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Sunday, May 04, 2008

Hospital de São João: será mesmo inequidade?

Será isto risível: O semanário “Sol” avança hoje que o hospital realizou cirurgias plásticas em funcionárias da unidade, na sua maioria para reduzir ou aumentar o peito, e que algumas dessas mulheres estavam inscritas na lista de espera como os restantes doentes ou eram operadas quando faltava um doente para outra operação qualquer?

O SNS é suportado pelos impostos dos portugueses. Como tal, deve ter regras rígidas, sob pena de causar inequidade. As listas de espera persistem. Muitos portugueses buscam no estrangeiro, soluções para cirurgias que não encontram em Portugal. E no Hospital de São João, as funcionárias melhoram a sua riqueza estética, apenas pelo facto de serem funcionárias?

E ainda temos que ouvir este tipo de dislate: o director do serviço de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva do São João, José Amarante, defendeu que “é natural que haja funcionárias ou familiares de funcionários” a fazer a operação, argumentando que aquele hospital é o único da região norte com este serviço.

Como? E os recursos do referido Hospital não poderiam ser reorientados para outras valências, como aquela em que encaminham velhos portugueses para uma mera operação às cataratas em Cuba?

De facto, os recursos não são escassos nos hospitais portugueses! Esperemos que melhores dias venham.

Thursday, February 14, 2008

Senhora Ministra: aqui vai mais um desperdício

O actual governo gosta muito de uma frase: "o combate ao desperdício". Esta frase serve para o bem e serve para o mal. O desperdício pode ser o encerramento de uma escola em Trás-Os-Montes com 5 alunos; o desperdício pode ser o encerramento de uma maternidade que não "produza" 1.500 bébés por ano; o desperdício pode ser o encerramento de cursos no Ensino Superior com menos de 20 alunos.

Convenhamos que concordamos com o "combate ao desperdício", mas já não concordamos que aqueles sejam os principais desperdícios. Aliás, podem-nos chamar populistas, mas o primeiro sinal de combate ao desperdício tem forçosamente que vir de cima, e aí, por exemplo, o Estado deveria evitar a aquisição de novas viaturas acima de 1.400 centímetros cúbicos durante 5 anos.

Mas, poderíamos dar muitos mais exemplos. Vejamos um claro e evidente desperdício que o SNS não evita: Serviço Nacional de Saúde está a pagar cirurgias plásticas estéticas.

Como? O SNS tem dinheiro para pagar cirurgias estéticas? Parece que sim:
  • há casos de utentes que recorrem ao Serviço Nacional de Saúde e que pedem uma cirurgia estética, sendo por vezes encaminhados por alguns hospitais para o sistema de listas de espera.
  • Como acontece em muitos casos, o sistema de gestão não consegue uma cirurgia para estes utentes no prazo de nove meses, sendo então o serviço realizado por um privado, em regime de convenção.
  • Segundo referiu o presidente do Colégio de Cirurgia Plástica da Ordem dos Médicos “há clínicas que estão a despachar situações de cirurgia plástica de estética pura à custa do erário público” acrescentando que, no seu entender, “é imoral que isto aconteça num país onde, por exemplo, há uma comparticipação limitada de medicamentos essenciais”.

Mais palavras? Onde está a contenção? Não vivemos nós num Regime de falácia e de desenrasque?

Post Scriptum: para nós existe esta excepção, “Se uma pessoa tem muitas cicatrizes devido a uma operação por causa de um acidente, essa cirurgia é estética, mas necessária”.