Showing posts with label Prof. João Lobo Antunes. Show all posts
Showing posts with label Prof. João Lobo Antunes. Show all posts

Sunday, May 20, 2012

A evidente insustentabilidade

Portugal viveu parcialmente e durante as últimas décadas, graças ao crédito internacional e aos subsídios comunitários. Apesar desse apoio constante, o país não ganhou autonomia económica e financeira. Contudo, a classe dirigente, políticos, professores universitários, empresários e afins, não quiseram ver a realidade. Acreditaram sempre, que os amigos internacionais ajudariam sempre o país.

Agora, a realidade é dura, atingindo mesmo a "creme de la creme":

  1. A Administração Regional de saúde de Lisboa está determinada em retirar 90 milhões de euros ao orçamento do Hospital de Santa Maria, um corte que o seu administrador já classificou como impossível de suportar.
  2. O cardiologista Correia da Cunha, o cirurgião Fernandes e Fernandes e o neurocirurgião Lobo Antunes estão a unir esforços numa operação complexa para salvar o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, de um golpe profundo no orçamento que, garantem os referidos especialistas, irá "amputar" também a Faculdade de Medicina e o Instituto de Medicina Molecular.
O que querem os responsáveis do Hospital de Santa Maria? Será que estes Senhores, já se deram conta de que há cerca de 20% da população portuguesa no desemprego? Será que estes Senhores, já se deram conta que a carga fiscal sobre os ainda - contribuintes é das maiores do mundo? Será que estes Senhores, já se deram conta de que o Estado cortou sucessivamente, abonos de família, rendimento mínimo, subsídios de desemprego, pensões, salários da Função Pública? Será que estes Senhores, já se deram conta de que Portugal vive dependente do financiamento externo? Querem que o Hospital de Santa Maria fique incólume?

Tuesday, February 08, 2011

Veto a pedido

Lê-se isto: O Presidente da República vetou hoje o diploma do Governo sobre prescrição de medicamentos que permite que a prescrição da marca do medicamento pelo médico seja substituída pelo farmacêutico, quer por medicamentos genéricos, quer por outro essencialmente similar.

Não se percebe a fundamentação do veto.

A não ser que o Presidente da República esteja condicionado por:

1. A Ordem dos Médicos rejeita a prescrição por Denominação Comum Internacional por estar em causa “a defesa da qualidade da medicina e dos doentes” e propõe uma uniformização dos preços de todos os medicamentos com o mesmo princípio activo.

2. O presidente da Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos (APOGEN) está "absolutamente de acordo" com as razões que levaram o Presidente da República a devolver hoje ao Governo o diploma que prevê a obrigatoriedade da prescrição de medicamentos por substância activa.

3. A Ordem dos Médicos aplaudiu hoje o veto do Presidente da República ao diploma que previa a obrigatoriedade de prescrição electrónica e por substância activa, considerando que é a decisão que defende os interesses dos doentes.

Ou será porque o seu Mandatário de Campanha foi o Senhor Professor João Lobo Antunes?

Friday, August 08, 2008

João Lobo Antunes: uma visão clara

É sempre com agrado que lemos idéias de pessoas inteligentes e sensatas. O Professor João Lobo Antunes dá uma entrevista aqui, na qual deixa um conjunto de estados de alma preocupantes, vejamos:
  • Há uma crise gravíssima de valores e uma crise daquilo que é o cimento de uma sociedade contemporânea: a confiança. Nós precisamos de ter confiança que o contador de electricidade conta como deve ser, que as pessoas não estão a fazer batota num jogo de futebol, que os concursos públicos são limpos, que não há interesses ocultos. Estamos numa sociedade com um nível de complexidade tal que temos de confiar nas pessoas e nas instituições públicas e privadas. Quando há uma crise de confiança, por exemplo na justiça, as pessoas vivem desconfortáveis.
  • o pessimismo é uma profecia que se cumpre. Isto acontece a vários níveis. Em medicina, quando dizemos que o prognóstico é irremediável, toda a gente desiste – incluindo o próprio médico. Mas o conhecimento, ao contrário do que se possa pensar, veio trazer muito mais incerteza.
  • É óbvio que há claras injustiças. Quem pode pagar deveria contribuir. A questão fundamental é tentar garantir a acessibilidade com equidade. Que a pessoa não fique ali eternamente à espera das consultas ou de tratamentos de que precisa. Obviamente que isto é um desiderato que tem um claríssimo fundamento moral – que não é de esquerda nem de direita.
  • Há um problema geográfico, em relação aos locais para onde os médicos devem ir. É preciso médicos no interior. E há um problema na escolha das especialidades: os jovens médicos querem especialidades mais tecnológicas, com maior prestígio social, embora não haja nada mais nobre do que a figura do médico de família.

Muitas incertezas e com elas, muita insatisfação e falta de confiança. Melhores dias virão, assim o esperamos.