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Monday, July 07, 2008

A escassez prevista de Médicos

Estamos fartos da conversa acerca da falta de Médicos em Portugal. Aliás, não percebemos como é que há falta de Médicos em Portugal. Aliás, o número de Médicos por mil habitantes em Portugal não é dos mais baixos da União Europeia.

Mais, muitos portugueses vão para o estrangeiro para cursar Medicina, nomeadamente para Espanha e para a República Checa.

Há Engenheiros desempregados, há Enfermeiros desempregados, há Carpinteiros desempregados, há Talhantes desempregados, mas parece que há falta de Médicos.

As Universidades produzem demasiados Licenciados, o que provoca muitas vezes que estes procurem a emigração logo que acabam os seus cursos.

Porquê Medicina? Porque é que não se aumenta o numerus clausus das Faculdades de Medicina? Porque é que Cuba, que tem também 10 milhões de habitantes, tem Médicos em toda a América Latina e ainda tem imensos recursos internos, até para resolver as listas de espera das cirurgias oftalmológicas dos portugueses?

Mas, ainda temos que ler isto:
  • A Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, está à beira da ruptura. Faltam médicos para assegurar as urgências desde o início do ano. Oito clínicos foram convidados para hospitais privados, o que agrava ainda mais a situação.
  • Acontece que faltam médicos para garantir as urgências e o número de nascimentos vai subir porque as doentes de Vila Franca vão passar a ser reencaminhadas para esta unidade hospitalar.
  • A situação começou a agravar-se com a saída de médicos dos quadros para os hospitais privados. Queixam-se de falta de incentivos, no Estado. Para além dos partos, a Maternidade recebe cem urgências por dia, asseguradas pela mesma equipa médica.

Parece-nos que estamos perante mais uma mega-mistificação na sociedade portuguesa. Não estaremos perante um simulacro de extermínio do SNS? Aguardemos.

Wednesday, June 18, 2008

O pânico

Quando as medidas são estas, o topo da estrutura de poder está em ruptura:

  • Portugal vai passar a ter 15 médicos do Uruguai a trabalhar, por três anos, nos serviços de emergência médica dos hospitais, e o Governo está a estudar alargar a experiência a outros países.
  • Face à falta de médicos formados em universidades portuguesas -- um problema que a governante admitiu vir a agudizar-se no prazo «de quatro ou cinco anos» -, Ana Jorge disse depois aos jornalistas que a contratação de médicos uruguaios era «uma das formas que há» para tentar resolver o problema.
  • Ana Jorge afirmou que outra das maneiras para tentar fixar médicos ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) é fazer acções junto dos jovens estudantes ainda quando estão das universidades.

Perguntas nossas:

  1. Não saberá a Senhora Ministra que há centenas de portugueses a tentarem tirar uma licenciatura em Medicina em países como a República Checa e a Espanha, porque as universidades portuguesas não têm vagas?
  2. A seguir, a Ministra Ana Jorge irá contratar Médicos em Marte ou em Júpiter?

Monday, April 21, 2008

Falta de Médicos: a situação já se antevia

Há mais de dez anos que se vem falando e escrevendo que há falta de médicos, sobretudo se for levado em conta que há a previsibilidade de muitos médicos se virem a reformar na próxima década. Pouco se fez, para além da abertura de duas pequenas faculdades de medicina (Beira Interior e Minho).

Mais, o mercado acabou por procurar alternativas, quer através da "importação" de médicos estrangeiros (de Espanha, América Latina e do Leste da Europa), quer através da busca de cursos realizados em Espanha e República Checa.

O Ministério do Ensino Superior pouco fez. O Ministério da Saúde nada fez. Agora, o problema está à vista de todos, mas pouco se continua a fazer:
  • "Temos sete médicos por equipa de urgência para fazer seis mil partos por ano", avançou ao DN Jorge Branco, presidente do Conselho de Administração da Maternidade Alfredo da Costa (MAC).
  • Jorge Branco reconhece o aumento da carência de médicos para as urgências, numa maternidade "que faz praticamente cem consultas por dia". A difícil gestão das equipas ainda "não teve repercussão até agora no desenvolvimento do trabalho, porque os médicos têm aceitado fazer horas extraordinárias", reconhece.
  • Uma das consequências para os médicos da MAC é semelhante à traçada por outros hospitais citados no texto em cima. Os turnos avolumam-se e o tempo de trabalho vai expandindo. A dimensão dos turnos? "São de 24 horas. Não temos pessoas suficientes para fazer turnos de doze como antes. Isso seria a situação desejável, mas não é possível", lamenta Jorge Branco.
  • Muitos médicos atingiram a idade de aposentação ou deixam de fazer urgências. Aos 50 anos, um médico pode deixar de fazer urgência nocturna e, aos 55, fica oficialmente dispensado de fazer urgência. "Muitos dos nossos médicos atingiram a idade de aposentação. Este ano já perdemos um chefe de equipa e calculo que vão sair mais quatro pessoas. E é preciso lembrar que todos estes médicos levam consigo uma grande experiência", acrescenta.
  • A saída para os privados, já muito referida, também levou alguns profissionais da maternidade lisboeta. "Os internos recém--formados e que acabaram há um mês, eram quatro: dois saíram e dois apenas ficaram a tempo parcial." Estes médicos optaram por trabalhar no sector privado, tal como outros médicos desta instituição.

Notas nossas: 1) Não gostamos de ser observados por médicos com mais de 12 horas seguidas de trabalho desenvolvido; 2) Será que o Ministério da Saúde ainda não percebeu que a atractividade do trabalho médico é pequena no sector público da saúde (pelo menos para os médicos mais ambiciosos)?

Friday, April 18, 2008

A formação em medicina em Portugal

Há já muitos anos que se fala na falta de médicos em Portugal. Há já alguns anos que se sabe que existem alunos portugueses a estudar medicina na República Checa e em Espanha. Finalmente, parece que o poder político em Portugal acordou para o problema:
  • O ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, garantiu ontem que o número de vagas em medicina vai aumentar.

Mas, este "acordar" parece que tem obstáculos vários:

  • O anúncio do ministro do Ensino Superior surgiu depois de Manuel Sobrinho Simões, professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e um dos oradores da conferência, ter indicado que "não há capacidade" para as escolas portuguesas de medicina receberem mais alunos. "Atingiu-se o número máximo. Não conseguimos aguentar mais médicos nas faculdades de medicina clássicas", acrescentou.

Como? Não há cá instalações suficientes? Então, construam-se novas Universidades. Nós não temos petróleo ou ouro, que se saiba, mas ainda temos terrenos para construção e pessoas para estudar, porque é que se tem que optar por esta solução:

  • Sobre a possibilidade de o Governo português estabelecer acordos com escolas estrangeiras, Manuel Sobrinho Simões afirmou conceber a possibilidade de se estabelecer parcerias "com universidades espanholas de qualidade comprovada", rumo à formação em medicina de alunos portugueses.

Ás vezes parece que os portugueses estão demasiado adormecidos!