos, mas essa contabilidade ainda não está feita. Segundo as contas de António Correia de Campos, ex-ministro da Saúde e antecessor da actual ministra, Ana Jorge, só no ano passado foram mais de mil os clínicos que deixaram o serviço público, metade dos quais directamente para o sector privado.
  • Sobre as medidas que a tutela conta levar a cabo para resolver a carência de médicos nos serviços públicos de saúde, fonte do gabinete de Ana Jorge remeteu o anúncio das mesmas para quando for «oportuno».
  • João, obstetra do Hospital S. Francisco Xavier, onde ajudou a nascer mais de mil crianças, já não acredita. Está desiludido. E decidiu que a sua vida «tem de mudar» e pediu a rescisão do Contrato de Provimento Administrativo que vem renovando há nove anos.
  • Sem hipóteses de progressão na carreira, a ganhar cerca de 2.000 euros mensais por 47 horas semanais, João tem assistido à saída massiva dos clínicos do seu serviço neste hospital, que inclusive encerrou as portas no final do mês passado por falta de profissionais.
  • Faltam médicos, os que restam estão desiludidos e reina a desarticulação entre as equipas, principalmente desde que as administrações compram serviços a médicos que ganham por hora muito mais que os profissionais dos hospitais.
  • O aumento dos tempos de espera dos pacientes - como acontece na Maternidade Alfredo da Costa, onde a falta de médicos tem vindo a agravar-se - é outra das consequências desta situação e objecto do crescimento de queixas das utentes, como disse à Lusa a directora do serviço de urgência desta instituição.

Para aumentar a confusão, chuta-se com a barriga:

  • o Ministério da Saúde revela que a Administração Central do Sistema de Saúde I.P. e os Serviços Médicos Cubanos concretizaram o protocolo que permite aos médicos deste país exercer no Serviço Nacional de Saúde português "durante três anos".

Enquanto outros vêem o seu pedestal ameaçado:

  • Os estudantes de medicina consideram que a "importação" de médicos estrangeiros, designadamente da América Latina, deve ter prazo limitado de três anos.

A propósito, seria interessante saber qual foi o formato contratual estabelecido entre o Ministério da Saúde de Portugal, e os Serviços Médicos de Cuba. Será que o referido contrato prevê o pagamento a cada médico cubano de apenas 15% do valor que o Estado de Portugal paga aos Serviços Médicos de Cuba? Se for verdade, não estaremos perante uma violação de direitos humanos?

Wednesday, August 26, 2009

Cuba: um país tropical

Cuba é um paraíso natural. Não há dúvida. Porém, os cubanos têm tido muito azar, pois nunca viveram em liberdade e em democracia. Pobrecitos.

Parece que para além de terem que aguentar com a dinastia dos Castros, e padecerem pela falta de liberdade, os cubanos ainda têm que continuar a sofrer a miséria e a fome, apesar de serem um país com bons recursos naturais (piscícolas, agrícolas e afins). Isto passa-se no Século XXI: Cuba vai substituir os tractores por bois no sector agrícola estatal nos próximos anos para poupar em combustível, numa altura em que o país se debate com uma grave crise económica, segundo a imprensa local desta terça-feira.

No entanto, vá-se lá saber porquê, Cuba foi promovida por Portugal, a "fornecedor oficial de médicos": "Cuba aceitou o pedido de Portugal para contribuir para a solução" da falta de médicos.

Até parece que em Portugal, não há gente para ser médica. Até parece que em Portugal, não há dezenas de milhar de licenciados desempregados! Óbviamente, que não são licenciados médicos desempregados.

Nós bem sabemos que não há falta de médicos em Portugal. Há até, médicos a mais, nos hospitais de Lisboa, do Porto e de Coimbra. Porque é que eles não vão para onde é preciso? Pois, é suposto os políticos que gerem o país, darem a resposta a este enigma!