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Wednesday, September 12, 2012

Louvores

Antigamente, era usual atribuir-se louvores públicos por serviços prestados à Pátria. Situações de guerra. Situações de sacrifício evidente. Situações de valor extremo.

Agora, pratica-se o cinismo e finge-se que os esquemas de sobrevivência deverão dar azo a atribuição de louvores: Paulo Macedo, ministro da Saúde, retirou da presidência do Infarmed Jorge Torgal. Agora, faz um louvor público à direcção da autoridade que substituiu.

Porque demitiu então, Paulo Macedo, o anterior Presidente do Infarmed? Terá sido porque não gostava da sua barba? Numa fase de completo desconchavo da nação, isto é patético: Paulo MAcedo diz que tendo cessado funções é "justo prestar público louvor pelo trabalho desenvolvido nessa instituição e pela forma como o desenvolveram, desde a sua nomeação inicial em 2010, até à presente data, e especialmente no período de tempo que comigo colaboraram". Elogia o currículo destes responsáveis, "principalmente o do professor Jorge Torgal, médico, eminente especialista em saúde pública, professor e investigador, tendo a actuação no sector do medicamento nestes dois anos demonstrado inequivocamente a sua capacidade de dirigentes".

Portugal vai mal, e não tem conserto.

Monday, July 02, 2012

O descontrolo total II

A despesa com medicamentos ultrapassa os 20% da despesa total com a saúde. Os medicamentos são vitais para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Contudo, importa disciplinar todos os operadores que actuam no domínio do medicamento, como sejam: a Indústria farmacêutica, o retalho farmacêutico (vulgo farmácias de oficina), os médicos, os farmacêuticos e os hospitais. Até porque a entidade reguladora parece que insiste em passar despercebida, isto é, não quer fazer a sua função.

Vejamos a calamidade que vai pelo domínio dos medicamentos:

1. As investigações desencadeadas pela Inspecção- -Geral das Actividades em Saúde (IGAS), em 2011, em 50 clínicas dentárias detectaram a utilização de medicamentos fora de prazo em 12 clínicas.

2. Instigado a comentar a centena de processos instaurados pela IGAS nos últimos três anos, que dá conta de casos de fraude, corrupção e infrações conexas, Paulo Macedo achou "normal haver processos em curso". "O que acho anormal é o mesmo tipo de fraude se repetir", afirmou. O relatório da IGAS dá conta de irregularidades como a apropriação indevida de dinheiros públicos (36 por cento), a eventual fraude na prescrição e aviamento de medicamentos (18 por cento) e irregularidades financeiras na aquisição de serviços (12 por cento).


3. Pelo menos 50 médicos são suspeitos de integrarem estruturas criminosas de fraudes em medicamentos similares à agora desmantelada pela Polícia Judiciária (PJ). A investigação alarga-se a todo o país. A informação surge no âmbito de uma nova fase de cooperação e troca de informações com o Ministério da Saúde. Mas também nasce na sequência do processo 'Máfia das Farmácias', conjugado agora com 10 detenções e mais duas constituições de arguidos, indiciados por burla superior a 50 mil euros, explica o Jornal de Notícias.

4. O presidente da Autoridade Nacional do Medicamento, Jorge Torgal, vai abandonar o cargo a um ano do fim do mandato, mas mantém-se em funções até ser substituído. A fonte do Ministério da Saúde afirmou que ainda não foi nomeado um conselho de administração, que terá três gestores em vez de cinco, como até agora. Acrescentou desconhecer se a demissão dá lugar ao pagamento de uma indemnização.


Ainda há quem se admire de Portugal estar falido e estar entregue à Finança Internacional. A maior parte das elites políticas, empresariais e sociais, quer ser rica, rapidamente e sem esforço, beneficiando do absoluto relaxe das autoridades, em particular de quem tem como principal incumbência o controlo do bem público.

Wednesday, May 30, 2012

Suspeição generalizada

Ministros suspeitos. Banqueiros suspeitos. Presidentes de Camara suspeitos. Presidentes de clubes suspeitos. Portugal está sob suspeita. Andaram uns quantos a comerem de mais, durante demasiado tempo. Agora, a suspeita é generalizada. Só o trabalhador incauto que paga cada vez mais impostos, não está ainda suspeito de nada. Está apenas e só condenado a pagar a devastação moral do país. Mais uns suspeitos:


  1. A autoridade do medicamento está a ser investigada pela Procuradoria Geral da República (PGR) e pela Polícia Judiciária (PJ) no âmbito do alegado favorecimento na comparticipação do primeiro medicamento português fabricado pela Bial.
  2. Jorge Torgal justificou a situação com o facto de ter sido feita uma queixa contra o Infarmed por alegadamente esta entidade reguladora ter "favorecido a comparticipação deste medicamento".
E qual é a empresa, supostamente favorecida? É esta: Infarmed investigado por alegado favorecimento à Bial. 

Wednesday, October 27, 2010

Ligações perigosas II

Jorge Torgal foi até Janeiro deste ano consultor da Glaxo, o laboratório que vendeu a Portugal seis milhões de vacinas da gripe A, a pandemia que afinal não foi. Além disso, Torgal é há muito tempo um grande, grande amigo da ministra Ana Jorge. Tão amigos que foram vistos não há muito tempo a passear juntos em Lisboa. É evidente que nestas coisas da política também se pode aplicar a máxima dos negócios: amigos, amigos, negócios à parte. Mas como estas coisas andam sempre ligadas e a Glaxo até foi boazinha e aceitou a devolução de metade do lote de vacinas sem encargos para o Estado, é mais do que justo este prémio ao Jorge Torgal.

Monday, May 03, 2010

Ligações perigosas

Não basta à mulher de César ser séria, tem que parecer séria!

Isto tem um nome:
  1. O novo presidente do Infarmed (Jorge Torgal) garante que já não pertence à Fundação GlaxoSmithKline das Ciências de Saúde, apesar de continuar a aparecer na site da internet desta multinacional farmacêutica como vogal do respectivo Conselho de Curadores.
  2. “Fui curador mas já não sou, porque a fundação deixou de funcionar desde que saiu o anterior presidente [da GSK]”. Seja como for, “esta era uma solução independente da empresa e as decisões eram tomadas independentemente da atribuição de subsídios”, acentuou Jorge Torgal, que não quis prestar declarações a propósito da sua nomeação para o Infarmed. O médico reagia assim a várias notícias que o davam como conselheiro da indústria farmacêutica.