Monday, March 31, 2008
Termas do Luso: mais um sucesso para o Dr. Maló
Cesariana ou epidural?
- No sector privado, talvez por uma questão financeira, as mulheres escolhem muito a cesariana. Ou seja, o sector privado da saúde pretende explorar alguma fragilidade das mulheres.
- No sector público, nem se quer ouvir falar de "cesarianas a pedido" dado que o Estado já não aguenta tanta despesa, se não porquê que o Bastonário da Ordem dos Médicos diz isto (Pedro Nunes, para quem o parecer da Associação de Bioética “não ajuda à resolução dos problemas do país”) ?
Friday, March 28, 2008
Thursday, March 27, 2008
Médicos a mais
A encruzilhada
- Nos últimos três anos, quase 33 mil doentes recusaram ser operados fora do seu hospital de origem, rejeitando a utilização dos chamados vales-cirurgia em hospitais privados ou do sector social.
- Em causa estão três grandes motivos, um dos quais "o facto de os doentes gostarem dos seus médicos", afirma Pedro Gomes, coordenador do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC). Os doentes com situações menos críticas são os que optam por se manter nas listas de espera.
- Entre 1 de Dezembro de 2004 e 31 de Dezembro de 2007 foram emitidos 157 mil documentos em nome de doentes em lista para cirurgia. Destes, apenas 28% culminaram numa cirurgia e 21% não foram utilizados por iniciativa dos doentes. Esta percentagem ainda elevada de recusas deu origem a um inquérito por parte do SIGIC, que já foi entregue ao Ministério da Saúde.
Perante isto, ficamos siderados. As pessoas preferem ficar em lista de espera, do que serem operadas num outro hospital? Então, é porque a doença não é grave.
Com doentes destes, é fundamental que o SNS os trate como pacientes e os retire das listas de espera!
Parabéns ao SIGIC e ao Dr. Pedro Gomes, pela iniciativa de analisar esta irracionalidade.
Wednesday, March 26, 2008
Mais uma Comissão da Saúde
- O grupo de peritos foi encarregado de fotografar e traçar soluções para o panorama da especialidade ainda sob a tutela de Correia de Campos.
- A 31 de Dezembro de 2007, 116 mil portugueses esperavam por uma primeira consulta, quando em 2006, o número de inscritos em lista era mais reduzido (98 mil), segundo dados da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS).
Vejamos o que propõe a tal Comissão para resolver os problemas que existem:
- A comissão elaborou um plano aplicável aos diversos cenário no País, que, nuns casos se caracterizam pela ausência de recursos humanos ou equipas, mas também podem passar pela falta de meios técnicos ou simples organização do serviço.
- Os incentivos integram um dos modelos: "Terão de se adequar a uma determinada métrica de produção. O hospital irá negociar os incentivos em função disso com uma equipa autónoma. Depois são os profissionais que se organizam e decidem a forma de o cumprir gerindo recursos e desperdícios".
- Em localidades mais diversificadas e com menos médicos - é o caso do Algarve, em que existe um oftalmologista em Faro e quatro ou cinco em Portimão - a solução pode passar pela prestação de serviços. Cria-se uma equipa multidisciplinar para prestar um serviço e toda a "gestão, recursos técnicos e investimento ficam por conta do hospital".
- Por último, a comissão propõe uma solução semelhante à anunciada recentemente no Hospital de Santa Maria, que terá numa unidade própria, um centro autónomo de oftalmologia. "Os profissionais negoceiam um modelo autónomo e negoceiam o número de consultas, cirurgias e exames que vão fazer com administração. O serviço gere isso e terá um orçamento atribuído pela administração do hospital. Hoje está tudo centralizado na administração. O objectivo é descentralizar essas decisões para uma unidade independente".
Sinceramente, criam-se Comissões para propôr soluções, mas depois são os burocratas do Ministério que tentam implementar as mesmas. Que confusão. Que falta de enfoque estratégico.
Depois, há uma Comissão que faz um conjunto de propostas, que para além de não as implementar, nunca virá a ser avaliada pela valia das suas propostas.
Assim, é o que se chama, "deitar dinheiro à rua"! Pelo menos, o dinheiro do contribuinte.
Post Scriptum: convenhamos que a culpa não é das referidas Comissões, mas antes de quem as cria.
Tuesday, March 25, 2008
Verdades na saúde que doem
O Bastonário da Ordem dos Médicos, Dr. Pedro Nunes, representa a corporação profissional mais poderosa do país e, normalmente, não tem "falinhas mansas".
Vejamos algumas afirmações recentes do Dr. Pedro Nunes:
- O bastonário da Ordem dos Médicos traça um panorama negro do serviço de saúde, onde identifica uma «total desarticulação» num sistema que «não tem outro remédio» senão pagar a determinados médicos especialistas o que estes exigem.
- Pedro Nunes atribui a desarticulação do sistema a políticas que começaram quando António Correia de Campos foi ministro da Saúde durante o governo de António Guterres.
- «A evolução foi sempre no sentido de criarmos o dito mercado: hospitais transformados em empresas, contratos individuais de trabalho», disse.
- «Quem chega a uma urgência encontra médicos a ganhar 10 euros à hora, outros 18 e outros 100», o que «cria um enorme desconforto», pois «uma coisa é uma pessoa ganhar mais porque faz mais horas e outra é um médico com 30 anos de carreira ganhar pouco mais de 1.200 euros por mês e ao lado haver outro que ganha 60 mil», disse.
- A responsabilidade recai sobre «alguém que se lembrou de retirar o défice dos hospitais do défice público, por causa dos célebres três por cento de Bruxelas, pegou nos hospitais e disse que deixavam de ser públicos e passavam a ser privados».
- Culpas que não se ficam por aqui. «Se tivessem feito isto apenas nos hospitais, mas depois resolveram inventar a roda e encher os hospitais de gestores e administradores».
- «Defendo uma remuneração básica justa e depois um suplemento para quem trabalhe mais, mas que não seja uma diferença tão grande que crie estes abismos que hoje estão a ser criados e que vão destruir o sistema», avisa.
Pois bem, Dr. Pedro Nunes, pelo menos não tem uma abordagem enfraquecida ou balofa, sobre um problema grave. Mas, Dr. Pedro Nunes, não me parece que a classe a que pertence se sinta bem num "formato tendencialmente igualitário". Isto é, na medicina há profissionais que são melhores e por isso têm que ser diferenciados.
Mas concedemos, que há um problema que se chama equidade. Até os Médicos, já se começam a preocupar com a equidade.
Nós diríamos que há um outro problema ainda mais grave na sociedade portuguesa, que é a falta de acesso às oportunidades. Os americanos chamam-lhe "dream". Nós portugueses costumamos dizer que "o Sol quando nasce é para todos". Aqui sim, Dr. Pedro Nunes, em Portugal o mérito não é reconhecido. Antes é reconhecida, a subserviência, a aquiescência e incentivada, por isso, a mediocridade.
Post Scriptum: não sabemos se há gestores a mais ou a menos nos hospitais portugueses; antes sabemos que há gestão de recursos a menos, com toda a certeza.
Monday, March 24, 2008
Prós e Contras
- O director-geral de Saúde assinalou a tendência de descida que se está a verificar na incidência da tuberculose em Portugal. Em declarações à TSF, Francisco George revelou que se verificou uma descida de 14 por cento nos casos desta doença em portugal em relação a 2006.
- Os dados da Direcção-Geral da Saúde (DGS) indicam que, de um total de 12.767 mortos por “sinais, sintomas e afecções mal definidas”, ou seja, por causa desconhecida, apenas 6802 foram autopsiados.
Wednesday, March 19, 2008
Os ziguezagues da política pública de saúde
- O Governo vai transformar o Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) numa entidade pública empresarial (EPE) a partir de 1 de Janeiro de 2009, acabando com a gestão privada, que até agora estava nas mãos da José de Mello Saúde.
Comentários nossos:
- Terá este fim de casamento com os Mellos, como origem uma acção em Tribunal Administrativo em que está envolvida a Dra. Ana Jorge (antiga Responsável da ARSLVT), por causa do Hospital Amadora - Sintra?
- Todos os grupos que foram convidados a participar em Parcerias Público - privadas vão continuar a partilhar uma parceria com alguém que vai mudando em função das circunstâncias?
Medicamentos: a principal fatia
- O presidente do Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed), Vasco Maria, reconheceu ontem que a descida em seis por cento do preço dos medicamentos decretada pelo Ministério da Saúde no início do ano passado praticamente não favoreceu os doentes, mas apenas o Estado.
- "A redução das comparticipações de medicamentos em 2007 significou um aumento em 26,1 milhões de euros da despesa dos cidadãos", disse o presidente do Infarmed.
- Hoje, numa audição parlamentar que durou três horas, o presidente do Infarmed, Vasco Maria, sublinhou que há um conjunto de questões técnicas que se levantam sobre a «dose individualizada», ligadas por exemplo à contrafacção, e sublinhou que nenhum estudo sustenta que passem a existir «enormes poupanças» para os utentes ou que se acabe com o desperdício.
Ainda outra:
- Cerca de 1.500 medicamentos homeopáticos vão integrar a lista dos medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM) e poderão ser adquiridos nas farmácias ou nos postos de venda livre, anunciou hoje o presidente do Infarmed.
Para aqueles que ainda pensam que é possível existir um SNS, tendencialmente gratuito, fica aqui a imagem tendencialmente futura do SNS: coitado de quem não tiver dinheiro para pagar a saúde.
A realidade é dura!
Tuesday, March 18, 2008
A saúde é uma pasta difícil
Monday, March 17, 2008
A repetida insustentabilidade do SNS
- Uma das principais bandeiras políticas do Governo - a multiplicação de unidades de saúde familiar (USF), pequenos grupos com autonomia nos centros de saúde que permitem melhorar a cobertura de médicos de família - pode estar em risco, se não entrarem rapidamente em vigor as compensações financeiras previstas na lei para os profissionais de saúde que as integram.
- Em Fevereiro, a ministra da Saúde foi criticada depois de ter anunciado uma portaria que estipula incentivos financeiros para os enfermeiros e administrativos das USF. Nessa altura, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) pôs em causa a exclusão dos clínicos destes incentivos financeiros. Agora voltou à carga, numa carta enviada ao primeiro-ministro, em que o acusa de estar “intoleravelmente longe da verdade quando se refere a incentivos para médicos” nas USF.
- Mas o principal problema - que pode mesmo vir a pôr em risco a reforma, segundo os sindicatos - prende-se com o atraso da entrada em vigor do pagamento das remunerações aos médicos das USF, como estava previsto na lei para o chamado “modelo B”. Tanto o SIM como a Federação Nacional dos Médicos já afirmaram que é necessário uma decisão política urgente que não pode ser protelada para além do início de Abril.
- No 1º Encontro das USF do Norte, realizado na semana passada, houve mesmo quem equacionasse a hipótese de desistir do novo modelo organizativo - através do qual os médicos se comprometem a assumir uma lista de utentes mais alargada (uma média de 1750, em vez dos 1500 até agora previstos) e a trabalhar em horários mais prolongados. O problema é que os profissionais de saúde (não só os médicos, mas também os enfermeiros e os administrativos) têm estado até agora a assegurar esta carga de trabalho suplementar sem serem compensados financeiramente por isso.
É que este Governo é perito em gerir a falácia! Será que ainda vai mudar de comportamento até às eleições?
Friday, March 14, 2008
Thursday, March 13, 2008
A tecnologia pode ser nossa inimiga
- Warning: Not only computers are vulnerable to hack attacks. Our bodies may be, as well.
- "With some technical expertise, we were able to retrieve information from the device in an unauthorized fashion," said Dr. William H. Maisel, senior author of the report. "We were able to send commands to the device in an unauthorized fashion and could reprogram settings and even tell the device to deliver a high-voltage shock.".
- But Maisel, director of the Medical Device Safety Institute at Beth Israel Deaconess, emphasized that the millions of patients with implanted cardiac devices, such as pacemakers and cardiac defibrillators, should not be concerne.
- "It's important to know that there has never ever been a single reported episode of this type of malicious attack on a defibrillator," he said. Because of the technical skill needed for an attack, the danger is ex tremely remote, he added.
- "Patients are much better off having the defibrillator than not," Maisel said. "If I were getting an implantable defibrillator today, I would ask for one that had wireless capability."
Bem, de facto temos que viver com alguns perigos. Tal como na informática, os doentes que têm "pacemakers" vão passar a viver com riscos adicionais. Até agora, parece que ninguém se queixou. E a Universidade de Massachussets deixa-nos mais esta pista, que não deixa de ser preocupante. Mas, antes sabermos que existe risco, do que pensarmos que ele não existe.
Wednesday, March 12, 2008
As reformas do assobio
- "Além das circunstâncias do passado que justificavam não encerrar a urgência de Estarreja, há hoje uma mais gravosa, que é o facto das pessoas esperarem no Hospital de Aveiro quatro a seis horas para serem atendidas e as duas mortes ocorridas no serviço de urgências só vieram demonstrar que não tem capacidade de resposta".
- Rosa Pontes, da comissão de utentes, continua a não entender a decisão do governo de encerrar a urgência de Estarreja, "que tem o maior complexo químico do país" e explica o regresso aos protestos por "nada ter sido feito" no Hospital Visconde de Salreu e o de Aveiro estar "um caos".
- "Há cerca de um ano esperávamos que o protocolo assinado pelo presidente da Câmara trouxesse algo de bom para o nosso Hospital e hoje não tem nada de novo, não tem consultas externas e está tudo na mesma", disse.
Claro que "reformas" feitas sem sentido e executadas sem método, levam à descrença e consequentemente à paralisação das reformas. Vejamos outra consequência das chamadas "reformas do assobio":
- O Governo poderá estar a um passo de chegar a acordo com a Câmara de Anadia para pôr termo ao polémico encerramento das urgências do hospital local, que motivou já 19 manifestações na Bairrada e fomentou protestos noutros pontos do país. A ministra da Saúde, Ana Jorge, reuniu, anteontem, com o presidente da autarquia, Litério Marques, e apresentou uma solução que prevê cedências de ambas as partes.
O futuro do SNS será a sua privatização em escala!





