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Thursday, January 15, 2009

Unidade de radioterapia na Madeira

A instalação de uma unidade de radioterapia não custa meia dúzia de euros. Naturalmente que não queremos implicitamente dizer que a instalação de equipamentos de cariz oncológico deva apenas ser avaliada por questões de rentabilidade comercial. Os portugueses pagam impostos e devem ser solidários. Mas, é preciso avaliar a disponibilidade dos recursos, face às necessidades.

Lemos esta notícia:
  • Os cerca de 250 doentes oncológicos na Madeira que anualmente se tinham de deslocar ao continente para tratamentos passarão a ser assistidos na unidade de radioterapia que vai entrar em funcionamento em Fevereiro no Funchal.
  • O governante, Francisco Jardim Ramos, salientou tratar-se de uma clínica privada que se candidatou num concurso internacional, a Quadrante, que tem várias unidades de prestação de serviços nesta área, em Lisboa, Porto e Faro.
  • "Temos enviado uma média de 250 doentes oncológicos por ano ao continente. Esta é já uma doença com muita carga de sofrimento, que traz mais penosidade pelo facto das pessoas terem de sair da região, pelo que o objectivo deste projecto é dar-lhes mais conforto e amenizar a situação", destacou.

Não queremos imaginar o sofrimento de um doente oncológico. Mas, queremos antes, imaginar que há muitas outras doenças dolorosas e mais raras, mas que não têm qualquer apoio, dado que os recursos são escassos!

Será que 250 doentes justificam a instalação de uma unidade de radioterapia? Temos muitas dúvidas.

Wednesday, April 16, 2008

Radioterapia em Évora?

Há vários equipamentos médicos, que apesar de serem necessários a vários doentes, só justificam o seu investimento se implicarem uma avaliação cuidadosa do seu investimento.

É que os custos inerentes à saúde não podem ser ilimitados, ainda que se vá afirmando que "a saúde não tem preço"! A saúde tem custos cada vez maiores e a nossa sociedade tem que analisar diferentes cenários alternativos: 1) investir mais em prevenção? 2) investir na reabilitação das infraestrturas que já existem? 3) investir em novos equipamentos? 4) investir numa maior dispersão geográfica de serviços?

Parece-nos que este investimento deveria estar muito suportado em estudos de avaliação de investimento sólidos: A decisão de lançar um concurso público internacional para a construção de uma Unidade de Radioterapia no Hospital do Espírito Santo resulta da recente autorização dos ministérios da Saúde e das Finanças, após «diversos anúncios nunca concretizados por falta de enquadramento financeiro».

Dão-nos algumas ideias sobre o investimento:
  1. O investimento total previsto ronda os sete milhões de euros, em equipamentos (dois aceleradores lineares, TAC de simulação, sistema de planeamento computorizado, entre outros) e na adaptação do espaço físico para acolher a Unidade de Radioterapia.
  2. Por ano, devem ser tratados 900 a 1400 doentes de toda a região Alentejo, pretendendo a unidade promover a «multidisciplinaridade entre as várias especialidades, articulada com os principais centros de referência nacionais e estrangeiros».

Talvez esta Unidade de Radioterapia venha a ser útil e rentável, mas seria necessário avaliar se outros equipamentos de radioterapia que existem em Portugal estão devidamente rentabilizados.