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Monday, July 18, 2011

Material médico made by serralheiros

A serralharia do Hospital Garcia da Orta (onde a Dra. Jorge foi Directora de Serviço durante vários anos), produz equipamentos médicos: Os serralheiros do hospital abriram furos de broca num material, que por razões de segurança, não pode, sequer, ser riscado. E, pior que isto, os ortopedistas passaram a aplicar próteses de uma metalúrgica que nunca fabricou nem está autorizada a fabricar dispositivos médicos.

Num país, em que pulula a ideia da regulação por múltiplos órgãos, parece que ninguém se apercebe de nada.

É uma versão semelhante à regulação do Banco de Portugal que não viu o que se passava no BPN, no BPP, no....

Ainda se queixam por "Portugal estar na condição de lixo".

Wednesday, June 09, 2010

Férias médicas

O ainda Primeiro-Ministo começou o mandato do seu anterior governo, com uma ideia peregrina: acabar com as chamadas férias judiciais. Diz o governo que acabaram os dois meses de férias da "máquina judicial". Não sabemos se de facto os Tribunais funcionam ou não, no período de Verão.

Entretanto, foi-se criando uma moda há uns anos, que são as férias médicas. Isto é, o SNS não tem capacidade de absorção de doentes durante o período de Verão, e então, encerram-se partes de hospitais e os doentes que se amanhem!

Experimentaram a moda e pegou de estaca: A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo anunciou hoje que, entre 15 de junho e 15 de setembro, a urgência pediátrica, no período noturno, será garantida em exclusividade pelo Hospital Garcia de Orta, em Almada.

E porquê que o Hospital Garcia de Orta vai garantir em exclusividade o atendimento nocturno da urgência pediátrica, por isto:
  • No período das 09:00 às 24:00, a urgência pediátrica será assegurada pelas três Unidades Hospitalares da Península: Hospital Garcia de Orta, Centro Hospitalar Barreiro-Montijo e Centro Hospitalar de Setúbal.
  • No período das 0h00 às 9h00, todos os dias da semana, a Urgência Pediátrica será garantida exclusivamente pelo Hospital Garcia de Orta que prestará os cuidados de saúde à população da Península de Setúbal.

Ou seja, numa das mais densas regiões do país, e durante 3 meses, vai haver um único hospital a funcionar durante 9 horas do dia!

Não é isto uma forma encapotada de "fecho do SNS"? É claro que é. Não é ainda o fecho total. O SNS vai sendo fechado por fases. Só que as fases vão sendo cada vez mais curtas e rápidas! Seria bom, é que estes encerramentos faseados do SNS resultassem em reduções de impostos. Mas, nem isso. Eles comem tudo, e não deixam nada.

Tuesday, May 18, 2010

Jobs for the boys

A expressão foi de um ex-Primeiro Ministro. Dizia ele na altura: no more jobs for the boys. Tal era o enxame que ele tinha à sua volta. Mas, os enxames à volta do Estado, não o largam. Parecem larvas que consomem um corpo em estado de cadáver, vejamos um mero retrato da política de saúde da Senhora que está no turno da Avenida João Crisóstomo:
  • O presidente do Conselho de Administração do hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, Nelson Baltazar, em funções desde janeiro de 2009, confirmou hoje à Lusa que cessará funções na sequência de uma proposta do Ministério para participar noutro projeto.
  • O antigo deputado socialista, que deveria cessar funções apenas no final de 2012, afirma acreditar “completamente naquilo que é o projeto do HGO” e considera que deixa à próxima administração um hospital melhor do que o que recebeu.

Terá sido Nelson Baltazar despachado para algum "projecto especial", vulgo prateleira dourada? Ou será que Nelson Baltazar é tão bom, que vai liderar um novo projecto na área do Ministério da Saúde, que vai por exemplo, limitar a débacle financeira do SNS? É que não é normal, alguém estar há pouco mais de um ano numa função, e ser alocado para outra função, sem se saber qual é essa nova função!

Monday, April 28, 2008

Estrangulamentos previsíveis

O planeamento na actividade das organizações tem sido desleixado dado que se assume que num mundo em constante mutação é superfluo tentar planear e perspectivar o futuro. Não. Mesmo numa constante mudança, deve-se tentar prever o futuro e até mesmo antecipá-lo.

Vê-se neste caso que não houve planificação por parte do Ministério da Saúde quando decidiu encerrar serviços de saúde na margem Sul do Tejo:
  • A necessidade de ser construída uma nova unidade na margem Sul do Tejo intensificou-se em 2007, depois do fecho total ou parcial de Serviços de Atendimento Permanente (SAP). "Há um excesso de pessoas no serviço de urgência do Garcia de Orta", salienta Jorge Fernandes, do secretariado das comissões de utentes da saúde do concelho de Almada. "A situação é caótica, porque a partir das 20 horas, o único recurso é o Garcia de Orta", avança.

Fechar serviços é tarefa fácil. Contudo, entopem-se as alternativas que funcionam. É a teoria dos vasos comunicantes.

Agora, só resta tentar agilizar novas soluções. Contudo, até que venham a existir novas soluções, os cidadãos vão sofrer muito:

  • "Cada dia que passa a situação agrava-se", conta o autarca, lembrando que o Hospital do Seixal foi definido em 2006 como a terceira prioridade a nível nacional. Alfredo Monteiro recorda igualmente que o Garcia de Orta "tem três vezes mais população do que o previsto e é o hospital com maior ocupação em Portugal em todas as áreas".
  • "Foi constituído um grupo técnico, encarregue de aprofundar a definição do perfil assistencial e o dimensionamento da nova unidade hospitalar, o que está a decorrer", avançou ao JN a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT).

As populações da margem Sul do Tejo ainda vão ter muito que esperar.

Tuesday, February 26, 2008

A saúde e as urgências clínicas

Fala-se e escreve-se muito sobre a existência e o papel das urgências clínicas no apoio às populações. Há muita gente a estudar o assunto, há muitos interesses pelo meio e há muita gente mal informada.

Vejamos o que se vai dizendo por aí:
  • Diz a Ordem dos Médicos: “Os doentes não estão a ser bem assistidos devido ao congestionamento nas Urgências” causado pelas reformas, disse, garantindo que isso “aumenta a mortalidade em 40 por cento”.
  • Diz um dos reformadores do sistema de urgências: a reforma elaborada com a necessidade de atender ao tempo actual, em que os serviços são mais procurados e os “recursos humanos extremamente escassos”. No entender do médico o SNS não tem demonstrado plasticidade para “conviver com vários fardos” e argumentou que um “serviço não existe isolado, tem que funcionar em rede”.
  • Diz o fundador do SNS: considerou, “ o melhor serviço do Estado português, uma conquista da democracia e de um estado de direito”.
  • Diz uma doente: Esmeralda Pereira, de 51 anos, esperou dez horas para ser atendida nas Urgências do Hospital Garcia de Orta, em Almada. Com “fortes” dores na coluna, entrou na unidade às 00h30 de ontem. Na triagem mediram-lhe a temperatura e determinaram o caso como “pouco urgente”. “Quando chegámos havia cerca de dez pessoas. Não entendo tanta espera para ser atendida”.

Nós dizemos apenas duas coisas: 1) os recursos são limitados; 2) a falta de gestão de recursos pode ser calamitosa.