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Wednesday, June 25, 2008

Mais vale tarde do que nunca

Temos aqui alertado para o mau estado de muitas instalações de saúde em Portugal, nomeadamente hospitais e centros de saúde. E muitas vezes, e ao contrário do que se pensa, o mau estado não aparece só em edifícios velhos. Vejamos mais um caso:
  • O edifício de Obstretícia/Ginecologia do Hospital de Reynaldo dos Santos, em Vila Franca de Xira, vai ser encerrado por motivos de obras, segundo uma nota do conselho de administração do hospital hoje divulgada.
  • A administração desta unidade hospitalar justifica a decisão com "o risco de desmoronamento da cobertura do edifício do Hospital e o perigo eminente para a segurança dos utentes e profissionais".

Vejamos como o Hospital de Vila Franca de Xira não é assim tão antigo:

  • O Hospital de Reynaldo dos Santos (HRS)......Desenvolve a sua actividade em Vila Franca de Xira, em terrenos da propriedade da Santa Casa de Misericórdia, com instalações edificadas em três épocas distintas (1951 – 1983 – 1998).

Concluimos que a presente Direcção do Hospital de Vila Franca de Xira conseguiu, ainda assim, evitar o desmoronamento de um edifício que não é antigo e já sofreu várias fases de ampliação e restauro! É triste que só se tomem decisões em situações extremas.

Na Ponte de Entre-Os-Rios foi pior!

Friday, August 10, 2007

Incúria, erro ou negligência médica?

Eis a questão, perante tão grave situação:

Na mesma notícia, refere-se ainda: O caso remonta há quatro anos, quando uma criança nasceu com lesões irreversíveis, o que levou os progenitores a apresentarem várias queixas, tendo umas delas dado origem ao processo disciplinar que resultou num processo à clínica, Olímpia Trigo do Campo.

Não conhecemos o caso, não conhecemos a médica, não conhecemos a criança, apesar de já a termos visto na televisão. Só por termos visto na televisão a criança, sentimos alguma revolta.

Não somos juízes, médicos ou sequer responsáveis públicos. Somos alguém que tem antes de mais, apenas e só, como intenção a protecção dos direitos dos cidadãos, perante os prestadores de serviço.

Nessa qualidade, que ninguém nos incumbiu, gostamos que os cidadãos sejam mais respeitados, num sector, em que há por hábito, tratar os doentes, como "pacientes". Termo, para nós, aviltante e, mesmo, revoltante. Porque será que um doente é "paciente", e um utilizador de um banco ou de um supermercado, também não é "paciente"?

Todos temos direito a errar. Todos, mesmo os médicos, os enfermeiros, os políticos, os gestores, os polícias, ou, entre outros, os juízes. Mas, temos que ter uma avaliação muito rigorosa, sobre o que distingue o "erro", da incúria ou da negligência. É que ignorar um cliente num supermercado, resultará, certamente, na troca de fornecedor de supermercado. Ignorar um doente, ou esquecer-se dele, pode ter consequências muito graves. Talvez seja esta uma das razões, porque não é fácil trabalhar no sector da saúde. Mas, também talvez seja esta uma das razões, porque as pessoas que trabalham na saúde, tem um estatuto social mais elevado e, normalmente, rendimentos também mais elevados.

Mas, só está a trabalhar no sector da saúde, quem quer. Quem achar que trabalhar no sector da saúde envolve riscos elevados, só tem que mudar de profissão.

Registamos, finalmente, duas outras notícias, a propósito ainda deste caso, que nos deixam incomodados:

Coitadas das pessoas, que terão que estar a ser atendidas por tal pessoa, apesar do que aqui se afirma: a conclusão do relatório final da inspecção em que é considerada «uma médica de valor excepcional, com conhecimentos técnicos e qualidade humanas fora do vulgar».