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Monday, March 03, 2014

Por andam os gestores?

Por este sítio, escreve-se sobre a insustentabilidade do SNS há pelo menos 7 anos. Correia de Campos. Ana Jorge. Paulo Macedo. Conversa e muita conversa. Muitos administradores hospitalares. Muitos especialistas em saúde. Muita conversa fiada. Portugal não tem capacidade para dar aos seus cidadãos, um serviço nacional de saúde de 1º mundo. É duro? É. Mas, a realidade é incontornável.

Curioso é mesmo, que uns quantos ditos gestores do SNS, que por lá andam há vários anos, só agora gritam: António Ferreira é conhecido pela sua frontalidade e, para o médico, é necessário reformar o sistema de saúde ou acabará por estoirar.

Nada de novo, na frente de Leste. Nenhum país de 2º ou 3º mundo pode ter um serviço nacional de saúde de 1º mundo. Mas, este Senhor Dr. António Ferreira só agora descobre o evidentíssimo: Para o presidente do Hospital de São João, o sistema de Saúde não é sustentável. São necessárias reformas na área dos recursos humanos, medicamentos e dispositivos médicos.

Como diria alguém, mais vale tarde do que nunca!

Saturday, December 22, 2012

Cada cirurgião faz em média uma cirurgia por semana

Portugal está em completo estado de catarse. Se calhar, poderá vir até a diluir-se. Se vier a acontecer, será por culpa dos portugueses, pertençam eles às élites de poder, sejam eles povo, apenas.

Isto são crimes contra uma pátria sem destino e sem vontade ou alma: O presidente do Conselho de Administração do Hospital de São João, no Porto, disse ontem à noite na TVI24 que em Portugal existem 3854 cirurgiões especialistas e que cada especialista em cirurgia, das várias especialidades que há, "faz em média uma cirurgia por semana, convencional".


Isto é aterrador, sobretudo para quem paga impostos: António Ferreira apresentou os seguintes números: "Nós, serviço nacional de saúde, fizemos em Portugal, em 2010, 196 675 cirurgias, em todas as especialidades. Temos em Portugal cirurgiões especialistas, não estou a falar dos internos de especialidade, que também trabalham nos hospitais, 3854. Se considerarmos um ano de 46 semanas isto dá um indicador que é que cada cirurgião especialista, das várias especialidades, faz em média uma cirurgia por semana, convencional".


Coitados dos portugueses que ainda remam contra a maré imensa de oportunistas e sugadores de um Estado falido.

Tuesday, January 06, 2009

Efeito boomerang

O Dr. António Ferreira, Presidente do Conselho de Administração do Hospital de São João, abriu uma guerra que não vai ser curta, quando ameaçou ou disse ter intenções de "publicar uma lista com a assiduidade dos médicos".

Vejamos o efeito boomerang: O Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos está "indignado" com as alegadas afirmações do presidente do Hospital de São João, no Porto, que terá insinuado que os médicos faltavam muito e ameaça "tomar as medidas necessárias", não descartando a possibilidade de processar o administrador.

Os gestores não devem abdicar de uma função fulcral, que é o controlo de gestão, sob pena de eles próprios não desempenharem a sua função, de forma integral. O Dr. António Ferreira veio afirmar que os funcionários públicos com vínculo definitivo têm um nível de absentismo muito mais elevado do que os funcionários públicos com contrato individual de trabalho. Se o referiu, é porque não é mentira. Se é verdade, resta ao Dr. António Ferreira actuar para que o erário público e os contribuintes não saiam defraudados.

Concordamos com isto, que o Dr. António Ferreira quer fazer:
  • o presidente do Conselho de Administração do Hospital de São João anunciou que esta unidade de saúde vai adoptar este ano uma política de incentivos aos profissionais, monitorizando a sua produção e respectiva qualidade através de sistemas informáticos.
  • António Ferreira explicou que a monitorização em tempo real acontecerá através de sistemas informáticos, que substituem o 'papel' até agora utilizado mas sem recurso a quaisquer câmaras de vigilância.

Mas, já não concordamos com isto:

  • Actualmente, o hospital atribui subsídio de assiduidade a trabalhadores que estejam ao abrigo da lei geral.

E porque é que não concordamos? Apenas por isto: não será suposto os funcionários receberem um salário por contrapartida de um determinado serviço, com o respectivo horário de trabalho? Então, para que é que se incentiva quem cumpre o horário de trabalho? Nós achamos, que quem não cumpre o horário, deve ser penalisado. Se não, o crime compensa!

Sunday, January 04, 2009

Grave, muito grave

A gestão evolui todos os dias. Ás vezes, no sentido positivo. Ás vezes, no sentido negativo. Vejamos esta parte de entrevista do Senhor Presidente do Conselho de Administração do Hospital de São João, do Porto:
  • Neste hospital, temos dois grandes grupos: os profissionais da Função Pública e os que agora fazem contrato individual de trabalho. A taxa de absentismo na Função Pública, em termos brutos, é da ordem dos 14 a 16%. Nos contratos individuais de trabalho não ultrapassa um por cento.
  • E é preciso que se desmistifique a ideia de que só acontece com os médicos. Temos profissionais que faltam 59 dias, vêm trabalhar dois ou três e faltam mais 59, com base em atestados.
  • Isto é estratégico. Como se resolve isto? No respeito por todos os direitos legais, com a publicação das listas de ausências. Isto nos locais de funcionários do hospital, não para doentes ou visitas. E há outra coisa, o pontómetro (para picar o ponto) não diz o que estão a fazer no hospital. O que produziram? Os médicos deram consultas? Viram doentes?

Antes de mais, comentários nossos:

  1. Portugal continua a ser o paraíso de alguns e a miséria para a maioria.
  2. O sistema laboral, apesar de aparentemente rígido, ainda só funciona para uma grande minoria.
  3. O controlo de gestão em Portugal, ainda passa apenas pelo "pica ponto". O que, segundo se vê pelo caso do Hospital de São João, do Porto, é ainda muito pouco. Para não dizer, nada.