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Wednesday, May 12, 2010

A comunicação entre técnicos de saúde e doentes

O tema é complexo. Não temos dúvidas. Complicar-se-á ainda mais. Também não temos dúvidas. Mas, não devem os vários intervenientes fugir do problema. Antes têm que o enfrentar. Vejamos este caso paradigmático:
  • Há seis anos, uma mulher morreu no Hospital de S. João, no Porto, no seguimento do ensaio clínico de um medicamento. O reumatologista responsável pelo ensaio vai ser julgado por "homicídio negligente" por "ignorar" as queixas da paciente.
  • O Tribunal de Instrução Criminal do Porto decidiu pronunciar um médico reumatologista do Hospital de S. João, pelo crime de homicídio negligente durante o ensaio clínico de um medicamento que, ao que tudo indica, causou a morte a uma mulher de Guimarães, no dia 20 de Fevereiro de 2004. A mulher sofria de artrite reumatóide.
  • O médico, também professor auxiliar na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, era o responsável pelo estudo clínico do medicamento Humira, do Laboratório Habbott, que foi entretanto licenciado pelo Infarmed e encontra-se, agora, à venda.
  • "O problema não era nem é o medicamento. O problema é que a minha mãe não foi informada dos riscos que corria, inclusive o risco de vida, enquanto tomava, a titulo experimental, o medicamento", disse ao JN Fernando Moreira, o filho da doente que acabou por falecer com tuberculose e sépsis.

Já não compreendemos o mutismo desta gente: Tanto a Ordem como a Inspecção-Geral de Saúde receberam, há cinco anos atrás, uma denúncia de Fernando Moreira sobre a actuação do médico acusado e sobre a forme como decorreu o ensaio no Hospital de S. João. "Ambas as instituições delegaram qualquer decisão para depois de ser conhecida a decisão do tribunal".

Para que serve então a tal de Inspecção? Não quer arriscar? Não tem uma função própria? Quanto à Ordem dos Médicos, naturalmente, defende os seus membros. Como sempre. Agora, a Inspecção do Ministério da Saúde não tem vida e vontade própria?

Uma coisa temos a certeza, serão os técnicos de saúde que têm que se adaptar aos doentes, e não o contrário.

Wednesday, April 29, 2009

Ofertas: boas práticas precisam-se

A polémica relacionada com as ofertas a clientes ou prescritores é muito antiga. Em vários sectores de actividade. Naturalmente, que os mais polémicos são os que geram maior volume de negócio. Os sectores farmacêutico e de equipamento médico têm gerado polémica por estarem muitas vezes ligados a formas mais ou menos inadequadas de "incentivos à compra", para não lhe chamar outra coisa.

Nos EUA, o Congresso prepara-se para mudar a legislação por proposta da própria comunidade médica. Vejamos:
  • the nation’s most influential medical advisory group said doctors should stop taking much of the money, gifts and free drug samples they routinely accept from drug and device companies.
  • “It is time for medical schools to end a number of long-accepted relationships and practices that create conflicts of interest, threaten the integrity of their missions and their reputations, and put public trust in jeopardy,”
  • The report calls on Congress to pass legislation that would require drug and device makers to publicly disclose all payments made to doctors.

Ora bem, o combate às más práticas deve partir daqueles que têm uma visão ética e de princípios da vida. E claro, o poder político deve apoiar e liderar este tipo de iniciativas.

E por cá? Espera-se que as Faculdades de Medicina ou a Ordem dos Médicos venham a solicitar ao Parlamento alguma iniciativa que limite ou impeça a oferta de bens por parte das farmacêuticas ou das empresas de equipamentos médicos aos médicos? Seria bom, que assim acontecesse.

Tuesday, May 20, 2008

O falhanço do Estado

As sociedades modernas só fazem sentido com um Estado forte, mas eficiente. De outra forma, não há incentivo para pagar impostos. A carga fiscal em Portugal é das mais elevadas do mundo, tendo em conta a dimensão económica do país. Isto é, que fique claro que os países nórdicos, por exemplo, têm uma carga fiscal superior aos portugueses, mas têm também uma riqueza per capita muito superior.

Contudo, no que toca à eficiência do Estado, estamos profundamente tristes, dado que há tanto por fazer e tanta coisa mal feita. Vejamos mais um falhanço estrondoso do Estado (deste Governo e dos anteriores):
  • Em Portugal formam-se por ano cerca de 1200 médicos, se bem que as vagas sejam da ordem dos 1500. Mas, tal como reconhecia não há muito tempo o ex-ministro da Saúde, Correia de Campos, o país precisava de formar cerca de dois mil médicos por ano para fazer face às necessidades que se avizinham nos próximos tempos. Necessidades que se reforçam com o crescente aumento da esperança média de vida e do consequente aumento do recurso aos serviços de saúde pela população mais idosa.

Perante este diagnóstico, o que fizeram os sucessivos Ministros da Educação e da Saúde? Apenas e só, soçobraram perante o lobby da Ordem dos Médicos!

Em Espanha, o lobby médico tenta travar a abertura de novas Faculdades de Medicina, para evitar a emigração e o desemprego médico. Por cá, há 1.500 vagas de medicina e 1.200 alunos! Pior, as necessidades são de 2.000 alunos por ano!

Estado, para quê? Pagar elevados impostos para quê?

Pior, dado o elevado investimento privado na saúde, o SNS corre o risco de ficar com os "velhos" médicos e com os pouco ambiciosos: As necessidades de recrutamento dos novos hospitais ameaçam continuar a exercer uma pressão crescente para que muitos clínicos abandonem o sistema público de saúde.

Post Scriptum: No entanto, abrem-se várias curso superiores todos os anos, sabendo-se que serão futuras portas para a emigração ou para o desemprego.

Tuesday, April 29, 2008

Mais médicos em Espanha? Não.

Em Portugal, estão a reformar-se médicos a mais. Em Portugal, não se estão a formar médicos suficientes. Em Portugal, muitos jovens vão para Espanha e República Checa, para tentarem ser médicos.

Em Espanha, os médicos pedem para que o Estado e as Regiões autonómicas Espanholas não abram mais Faculdades de Medicina. Vejamos:
  • Los estudiantes de la Facultad de Medicina de la Universidad de Zaragoza se unirán hoy a la protesta nacional contra la creación de más centros docentes para facultativos.

  • En el manifiesto que hoy leerán denuncian que el "indiscriminado" aumento de alumnos y la creación de hasta quince nuevas facultades, una propuesta realizada por diversas comunidades autónomas, traerá sólo "subempleo, el paro médico y el deterioro de la asistencia al ciudadano".

É difícil lidar com determinadas classes profissionais. Porque será que os médicos têm tanto medo do desemprego? Outras classes profissionais é que vão sofrendo na pele, o desemprego!

Monday, October 08, 2007

Professor Correia de Campos: Portugal tem falta de médicos

Portugal e os portugueses são muito teimosos! Há já longos anos que se fala na falta de médicos. E continua-se a falar.

O Professor Correia de Campos foi Ministro da Saúde entre 1999 e 2001, e é Ministro da Saúde, novamente, desde 2005. Então, Professor Correia de Campos, para que se senta o Senhor nos Conselhos de Ministros semanais?


Não nos parece que os estudantes do Ensino Secundário não queiram ir para a Faculdade de Medicina, pelo menos a atestar pelas médias de entrada (habitualmente a rondar os dezanove valores). Há até centenas de alunos portugueses que estão a estudar em Espanha (Madrid, Badajoz, Salamanca, Barcelona) e na República Checa!

Então, qual é o problema?

Ahhh, o Senhor Ministro foi a este evento: A Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho acaba de formar 50 médicos. Este ano saíram os primeiros diplomados de uma escola que abriu as portas em 2001.

Tanta coisa, para comemorar 50 novos médicos numa nova Faculdade de Medicina?

Faz-se muito pouco em Portugal, ao nível da Classe Dirigente.